segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Obama foi reeleito – e um garoto de 9 anos pode respirar aliviado

Larry Elder
Townhall Magazine


Brandon, um garoto negro de 9 anos de idade, participou de um comício de campanha patrocinado por Michelle Obama. Um cinegrafista entrevistou Brandon, que estava lá com seu pai. “Por que ele (Obama) precisa ganhar?” foi a pergunta. “Porque se Mitt Romney ganhar”, ele respondeu, “nós voltaremos para as fazendas. Nós passaremos a vida a colher.” Fora da tela, seu pai podia ser ouvido rindo.

De quem o garoto de nove anos ouviu que o adversário de Obama é um racista que, para citar a presidente do Comitê Nacional do Partido Democrata, quer “literalmente arrastar a todos nós de volta para as leis Jim Crow”?


O pai de Brandon poderia mostrar a seu filho uma coluna recente de Douglas Wilder, ex-governador negro da Virgínia e ele próprio um ex-candidato presidencial. Embora o re-endossamento do ex-secretário de Estado Colin Powell ao presidente Obama tenha tido mais atenção, de muito maior importância foi a recusa de Wilder em endossar a reeleição do presidente Barack Obama. Wilder escreveu: “A pergunta clássica: ‘Nós estamos melhor do que estávamos há quatro anos’, leva muitas pessoas que eu encontro quando viajo pela Virgínia e pelo país a uma resposta mista”.

Artur Davis, um antigo congressista negro de Alabama e um dos chefes da campanha de Obama em 2008, passou a apoiar Romney. Um adversário do ObamaCare, Davis disse, “Um sistema de saúde tão abrangente, com 2.000 páginas de regulamentação, e custando perto de 1 trilhão de dólares para ser reestruturado, é simplesmente muito trabalhoso e muito caro num momento de déficits de trilhões de dólares.” Quando ele foi criticado por sua postura contra o ObamaCare, Davis disse, “Eu vigorosamente rejeito a insinuação de que só há uma “maneira negra” de compreender um problema.”

A Associated Press, no entanto, quer que as pessoas como o pequeno Brandon saibam que, sim, se Obama tivesse perdido, teria sido por causa racismo. De fato, a AP diz que sua pesquisa on-line mostra que muitos americanos têm “atitudes raciais” negativas em relação aos negros – – o suficiente para prejudicar a reeleição de Obama.

Como é que a AP descobriu as “atitudes raciais” negativas?

Além de questões abrangentes sobre os candidatos presidenciais e atitudes políticas, a AP fez questões “abertas”. Estas incluem coisas como, bem, algumas palavras ou frases – “amigável” “cumpridor da lei”, “bom aluno”, “preguiçoso” e “reclamão” – para descrever os negros, brancos, hispânicos e assim por diante.

A AP também usou “técnicas mais sutis”, porque “algumas (pessoas) podem não ter consciência de seus próprios preconceitos”. E empregando o termo “exibir atribuição incorreta”, a pesquisa mostrou “rostos de pessoas de diferentes raças rapidamente em uma tela antes de exibir uma imagem neutra sobre a qual as pessoas foram solicitadas a classificar como agradável ou desagradável”.

Logo depois de aplicar o que parece um pequeno universo de “fórmulas matemáticas” para as respostas da pesquisa (que inclui termos como “probabilidades”, “atitudes”, “características” e “modelos... para estimar o impacto de cada fator”, quando este é “controlado por outros fatores”), a AP anunciou suas conclusões: Uma maioria (51 por cento) de americanos possuem “visão negativa” dos negros.

Caso encerrado, certo? Errado.

O que acontece quando perguntas sobre negros são feitas aos negros? Como os negros respondem a ideias negativas sobre os negros? Em 1991, pesquisadores de uma Pesquisa Nacional de Política e Raça fizeram as mesmas perguntas para negros e brancos. Os negros, por exemplo, também foram questionados se eles considerados os negros “agressivos ou violentos”, “arrogantes”, “reclamões”, “preguiçosos” ou “irresponsáveis”.

Enquanto 52 por cento dos brancos concordavam com a afirmação “os negros são agressivos ou violentos,” 59 por cento dos negros também concordavam. Com a afirmação de que os negros eram prepotentes, mais negros do que brancos concordavam, em 57 por cento e 45 por cento, respectivamente. Com a afirmação “os negros são reclamões” 51 por cento dos negros concordaram, contra 41 por cento dos brancos. Menos brancos (34 por cento) do que os negros (39 por cento) concordaram com “os negros são preguiçosos”.

O Cientista Político da Universidade Stanford Paul M. Sniderman e o especialista em pesquisas de opinião Thomas Piazza analisaram a pesquisa de 1991. Eles escreveram: “Em toda situação, os negros têm ao menos tanta probabilidades quanto os brancos de terem uma visão negativa dos negros. (...) Na verdade, quando se trata de considerar se os negros como um grupo apresentam características socialmente indesejáveis, onde há uma diferença estatisticamente significativa entre as opiniões de negros e brancos, sempre é porque os negros expressam uma avaliação mais negativa sobre os próprios negros do que os brancos”. São os negros, que sempre pontuam mais que os brancos em testes de autoestima, racistas contra si mesmos? De acordo com a Pesquisa Nacional de Política e Raça de 1991, aparentemente sim... Eis o absurdo de alguém ser considerado “racista” apenas por ter opiniões “negativas” sobre uma raça.

Eu tinha a idade de Brandon quando minha mãe e eu assistimos a convenção de 1960, em que John Kennedy foi indicado. Em meu novo livro, “Dear Father, Dear Son”, eu escrevo sobre minha mãe democrata e meu pai republicano. Nenhum deles acusou Richard Nixon de tentar impor novamente as leis Jim Crow. Eles falavam sobre temas e diferenças políticas. Durante vigorosas discussões políticas na mesa da cozinha, nem minha mãe nem pai posavam de vítima. Nem também pensavam que o partido adversário estava “espreitando na fora para pegá-los.” Mamãe e papai consideravam a América um país imperfeito numa constante – geralmente bem sucedida – luta para viver de acordo com seus ideais.

Larry Elder

Cara, eu era feliz.

Larry Elder é escritor, radialista e colunista da Townhall Magazine.
Tradução: Jorge Nobre, estudante de Letras - Tradução Francês da UnB

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