domingo, 31 de março de 2013

1964 me representa, sim!

A nova modinha política do momento é a malhação pública do deputado Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM). “Artistas” e “intelectuais” têm aderido em número cada vez maior aos protestos contra o parlamentar, e um zilhão de pessoas acharam conveniente desabafar toda a sua revolta nas redes sociais sob o lema “não me representa”. Não quero aqui entrar nos detalhes dessa demonstração coletiva de imbecilidade, mas analisar uma de suas muitas utilizações – demagógicas em sua maioria – para outros fins.


Vejam a foto acima. Ela tem sido compartilhada pelo grupo libertário Estudantes Pela Liberdade (EPL) para lembrar o movimento cívico-militar de 31 de março de 1964, que depôs João Goulart e interrompeu os sonhos totalitários de muita gente dentro e fora do Brasil. Podemos analisar a imagem por duas perspectivas: o que ela quis dizer e o que ela efetivamente disse.

A mensagem que o EPL quis compartilhar, acredito eu, é a de que todo o Regime Militar não os representou. E, nisso, estou com eles. O Regime Militar também não me representa. Muitas políticas adotadas pelos governos dos generais foram autoritárias e deram ensejo à perseguição de pessoas inocentes. Além disso, os governos militares tiveram um caráter essencialmente estatólatra do ponto de vista econômico, algo com o qual não posso concordar – o livre mercado é a forma mais eficiente e justa de promoção da inclusão social e do desenvolvimento econômico. Mas, ao fim e ao cabo, suspeito que o último governo que possa ter minimamente me representado tenha sido o de D. Pedro II. No entanto, a pergunta realmente pertinente é: qual foi a mensagem que o EPL conseguiu, de fato, passar?

Ao contrário do que a historiografia oficial e oficiosa conseguiu sedimentar no imaginário do povo brasileiro, o movimento cívico-militar de 1964 não foi fruto das aspirações sinistras de poder e glória de um punhado de generais rancorosos com o conluio e o apoio entusiasmado de potências estrangeiras (diga-se, Estados Unidos). O que aconteceu no dia 31 de março de 1964 foi a resposta aos anseios da própria população brasileira diante da escalada de violência política e de instabilidade institucional pela qual passávamos então. Doze dias antes, quase 1 milhão de pessoas havia saído às ruas de São Paulo protestando contra o discurso que o presidente João Goulart proferira no Rio de Janeiro, em 13 de março de 1964 – em que garantia que “com ou sem o congresso, na lei ou na marra”, iria promover as reformas coletivistas que tanto queria. Já havia grupos de guerrilha devidamente montados, com apoio militar e financeiro de regimes comunistas (notadamente Cuba e União Soviética), e em atuação no interior do País. Pessoas do alto escalão do governo e aliados próximos de João Goulart, como Leonel Brizola e Miguel Arraes, trabalhavam dentro do governo brasileiro a soldo desses mesmos países que financiavam a guerrilha rural brasileira. No dia 2 de abril de 1964, quase dois milhões de pessoas saíram às ruas do Estado da Guanabara (Rio de Janeiro) para mostrar seu apoio aos militares e agradecê-los por terem demovido um presidente que diuturnamente rasgava a Constituição e pavimentava o caminho para a implantação de um regime totalitário em solo pátrio. Tudo isso está devidamente documentado.

Se hoje gozamos de alguma liberdade – curiosamente tornada cada vez mais exígua por aqueles que pegaram em armas para derrubar o governo militar e implantar regimes totalitários –, isso se deve em muito ao movimento cívico-militar de 31 de março de 1964. Esses homens atenderam ao chamado da população naqueles dias cumpriram seu dever constitucional e institucional de salvaguardar a nação contra um perigo iminente, homens esses que, em sua quase totalidade, não se locupletaram no poder nem o utilizaram para garantir um futuro dourado para si próprios.

E a mensagem que o EPL quer passar é que esse movimento das Forças Armadas em atender o legítimo clamor popular, cumprindo seu dever de proteger a nação, e ao menos atrasar a instauração de um regime totalitário comunista no Brasil não os representa. Isso tudo pode não representar o EPL, mas representa aqueles que conseguem enxergar a realidade dos fatos por trás da densa cortina de fumaça alimentada zelosamente pela esquerda brasileira há décadas.

Por isso eu digo: o movimento cívico-militar de 31 de março de 1964 me representa, sim! O que não me representa é a utilização demagógica e pouco refletida de armas retóricas da guerra cultural, forjadas pelos verdadeiros inimigos da liberdade para confundir e cooptar, na construção de um bom-mocismo daninho e perverso.

9 comentários:

  1. Muito pertinente.
    Sou militar da reserva.Eu era criança (11 anos) quando eclodiu o movimento redentor.Eu era muito humilde (quer dizer, pobre).À minha volta não vi qualquer violência.Estudava em escola pública de nível sem comparação com as atuais (primário e ginásio).
    Seu "diagnóstico" é perfeito.A reconciliação será impossível enquanto a esquerda não reconhecer o porquê da contra-revolução.Os fatos que a sucederam fugiram ao controle e aos objetivos iniciais.Então, virou uma guerra fratricida em que todos perdemos.
    O que me espanta é ver que os ingredientes para uma retomada das tensões estão presentes no dia-a-dia.E, mais ainda, continua conquistando adeptos, vendendo uma nova história, reescrita pelos outrora perdedores.

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  2. A epoca de ouro do regime militar permitia levar a vida sem sobressaltos e crimes, muito meos corrupção desenfreada. 64 ME REPRESENTA SIM!!!

    paulo

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  3. Que o golpe teve apoio militar é fato. No entanto, os milicos não cumpriram o que prometeram.

    Veja o que diz Olavo de Carvalho sobre o tema:

    https://www.youtube.com/watch?v=zciXfRzUy3A



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    1. Apoio militar = apoio da população. (não sei onde eu estava com a cabeça).

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  4. Ótimo texto. Eu acho que é bem por aí. Uma ditadura militar não deve ser o modelo de governo almejado. Entretanto, na escolha entre duas ditaduras, uma militar e uma comunista, certamente não há receio na escolha. Aliás, entre qualquer modelo de governo e uma ditadura comunista... Ademais, os militares brasileiros foram muito mais civilizados no poder do que os dos nossos vizinhos (Esses, infinitamente mais civilizados do que qualquer ditador comunista).

    Gostaria de saber se vocês possuem alguma informação mais atualizada das tratativas de refundar o ARENA. Dei uma lida nos princípios geral do partido (não consegui achar na internet o estatuto) e achei bem interessante, embora com coisas que eu não concorde(basicamente a parte de reestatizar companhias necessárias a soberania nacional). A última infomação que eu tive era a de que eles haviam publicado o estatudo e precisavam colher 500 mil assinaturas para obter o registro (das quais já haviam conseguido 200 mil). Há alguma novidade?

    Obrigado

    Reinaldo

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    1. Reinaldo,

      Em primeiro lugar, obrigado por seu comentário!

      Bom, nós não temos acompanhado o processo de refundação do partido ARENA. Sugiro que você entre no site do partido e entre em contato com os coordenadores: http://partidoarena.org/

      Abraço!

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  5. Muito bom o artigo!, talvez ajude essa serie de palestras do pe. Paulo Ricardo sobre a Revolução Cultural e o Marxismo: http://padrepauloricardo.org/cursos/revolucao-e-marxismo-cultural

    Sancta Dei Genitrix, ora pro nobis.

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  6. OS CATÓLICOS(?) QUE CRITICAM FELICIANO:
    Acaso o marxista PT e seus comparsas comunistas me representariam?
    Não, de forma alguma!
    Onde estão os deputados das bancadas da Igreja Católica nas Câmara e Senado para representarem as dezenas de milhões de católicos?
    Será que os críticos dele são eleitores que empoleiram os marxistas para depois com sua ajuda no poder perseguirem a Igreja?
    Se Feliciano não nos representar, pelo menos não atenta contra a Igreja - os outros sim - nós muito pouco fazendo e ainda o criticamos...
    Afinal, de que lado estamos, com Deus ou o diabo?

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    1. Os representantes católicos são os padres do PT! lamentável!

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