sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A nova-velha reductio ad fascistum

Aristóteles, na seminal obra “Retórica”, aponta três aspectos que se pode explorar na retórica para atrair a simpatia das pessoas e convencê-las acerca da retidão de sua argumentação: o logos, que se relaciona com a lógica dos argumentos apresentados; o ethos, que consiste em transmitir, durante a argumentação, a impressão de se ser uma pessoa boa, inteligente e arguta – o que se chamava antigamente de “homem virtuoso”; e, por fim, o pathos, que é a exploração dos sentimentos através do discurso. Claro que para Aristóteles esses três aspectos não deviam ser utilizados para enganar as pessoas de modo a convencê-las de coisas mentirosas, pois isso seria um papel indigno feito por sofistas e charlatães. Schopenhauer tratou de diversas técnicas de engabelação pseudo-intelectual em seu livro sobre dialética erística.


No entanto, nem Aristóteles nem Schopenhaer viveram o suficiente para ver surgir um dos mais freqüentes e nauseabundos expedientes utilizados exaustivamente pela mais vasta classe de apedeutas e empulhadores ideológicos: a reductio ad fascistum – uma versão bastante particular da reductio ad Hitlerum (expressão cunhada por Leo Strauss) e da Lei de Godwin. A Lei de Godwin diz: “À medida que uma discussão se torna mais longa, a probabilidade de uma comparação envolvendo Hitler e os nazistas se aproxima de 1”. No entanto, a reductio ad fascistum possui uma peculiaridade incrível: ela prescinde de qualquer discussão. O único pré-requisito necessário é que o alvo da reductio ad fascistum adote qualquer comportamento ou defenda qualquer ideia que não esteja devidamente salvaguardada pela cartilha do politicamente correto, do credo progressista ou dos dogmas marxistas.

Um exemplo clássico do uso exaustivo da reductio ad fascistum é o Dr. Bagno, citado no nosso artigo anterior. O Dr. Bagno, como já foi dito, não conhece o que defendemos, os valores pelos quais lutamos, os autores que lemos, as ideias que divulgamos... Ele é absolutamente ignorante quanto a essas coisas. No entanto, o Dr. Bagno pôs na cabeça que somos fascistas! O motivo disso? Somos declaradamente conservadores. Na cabeça de pessoas como o Dr. Bagno, pessoas conservadoras – aquelas que acreditam na imperfectibilidade humana, em uma ordem moral superior, na impossibilidade de instaurar um Paraíso Terreno (libertino, coletivista ou ambos), na existência de uma natureza humana – são automaticamente fascistas – acreditam num Homem Novo, na derrocada dos valores tradicionais e sua substituição por valores adversos, no coletivismo, no Estado-Deus.


É possível conjeturar se o Dr. Bagno sequer ouviu falar de autores como Leo Strauss, Peter Kreeft, Paul Johnson, Russell Kirk, T. S. Eliot, Roger Scruton, Josef Pieper, Étienne Gilson, Mortimer Adler, Erik von Kuehnelt-Leddihn, Alasdair MacIntyre e outros tantos – citando apenas pensadores dos últimos 100 anos. Se isso se dá com esses grandes nomes do pensamento humano recente, é quase impossível pedir que conheça Edmund Burke, Alexander Hamilton, Alexis de Tocqueville, Frédéric Bastiat, Lorde Acton, Adam Smith, Samuel Johnson, toda uma tradição de ideias que remontam à própria Grécia antiga e que, em maior ou menos grau, influencia o pensamento conservador. Não, não, não! Se eu tenho Noam Chomsky e Michel Foucault à mão, para que olhar para toda essa velharia reacionária, não é mesmo?

Preconiza um antigo ditado semita o seguinte: “Um tolo joga uma pedra em um poço e mil sábios não conseguem removê-la.” Esse ditado guarda uma verdade inconteste: é muito mais trabalhoso explicar uma falácia que já é tomada como realidade do que transformar em realidade uma falácia. De pouco adiantaria explicar que essa conexão entre conservadorismo e fascismo foi urdida por Stalin – um dos maiores genocidas da história humana – como tática de agitação e propaganda, que essa mentira tem sido repisada há décadas, que ela se entranhou no imaginário popular graças à sua utilização ad nauseam pelas abundantes tropas de choque marxistas. A única coisa possível de se fazer é rir da tolice e da ignorância dessas pessoas, pois a reductio ad fascistum é apenas uma forma de se tentar encerrar qualquer debate por medo de ser desmascarado.

Em tempo: o incansável Conde Loppeux de la Villanueva publicou um texto excepcional a respeito do Dr. Bagno. Recomendamos fortemente a leitura de “Marcos Bagno, o Lyssenko da linguística brasileira”!

14 comentários:

  1. Todos digam: Marcos Bagno, vai tomar banho!!

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  2. A unb foi o ambiente mais fascista que eu já tive o desprazer de frequentar. Esse jumento do Bagno só prova o espírito ignorante e intolerante da universidade. Vivem falando de tolerância, pluralismo, mas isso são apenas slogans. Quando aparece um sujeito que defende a verdade, aparecem esses tontos com esse discursinho de merda. O que é que esse blog tem a ver com a ditadura, meu Deus do céu?

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  3. Bagno ficou nervosinho... ui!

    Detalhe para o "repudiados incondicionalmente". Qualquer coisa que um idiota faz, o faz incondicionalmente.

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  4. Meu nome é Robson di Cola. Sugestão ao site: gastem uns R$100,00 com uma consulta a um advogado, e verifiquem a possibilidade de PROCESSAREM este dr. Bagno. FAÇAM ISSO, SE FOR POSSÍVEL!

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  5. AEEEEEEEEEEE Felipe. Parabéns pelo seu trabalho.

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  6. "A única coisa possível de se fazer é rir da tolice e da ignorância dessas pessoas", não, não não, em primeiro lugar devemos como, Olvado de Carvalho, "...facista é a sua mãe..." e depois naturalmente processar apedeuta.

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  7. http://cavaleiroconde.blogspot.com.br/#!/2012/12/marcos-bagno-o-lyssenko-da-linguistica_14.html

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  8. gostaria de parabenizá-los pelo conteúdo do site e por se assumirem conservadores nos dias de hj.
    sou aluno da ufmg e ja li alguns textos de vcs no midia sem mascara. continuem com o trabalho, vcs sao mto bons!
    vcs sabem se existe um movimento como o de vcs em outras universidades? recentemente entrei em contato com o pessoal do lepanto, mas ainda nao encontrei ngm pessoalmente. tenho q parar com isso de só ler e apreender, acho q devo contribuir mais!

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    1. João Carlos,

      Em primeiro lugar, muito obrigado por seu comentário! Espero que os textos produzidos e publicados aqui estejam ajudando outras pessoas a enxergarem o lodaçal em que estamos todos nos afogando no Brasil.

      Existem outros grupos semelhantes ao nosso – muitos deles bem mais estruturados – País afora. Alguns exemplos são: Juventude Conservadora da UFSC, Juventude Conservadora de Sergipe e Juventude Conservadora do Oeste Paranaense. Eu lembro de terem comentado que havia um grupo semelhante na UFMG, e estão tentando estruturar a Juventude Conservadora Pouso-Alegrense (Pouso Alegre/MG).

      Se quiser alguma ajuda nesse sentido, entre em contato conosco pelo nosso Facebook. Sinta-se à vontade para, se quiser, adicionar-me (Felipe Melo) por lá.

      Abraços!

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    2. Nossa! Fui ao perfil do "Dr.", vi suas postagens e já veio à mente a imagem de um mundo onde sua ideologia seria implementada. Não haveria espaço para as liberdades, se expressar de forma alternativa seria um suicídio. Penso agora em como vive os cubanos, como eles têm que se adaptar para não morrer. Trágico, extremamente trágico.

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  9. Felipe,

    De verdade, o que deve ser feito é chamar o bagno de fdp. Racionalismo não funciona com esses atormentados.

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  10. Nenhum ser pensante da face da terra merece ler um livro desse Bagno. Puta merda!!!

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  11. realizações do comunismo pelo mundo
    1)estupro de 5.000.000 de mulheres pelos comunas(comunistas)
    2)assassinato de 100.000.000 de pessoas pelos comunistas
    só isso é o suficiente para mostrar que comunismo não presta

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  12. Ele argumenta que os conservadores não podem ter vez na UnB, pois ela surgiu do trabalho de comunistas com Darcy Ribeiro, Oscar Niemeyer. Mas acontece que a Unb é custeada também por conservadores.

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