quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A barbárie e o exílio de Deus

Há quase duas semanas, o mundo inteiro ficou chocado com o banho de sangue promovido na escola primária Sandy Hook, na pequena cidade de Newtown, Connecticut. O saldo total de mortos foi de 28 pessoas: vinte crianças com idades entre 6 e 7 anos, seis funcionários da escola, o atirador – Adam Lanza, 20, que cometeu suicídio quando a polícia chegou ao local – e sua mãe, a primeira das vítimas. Desportistas homenagearam as vítimas, diversos memoriais foram erigidos ao redor do país, um sem-número de faixas de solidariedade enfeitou as varandas e fachadas das residências da pequena cidade e o presidente dos Estados Unidos em pessoa, Barack Obama, esteve em Newtown para prestar suas condolências a todos que foram diretamente atingidos por esse horror.

Um dos memoriais feitos em memória das vítimas de Sandy Hook.

Como sói acontecer nesses momentos de tristeza e choque, diversas vozes oportunistas levantaram-se em meio ao generalizado sentimento de luto para apontar os culpados por essa tragédia e exigir que fossem punidos. E que culpados seriam esses? A pretensa cultura belicista norte-americana e a suposta facilidade em adquirir armas de fogo foram as campeãs dentre os elencados. É algo surpreendente como pululam “especialistas” em noticiários televisivos, jornais impressos, portais de notícias e outros veículos de comunicação, e é igualmente surpreendente a quase unanimidade entre eles. Isso quando não aderem a isso aqueles velhos e gastos chavões da “turma do bem” – apensar os termos “conservador”, “provinciano”, “supremacista” e “retrógado” ao americano médio que representa, no fim das contas, a tal cultura belicista vigente nos Estados Unidos. A solução para tudo isso, de acordo com os “especialistas”, é simples: desarmar a população civil, controlar vigorosamente a concessão do porte e a venda de armas, adotar políticas que se pautem pelo multiculturalismo – tudo, claro, a expensas da população via Estado.

Todavia, não é a facilidade em se adquirir armas de fogo em território norte-americano, muito menos a fantasiosa cultura belicista daquela nação, que são responsáveis por atrocidades como a de Newtown. Adam Lanza não é produto de uma tal cultura. Adam Lanza é um fenômeno global cujos fundamentos são bastante distintos dos escolhidos pelos “especialistas” de última hora: o divórcio entre direitos e deveres; a supressão da responsabilidade em nome de uma liberdade sem amarras; a idéia de que o homem é um ser histórica e socialmente construído, fruto das vicissitudes do momento, uma tabula rasa que pode ser moldada ao discricionário bel-prazer dos “iluminados”; a desumanização do homem, cujo valor é mensurado não pelo que é e faz, mas de acordo com o grupo, real ou fictício, que integra. Tudo isso, e outras coisas mais, concorrem para a formação de um homem egoísta, corroído por um hedonismo niilista e autodestrutivo, um homem mutilado e patologicamente vulnerável a todo tipo de insanidades e loucuras; um homem, ao fim e ao cabo, que se esqueceu de Deus.

Quem afirma isso não sou eu, mas alguém que sofreu na própria carne os horrores da erosão humana provocada pelo ateísmo mais fanático e raivoso: Aleksandr Solzhenitsyn. Laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1970, Solzhenitsyn mergulhou profundamente nos alicerces do totalitarismo socialista – do qual foi prisioneiro entre 1945 e 1956 – e, após décadas, afirmou:
Mais de meio século atrás, quando eu ainda era uma criança, lembro-me de ter escutado um grupo de pessoas mais velhas darem a seguinte explicação para os grandes desastres que se abateram sobre a Rússia: “Os homens se esqueceram de Deus; eis porque tudo isso aconteceu.”

Desde então, passei cerca de cinqüenta anos trabalhando na história de nossa Revolução; nesse processo, li centenas de livros, coletei centenas de testemunhos pessoais, e contribui com oito tomos de minha própria autoria para com o esforço de limpar os destroços deixados por aquela revolta. Mas se me pedissem hoje para formular concisamente qual foi a principal causa da ruinosa Revolução que engoliu quase sessenta milhões de russos, eu não poderia fazê-lo de modo mais preciso do que repetir: “Os homens se esqueceram de Deus; eis porque tudo isso aconteceu.”

E mais: os eventos da Revolução Russa só podem ser compreendidos agora, no fim do século, contra o pano de fundo do que tem ocorrido desde então no resto do mundo. O que ocorre aqui é um processo de importância universal. E se fosse requisitado a identificar brevemente a principal característica de todo o século XX, eu seria incapaz de encontrar algo mais preciso e essencial do que repetir: “Os homens se esqueceram de Deus.”
O mundo jamais viu um esforço tão colossal em expulsar Deus de todas as esferas da vida humana do que o presenciado no século XX. A perseguição religiosa – não de qualquer religião, mas especialmente do Cristianismo – alcançou níveis inimagináveis. As maiores e mais mortíferas doutrinas políticas e sociais da nossa era – socialismo, nazismo, fascismo, comunismo – foram erguidas sobre sólidos alicerces anti-religiosos. Só que, hoje, a perseguição anticristã não é um privilégio exclusivo de regimes totalitários como os de outrora: ela é um dogma difuso que, como um vírus, tem se espalhado lentamente pelo Ocidente, conquistando mentes e corações incautos com discursos aparentemente libertários e progressistas. Adam Lanza é um filho legítimo desse cancro sócio-cultural.

Dois dias depois do massacre de Sandy Hook, Mike Huckabee, ex-governador do Arkansas pelo Partido Republicano e apresentador do canal Fox News, fez uma reflexão absolutamente fantástica sobre como o afastamento sistemático e deliberado de Deus da vida das pessoas, algo transformado inclusive em política de governo nos Estados Unidos, foi responsável pelo derramamento de sangue em Newtown:


Há decerto aquelas pessoas que advogam que Deus deve se manter somente na esfera privada da vida humana e que qualquer manifestação pública, sobretudo em assuntos políticos, deve ser veementemente rechaçada. Esse é o caminho mais curto para a barbárie. Não precisamos apontar casos específicos e pontuais para corroborar esse argumento: basta vermos que, em um país como o Brasil – que não se encontra oficialmente em guerra contra nenhuma nação, nem passa oficialmente por qualquer guerra civil –, mais de 1 milhão de pessoas foram assassinadas em 30 anos; isso equivale a mais de cem pessoas por dia, um número que é muito superior à maior parte dos conflitos armados do mesmo período. E, aqui mesmo, à margem do mundo civilizado, vemos esforços coordenados e diuturnos para empurrar Deus e os cristãos de volta para o tempo das catacumbas. A única forma de não cairmos no abismo do terror mais abjeto e puro é mantermos posição e mostrarmos que uma sociedade minimamente digna é aquela em que a adoração a Deus é um dos fundamentos do homem. E a própria história o mostra.

Em 1914, eclodiu um dos conflitos armados mais sangrentos e desumanos da história: a Primeira Guerra Mundial. Solzhenitsyn, quando falou a respeito dela, disse que “a única explicação possível para essa guerra é um eclipse mental dos líderes da Europa causado por terem ignorado a existência de um Poder Supremo sobre eles”. Nunca, até então, o esplendor tecnológico humano foi posto a serviço da carnificina. Entretanto, mesmo em meio a trincheiras cheias de homens sujos e cansados, embotados de dor e medo, Deus se fez presente naquele ano de uma maneira surpreendente. Ao longo do front ocidental, em que lutavam forças alemãs e inglesas, mais de cem mil soldados depuseram suas armas durante o Natal, saíram de suas trincheiras, cruzaram campos devastados e sem vida, e uniram-se a seus inimigos para comemorar o nascimento de Cristo Jesus. Inimigos que tentaram obstinadamente se matar em dias anteriores passaram a dividir mais do que o esforço para eliminar o outro lado: dividiram refeições, funerais, canções natalinas, e, em alguns casos, até mesmo presentes.

Soldados alemães do 134º Regimento Saxão e soldados ingleses
do Regimento Real Warwickshire durante o Natal de 1914.

Ontem, nós cristãos comemoramos o Natal. Temos presenciado que, hoje em dia, nem mesmo a festa mais importante de toda a civilização ocidental passa incólume ao aviltante materialismo que tem destruído as bases da vida humana. No entanto, o verdadeiro espírito do Natal – o nascimento de Jesus Cristo, o Verbo Divino que se fez carne e habitou entre nós (João 1, 14) – nunca poderá ser arrancado dos corações daqueles que se mantêm fiéis. Mas não basta manter a chama divina acesa em nossos corações. Nós, cristãos, devemos lutar e perseverar até o fim para que Deus não seja expurgado da vida social e pública de nossa nação; devemos, com nossas palavras e ações, levar Cristo a todos, injetando-o na corrente sangüínea da sociedade, e jamais esmorecer diante da intolerância, da perseguição, nem mesmo da morte. Afinal, o discípulo não é maior do que o Mestre (Mateus 10, 24).

23 comentários:

  1. Felipe, como me faz bem ler seu blog. Que Deus o abençoe

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  2. Muito bom, Felipe! Dá prazer de ler seus artigos.

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  3. Estava aguardando ansioso essa publicação que viria pelo Natal. Felicidades, Dr. Melo.

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  4. Felipe, peço sua autorização para publicar esse texto em meu blog, irei publicar mas se vc não concordar é só me dizer. Parabéns pelo linda análise da conjuntura atual em que vivemos. Feliz Natal para todos. t+

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    1. Tom, sinta-se à vontade para publicar em seu blog! ;)
      Um Feliz Natal!

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  5. http://cavaleiroconde.blogspot.com.br/2012/12/deus-verdade-e-o-homem.html

    Não se preocupe, sou o Leonardo. Abraços.

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  6. Bravo, Felipe!

    E por aqui o Jefferson Aparecido Dias (que gosta de aparecer e é burro, típico de mentalidades autoritárias como a dele!) e o ministério público federal em luta encarniçada contra o "Deus seja louvado" de nossas cédulas. O que virá depois disso? A proibição estatal de lermos o Evangelho em nossos lares, com direito a espionagem, prisão e multa?

    Esse Aparecido "É o mesmo rapaz que se mobilizou para caçar e cassar todos os crucifixos de prédios públicos, lembram-se? Também foi ele que tentou, sem sucesso, levar o pastor Silas Malafaia às barras dos tribunais quando este protestou contra o uso de santos católicos em situações homoeróticas numa parada gay".

    O Reinaldo Azevedo acertou quando disse desse sujeito que ele é um "procurador que, quando está desocupado, decide perseguir... Deus!" E acrescento eu: COM DINHEIRO DOS CONTRIBUINTES CRISTÃOS!

    Sem Deus em nossa vida privada e pública, retrocederemos à barbárie.

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  7. Sou o obrigado a concorda com Wayne LaPierre presidente da NRA, seria muito mais seguro se professores e funcionários das escolas andassem armados, seria a única forma eficaz de evitar novos massacres. Essa ausência de Deus nos EUA também pode ser relacionada àqueles que perseguem os criacionistas nas escolas, desde que o herege Charles Darwin lançou sua tal "teoria", as pessoas deixam de lado a ÚNICA verdade revelada por DEUS ao homem, A BÍBLIA. Enquanto os americanos não retomarem sua vocação de liderança e seu "destino manifesto" essas matanças vão continuar. Após a Guerra Fria e com o fim da manifestação demoníaca do socialismo, os americanos acabaram perdendo o foco, mas eles deveriam se esforçar para levar seus valores elevados para os quatro cantos do mundo, combater e aniquilar as falsas religiões e derrubar governos que escravizam o cidadão (um exemplo é o Brasil, em outros tempos os homens bons do nosso país já teriam se unido a outros bons homens dos EUA para acabar com o atual estado de coisas, do que vale uma pseudo democracia sem Deus?). A Igreja brasileira precisa organizar uma nova Marcha para que o cidadão de bem possa sair a rua e exigir o fim desse governo ateu-comunista. Felipe, hoje na internet, vejo você como uma liderança jovem, que se iguala a grandes nomes como Olavo de Carvalho e Reinaldo Azevedo, mas é preciso de mais gente boa como vocês para fazer esse povo, tratado à base de bolsa esmola, acordar para a VERDADE! Forte e carinhoso abraço, Gerson Moratto.

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  8. Felipe só citando um trecho: "As maiores e mais mortíferas doutrinas políticas e sociais da nossa era – socialismo, nazismo, fascismo, comunismo – foram erguidas sobre sólidos alicerces anti-religiosos." só gostaria de lembrar que o fascismo cedeu o território Vaticano para a Igreja Católica (tratado de Latrão), então acho que, pelo menos o Duce Benito Mussolini, não pode ser acusado de perseguir o Cristianismo. Na minha opinião Mussolini livrou a Itália do comunismo, como o General Franco fez na Espanha, assim apesar de alguns exageros o fascismo também teve aspectos positivos. Peço licença para essa pequena observação, essa educação "politicamente correta" arquitetada por vagabundos comunistas, não deixa que questionemos alguns assuntos. Afinal, um povo não tem o direito de manter sua cultura ou de tentar ser grande? Olhe o que acontece no Brasil, no continente Africano, em alguns países asiáticos... se seguíssemos os valores de países que são modelos de civilização não estaríamos nessa situação. Sei que posso ser criticado por isso, mas até o fato de sermos governados por uma mulher é algo a se pensar, sei que na Alemanha eles tem a Angela Merkel (também acho que não cabe uma mulher governando o nação mais rica da Europa, mas... se a gente falar é capaz até de rolar processo, além disso, comparar Dilma com Merkel é sacanagem) Não sou machista, mas acho que está faltando as pessoas reconhecerem seus lugares e papéis na sociedade, algumas regras e tradições não devem ser esquecidas! Continue em sua cruzada Felipe.

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    1. Felipe só citando um trecho: "As maiores e mais mortíferas doutrinas políticas e sociais da nossa era – socialismo, nazismo, fascismo, comunismo – foram erguidas sobre sólidos alicerces anti-religiosos." só gostaria de lembrar que o fascismo cedeu o território Vaticano para a Igreja Católica (tratado de Latrão), então acho que, pelo menos o Duce Benito Mussolini, não pode ser acusado de perseguir o Cristianismo.


      Conde- Caríssimo, é aí que vc se engana. A oficialização do Vaticano era uma tentativa de resolver uma crise entre a Igreja e o nascente Estado italiano, desde que em 1870, quando o papado se tornou prisioneiro da Itália e perdeu sua soberania. Mussolini fez um acordo com o Vaticano, para resolver um problema diplomático com a Igreja. Porém, dois anos depois, ele entrou em conflito com a Igreja, quando tentou secularizar as escolas católicas. Ocasião em que o Papa Pio XI escreveu uma encíclica papal condenando os erros do fascismo.

      Quanto a Francisco Franco, ele não era necessariamente um fascista, mas um católico conservador e monarquista, que interveio em favor da Espanha, para salvá-la dos comunistas.




      Na minha opinião Mussolini livrou a Itália do comunismo, como o General Franco fez na Espanha, assim apesar de alguns exageros o fascismo também teve aspectos positivos.


      Conde-A comparação aqui é errada. Mussolini não era conservador como Franco. Mussolini, na verdade, era um ex-comunista renegado, que fundou um partido similar, embora diferente no objeto de culto e idolatria: o nacionalismo estatal.

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    2. Mas não se pode negar que tanto Fascismo, quanto Nazismo e Franquismo livraram seu países do comunismo, já dizia o incompreendido Nicolau Maquiavel, pai da política moderna: "os fins justificam os meios". O problema é que os esquerdopatas não conseguem ver isso. Se os homens não pegarem em armas no momento em que são ameaçados eles deixam de ser homens e se tornam escravos! Quando um líder corajoso finalmente livrará a América Latina de toda essa farsa chamada de "social democracia"! Em muitos sentidos vejo como Plínio Salgado foi injustiçado pelos historiadores de esquerda, que insistem em idolatrar monstros como Luís Carlos Prestes. Enquanto isso, Líderes como Pinochet, Juan Carlos Onganía, Castelo Branco, Médici e Figueredo são demonizados! É necessário um revisionismo histórico urgente que mostre a verdade sobre o ouro de Moscou e o treinamento de mais de 150 mil guerrilheiros em Cuba. Por muito pouco, mas por muito pouco mesmo, o Brasil quase tornou-se uma nova Cuba. É uma pena que o covarde democrata Kennedy não teve culhão para invadir cuba em 62 e matar todos os comunistas da ilha. Bem feito, teve a massa encefálica comunista pulverizada para todo mundo ver. É uma pena não termos um movimento como o Tea Party nessa terra de nínguém, que alguns tem coragem de chamar de país. Pena a invasão holandesa ter sido abortada pela WIC, com certeza seríamos culturalmente muito mais avançados do que somos hoje(se é que podemos chamar o que temos de cultura), depois chamam Calabar de traidor e Zumbi de herói, só na Bananândia mesmo.

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  9. Parabéns pelo artigo! Muito bem escrito e suscitador de esperança!

    Abraço!

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  10. Para um cristão, teísta, seja lá qual deus adore e acredite, esse seu ponto de vista é bastante coerente - como também, e previsivelmente, tendencioso. Afinal, você coloca a fé religiosa como um fundamento do que pode haver de melhor no ser humano, esquecendo que essa mesma fé também tem trazido tanta dor e derramamento de sangue através dos séculos - como provam as Cruzadas, a Inquisição, o terrorismo, os padres pedófilos, e até mesmo o Holocausto (sim, Hitler era cristão como você!). É claro que a fé religiosa ou a crença em um deus não se prestam apenas a fertilizar as raízes do mal. A afirmação do Sam Harris de que a fé é a obra-prima do diabo, até que faz sentido sob muitos aspectos. Você mesmo, com qualquer teísta, é carregado de preconceitos fundamentados em sua fé contra quem pensa e se comporta diferente de você - os "outros", aí incluídos os ateus, satanistas, umbandistas, seguidores de outros deuses como Alá ou o Jeová dos judeus, gays e lésbicas etc, e que, por causa desses preconceitos, é capaz de odiar, difamar, humilhar, maltratar e até matar em nome de Jesus. Isso é justificável pela sua fé, que o orienta a ser assim, por ser essa a vontade de seu deus. Mas, sei e reconheço que a fé religiosa também tem fatores positivos, tais como os que você citou em seu texto. Agora, creditar toda a bondade humana à fé religiosa, e todo o mal à ausência dessa mesma fé é, no mínimo, um julgamento tendencioso e ingenuo - como também injusto. Fique na paz, amigo.

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    1. Raimundo,

      Há uma afirmação bastante famosa que sintetiza muitos dos seus próprios pensamentos, conforme você os expôs em seu comentário. Ei-la:

      “O maior crime cometido contra a humanidade foi o surgimento do Cristianismo. [...] A mentira deliberada em matéria de religião foi introduzida no mundo pelo Cristianismo. O Cristianismo foi o primeiro credo no mundo a exterminar seus adversários em nome do amor. Seu ponto-chave é a intolerância.”

      A ironia de tudo reside nisto: por um lado, a afirmação acima resume seus próprios sentimentos com relação à fé cristã; por outro, é prova cabal da monumental incoerência de seu raciocínio. Sabe quem foi o autor da afirmação acima? Um sujeito chamado Adolf Hitler – o mesmo que você disse que era cristão.

      É só o que tenho a dizer. :)

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    2. Nossa cara, vai estudar. Meu QI foi a -10 lendo esse caminhão de lixo. É justamente esse tipo de gente sem capacidade que persegue os cristãos.

      Como diz um dos que inspiram este blog, "a sua opinião vale ser levada em conta o tempo que você gastou para formulá-la dividido por 10".

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    3. "Para um cristão, teísta, seja lá qual deus adore e acredite, esse seu ponto de vista é bastante coerente - como também, e previsivelmente, tendencioso. Afinal, você coloca a fé religiosa como um fundamento do que pode haver de melhor no ser humano, esquecendo que essa mesma fé também tem trazido tanta dor e derramamento de sangue através dos séculos - como provam as Cruzadas, a Inquisição, o terrorismo, os padres pedófilos, e até mesmo o Holocausto (sim, Hitler era cristão como você!). "


      Conde-As falácias são assustadoras, Precisamos desmistificar: as cruzadas não foram uma reação fanática de assassinos cristãos contra incautos islâmicos. Foram sim uma reação militar legítima contra a expansão islâmica, que ameaçava dominar a Europa. Sem as Cruzadas, Portugal e Espanha seriam islâmicas e a Europa estaria ameaçada de uma nova invasão.

      Por outro lado, a Inquisição. Fora do seu contexto histórico, a inquisição é vista como uma maidição, um sinal de intolerância. Visto pelo prisma histórico, a religião, mais do que hoje, era um fator importante de coesão social. As heresias poderiam levar países à guerra civil. O combate à heresia era uma questão de ordem pública. E isto pq a inquisição surgiu para conter os abusos, linchamentos e assassinatos de hereges sem julgamento prévio e legal. Ou seja, a inquisição não é produto do fanatismo, mas do bom senso.

      E convém dizer? O que tem a ver o terrorismo islâmico e os padres pedófilos com a fé? O sofisma aí é forçado. Primeiro, pq nivela islâmicos a cristãos, como se as cosmovisões religiosas fossem as mesmas. E segundo, o que um padre pedófilo tem de fé cristã, para abusar de uma criança? O sofisma se torna aqui uma mentira completa.

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    4. e até mesmo o Holocausto (sim, Hitler era cristão como você!).

      Conde- Percebe-se aí que o sujeito jamais leu uma biografia sequer sobre Hitler. Felipe Melo foi exato em mostrar o quanto Hitler odiava o catolicismo. Porém, acrescento mais: em 1936, Hitler moveu uma campanha violenta de "kulturkampf", de secularização forçada dos colégios católicos na Alemanha, querendo destruir a autonomia da Igreja alemã. Inclusive, fez divulgações infames na propaganda, acusando so padres de pedófilos (a calúnia já é bem mais antiga) e ainda, fechou seminários católicos. ALiás, ao que parece, o rapazinho tb ignora que o Papa Pio XII foi responsável pela salvação de cerca de 800 mil judeus na Europa. E que Hitler queria, inclusive, sequestrá-lo.


      "É claro que a fé religiosa ou a crença em um deus não se prestam apenas a fertilizar as raízes do mal. A afirmação do Sam Harris de que a fé é a obra-prima do diabo, até que faz sentido sob muitos aspectos".


      Conde-A visão aqui é falaciosa. Transforma um acidente de uma prática, a fé, numa substância. Uma fé irracional não invalida a verdadeira fé. Uma comida estragada de bacalhau não invalida um bacalhau gostoso. enfim, uma falsa analogia, manietada por um farsante travestido de "filósofo', o sr. Harris.



      Você mesmo, com qualquer teísta, é carregado de preconceitos fundamentados em sua fé contra quem pensa e se comporta diferente de você - os "outros", aí incluídos os ateus, satanistas, umbandistas, seguidores de outros deuses como Alá ou o Jeová dos judeus, gays e lésbicas etc, e que, por causa desses preconceitos,


      Conde- Não há grego, judeu, romano ou cita, mas um só em Jesus Cristo. O fato de reconhecermos os erros religiosos e teológicos dos nossos irmãos muçulmanos, testemunhas de jeová, homossexuais e outros, não quer dizer que sejamos obrigados a aceitar seus erros. Uma coisa é criticar o erro, e outra coisa é a pessoa.


      é capaz de odiar, difamar, humilhar, maltratar e até matar em nome de Jesus.

      Conde-Que algumas pessoasm façam isso, é lamentável. Mas é ainda acidente. Uma mau cristão não invalida um bom cristão.

      "Isso é justificável pela sua fé, que o orienta a ser assim, por ser essa a vontade de seu deus".


      Conde- Aqui vemos um rótulo odioso de um ateu desonesto.


      "Mas, sei e reconheço que a fé religiosa também tem fatores positivos, tais como os que você citou em seu texto. Agora, creditar toda a bondade humana à fé religiosa, e todo o mal à ausência dessa mesma fé é, no mínimo, um julgamento tendencioso e ingenuo - como também injusto. Fique na paz, amigo".


      Conde- Com certeza, o mero ato de ter fé não faz de alguém bom cristão. Mas a falta de fé gerou crises morais e intelectuais bem piores. Gerou o secularismo e como sucedâneo, a estatolatria e o genocídio.

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  11. Um artigo soberbamente escrito e de tal modo envolvente que por vezes tirou-me o folego, é só isso que posso dizer.Alias, só quem tem o dom palavra pode fazê-lo.

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  12. Felipe, pessoas como você confirmam a superioridade intelectual do pensamento cristão/conservador. Uma rápida olhada em blog "progressistas", "socialistas" nos mostram a falta de qualidade dos argumentos utilizados: chavões, palavras de ordem, ofensas gratuitas...não mais do que isso. Por vezes, me pego a pensar como seria interessante existir um mundo paralelo só para eles, para que vivenciassem as consequências de sua ideologia. abs e parabéns!

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  13. Se um ser é onipresente, está em todo o lugar, ele não pode ser expulso. Por que se pudesse ser expulso ele não seria onipresente. Você trata na verdade da expulsão da IDEIA de Deus, e não de Deus em si.

    São coisas distintas. Uma é o ser em si, realmente existente. Outra é a ideia que foi (e é, permanentemente) construída histórica, social e culturalmente sobre esse ser, pela religião, cultura, enfim, por uma infinidade de discursos. Quanto ao ser em si, esse há dúvidas se realmente existe; quanto à ideia sobre esse ser, essa com certeza existe.

    De fato, a ideia de Deus é grande freio moral para as pessoas, seja pelo viés do fervor religioso/amor a Deus, seja pelo temor de queimar no inferno por toda a eternidade - a punição divina. O protestantismo consiste em verdadeira tirania espiritual sobre o sujeito, o catolicismo um pouco menos. A ideia de Deus afastou muitos de cometerem violência, concordo com você, mas essa mesma ideia gerou violência - guerras religiosas, torturas, atentados terroristas, assassinatos, entre outros (muito embora exista o mandamento "não matarás").

    Concluindo, interpreto que no lugar da palavra "Deus" no seu texto dever-se-ia ler "ideia de Deus". Não faz sentido falar em expulsão do Deus em si, pois, segundo o princípio da onipresença albergado pela Igreja Católica, isso não seria possível, pois não é possível expulsar quem está em todo o lugar todo o tempo. Com a eliminação desse "freio moral", certos comportamentos podem vir à tona, como esse horrível massacre. Porém tudo é questão de não existir freio maior que a religião para regular as atitudes humanas e disciplinar seu potencial destrutivo. O racionalismo e o cientificismo muitas vezes não capazes de lacuna (não falo que não o possam eventualmente ser, mas faço uma constatação de fato que).

    Agora quanto ao ser de fato, Deus. Se, segundo o cristianismo, Ele é onipotente, onipresente e onisciente, ele tem a capacidade de atingir tudo o que desejar, de alcançar todos os resultados possíveis. Ele é um ser completamento autônomo. Contudo, Ele não o faz. Ele omite-se. Milhões de atrocidades acontecem todos os dias, mas Deus, todo poderoso, não se utiliza do seu poder para diminuir o sofrimento humano (conquanto possa utilizar-se dele conforme sua vontade).

    Tudo o que vejo desse discurso religioso é que a criatura foi de fato criada, mas posteriormente deixada a seu bel prazer. Se há intervenção divina ela é pontual, discreta, pouco decisiva e pouco aparente como retrata o próprio texto. Deus segue na maior parte ausente, permitindo que nos inflijamos sofrimentos e violência.

    E se nos foi dado o livre arbítrio para escolhermos nossa própria sorte , não nos foi dado suficiente discernimento e inteligência para fazer bom uso dele.

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  14. Parabéns Felipe Mello, ótimo artigo.
    Gostaria também de lhe desejar, caro, um ótimo Ano Novo!
    Um abraço!
    Paz e Bem.

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  15. Estamos em greve por aqui?

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