terça-feira, 21 de agosto de 2012

A legitimidade da intimidação


Inconformados com a manobra política da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) para retomar o semestre letivo, professores e estudantes resolveram ocupar a sede da associação, a Casa do Professor, para pressionar pela realização de nova assembléia que retome a greve docente na UnB. Foi realizado um abaixo-assinado para a realização de uma assembléia auto-convocada – e o Grande Timoneiro da UnB, José Geraldo, evidentemente não se eximiu de apoiar prontamente esse “direito democrático da categoria” com sua própria assinatura.

Pelo visto, os setores mais radicais da esquerda universitária – que conta com alguns estudantes que estão há tanto tempo na UnB que já devem ter criado raízes – não gostaram nadinha de provar um pouquinho de seu próprio veneno. Toda essa situação está sendo bastante didática para mostrar a que vêm, de fato, a turma “progressista”: quando a situação foge de seu próprio controle, recorrem à intimidação, à força bruta, para forçar goela abaixo seus interesses, os únicos que podem ser considerados “politicamente legítimos”.

Lembram-se da matéria da revista Veja, intitulada “Madraçal do Planalto”, sobre a perseguição política conduzida na Universidade de Brasília contra os “reacionários”? À época, houve uma indignação generalizada pelos corredores da universidade, indignação essa que levou à emissão de um sem-número de notas de repúdio, inclusive do Conselho Universitário (CONSUNI). A coisa toda foi tratada como uma invenção espúria da revista, que, tradicionalmente, representa a “extrema-direita conservadora” brasileira. Diante do atual clima de guerra campal que se instaurou na UnB nos últimos dias, pergunto: será que a reportagem foi mesmo tão surreal assim?

2 comentários:

  1. Se os professores tivessem a (suposta) proposta deles aceita, o que melhoraria para o ensino? Além evidentemente da simbólica "valorização do ensino e do professor", não é mesmo?
    Os alunos voltariam às aulas e encontrariam as mesmas dificuldades para aprender o que deveriam (currículos desatualizados, sistema burocráticos anti-interesse de aprendizado, sistema anti-criatividade, sistema não-pense (penseo igual a mmim), sistema vamos bitolar você e sistema rígido de disciplinas não necessariamente interessantes para o seu intelecto (com professores querendo fazer lavagem cerebral)).

    Então não sou, de fato, a favor desta greve. No entanto, não acredito que acabar com esta greve seria tão bom assim num cenário global.

    O que acontece é que tivemos 90 dias de greve. Apenas uma proposta demagoga. E nada mais.
    Uma declaração de que as negociações foram encerradas. PRONTO.

    VOltar às aulas seria um atestado de incompetência. Melhor dizendo, um atestado de ditadura. Um atestado de que a greve não significa nada. E de que nada conseguiríamos com a greve!

    Isso não parece bom. Nõ parece bom de jeito nenhum.
    Isso pode ser usado.
    Nenhuma greve com efeito! Futuramente, quando estivermos lutando por algo realmente digno (por exemplo nos termos que coloquei anteriormente), a greve será encarada com o teor de agora (um teor de palhaços - não significa nada (é "apenas teatro")). E nunca teremos melhoramentos reais no ensino.

    E tudo será encarado assim para sempre.

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  2. Por outro lado, não sei se continuar a greve seria tão bom. Porque, como sabemos, os acordos e tudo mais seriam feitos pelo comando da greve - que, talvez, estejam mal intencionados (com o único objetivo de manter a greve).
    E, portanto, de qualquer forma, a ação "greve e reinvindicar direitos" seria desmoralizada (assim como no caso de voltar às aulas).

    O ideal seria que a greve continuasse, mas sob o comando de pessoas novas. E essas pessoas conseguissem um acordo mínimo com o governo - digno de se voltar às aulas.

    Depois, sem manipulação, conseguirmos voltar às aulas.

    Assim, teríamos uma conquista (nem que seja simbólica) depois dos 90 dias de greve.

    Mas isso é coisa meio utópica.

    Portanto uma coisa eu acho que o Lula conseguiu. Desmoralizar o conceito de "greve" e tornar exclusivamente uma ferramenta política dele.


    QUando ele não tiver interesse numa greve, ela não será moral o suficiente para existir. E ele fecha judicialmente - ou com pressão da sociedade.

    E quando for do interesse dele, a greve vai continuar a força - como estão tentando agora.



    Felipe, eu li sua história em outra página. Eu repseito muito os seus pensamentos. E percebi que é um tanto quanto mente aberta! PARABÉNS!

    Eu afirmo as coisas (tanto escrevendo quanto falando) com um certo grau de vivacidade e força. Não quero que interprete minhas frases como ofensa!
    Quando falo para fazer alguma coisa (ou pensar), não signica que não pense! =)

    Bom, encerrei minhas observações ou elementos de reflexão.

    Abraço e boa sorte nos textos

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