quarta-feira, 10 de abril de 2013

A CNB do B e discrição socialista


Imaginem a seguinte situação: você está saindo da biblioteca de uma universidade federal quando, na saída, topa com alguns panfletinhos. Um deles lhe chama a atenção: letras garrafais, nas cores da bandeira do Brasil, destacam um folder. “Estado para que e para quem?”, eis a pergunta que intitula o panfleto. Você se interessa remotamente e, para não perder o costume, pega um dos materiais, abre e começa a ler. E você se depara com isto:
Os/as jovens devem ser entendidos/as também como sujeitos/as protagonistas da construção de uma sociedade de fato fraterna, justa e solidária. A parcela que mais sofre é a juventude, pois vive uma situação de desemprego, precarização do trabalho, educação precária, violência e extermínio, predominantemente a negra. 
Entendemos que o maior responsável por essa situação que se encontra a juventude é o modelo desenvolvimentista implantado no Brasil, cujas bases encontram-se no modelo de produção e consumo capitalista-imperialista. Este modelo está baseado na acumulação do capital, especialmente pelos bancos e multinacionais, que aliados aos governos, promovem voraz ataque às riquezas e ao território, provocando injustiças socioambientais e o empobrecimento da juventude rural e urbana, em especial os jovens negros, mulheres e indígenas.
Nada demais, até aí. Afinal, você está em uma universidade federal, terreno fértil para todo tipo de grupelhos socialistas – desde os mainstream, como as juventudes do PT e do PC do B, até os mais marginais (e risíveis), como ajuntamentos anarquistas ou trotskistas. A retórica revolucionária é facilmente reconhecível, uma vez que se manifesta através de palavras-chave bem batidas. Assim, meio que movido por uma curiosidade mórbida, você procura ver quem está divulgando aquele material.

E eis que você vê que, na verdade, não se trata de nenhum setor de juventude de partido de esquerda, muito menos nenhum grupo mal-acabado de socialistas de butique: quem promove o material é a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O folder em questão é o material de divulgação da 5ª Semana Social Brasileira (SBB). Um modelo do panfleto pode ser encontrado aqui. O ranço marxista do material é explícito – comparando-o com algum artigo de opinião publicado em qualquer site de partido de esquerda brasileiro, do PT ao PCO, a semelhança é assustadora.

Em 24 de novembro de 2002, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou a “Nota doutrinal sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política”. Esse importante documento – cuja existência, ao que tudo indica, é totalmente ignorada pelos formuladores do material – assevera que
a consciência cristã bem formada não permite a ninguém favorecer, com o próprio voto, a actuação de um programa político ou de uma só lei, onde os conteúdos fundamentais da fé e da moral sejam subvertidos com a apresentação de propostas alternativas ou contrárias aos mesmos. Uma vez que a fé constitui como que uma unidade indivisível, não é lógico isolar um só dos seus conteúdos em prejuízo da totalidade da doutrina católica. Não basta o empenho político em favor de um aspecto isolado da doutrina social da Igreja para esgotar a responsabilidade pelo bem comum. Nem um católico pode pensar em delegar a outros o empenho que, como cristão, lhe vem do evangelho de Jesus Cristo de anunciar e realizar a verdade sobre o homem e o mundo.
O objetivo desse material não é a defesa da doutrina social da Igreja – que, aliás, declara que o livre mercado (ou, no dizer do folder, o “modelo de produção e consumo capitalista-imperialista”) é “o instrumento mais eficaz para colocar os recursos e responder eficazmente as necessidades” –, mas de idéias que, explícita e implicitamente, possuem alicerce em doutrinas políticas formalmente condenadas pela Igreja. E o pior: seu foco é justamente a doutrinação ideológica dos jovens, travestindo de conscientização política o que poderia corretamente ser chamado de mutilação moral e intelectual.



“É uma caridade descobrir o lobo que se esconde entre as ovelhas, em qualquer parte onde encontramos.” Essas sábias palavras de São Francisco de Sales devem sempre pautar a atuação de todo cristão, sobretudo em um campo tão complexo e ardiloso como a política.

7 comentários:

  1. Pô Felipe, não coloca esses vídeos no post que eu fico curioso, assisto e depois me dá dor de barriga... Já está na hora do Papa fazer com a CNBB o que foi feito com Leonardo Boff, desautorizá-los a falar em nome da igreja.

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  2. São infelizes resquícios da "teologia" da libertação dentro da Igreja... mas com a morte de suas múmias essa "teologia" morrerá também.

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  3. Sou Católico Graças a Deus! Não a CNB do B!!!

    "Se [Cristo] chamou junto de si, para os consolar, os aflitos e os sofredores, não foi para lhes pregar o anseio de uma igualdade quimérica" (S. Pio X - Notre Charge Apostolique n. 38).

    LEÃO XIII:

    "Não ajudar o socialismo - 34. Tomai ademais sumo cuidado para que os filhos da Igreja Católica não dêem seu nome nem façam favor nenhum a essa detestável seita" (Quod Apostolici Muneris, no. 34).

    S. PIO X:

    "Se [Cristo] chamou junto de si, para os consolar, os aflitos e os sofredores, não foi para lhes pregar o anseio de uma igualdade quimérica" (Notre Charge Apostolique n. 38).

    Jefferson Nóbrega

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  4. Os defensores do marxismo como do PT têem o seguinte esquema: querem tomar da iniciativa privada e concentrar tudo no deus-Estado que ofereceria aos cidadãos de tudo, como anunciam; mas de fato querem apenas usar dos cidadãos via subversão para subirem ao poder e agir igual a Cuba e Coreia do Norte: concentrar a todos num país-prisão e a todos fazer de escravos, nunca contam isso, e manter tudo sob o IMPERIALISMO DE ESTADO, o sistema escravagista!

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  5. Será que o Vaticano sabe disso?

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  6. SE DE FATO OS FOLHETOS PROCEDEREM DA CNBB...
    Tá danaaaado!
    Nunca me deparei até ao momento com um sequer elogio à atuação da CNBB na net de comentarios de internautas, muito ao contrario, repreensões à sua conduta de alto a baixo.
    Ela é uma instituição de consulta dos bispos, não os representa, embora o pareça - cada bispo é autônomo, inclusive para instalar o marxismo em sua diocese, alguns já o fizeram e se mantêem no propósito, mas repassa a impressão de os representar.
    São recorrentes as críticas a supostas ligações com a esquerdista Teologia da Libertação, com o Foro de S Paulo do Lula-Fidel-Dilma-PT-Comunismo Internacional e outras ações nada ortodoxas à fé cristã que mais se pareceria com os missionarios da DITADURA DO RELATIVISMO, e que cuidaria mais de ecologia e assuntos exteriores que da fé católica, e quando toma a inciativa seria de forma tênue, algo irrelevante, não em contínuas repreensões aos inimigos da Igreja.
    Pareceria-se com a Canção Nova do ídolo dos gays Pe Fabio de Melo, dos RCCs pentecostalistas protestantes e similares!
    Que está infiltrada de comunistas seria garantido, impondo-se sobre os outros de pouco pulso, tomando-lhes as iniciativas - os comunistas são satanistas, são filhotes das ideias e métodos do confesso satanista Marx - o qual disse, dentre mais: "Quero me vingar d'Aquele que governa lá em cima" - sendo muito audaciosos e impostores.
    Se as ações doravante se desenrolarem dentro dos padrões descritos dentro de algum tempo não se diferirá de + 1 ONG a serviço ostensivo dos marxistas...
    Dá-me impressão que algumas ovelhas - o unb, por ex. - estão agindo com mais empenho e intrepidez que muitos pastores...

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  7. O folheto O Domingo, editado pela Paulus, distribuído na maioria das igrejas do Brasil aos domingos, possui na última página duas colunas. Uma vem sempre geralmente assinada por um religioso que supostamente comenta o evangelho do dia, e outro que se dedica a temas do momento. Nos últimos domingos de maio, por exemplo, esta última coluna vem abordando o tema "A Juventude No Brasil". A coluna foi entregue a uma tal de Paula Cervelin Grassi, eleita não se sabe por quem Representante da Pastoral da Juventude no Conselho Nacional da Juventude. Essa jovem possui uma página no facebook, sob o nome de Paulinha Cervelin, onde se pode constatar suas preferências por Leonardo Boff, Guevara, movimentos de igualdade de genêro (leia-se gays e lésbicas), Paulo Freire, ou seja, tudo menos catolicismo. O folheto é, pelo menos na parte litúrgica, aprovado pela CNBB. Os jovens do Brasil desconhecem essa tal de Paula Cervelin Grassi. Em sua coluna não encontramos nenhuma referência a qualquer documento papal, ou doutrina oficial do magistério da igreja, quer referência aos santos da igreja. O que se encontra ali são os chavões do discurso marxista. O objetivo, claro, é recrutar jovens católicos para os movimentos comunistas.

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