quinta-feira, 23 de maio de 2013

O jurista e o terrorista


Hoje, 23 de maio, após mais de 6 meses, o posto de ministro do STF ocupado por Ayres Britto – cuja vacância se deu em virtude de sua aposentadoria compulsória – recebeu uma indicação da presidente Dilma Rousseff. Eis a nota oficial a esse respeito, emitida pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República:
A Presidenta [sic] Dilma Rousseff indicou hoje o advogado Luís Roberto Barroso para compor o quadro de ministros do STF, ocupando a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Ayres Britto. A indicação de Barroso, professor de Direito Constitucional e Procurador do Estado do Rio de Janeiro, será encaminhada nas próximas horas ao Senado Federal para apreciação. O professor Luís Roberto Barroso cumpre todos os requisitos necessários para o exercício do mais elevado cargo da magistratura do país.

Luís Roberto Barroso

Para pessoas que não fazem parte do mundo jurídico, certamente será difícil se lembrar de quem se trata o novo ministro. Este articulista também não se recordava da figura. No entanto, ao se pesquisar (pouco, é verdade) sobre o novo ministro, eis que seu nome surgiu indelevelmente associado a um nome que, para aqueles que acompanham de perto a vida política do País e não têm memória curta, é-nos bem conhecido: Cesare Battisti. Luís Roberto Barroso foi nada menos que advogado do eminentíssimo terrorista da Itália e fugitivo da justiça daquele país, que recebemos de braços abertos como a um verdadeiro paladino da liberdade e da democracia.

Somente esse fato já serviria para causar, no mínimo, desconfiança em qualquer pessoa que tenha senso de realidade – um bem, aliás, sobremaneira escasso em Terra Brasilis. Mas como não gostamos de dar motivos plausíveis para sermos tachados de gente ignorante que não se atém à profunda verdade dos fatos – pecha que fatalmente receberemos –, gostaríamos de comentar aqui algumas poucas considerações do novo ministro conforme entrevista concedida pelo Dr. Barroso à revista “Consultor Jurídico” em agosto de 2009. Os grifos (em vermelho) são nossos.

* * *
ConJur — É quase certo [que Battisti seja inocente]?
Barroso — Vamos admitir, para argumentar, que Cesare Battisti tivesse participado, naqueles dias convulsionados da década de 70, de ações armadas que resultaram na morte de quatro pessoas. Dois policiais e dois civis. Mas, registre-se, não eram civis comuns. Eram simpatizantes da extrema-direita, que seguiam a política de reagir às ações da esquerda armada. Torregiani, por exemplo, o joalheiro, andava armado, com colete a prova de balas e guarda-costas e havia reagido a uma ação em um restaurante, matando um dos invasores. Eu não posso, não devo e não quero justificar as mortes. É lamentável o quadro de intolerância mútua e de violência que marcou aquela fase da vida italiana. O que estou desmistificando é a história contada pela Itália de que pobres vítimas civis e inocentes foram chacinadas. Isso é uma afirmação deliberadamente falsa, para tentar dar uma conotação de crime comum a um embate político entre extremistas.
A lógica que o Dr. Barroso utiliza é bastante peculiar: se alguém reage a uma ação armada de um terrorista socialista, é automaticamente um membro da extrema-direita e, portanto, uma pessoa cuja morte não deve provocar comoção ou estranhamento. Pierluigi Torregiani, que é colocado pelo Dr. Barroso no grupo de “simpatizantes da extrema-direita, que seguiam a política de reagir às ações da esquerda armada”, tinha 42 anos quando foi assassinado por membros do grupo PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), em 16 de fevereiro de 1979. Fato é que, em virtude de sua profissão e da época conturbada que a Itália vivia, era mais do que sensato portar uma arma: afinal, Torregiani era joalheiro. Após reagir à primeira tentativa de assalto, o joalheiro começou a receber ameaças de morte, motivo pelo qual recebeu escolta policial. No entanto, isso não impediu que fosse assassinado a sangue frio – e que seu filho, Alberto Torregiani, então com 14 anos – o atentado ocorreu na véspera de seu 15º aniversário –, ficasse paraplégico em virtude de um disparo. Será que o jovem rapaz, hoje com 49 anos, não foi uma “pobre vítima civil e inocente”?

Alberto Torregiani, filho do joalheiro Pierluigi Torregiani.
ConJur — Mas se for culpado, deve ser punido...
Barroso — Na vida e no Direito, existem missões de justiça e missões de paz. No caso de criminosos nazistas, entendeu-se, a meu ver com razão, que deveria haver uma busca perene por justiça. A humanidade precisava virar aquela página sombria e, para tanto, punir os culpados era imprescindível. Mas, definitivamente, não acho a mesma coisa dos que foram protagonistas da guerra ideológica entre capitalismo e socialismo. Nesse caso, o que se deve buscar é a pacificação. Hoje tudo pode parecer uma aventura absurda, mas o sonho socialista conquistou corações e mentes de toda uma geração, despertando reações igualmente passionais. E, mais do que uma injustiça histórica, acho uma perversidade você pretender retaliar esses militantes mais de 30 anos depois. A guerra fria, os anos de chumbo... Diz-se que na Itália não houve uma ditadura, como ocorreu no Brasil. Mas, independente disso, a reação do Estado italiano foi mais truculenta e acompanhada de um poder paralelo de extrema direita, de que são exemplo a Loja P2 e o Gládio. Basta ler qualquer relatório da Anistia Internacional para ficar sabendo da imensa violência física e psicológica, com torturas variadas, que marcaram a repressão italiana.
Imaginem a seguinte cena: a meio caminho do rigoroso inverno ucraniano, uma família de camponeses pobres recebe uma inesperada visita de um pelotão de soldados devidamente uniformizados e armados que começam a recolher todos os víveres de que dispõe. As famílias recebem ordens de não buscarem alimentos em outros lugares, e perímetros de segurança são estabelecidos e guardados pelo exército. Num espaço de menos de 6 meses, 7 milhões de pessoas morrem de fome. Mas o que o massacre promovidos contra os ucranianos por Stalin entre 1932 e 1933, mais conhecido como Holodomor, tem a ver com os grupos armados de esquerda da Itália dos anos 1970? Uma coisa: o ideal político. Aquilo que o Dr. Barroso chama de “sonho socialista” que “conquistou corações e mentes” na Itália setentista foi o mesmo sonho responsável pelo deliberado e minucioso extermínio de mais de cem milhões de pessoas no mundo inteiro – muitas vezes mais do que as vítimas do nazismo. Foi em nome do “sonho socialista”, a ditadura do proletariado, que grupos como o PAC, de Cesare Battisti, e VAR-Palmares, de Dilma Rousseff, promoveram seqüestros, assaltos, atentados a bomba e assassinatos. Para o Dr. Barroso, condenar um terrorista contumaz por seus crimes é retaliação, e não justiça.
ConJur — Quando começa a história de Battisti no Brasil?
Barroso — Battisti passou dez anos no México e 14 anos na França, abrigado pela doutrina Mitterand. Constituiu família, teve filhas, sobreviveu como zelador e como escritor. Seus livros são publicados pela renomada editora Gallimard. Intelectuais franceses da expressão de Bernard-Henri Levy e Fred Vargas defendem-no com veemência. Em 1991, a França negou o pedido de extradição feito pela Itália. Ele permaneceu na França até 2004. Em 2005, sob os novos ventos políticos na França e na Itália, a extradição foi concedida. Uma coisa esquisita. Nessa altura, ele já estava refugiado no Brasil. Em todo esse período, Cesare Battisti jamais esteve envolvido em qualquer tipo de conduta imprópria. Pelo contrário, ajustou-se com grande adequação a todos os lugares onde esteve. A pergunta a se fazer é a seguinte: em que serve à causa da humanidade, depois de 30 anos de vida regular e produtiva, mandar este homem para a prisão perpétua? E isso apesar da conotação política das acusações e de todos os elementos que lançam dúvidas profundas sobre a culpa? Ativistas brasileiros, acusados ou mesmo condenados pelos mesmos atos, foram anistiados. Assim como seus torturadores. Por que o Brasil deveria abandonar sua tradição humanitária para fazer uma ponta nesse filme, e como carrasco? Devemos fazer parte de uma missão de paz. Não somos vingadores mascarados. Essa não é a cara do Brasil.
É curioso notar que aqueles que pegaram em armas e cometeram inúmeros crimes em nome da implantação de uma ditadura comunista são agraciados pelo Dr. Barroso com a genérica terminologia de “ativistas”, enquanto seus algozes, que à época eram agentes de Estado no pleno cumprimento de seus deveres, são classificados taxativamente de “torturadores”, tenham-no sido efetivamente ou não. Martin Luther King foi um ativista. Mahatma Gandhi foi um ativista. Cesare Battisti não foi um ativista: foi terrorista. Assim como foi terrorista o infame Achille Lollo, que, a exemplo de Battisti, foi recebido com honras de herói estrangeiro – mesmo sendo réu confesso do assassinato Virgilio Mattei, 10 anos, e seu irmão Stefano, 22, carbonizados até a morte na madrugada de 16 de abril de 1973. O que fazer diante desses terroristas, ou melhor, ativistas? Fechar os olhos e esquecer. Tal é a “missão de paz” que propôs, à época, o eminente advogado.

Corpo carbonizado de Stefano Mattei, vítima de Achille Lollo.

* * *

O agora quase-ministro Luís Roberto Barroso não apenas atuou na defesa do terrorista italiano Cesare Battisti. É possível ver, em seu site oficial, sustentações orais perante o Supremo Tribunal Federal em que defende, dentre outras coisas, o reconhecimento legal das uniões homossexuais, as pesquisas com células-tronco embrionárias e o aborto de crianças anencéfalas.

A revolução cultural ganhou mais um defensor no seio da suprema corte constitucional brasileira. E, assim, todos nós perdemos.

23 comentários:

  1. Algumas perguntas deveriam ser respondidas neste caso.
    O que leva um “advogado famoso” a ser Ministro do Supremo?
    Altruísmo? Poder?
    Largar uma profissão rendosa por um abacaxi?
    Ganhar menos em nome do que? Poder?
    Querer o bem da nação? É patriotismo demais para um ser humano nascido no Brasil.
    Alguém conhece quem largou algo que se é bem remunerado por um salário menor e mais trabalhoso? Eu não conheço.
    Claro que o senado não vai fazer tais perguntas, seria pedir demais.
    E assim segue esta nação carente de decência.
    Ou será que estou vendo fantasmas?

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    1. "To fora",

      Sou do parecer do Felipe Melo de que com homens como o Barroso, independentemente da fama de jurista festejado dele, o Brasil inteiro perde, todos nós perdemos. Na esfera de poder em que ele tomará parte, já não se trata mais de decidir questões jurídicas, mas questões políticas e é em um sentido completamente político em que ele é nomeado: o sentido do abortismo, do revisionismo do terrorismo, da apologia gay, da ditadura do relativismo moral e toda a pauta de esquerda.

      Todavia, acho que a resposta com relação ao porquê de ele querer assumir o posto de Ministro é mais simples e menos pretensiosa. O Barroso acredita naquilo que defende como correto. O Barroso acredita que está, em alguma medida, fazendo o certo. Ele não precisa de dinheiro, não é esse, portanto o interesse dele, o que ele tem são objetivos ideológicos muito claramente estabelecidos e, agora, mais ainda, a oportunidade de ser agente na consecução deles.

      Às vezes, sem conhecer as pessoas as julgamos além do que podemos.

      Mas volto a dizer, concordo com o Felipe tintim por tintim do que está escrito. Por mais que os homens acreditem em um mal como se fosse um bem, isso não torna o mal em um bem e o bem em um mal, mas já é diferente de crer no mal e aderir plenamente a ele. O Brasil realmente perde com Barroso.

      Abs.

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  2. Este homem é um monstro, e não estou send passional! Ele é um monstro psicopata.

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  3. Não gosto do Collor, mas ele tem um projeto para reformular o STF.

    Acredito que quem possui força política e ama o Brasil deveria aproveitar o momento agora.

    Vamos limitar o poder de escolha que cada presidente e cada partido têm de escolher ministros no STF. Que cada um possa ter no máximo 5 representantes. Acima disto, que passe a escolha para o Senado, ficando de fora os partidos já representados.

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  4. Vocês são um bando de bichinhas que morrem de medo de serem chamados de Fascistas ou homofóbicos.

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    1. Mimimi (sem argumentos) Mimimi (ad hominem) Mimimi (sem argumentos).

      like anônimo. huahauh

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  5. Poxa, Felipe, então sua avaliação sobre o Barroso se baseia na defesa dele do Battisti? Fundamentalmente baseada em questões processuais? Advogado não necessariamente concorda com sua causa; pode defender alguém apenas por ter sido contratado para tal.

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    1. Eu não tenho avaliação alguma acerca do Barroso: o que avaliei foram as idéias que ele defendeu na entrevista à revista "Consultor Jurídico". E, pelo teor das declarações, vê-se que o envolvimento do Barroso não se limitou a questões processuais.

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  6. Por que meu comentário não foi aprovado?

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  7. Terror revolucionário29 de maio de 2013 19:50

    Você sabe, não é? Você não pode esperar que o mundo seja perfeitinho e sólido no formato que você espera para que tudo dê certo e seja as mil maravilhas.

    O mundo simplesmente não é assim e pronto.

    Eu reflito sobre isso, por exemplo, quando estou tirando catota do nariz e penso "essa catota poderia estar mais durinha e ter um formato melhor para eu só ir lá com o dedo e páh, tirar ela duma vez ao invés de ter que ficar cavucando e cavucando até conseguir".

    Mas a realidade é simplesmente que a catota não é como eu desejaria que ela fosse. Às vezes sim, mas não é por causa da minha vontade.

    Então a lição é essa: somos nós que temos que nos adequar aos fatos, ao mundo, e, então, é que nós conseguimos tirar a catota de vez, isto é, mudar o mundo.

    De qualquer modo, um conselho de um brother esquerdista anônimo. ;)

    Viva a Dilma irmão!

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  8. UÉ, LIVRAR O BATTISTI MAS PERSEGUIR SEMPRE OS NAZISTAS, PORQUÊ?
    E OS COMUNISTAS QUE SÃO DAS MESMAS IDEOLOGIAS BÁSICAS DOS NAZISTAS E FASCISTAS, A SABER: TOTALITARISTAS, FORTEMENTE OPRESSORES, MATERIALISTAS E ATEUS ESTARIAM A SALVO?
    Para começar, os comunistas como do PT são satanistas, têem um arraigado odio e rancor a Jesus Cristo e à Igreja católica, odeiam-se a si mesmos, internamente em facções abocanham-se ferozmente pela liderança, usam dos aliados como capachos e adotam as mesmas ideologia marxistas que escravizam as pessoas como trampolim para subirem e se manterem no poder sendo os capitalistas e imperialistas de Estado, a única elite e burguesia permitidas, e a prova cabal disso são os esquemas das idolatradas Cuba e Coreia do Norte e similares defendidos pelo PT, de pessoas-gado estabulado, vigiados e de fecho éclair na boca.
    Um juiz pode pensar como quiser, porém, tomará decisões de acordo com a constituição ainda vigente, mas jamais interpor em suas decisões desejos de governantes, como na Venezuela, em que mais se pareceriam "juízes de rinhas", por ratificarem apenas as decisões governamentais.
    Pairaria no conteúdo do post acima a sensação que de que a justiça deveria servir a ideologia dos donos do poder, no caso a marxista...
    Tomara que seja falsa ideia de ele tomar atitudes à Lewandowki-Toffoli...
    Classificados pelos últimos 10 Papas de "PESTES, PESTES MORTÍFERAS" e pesadas penas a quem aderir a eles, eis o resultado de votar em revolucionários cujas mentes são voláteis, ex guerrilheiros marxistas querendo em tudo e todos impor o diabólico POLITICAMENTE CORRETO e enquadrar quem não obedecer a eles.

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    1. Isayas

      Olha o que você escreveu: "Para começar, os comunistas como do PT são satanistas"

      E em seguida: "odeiam uns aos outros".

      Uma observação. Hoje li a seguinte passagem do Evangelho: Se amardes somente os que vos amam, que recompensa tereis, não fazem o mesmo os pagãos? (Mt. 5, 46)

      Meu caro, não é verdade que os petistas são satanistas, por favor. Se tiver uma dúvida a esse respeito, procure um petista, comprove com uma experiência prática e pergunte-lhe: "Ei, cara, você é satanista?"

      O escritor deste blog, por exemplo, é um ex-petista e pode te dizer quão estapafúrdia é a afirmação de que os petistas "para começar" são todos satanistas.

      Da mesma forma, não é verdade que os petistas são comunistas, pelo menos não a maioria deles. Quer uma prova? Veja os planos econômicos do governo. De uma coisa pode estar certo, são completamente ineficientes e desastrosos, mas, por favor, não vá dizer que são comunistas, porque não são.

      Quanto a amar e odiar uns aos outros, sendo bastante franco, como alguém que convive com pessoas de diversos espectros políticos todos os dias, há petistas que se amam com mais sinceridade e sobriedade do que muitos pretensos liberais e direitistas.

      Agora, meu caro, me parece, e coloco essa ideia de forma muito respeitosa a você, que, se nós que somos católicos, devemos amar ao próximo inclusive aqueles que não nos amam, deveríamos buscar compreender melhor quem são esses que não nos amam, quais são seus erros e suas virtudes, com o objetivo de sabermos como podemos amá-los melhor e aproximá-los do Evangelho e isso já é uma atitude bem diferente de esbravejar em caixa alta ou chamar fulaninho de tal de satanista ou de comunista, ou disso e daquilo.

      Felicidades, Isayas, que Deus te santifique no seu caminho.

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    2. Primeiro, gostaria de parabenizar o blog que, vindo de Brasília e da Unb (!) é pequena ilha de sanidade dentro de um oceano de loucura marxista e miséria intelectual donde ainda ecoa Roberto Campos sendo "ovacionado" no campus. Sobre Barroso, acrescentar que o caso do terrorista italiano tem o indelével dedo do ex-ministro Tarso Genro.

      Para quem quiser conhecer melhor a figura, basta dar um molhada nos artigos que escreve em seu blog... um deles defende o fim da herança!

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  9. 1 - Vocês atacam o Battisti totalemnte baseado na versão da história que vocês leram na Veja. Se o conservadorismo que ser tão mais minuncioso que a esquerda, trabalhem direito.
    2 - Vou falar sobre o Caso Battisti. Mas para um bom argumetno jurídico histórico eu aconselho a posição do MArco Aurélio no STF http://www.youtube.com/watch?v=kKxGuRyU_q4

    a. Battisti fez parte de um grupo armado composto por várias pessoas, numa Itália com uma legislação de exceção, e reconhecidamente sendo o único país que passou por tal período da história, políticamente e militarmente efervescente, que não declarou anistia tanto para um lado quanto para o outro.
    b. para quem acha grupos armados um absurdo, aconselho retirar todos os teóricos apoiadores da revoluç~`ao americana do hall de "ïnspirações".
    c. não foi preciso anistia, porque em nome do poder o Partido Comunista Italiano fez diversos acordos com a direita nas décadas seguintes, bem ao estilo máfia italiana. E a perseguição ficou voltada para a esquerda que não compactuava com o PCI. Entre elas o grupo de Battisti. Tanto isso aconteceu que o grupo de influência do PCI no Brasil foi a favor da extradição do BAttisti, esse grupo representado pelo Mino Carta e a CArta CApital.
    d. Você sabia que nos 4 assassinatos, testemunhas indicavam pessoas com características totalmente diferentes do acusado? Você sabia que as armas encontradas na casa de BAttisti não haviam sido disparadas? E que o tiro que deixou o filho do joalheiro paraplégico foi disparado pelo próprio pai? Você sabia que movimentos de direita cometeram assassinatos e não foram perseguidos? Você sabia que o julgamento na Itália foi feito sem a presença do acusado e com um advogado que não foi indicado por ele?
    Por fim, acho que existe uma grande diferença entre a defesa da liberdade e a defesa da opressão, e por isso devem ser julgadas de maneira diferente. A direita, sempre, em ultimo caso, está em defesa da opressão. Tanto a direita liberal, no sistema econômico, quanto a direita conservadora, que, ao defender princípios que até acho fundamentais, metem as mãos pelas pernas ao reproduzir o mesmo sistema que ataca esses mesmos princípios. E no fim querem pagar de diferentes, e se baseiam num real histórico autoritário das experiências de esquerda para defender outros autoritarismos.

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    1. Boas questões suscitadas, a propósito.

      Colocando só dois detalhes, me parece que ninguém aqui é contra um grupo armado simplesmente por ser um grupo armado. E, francamente, me parece que ninguém também tira do -rol- de inspirações uma revolução, essa sim pela liberdade e igualdade, tal qual foi a da Independência dos Estados Unidos.

      Me parece mais que há os grupos armados que lutam por interesses legítimos e os que lutam por interesses ilegítimos. Sem divagar muito você pode concluir que deste lado estão os revolucionários norte-americanos e que, do outro, estão, por exemplo, os revolucionários do terror da revolução francesa, os comunistas e demais que tinham por interesse implantar ferrenhos regimes de repressão às liberdades e que, prova a história, até serem suprimidos não levaram a cabo coisa diferente.

      Há muitas outras questões que podem ser ponderadas sobre a legitimidade não só da causa e dos fins, mas também a dos meios. Não me parece que os grupos de armados de esquerda tivessem muitos escrúpulos neste último aspecto.

      A questão está na Justiça da coisa. Isso poderia ser afirmado com muita atualidade por São Tomás de Aquino ao falar do direito de resistência aos governos injustos.

      Mas é só isso mesmo por agora, estou com sono, vou dormir.

      Boa noite!

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  10. Felipe: Esse bosta, chamado Luis Roberto Barroso, também escreveu um parecer, em nome da OAB, defendendo a manutenção do Exame de Ordem, em resposta ao parecer do Subprocurador-Geral da República Rodrigo Janot Monteiro de Barros, favorável a inconstitucionalidade do Exame.

    Será que o senhor Luis Roberto Barroso é mais imparcial que um Subprocurador-Geral da República? É um absurdo. Eu sinto nojo.

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    1. Que isso véi, Exame da OAB mó good!

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  11. É mesmo, Felipe. Sinto vergonha do curso de Direito. Ainda bem que fiz minha pós-graduação no ITA.

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  12. QUALQUER PESSOA QUE ACEITE TRABALHAR POR CONVITE OU INDICAÇÃO DESTE GOVERNO, OU É DESONESTA OU ESTÁ QUERENDO SER. A FOLHA CORRIDA DOS CRIMES PRATICADOS POR ESTE GOVERNO É MAIOR DO QUE O CURRÍCULO DO PCC, DO COMANDO VERMELHO E GENTE COMO FERNANDINHO BEIRA- MAR, CACCIOLA, ETC, SÃO PIVETES PICHADORES COMPARADOS A MAIORIA DOS MEMBROS DO SENADO, CONGRESSO E ASSEMBLEIAS.

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  13. Sei não; pareceu-me que o D G A que criticou o Isayas deve ser membro ativo da DITADURA DO RELATIVISMO, pois dizer que o PT não é comunista, não é satanista, mas se insurge contra tudo que é Deus, como não é?...
    A palavra "comunismo" foi um artificio para substituir "Satanismo".
    Huuuummmmm...
    Confira-o no forumantinovaordem.mundial.com etc

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    1. Hey Henoc,

      Vejo que você gosta do Papa Bento XVI tanto quanto eu devo gostar, a propósito, você utilizou o termo por ele cunhado, salvo melhor juízo: "Ditadura do relativismo".

      Em especial, na Homilia Pro Eligendo Romano Pontifice, à época em que era ainda o Cardeal Ratzinger. Se permite-me a citação:

      "(...) Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar "aqui e além por qualquer vento de doutrina", aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades."

      Meu caro, não me parece que o PT seja absolutamente um partido comunista. Razões para isso, eu as tenho várias. Vou dar pelo menos uma.

      O PT não acabou com o livre mercado, nem pretende eliminá-lo. Certo é que existe regulação para o mercado e um certo planejamento do mesmo com incentivos fiscais e financeiros e uma vasta burocracia para operá-los. Mas, disso para o comunismo há um enorme abismo. Não creio que seja interesse do nosso governo petista, absolutamente, acabar com o livre mercado.

      Há, de fato, correntes comunistas dentro do PT, há setores mais cerrados com relação ao extremismo de esquerda, mas são minoria, são verdeira minoria.

      Veja bem, indício disso é a experiência com as privatizações, terceirizações e concessões de serviço público e demais serviços administrativos que o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso teve o mérito de alcançar e que foram amplamente aproveitadas pelo governo Lula e ainda no governo Dilma há reflexos disso. Existe, como gosta de dizer um colega meu da área de infraestrutura, uma espécie de linguagem comum da eficiência na administração pública e privada contra a qual não é possível resistir. Certos modelos econômicos são simplesmente mais eficientes e melhores do que outros e isso em qualquer lugar. A economia fala uma linguagem comum de incentivos. Pois bem, não é que o PT aderiu a um bocado dessa linguagem desde que assumiu parte do poder há uns anos atrás?

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    2. (continuação)

      Meu caro, o PT não é o mesmo partido de 10 anos atrás nem, muito menos, o partido de 20 anos atrás. As coisas mudam.

      Relativismo não, realismo sim. Vamos olhar os fatos e ficar menos no discurso. Quando falo que os do PT não são satanistas é porque é óbvio que a boa parte dos petistas sequer equaciona o seu pensamento ideológico pensando em religião. Você chamou-os de ateus e satanistas. Me parece que há nisso uma contradição. Um não pode ser ateu e satanista, no sentido cristão deste termo, ao mesmo tempo. Quem não crê em Deus não crê no diabo, pois o diabo pressupõe Deus.

      Sobre teorias da conspiração, como você suscitou o dito link eu recomendo a leitura de um artigo de um dos top authors de citação dos Estados Unidos na atualidade. É o artigo Conspiracy Theories do prof. de Harvard Cass Sunstein. Eis o link:

      http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1084585

      Como diz o Sunstein já na introdução:

      "A distinctive feature of conspiracy theories is their self-sealing quality. Conspiracy theorists are not likely to be persuaded by an attempt to dispel their theories; they may even characterize that very attempt as further proof of the conspiracy. Because those who hold conspiracy theories typically suffer from a crippled epistemology, in accordance with which it is rational to hold such theories, the best response consists in cognitive infiltration of extremist groups."

      Eu ressaltaria o ponto "crippled epistemology", uma epistemologia aleijada. Há muitas pessoas que não entendem bulufas de sistema financeiro, política internacional, matérias de defesa nacional, às vezes nem o básico da teoria política e começam a opinar sobre esses assuntos sustentando as teses mais estapafúrdias. Essas pessoas só tem a sorte de encontrar outras pessoas que com a mesma ignorância nesses assuntos estão dispostas a comprar suas teses e reproduzi-las.

      Não sejamos ingênuos, se não entendemos desses assuntos, melhor não sair opinando ou confiando no parecer de qualquer fulano aventureiro que venha a falar dessas coisas por aí. Existe um ceticismo que é prudente, assim como existe uma crença que não passa de credulidade.

      Quero encerrar apenas com o seguinte. Há em muitos petistas almas bem intencionadas e com sede de justiça. Muitas vezes são isso e aquilo, petistas, ateus, relativistas, o que seja, porque não encontraram quem, com opiniões firmes, soubesse dar as razões da própria fé e dos próprios valores ao mesmo tempo com respeito, receptividade e sem abrir mão dos próprios valores.

      Nós cristãos devemos amar os pagãos. Devemos saber dar as razões da nossa fé. Devemos testemunhar a misericórdia e o sacrifício de Cristo. Se formos assim seremos melhor instrumento da providência na evangelização. Se estivermos certos disso, vamos descobrir que em meio aos petistas e em meio a quaisquer outros que sustentem ideologias das mais esdrúxulas e imorais há um vasto mundo com grandes oportunidades de apostolado e conversões.

      Um abraço fraterno.

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