quarta-feira, 13 de março de 2013

Lições do Conclave a um mundo materialista


Há pouco mais de um mês, o então Papa Bento XVI pegou o mundo inteiro de surpresa ao anunciar a sua renúncia. Um número exíguo de pessoas conjeturava seriamente essa possibilidade, e um número ainda menor sabia que Bento XVI tinha essa intenção. Em seu anúncio, Bento XVI disse que no dia 28 de fevereiro, às 20h00, a Sé ficaria vacante oficialmente.

Após o choque inicial causado pelo anúncio, começou a corrida da imprensa internacional em especular os “reais motivos” da renúncia de Bento XVI – como se houvesse algum motivo razoável para se duvidar dos motivos elencados pelo Papa Emérito – e cobrir os preparativos para o Conclave que deveria escolher o novo Sumo Pontífice da Igreja Católica. Tivemos a oportunidade de ver uma enxurrada de “especialistas” – muitos deles não pisam numa paróquia há décadas, mas isso parece mero detalhe – sendo entrevistados diariamente pelos mais variados veículos de informação, que buscavam alguma espécie de pista, dica ou evidência do que poderia acontecer na eleição do Papa. Supostos favoritos foram eleitos pela mídia no Brasil e alhures, como os cardeais D. Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, e D. Angelo Scola, arcebispo de Milão. Falou-se muito em “partidos”, arranjos, conversas ao pé do ouvido, enfim, uma série de coisas que estamos acostumados a ver em eleições políticas ao redor do mundo. Um desfile de asneiras e sandices, a bem da verdade. No entanto, a cobertura do Conclave – e sobretudo o próprio – ensinaram muitas coisas preciosas.

Um Conclave não é um evento meramente humano, ao contrário do que se pensa. A comparação sub-reptícia e generalizada com eleições políticas comuns, comparação que se deu pela própria maneira como a reunião dos cardeais foi coberta, foi equivocada por não levar em consideração algumas características bastante especiais do Conclave: não há possibilidade de candidatura ao posto de Sumo Pontífice, ou seja, todos podem ser eleitos; a eleição é anulada se o cardeal eleito tiver votado em si mesmo; o resultado das votações é sempre secreto – o acesso aos nomes dos cardeais votados e ao quantitativo de votos é proibido, e quem divulgá-lo está automaticamente excomungado. As regras foram definidas pela Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, do Papa João Paulo II. Para qualquer um que não esteja familiarizado com assuntos eclesiásticos – que é o caso da quase totalidade dos jornais e revistas do mundo, pelo visto, especialmente do jornal O Estado de S. Paulo –, isso tudo pode parecer muito, muito estranho. Afinal, por que tanto segredo? Por que tantas regras? E é aí que reside a grande lição do Conclave.

Vivemos em um mundo em que somos levados a crer que, de alguma forma, somos os senhores supremos de nossas vidas. Podemos ter o controle total de nossas existências, e, se não o temos, é porque alguém o tirou de nós. Todas as doutrinas materialistas que vicejam em nossos dias possuem esse núcleo, e todas elas já se encontram devidamente diluídas em nosso cotidiano, de modo que é difícil identificá-las. Segundo elas, o homem é o senhor de si mesmo e de seu destino, e qualquer crença em contrário tem o objetivo torpe de dominação e manipulação.

No entanto, a lição do Conclave – e da própria Igreja – é diametralmente diferente: o homem não é o senhor supremo de sua própria vida. O homem só alcança a verdadeira plenitude quando seus atos não são empecilho para a ação divina. A existência de tantas regras limitando as possibilidades humanas de ação é o reconhecimento formal de que as esperanças do homem não devem residir em si mesmo, mas em Deus; é a aceitação da imperfeição humana e da perfeição divina; é a manifestação da humildade da criatura diante do Criador, dos filhos diante do Pai. Quando o homem se assume senhor de si mesmo, ele está muito, muito longe da Verdade.

Providencialmente, a própria cobertura da mídia acerca da eleição do novo Sumo Pontífice é prova desse precioso ensinamento. O cardeal D. Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, um nome que sequer foi aventado pela esmagadora maioria dos meios de comunicação, foi eleito Papa hoje, 13 de março, escolhendo para si o nome de Francisco. Assim como a renúncia de Bento XVI, esse resultado pegou a todos de surpresa. Por quê? A resposta é, a um só tempo, simples e profunda: o homem só pode compreender a verdade das coisas quando deixa de olhar para si mesmo e põe seus olhos em Deus. E essa lição é especialmente preciosa nos tempos malucos em que vivemos.

12 comentários:

  1. Muito bom, Felipe Melo. Excelente texto.

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  2. Muito bom texto, esclarecedor e de quem entende de fato e não como os que não pisam numa Paróquia a décadas como foi mencionado.

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  3. Caro Felipe, com toda sinceridade, vc acha que alguma pessoa normal está preocupado com a eleição do Chicão? Aliás vc acha que a igreja católica de Roma é relevante para o mundo de hoje? Os caras de vermelho são velhos "gagás" que nem com o povo de seu próprio rebalnho tem diálogo, só fizeram besteira desde sua fundação, mataram, roubaram e agora os escandalos de pedofilia e homossexualismo na cara de todo mundo. Essa é uma organização falida e desprovida de mensagem biblica, aliás de Biblia não tem nada, é um ritual "lanche natural" (coisa nenhuma com nada dentro). Eu fico absorto quando leio artigos como o seu! será que vcs estão aqui mesmo ou fora de órbita? E quem foi que disse que o Apóstolo Pedro tem sucessor? onde está isso na Biblia?

    Sinto muito, mas tinha que falar isso. abraços e fica com Deus!
    Ab Mahel Hascham

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  4. Hascham,

    1) Sola Scriptura? Mesmo? Nem vou me dar ao trabalho.

    2) Havia seguramente mais de 200 mil pessoas na Praça São Pedro ontem. Eram homens, mulheres, crianças, jovens e velhos dos cinco continentes. Ou foi a maior concentração de gente maluca da história, ou o maluco é você.

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  5. Felipe, acabo de ler este seu texto no site Mídia sem Máscara. Parabéns! Excelente!

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  6. Parabéns!! Muito bom o texto!
    O mundo INTEIRO noticiando o fato. E depois dizem que a Igreja está morta...

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  7. Prezado Felipe:

    Parabéns pelo excelente texto! É sempre bom ler alguém lúcido comentando um fato tão belo. Li seu artigo no MSM e fiz questão de vir aqui comentá-lo.

    As notícias que lemos por aí só nos permitem concluir que a mídia não tem a mínima ideia do que se passa na Igreja Católica. Agora, a mesma mídia que nada sabe já se considera capaz de especular sobre como será o pontificado de Francisco. Na manhã de ontem (quinta-feira) - e, portanto, apenas algumas horas depois do "habemus Papam" -, já havia até um repórter especulando sobre a convocação de um Concílio Vaticano III (!!!), o que é mais uma prova de que esse povo não tem a mínima ideia do que está dizendo.

    Um Conclave é um evento sagrado e os "especialistas" de plantão foram surpreendidos... pelo Espírito Santo! Deus sempre sabe o que é melhor para Sua Igreja: depois do peregrino João Paulo II, que cativou o mundo inteiro e venceu o comunismo, deu-nos como Pontífice o maior teólogo do mundo, Bento XVI; agora, o mesmo Deus que, ao se fazer homem, entrou em Jerusalém montado em um humilde jumentinho, escolheu para Pontífice um homem cuja maior grandeza está na simplicidade.

    Agradeçamos a Deus pelo novo Santo Padre e rezemos pelo Papa Francisco!

    Abraço,

    Felipe Cola.

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  8. Felipe, estive acompanhando o Conclave e busquei um parecer seguro em relação a essa mídia sensacionalista. Foi através do Padre Paulo Ricardo - Cuiabá/MT - que eu pude entender o verdadeiro significado da Santidade da Igreja Católica e a importância espiritual de um conclave. Esse link é uma aula de cristandade -

    http://www.youtube.com/watch?v=94Zqqe7FAu4&list=UUP6L9TPS3pHccVRiDB_cvqQ&index=2;

    Ótimo trabalho Felipe, seu artigo demonstra o quanto somos limitados, como também a necessidade de termos Jesus Cristo como nosso salvador. Um grande abraço, fique com Deus.

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  9. Belo texto Felipe! Ainda creio que alguns seres humanos podem fazer a diferença quando se dedicam a ver mais do que do que lhe meramente apontado! A mídia internacional ainda não percebeu que algumas articulações merecem ser respeitadas e que não são espetáculos de circo. Que o novo Papa seja abençoado por Deus para fazer o que é necessário à Igreja Católica. Abraços.

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  10. Parabéns Felipe Melo!

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  11. caros autores, escrevemos para lhes dar os parabéns pela iniciativa. Deus os guarde conSigo. submetemos ainda ao seu exame nosso blog: seductisum.wordpress.com. possamos servir-lhes.

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