segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A síndrome de Leão da Montanha


Alguém aí se lembra do simpático Leão da Montanha, o personagem da Hanna-Barbera que sempre dava um jeitinho de fazer uma “saída estratégica” quando a coisa ficava feia? Pois bem, parece que há uma certa síndrome de Leão da Montanha identificável na escolha para reitor da Universidade de Brasília. Diante de determinadas evidências bastante eloquentes e fortes de que possui apoio formal do Partido dos Trabalhadores no Distrito Federal, a Chapa 80 emitiu nota pública tentando desconversar. Analisemos juntos a nota – nossos comentários estão em azul.
NOTA PÚBLICA

Considerando a reincidência de grave atentado contra a transparência e as práticas democráticas no processo eleitoral em curso para a reitoria da UnB, mediante verdadeira “central de boatos”, imputando-nos atos ilícitos e falsos com o objetivo de atingir nossa honra pessoal e profissional, nós, professores Márcia Abrahão e Marcelo Bizerril, candidatos à reitoria da UnB pela Chapa 80, vimos a público, mais uma vez, prestar alguns esclarecimentos à comunidade acadêmica e à sociedade:

Curioso como o exercício da liberdade de expressão e imprensa é firmemente tachado de “grave atentado contra a transparência e as práticas democráticas”. Na verdade, a divulgação do comunicado da cúpula local do PT não seria, ao contrário, um exemplo de transparência?

1) não temos e nunca tivemos qualquer filiação partidária;

Isso jamais foi colocado em consideração por este blog. Filiação partidária é um direito individual que deve ser respeitado.

2) sempre nos pautamos pela defesa dos direitos humanos;

Quer pintar-se como um anjo de candura? Diga que defenda os “direitos humanos”. No entanto, essa questão jamais esteve em pauta.

3) não estivemos na sede do PT local e jamais houve, de nossa parte, solicitação para que partidos políticos declarassem apoio à nossa candidatura;

Uma vez mais, isso não veio à baila. O que se evidenciou é que, institucionalmente, o PT está sim envolvido na campanha. Jamais se cogitou se isso foi uma iniciativa do partido ou um pedido da Chapa 80.

4) durante toda a campanha temos deixado claro que sempre aceitamos e aceitaremos a livre adesão de apoiadores e colaboradores de todos os matizes políticos, sociais e culturais que concordem com nossos princípios e com nossas propostas de gestão;

Livre adesão individual é algo bastante distinto de apoio institucional. E, quando essa adesão é feita sob ordens de um presidente de partido, pode-se ainda falar em livre adesão?

5) respeitamos estudantes, servidores técnicos-administrativos e professores que optam por filiação partidária, um direito do cidadão brasileiro;

Novamente, repito: filiação partidária é um direito individual que deve ser respeitado.

6) por outro lado, sem que desejemos estabelecer juízo de valor sobre o fato, lembramos que nosso adversário eleitoral neste 2o. turno declarou publicamente que recebe apoio de pessoas ligadas a partidos políticos, conforme se pode verificar na transcrição de parte do debate realizado pela TV Brasília e Correio Braziliense na última quinta-feira (6/9): “Temos apoio, inclusive, de colegas do PT, PCdoB e de vários outros partidos” (Ivan Carmargo; Correio Braziliense, 7/9);

De fato, o professor Ivan Camargo possui apoio “de colegas do PT, PCdoB e de vários outros partidos”. No entanto, o professor Ivan Camargo não possui apoio institucional de nenhum partido, muito menos teve a seu favor a militância de um partido mobilizada pelo próprio presidente local do partido.

7) no momento adequado tomaremos as medidas cabíveis para a proteção de nossa honra e imagem.

Se a honra e a imagem da professora Márcia Abrahão e do professor Marcelo Bizerril forem danificadas por calúnia e difamação, os responsáveis devem ser processados dentro dos ditames legais.

Continuarems [sic] realizando uma campanha honesta, com a participação ativa e espontânea de estudantes, professores e servidores técnicos-administrativos que,  como nós, veem nestas eleições uma oportunidade histórica de renovação da cultura política da UnB e de construção do melhor futuro para essa instituição. Estamos certos de que atitudes de desrespeito ao presente processo eleitoral, bem como à honra e à imagem dos indivíduos envolvidos, somente demonstram que ainda existem na UnB, infelizmente, aqueles que não acreditam na democracia e no respeito às  leis.

Junte-se a nós! O amanhã fazemos juntos. Vote 80 nos dias 11 e 12 de setembro.

Abraços fraternos,

Márcia Abrahão e Marcelo Bizerril
Como se pode ver, não há uma só linha em que se contesta diretamente a existência de apoio institucional do Partido dos Trabalhadores à Chapa 80, muito menos se menciona que o presidente regional do partido literalmente ordenou que a militância se organizasse para trabalhar na campanha dessa chapa. Independente de como esse apoio foi fomentado, a interferência de um partido que foi responsável pelo maior e mais audaz escândalo de corrupção da história do País é algo sim para ser visto com grande preocupação. A instrumentalização partidária do ambiente universitário, seja por que partido for, será sempre uma ameaça à verdadeira autonomia universitária – algo muito defendido na retórica e constantemente vilipendiado na prática.

É por isso que reiteramos, uma vez mais, nosso apoio à Chapa 86 – UnB Somos Nós no segundo turno das eleições para reitor. Nos dias 10 e 11 de setembro, hoje e amanhã, digam não à ingerência partidária no ambiente universitário e à instrumentalização política rasteira da academia: vote Chapa 86!

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