segunda-feira, 30 de julho de 2012

Batman, o contra-revolucionário

 
ATENÇÃO: O TEXTO A SEGUIR CONTÉM SPOILERS DO FILME “BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE”

Certamente este texto parecerá absurdamente estranho para aqueles que estão mais acostumados a ler o blog. Haverá aqueles que torcerão o nariz ao verem uma pretensa análise político-filosófica de um blockbuster hollywoodiano baseado em uma história em quadrinhos, considerando isso ora um arroubo de superficialidade frívola, ora uma tremenda “forçação de barra” que mistura cultura pop com pseudo-intelectualidade conservadora. No entanto, ele se faz bastante necessário, e entenderão aqueles que tenham assistido ao filme e que entendam minimamente de filosofia política.

Muito provavelmente, Christopher Nolan, diretor e co-roteirista da mais recente trilogia cinematográfica do Homem-Morcego (interpretado por Christian Bale), jamais teve a pretensão de fazer um filme filosófica e politicamente orientado sob o disfarce de película de altíssimo apelo comercial. Todavia, fica claro que Nolan teve o cuidado de tecer uma trama que não fosse superficial ou óbvia: conflitos e dilemas morais permeiam todo o filme, do início ao fim, e simbolizam, sob diversos aspectos, o ressurgimento ao qual alude o título. Acidentalmente (ou não), o enredo de “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” enfoca uma das grandes verdades da história humana: a essência perversa da mente revolucionária.

O vilão do filme, ao contrário do que possa parecer, não é o impiedoso Bane (Tom Hardy), ou a fatal Talia al Ghul – disfarçada como a empresária Miranda Tate (Marion Cotillard) –, mas a crença de que a única alternativa para purgar a corrupção e a decadência da sociedade atual é reduzi-la a pó de modo a construir uma nova sociedade, baseada em um novo homem. Esse processo de “destruição criativa” se dá através da violência tanto física quanto simbólica  e moral: não basta explodir prédios, sequestrar, roubar ou matar, mas é imprescindível disseminar o caos, solapar as instituições e inocular profundamente nos indivíduos o veneno revolucionário. O vilão do filme não é feito de carne, mas de ideias; não é um corpo, mas um espírito: o espírito da revolução.

Bane

Bane e Talia são os líderes da Liga das Sombras, fundada por Ra’s al Ghul (Liam Neeson). O objetivo principal da Liga das Sombras é combater a “degenerescência moral” onde estiver, utilizando, para isso, todos os meios disponíveis. Para a Liga das Sombras, nenhum meio é ilícito ou imoral em si mesmo: o que define sua ilicitude ou imoralidade são os objetivos que se almeja através de seu uso. Os membros da Liga são profundamente comprometidos com esse ideal, chegando a extremos de sacrifício – como o sicário de Bane que, voluntária e alegremente, permanece no avião da CIA que é derrubado no Uzbequistão, na primeira cena do filme. O próprio Bane mostra-se o vilão mais perigoso dos três filmes de Batman justamente por causa de sua obsessão idealista: todos os seus esforços, por menores que sejam, estão plenamente dirigidos para a concretização do projeto revolucionário da Liga das Sombras; nenhum de seus movimentos é desperdiçado em interesses e problemas secundários, pois todo o seu ser está devotado à causa.

Outra característica marcante de Bane é a crença sólida na superioridade moral sua e de sua causa: a única saída para combater a decadência e as injustiças presentes na sociedade de Gotham é destruir todos os valores, instituições e credos “corruptos”. O paciente está doente, mas a cura não reside na escolha do remédio mais amargo, mas na morte. As cenas de perseguições, assassinatos públicos, saques e julgamentos sumários são perturbadoramente idênticas àquelas que foram vistas em todos os processos revolucionários dos últimos 300 anos – na Revolução Francesa, na Comuna de Paris, na Revolução Bolchevique, e tantas outras. Lugar simbolicamente poderoso é a “suprema corte” revolucionária – comandada pelo Dr. Jonathan Crane (Cillian Murphy), mais conhecido como Espantalho, cuja droga alucinógena criada por si vitimou-o no primeiro filme da trilogia –, em que, a bem da verdade, os réus eram levados não para serem julgados, mas apenas para escutarem a sentença e escolherem entre o exílio e a morte.
 
O paralelismo entre os processos revolucionários que já atingiram a civilização ocidental e a hecatombe promovida pela Liga das Sombras no filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” não para por aí. Ao promover a morte e a destruição no estádio de futebol americano de Gotham, Bane, dirigindo-se à multidão estarrecida e amedrontada, defende que eles não são novos opressores, mas libertadores, aqueles que farão com que os cidadãos de Gotham cumpram o destino ao qual foram chamados e tomem nas próprias mãos as rédeas não só de suas vidas, mas da vida da própria sociedade. Essa ideia enganosa é reforçada pela alegação de que o controle da bomba nuclear, que está em posse da Liga das Sombras, encontra-se nas mãos de uma pessoa comum, alguém “do povo”, e que, portanto, é o próprio povo que tem o controle sobre a situação. O mesmo discurso, em essência, tem sido utilizado ad nauseam por todos os líderes revolucionários que já pisaram e que ainda pisarão sobre a face da terra: a expropriação, o derramamento de sangue, os expurgos, tudo isso não são métodos violentos e opressivos para dobrar as pessoas, mas perfazem a libertação de que elas necessitam.

O terror revolucionário e sua perigosa obsessão pela “destruição criativa” são mais fortes do que os valores tradicionais sobre os quais a sociedade se erigiu – e que são representados pelo símbolo que é o Batman? Sim e não. O apelo sensacionalista e o potencial de deturpação pertencentes àqueles conseguem, num primeiro momento, grande aceitação junto à massa ignara; é como se, de fato, a superioridade moral da Liga das Sombras se manifestasse na ausência de amarras da velha moral e no seu esforço de pulverizar a velha sociedade. No entanto, a própria situação criada pela Liga das Sombras torna-se, com o passar do tempo, insustentável; os absurdos brotam, as máscaras caem, as verdadeiras intenções ficam expostas à incômoda luz da verdade.


Essa exposição, todavia, não acontece por si mesma, não é automática: ela necessita de agentes, é fruto de um ato positivo da vontade daqueles que sabem que, a despeito da degenerescência da sociedade, os valores tradicionais sobre os quais ela foi erigida são verdadeiros e perenes. Batman, por mais que seja um símbolo da luta pela manutenção desses valores, não é um símbolo que se sustenta por si mesmo: o comissário James Gordon (Gary Oldman), o detetive John Blake (Joseph Gordon-Levitt), o cientista Lucius Fox (Morgan Freeman), até mesmo o mordomo Alfred J. Pennyworth – que, em minha opinião, é o melhor personagem da trilogia, interpretado brilhantemente por Michael Caine –, bem como todos aqueles que voluntariamente se dispõem a lutar por esses valores, unem suas forças não apenas para dar o suporte necessário ao símbolo representado por Batman, mas também para trazer à luz as sinceras intenções da revolução.

Por que “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” é um filme ao qual todo conservador deve assistir? Porque a sociedade ocidental está passando por um longo, sutil e aterrador processo revolucionário. Enquanto os líderes dessa revolução seduzem os incautos com seu afinadíssimo canto de sereia, violências as mais cruéis são cometidas diuturnamente contra aqueles que decidem ater-se aos valores tradicionais, relegados a nós há séculos, em nome de um novo mundo, de uma nova sociedade, enfim, de um novo homem. A soberania nacional dá lugar a um proto-autoritarismo supranacional, a inversão de valores é institucionalizada e aplicada com todo o rigor da lei, a objetividade da lei moral é substituída pelo subjetivismo discricionário, e, pouco a pouco, caminhamos rumo ao caos que, benevolamente, os revolucionários creem ser a “destruição criativa” necessária à fundação de um novo mundo.


As lições de determinação, firmeza, lealdade e honra de “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” são inspiradoras para os poucos que ainda ousam resistir a esse mundo em colapso. E, certamente, a lição mais importante é: combater o espírito revolucionário é uma tarefa à qual devem se dedicar todos os que optaram pelos valores tradicionais. Nunca é demais lembrar que, em uma situação de guerra – exatamente o que estamos vivendo –, só há dois caminhos a se trilhar: o de vítimas indefesas ou de combatentes resolutos. Os valores que nos deram a vida que temos merecem que nos dediquemos à sua preservação, ainda que isso custe nossas próprias vidas. Não é uma decisão fácil, mas é inelutavelmente necessária. Não devemos fazê-lo apenas por nós mesmos: devemos fazê-lo por aqueles que deram seu sangue para que cheguemos até aqui, honrando sua memória e sua luta, e por aqueles que ainda virão, de modo que o mundo que herdem de nós seja menos perigoso, menos venenoso e mais afastado de diabólicos anseios revolucionários.

40 comentários:

  1. Felipe,
    Parabéns pela iniciativa.
    Tive minha juventude inundada pelos quadrinhos do Batman e de outros heróis do mundo Marvel e da DC Comics.
    A história do último filme é um mix de muitos momentos dos quadrinhos do Batman e foi, com muita competência, descrita por você. A analogia, no entanto, com os movimentos revolucionários no mundo, me parece rasa.
    Me parece que estamos falando das "falsas revoluções", aquelas que se travestem da bandeira da revolução para obedecer ao interesse de outra classe, supostamente não envolvida com aquilo. Em termos reais, todos os grandes revolucionários do mundo não podem ser incluídos nesta definição. De Galileu Galilei a Eisntein. De Sebastian Bach a Sergei Rachmaminoff. Todos foram revolucionários de sua forma. Todos contestaram os limites impostos pelo "tradicionalismo" ou pela "religião", desobedeceram, assim, o "conservadorismo" e promoveram um próximo passo.
    Bane, inclusive, me parece muito o personagem já interpretado por algumas das instituições mais relevantes do mundo. A Igreja, durante a "Santa Inquisição" que assassinou milhares e ensejou o pedido do Papa João Paulo II pelos "erros cometidos a serviço da verdade por meio do uso de métodos que não têm relação com a palavra do Senhor". Existe alguma mentira nas premissas de Bane? Me parece razoável entender que a sociedade está repleta de valores perniciosos, precisa melhorar, o problema é o "método".
    Outra instituição que se valeu dos discursos "a la Bane" foram os Militares.
    Não me confunda, por gentileza, com os esquerdistas! Foram igualmente manipulados, atendendo ao chamado das próprias oligarquias e burguesias que supostamente combateriam para promover genocídios de igual, ou pior, magnitude. O problema é justamente esse. As filosofias, tradicionalismos, modelos normalmente são só uma fachada. O Regime Militar para atender aos interesses econômicos de empresas americanas no Brasil (que exploravam o país descumprindo totalmente os contratos de concessão aos quais estavam vinculadas), a Igreja servindo ao próprio interesse econômico, apropriando-se dos bens dos seus executados, um crítico do seu blog, que o ameaça por supostamente estar defendendo "o mundo" da sua visão "conservadora e opressora", a verdade é que tudo pode ser utilizado como desculpa para agredir, assassinar, desprezar. Se futebol tem esse poder, por que não a religião ou a "invasão vermelha"?
    Eu acredito que o problema não está no ato de revolucionar, mas no propósito (normalmente oculto) da revolução que se propõe. Se é uma nova técnica médica, que salva vidas, se é uma inovação tecnológica, que prova que os astros não são esferas perfeitas (e que as pessoas não merecem morrer por isso), se são os novos modelos econômicos, capitalismo ou socialismo. A Revolução, quando vinculada ao conceito de violência merece desprezo, seja o pretexto qual for, mas quando representante de um novo passo da humanidade na direção do melhoramento do homem e de suas habilidades de forma holística, não vejo motivos para tamanho alarde.
    Minha humilde crítica e contribuição ao pensamento deste site, vai no sentido da frase atribuída a Voltaire: "a diferença entre o veneno e o remédio, é a dose".
    O Batman, dessa forma, também sofre de seus problemas. Não passa de um magnata, opressor, arrogante que estava ocupado demais apanhando do Bane e acabou não vendo que sua ajuda com o Orfanato criou o exército que ele mesmo passou a combater.
    Antes que afirmem que não era responsabilidade dele, lembro apenas das palavras de Tio Ben "Com grande poder, grandes responsabilidades".
    Um grande abraço.

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    1. danilo suas analises saum boas, essas coisas de direita, exquerda, bem ,mal , partidos etc é um pé no saco ...abrax man.

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    2. Galileu se meteu foi em briga política, pois suas teses levariam às deposições de professores de determinada linha e substituição por outros que compartilhavam dos pensamentos do pesquisador. As pessoas falam A Igreja como se fosse uma unidade, onde todos concordam com todos, não é bem assim, Galileu tá longe de ser um revolucionário. A Inquisição foi justamente uma medida para controlar a violência desenfreada que havia entre os grupos, seus métodos e burocracia evitaram mais mortes que provocaram, é preciso entender o contexto da época, não se deve analisar com os olhos de quem vive em 2012. Einstein plagiu os escritos de Poicaré.

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    3. Galileu e Eisntein "Todos foram revolucionários de sua forma"? Esse modo de colocação parece um apelo a personalidades Históricas para tentar justificar e dar uma legitimidade a Revolução. Sem falar nas falácias e distorções Históricas que foram despejadas.

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  2. Danilo Veras, me desculpe, mas você não entendeu o texto porque não tem nem ao menos compreensão daquilo que está falando.
    Não sabe o que é uma revolução e não entende como funciona a mente de um revolucionário. A comparação com Einstein, Bach e Galileu foram absurdas. Einstein e Bach não queriam alterar uma ordem natural, mas sim explicá-la através das ferramentas que possuíam. Galileu não foi limitado pela religião, o problema de Galileu foi que não tinha como comprovar aquilo que estava dizendo E AÍ RECORREU À RELIGIÃO cometendo heresias.
    O revolucionário possui o eixo cronológico distorcido. O passado para ele é relativo e pode ser alterado enquanto o futuro é a única coisa que tem como certo e em vista desse futuro perfeito que ele construiu na cabeça dele pode cometer as maiores atrocidades no presente sendo que ele só poderá ser julgado por essas atrocidades nesse tribunal futuro que nunca irá chegar porque o mundo perfeito não existe aqui na Terra.

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    1. Entendi muito bem o que o Danilo Veras escreveu! Quanto ao senhor eu não entendi o que quis dizer com "ordem natural das coisas." Se fosse pela "ordem natural das coisas" ainda estariamos por ai caçando animais e colhendo frutos no solo. Que "ordem natural das coisas"?? Quanto ao revolucionário, ele existe em todos os campos, não apenas na esfera política, basta vir alguém para propor algo diferente do que é o paradigma no momento e este é um revolucionário. (E neste aspecto Bach, Einstein e Galileu são obviamente revolucionários). Agora, o método e o objetivo é o que pode ser mensurado. Você pode ser um revolucionário através da organização de um exército para combater o modelo político ou o governo vigente, ou pode buscar vencer as eleições. São dois meios diferentes na busca do mesmo objetivo, cabe a cada um avaliar se é lícito a velha máxima de Maquiável ou não!!

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  3. Ficou difícil NÃO confundir o comentador Danilo Veras com os esquerdistas...

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  4. Só pra ser canalha.
    Valeu!

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  5. Ô Felipe?

    Como diz o Professor, cê escreve bem mesmo menino. Continue, gostei muito deste seu trabalho.

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  6. Oi Anônimo!
    Obrigado pelo seu comentário.
    É possível que eu não compreenda. Me deixa curioso entender como um conservador pode entender a cabeça de um revolucionário, ou vice versa, principalmente quando estão comprometidos com "suas verdades". Certamente absurdos seriam cometidos nessas análises.
    Prefiro me manter afastado das duas correntes buscando uma análise descomprometida de "bandeiras". Estou totalmente disposto a mudar de opinão, se for o caso, sem me agarrar à arrogância ou à inocência daqueles que afirmam "ter uma posição madura".
    O termo "cometer atrocidades" é que me deixa inquieto. Será que realmente apenas os "revolucionários" cometem atrocidades? Ou os apaixonados pelas tradições e modelos, para defendê-los, também o fazem?
    Quando escrevo sobre estas instituições, é porque tenho a impressão de que tanto um lado, quanto o outro, já cometeram violências para defender suas posições. Essa é minha real preocupação com a ultimação das "bandeiras filosóficas".
    Se eu estiver errado, me corrija. Mas se a crítica ao revolucionário é que ele possui ordem cronológica distorcida, a mesma crítica, mutatis mutandis, não pode ser feita ao conservador?
    Da mesma forma,critico o movimento esquerdista "revolucionário" (na sua definição de revolução) por querer implementar a qualquer custo uma realidade inexistente a um momento histórico, me preocupa o movimento conservador em "apegar-se" demais a conceito que, muitas vezes, já foram superados pela sociedade em geral, prejudicando uma evolução natural e saudável.
    Nesse ponto, eu acredito que caminhamos na direção de uma sociedade perfeita. Passos mais longos do que outros, bem verdade. Mas sempre nesta direção. As rupturas com as tradições e institutos que nos prendem hoje vão se dando menos gradativamente como os conservadores gostariam e mais vagarosamente do que o desejo dos "revolucionários" (rs).
    Sobre Galilei, me parece que tudo à sua época era explicado com a religião. Defender o sistema heliocêntrico necessariamente feriria a idéia de geocentrismo e a "primazia da criação perfeita de Deus". A crítica neste ponto é justamente que não se dialogou para aprender a nova tese, colocaram-se os livros no index e simplesmente os proibiram. Em nome das instituições, preferiu-se a ignorância.
    Volto a dizer, não me incomoda ser comprometido com o passado ou com o futuro. Eu, atualmente, tenho uma idéia muito diferente daquelas professadas pelo autor e leitores do presente blog (que diga-se novamente, está muito bem escrito), mas não defenderia de forma alguma a necessidade de se proceder nenhuma violência ou restrição contra aqueles que pensam diferente de mim.
    Grande abraço a todos.

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    1. O sistema heliocêntrico foi 'defendido' por Aristarco de Samos, trezentos anos antes de Cristo, mas 'perdeu' a disputa para o sistema geocêntrico dos pitagóricos.
      Ela não era nenhuma novidade na época de Galileu. O cônego católico Copérnico já haiva desenvolvido a teoria do 'sistema heliocêntrico' sem nenhum trauma para com a Igreja.
      Galileu se meteu em confusão ao escrever sarcasticamente contra o Papa, de quem, aliás, era amigo pessoal.
      O caso Galileu foi 'eleito' como propaganda de contraposição da fé católica à razão muito tempo depois, mas a questão toda foi política, e fortemente influenciada pelo movimento protestante, pois Lutero e seguidores, sob o 'dogma' da sola scriptura, não aceitava o heliocentrismo nem sequer como hipótese. A 'forçação de barra' para que galileu retrocedesse era um meio de acomodação, uma "política de boa vizinhança", por assim dizer.
      O problema dos revolucionários, da forma como compreendi no texto, não é a mudança, ou a 'evolução', mas a releitura do passado enviezada pela sociedade idealizada no futuro, por pessoas que procuram concentrar a totalidade do poder para implementar uma utopia ideológica.
      Portanto, não é qualquer revolução, mas a revolução que tenha essas características:
      a) utopia de construção, por "meia dúzia de iluminados", de um futuro perfeito;
      b) reinterpretação do passado a partir da premissa de que a história conduz inexoravelmente a esse futuro perfeito (obs: isso leva a que tudo no passado seja necessariamente pior que o presente, e o presente, por sua vez, pior que o futuro e assim por diante, e que quem esteja na militância desse futuro se torne um verdadeiro profeta da história);
      c) concentração de poder para viabilizar a construção desse futura ao qual a humanidade está destinada.

      Fora desse esquema, não há revolução tal quel, me parece, o texto se refere.

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    2. Perfeito, Luis Costa. Sempre brilhante em seus comentários. Abraços.

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  7. Parabéns pelo texto! Percebi a mesma coisa no filme e procurei no Google qualquer texto a esse respeito e achei seu blog, porém, sua análise foi muito além da minha percepção sobre Batman- O Cavaleiro das Trevas Ressurge.

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  8. Parabéns, Felipe, gostei muito! Acho que o texto do Danilo Veras só acrescentou, talvez, não ao texto do Felipe, mas, ao pensamento da condição da palavra Revolução em si, em contextos diversos e de forma mais abrangente. Não sou de esquerda, nem de direita como costumam dizer, nessa história não existe 'imaculados', pra mim, extremismo, seja conservador ou revolucionário, é igual partidarismo exacerbado, perde o bom senso, é um perigo. Valeu muito ter passado aqui hoje.

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  9. Obrigado Anônimo (II),
    A idéia é justamente essa. Divido com vocês um poema que gosto bastante e segue no caminho dessa sua opinião.
    Grande abraço!

    Das Utopias
    "Não desças os degraus do sonho
    Para não despertar os monstros.
    Não subas aos sótãos - onde
    Os deuses, por trás das suas máscaras,
    Ocultam o próprio enigma.

    Não desças, não subas, fica.
    O mistério está é na tua vida!
    E é um sonho louco este nosso mundo..."

    "Se as coisas são inatingíveis... ora!
    Não é motivo para não querê-las...
    Que tristes os caminhos, se não fora
    A mágica presença das estrelas!"

    "Tão bom viver dia a dia...
    A vida assim, jamais cansa...

    Viver tão só de momentos
    Como estas nuvens no céu...

    E só ganhar, toda a vida,
    Inexperiência... esperança...

    E a rosa louca dos ventos
    Presa à copa do chapéu.

    Nunca dês um nome a um rio:
    Sempre é outro rio a passar.

    Nada jamais continua,
    Tudo vai recomeçar!

    E sem nenhuma lembrança
    Das outras vezes perdidas,
    Atiro a rosa do sonho
    Nas tuas mãos distraídas..."

    Mario Quintana

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    1. Pô. Na boa, Danilo:

      "Pão pão, queijo queijo."
      -Aristóteles.

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  10. Danilo,

    Acho que a sua resposta foi equivocada quanto à interpretação da palavra revolução no texto. Há duas possibilidades: ou você interpreta revolução extensivamente como qualquer conceito emotivo e pouco definido de mudança, inovação, etc. Ou se interpreta revolução conforme o que o próprio texto fala sobre revolução: uma convulsão social, que mexe nas estruturas da sociedade, provocando violência, destruição e que se funda em si mesma. A primeira interpretação eu consideraria apenas bobinha, quem sabe a opção por ela tenha ocorrido apenas por você ter lido ligeiramente o texto, algo que acontece normalmente quando se lê blogs. Nada demais, a propósito.

    De qualquer modo, coisas que você fala sobre Galileu podem estar baseadas em uma percepção histórica equivocada e que não condiz com os fatos do caso Galileu. É normal equivocar-se sobre a verdade dos fatos no caso Galileu, porque existe um enorme interesse de deturpação da história nesse caso, qual seja: denegrir a imagem da Igreja como se esta fosse inimiga da pesquisa científica. Recomendaria o seguinte artigo sobre o assunto se lhe interessar: http://www.veritatis.com.br/apologetica/147-ciencia-e-fe/1140-o-caso-galileu-350-anos-depois

    As analogias entre Bane e a Igreja ou entre Bane e o Regime militar, essas sim são analogias rasas, na minha sincera opinião. O grande ponto da revolução em que o Felipe toca é fazer arder em fogo uma ordem com todos os seus valores, instituições e pessoas. Diferentemente, no caso da Inquisição e do Regime ninguém queria fazer o mundo ser destruído porque estava doente, mas curar uma doença, no caso da Inquisição, as heresias e, no do Regime, a ameaça paramilitar comunista.

    É claro que você poderia argumentar, mas ambos mataram pessoas inocentes como o Bane fez. Este não é o ponto. Em qualquer embate que gere certo conflito pessoas boas e más terão suas vidas ceifadas, de ambos os lados e possivelmente pessoas não envolvidas diretamente. Ainda sobre a Inquisição recomendaria que estudasse um pouco mais da história do assunto que, apenas muito recentemente, tem sido destrinchada e a entendesse situada no seu mundo, no seu tempo. Sei que por não ser você católico a sua atitude em relação à Igreja é a de ser crítico, mas nesse caso peço mesmo apenas boa vontade para se aprofundar um pouco no assunto.

    Quanto a citação de Voltaire de que a diferença entre o veneno e o remédio é a dose e a crítica ao Batman ter criado o próprio exército que combatia, eu, particularmente, não consegui ver uma relação lógica entre as duas coisas.

    É isso,

    Abraço cordial do
    Denis

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  11. Oi Denis,

    Parabéns pela sua análise, muito bem detalhada.

    No entanto faço uma pequena correção. O verbo assistir no sentido de ver não é acompanhado por preposição, mas por artigo. Então a frase fica assim "... assitir o filme." E não "assistir ao filme." Com preposição, o verbo passa a significar prestar assistência à gravação do filme.

    Um abraço,

    Cristiano

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  12. Oi Denis,

    Mas em todo filme que retrata planos de dominação em execução, fica nítida que a mentalidade dos criminosos que detém tais estruturas para executá-las, mentem, matam, subornam, manipulam, hipnotizam para alcançar os objetivos,a mesma base de mentalidade dos revolucionários. No caso do filme do Batman, ficam nítidas as metas do movimento revolucionário: dominar, matar, fazer terror para o povo pedir por mais segurança cuja é feita por inimigos do povo e que por isso perseguirá o povo e não os bandidos corruptos, traficantes, islâmicos, farcquintas, etc. Cada um mata e aterrorisa para dominar pelo medo de maneiras pouco diferentes.

    Toda inversão de valores sobre os seres humanos para usá-los, atacá-los e induzí-los a se destruir é parte da mentalidade revolucionária (destrutiva é claro).

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  13. Valeu Cristiano hauhau, escrever rápido dá nisso.

    Abraços.
    Denis

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  14. Cristiano, desculpe-me, mas acho que você está equivocado; o verbo assistir com sentido de ver pede preposição + artigo. Abraço. Bons textos aqui nos cometários; adoro esse poema!

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  15. Olá Felipe, aqui é Mauro Tavares, sou pesquisador de quadrinhos e editor do blog Caixa de Gibis.

    Partilho de sua visão de mundo conservadora e achei sua resenha do filme interessante, mesmo que ainda não o tenha assistido. Penso que seu texto deveria ser divulgado entre os fãs de HQs.

    Tomei a liberdade de reproduzir seu texto para que o público razoável do meu site o conheça e possa discutir. Se não concordar, é só entrar em contato que eu tiro do ar.

    Um abraço!

    Mauro Tavares

    caixadegibis.blogspot.com

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  16. putz!
    ao contrário...
    é assistir ao filme; assisti-lo com artigo é participar dele como assistente.

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  17. Danilo Veras está certo sim, e como disse o amigo ali em cima, "só acrescenta ao texto". Agora, quanto à afirmação do Anônimo: "O revolucionário possui o eixo cronológico distorcido", troque a palavra 'revolucionário' por 'alienado' que a definição fica perfeita. Até porquê existem alienados com ideais de "revolução", e à esses chamamos de radicais ou extremistas.

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  18. Parabéns Felipe Melo pela resenha brilhante.

    Eu levei minha mulher para assistir ao filme, e estava sem a menor expectativa de ver alguma coisa que prestasse, mas... surpresa!, havia, sim, e gostei.

    Eu não havia lido nada a respeito do filme e, para mim, tratava-se de só mais um "blockbuster para mentes cativas do universo infantil dos vídeo games", por assim dizer.

    E, para a esmagadora maioria do público, o filme nunca será mais do que isso mesmo.

    Mas, há mais lá, muito-muito mais, inclusive para pessoas como nós, estudantes da História.

    Sua análise é muito boa, mas só não a qualifico de magistral porque faltou a conexão mais importante, e, aqui, eu não o culpo porque, infelizmente, nem mestre Olavo de Carvalho (que eu saiba, e desculpo-me desde já se eu estiver errado, e bem posso estar) a faz. Explico-me:

    Trata-se da conexão inequívoca entre a tal "Liga das Sombras" e a grande apostasia havida no âmbito das comunidades Judaicas, heresia essa plasmada por Shabbatai Zvi (século XVII) e, depois, seu sucessor Jacob Frank (século XVIII), tudo conforme consta do livro (2 volumes) TO ELIMINATE THE OPIATE, do rabino Marvin S. Antelman, já indicado por mestre Olavo de Carvalho mas nunca analisado a fundo em suas implicações e conexões com a mentalidade revolucionária (um assunto tabu, talvez).

    Para se ter uma idéia, há quem garanta que aquilo que se vê no filme EYES WIDE SHUT trata-se de um culto realizado por membros do "Sabbatean-Frankist cult". (Toda a atenção deve ser dirigida à locução da personagem de Sydney Pollack quando esta explica à personagem vivida por Tom Cruise onde foi que esta inadvertidamente se meteu ao entrar naquela mansão, naquela noite...)

    Para essa heresia judaica, a destruição do mundo via inversão entre o bem e o mal é necessária para acelerar a vinda do... messias.

    Nunca vi antes, no cinema, uma tão velada e sutil alusão ao assunto. De sobra, poderíamos ainda falar sobre outro tema intimamente conectado à heresia em questão: a infiltração e a marcha para dentro das instituições a fim de destruí-las (Miranda Tate) e a dissimulação de poder (quem realmente manda não aparece: Miranda Tate/Bane -- Lazar Kaganovich/Stalin, e tantas outras duplinhas satanistas...)

    É isso. Parabéns a você, e muito obrigado pela resenha brilhante.

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  19. Eu ainda acho que buscamos mais inimigos do que de fato existem para justificar, seja qual for a ideologia, as maiores atrocidades da terra.

    O Teatro Mágico

    Disse o mais tolo: "Felicidade não existe."
    O intelectual: "Não no sentido lato."
    O empresário: "Desde que haja lucro."
    O operário: "Sem emprego, nem pensar!"
    O cientista: "Ainda será descoberta."
    O místico: "Está escrito nas estrelas."
    O político: "Poder"
    A igreja: "Sem tristeza? Impossível.... (Amém)"

    O poeta riu de todos,
    E por alguns minutos...
    Foi feliz!

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  20. Querido Denis, obrigado pelo comentário.

    Li o texto, e me impressionei com a presunção do autor. Não acho nada justificável, seja qual for a bandeira, ideologia, religião, qualquer repreensão ou tolimento às expressões humanas, principalmente àquelas que não incitam à violência. Não afirmei que a Igreja matou Galilei (embora o tenha feito à Giordano Bruno, que é outra história), mas que o limitou.

    O fato é que todas as instituições que não souberam os limites do respeito pagam um preço muito caro e se encolhem às sombras do explendor que um dia julgaram possuir eternamente. Eu não preciso condenar a Igreja ou Exército, basta ver a transformação pelos séculos para observar a eterna e inexorável lei da reação...

    Quanto ao link do Batman, os quadrinhos explicam melhor do que os livros de filosofia. É que com o tempo, você se apercebe de que Bruce Wayne é "dono" de toda a cidade de Gotham, e que ele mesmo é um câncer na área que ele julga proteger.

    Grande Abraço,

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    1. Contribuindo para explorar o fundo de conservadorismo de Batman, um artigo da Forbes:

      http://www.forbes.com/sites/jerrybowyer/2012/07/26/why-batmans-the-dark-knight-rises-is-an-instant-conservative-classic/

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  21. Estou divulgando seu texto aos montes, via e-mail, twitter e facebook. Mais uma vez, meus parabéns!

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  22. A solução que encontrei para me manter a salvo das mazelas do pensamentos revolucionário, em seu sentido pejorativo, foi simplesmente não me agarrar a nenhum tipo de ideologia ou conceito, procurando entender as diferenças condicionadas pelo tempo ou pelo espaço e em especial, a visão do outro.
    Para nos harmonizarmos com um mundo tão difícil, não podemos nos prendermos a ferro e a fogo com as coisas como achamos que deveriam ser e sim aceitar, na medida do possível, as coisas como são.
    Conceitos, com um mundo em constante transformação, precisam ser sempre ajustados e ou modificados, mas nossos princípios, que são a base de nossa identidade moral, esses sim precisam ser firmes e duros como uma rocha para sermos sempre dignos e incorruptíveis.

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    1. Rodrigo,

      Eu enxergo uma contradição quando você diz:

      "A solução que encontrei para me manter a salvo das mazelas do pensamentos revolucionário, em seu sentido pejorativo, foi simplesmente não me agarrar a nenhum tipo de ideologia ou conceito"

      E logo em seguida conclui:

      "nossos princípios, que são a base de nossa identidade moral, esses sim precisam ser firmes e duros como uma rocha para sermos sempre dignos e incorruptíveis."

      Como vais ter princípios firmes e duros como rocha se não se atém a algum conceito?

      O correto não seria, aderir com humildade a uma autoridade moral e segui-la com firmeza e confiança?

      Eu diria que é exatamente o não aderir a nada ou busca de fazer tudo por conta própria sempre confiando no próprio juízo que faz um homem mudar e mudar tantas vezes os seus valores e, no fim, apenas estar escravo das circunstâncias: a conveniência e oportunidade de crer nisso ou naquilo em cada momento.

      Isso passa longe de um pensamento conservador, ou melhor, que dê algum valor à moral e os bons costumes, pois, de princípio, é incapaz de aderir a ele.

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  23. Danilo,

    Entre a autoritas de um poeta moderno e seus egoísmos estéticos e a autoritas da maior instituição de caridade do mundo e a única em que existe o fenômeno sem igual da enorme quantidade de santos homens a serviço da humanidade, a Igreja.

    Eu fico com a da Igreja.

    Por outro lado, há algumas distorções que os historiadores modernos costumam fazer de fatos históricos e, normalmente, o fazem por motivos ideológicos.

    É muito fácil, depois que as coisas ocorreram, acusar um governo, um monarca, um general de ter tomado uma decisão, quando poderia ter tomado outras, que o levou à empobrecer, a causar maior penúria aos cidadãos ou a derrota.

    Desconsiderar a conjuntura da época e fazer um juízo de valor simples encima do que ocorreu é um ato que, qualquer um pode confessar isso, é sedutor. Ainda mais sedutor é esse ato se você se move por um propósito ideológico.

    Quando se fala de Gengis Kan por exemplo, não se costuma ter esse problema, a não ser é claro que você queira muito mesmo ver nele algo de moderno que possa servir de exemplo para justificar algo hoje em dia. E esse problema não costuma ocorrer porque ele passou.

    Quando se fala da Igreja Católica, esse problema surge, pois ela perdura ininterruptamente por todos os séculos desde a sua fundação. Esse, normalmente, é um dos motivos pelos quais temas como a Santa Inquisição e o caso Galilei são tratados com a superficialidade própria de quem busca com isso apenas atacar a Igreja e trombetear a sua maldade. É que há gente que se incomoda com a obra da Igreja, há gente interessada em destrui-la, há quem queira mesmo tomar-lhe o lugar.

    É muito fácil e muito superficial julgar a Inquisição com os valores de hoje. Ainda mais fácil é julgar a Inquisição com o que de pior há nos valores de hoje: os tropos retóricos do politicamente correto. E nos pequenos deslizes que podem ocorrer, naqueles fatos menos expressivos em uma conjuntura, é mais fácil também acusar a parte pelo todo. É o que se tem feito nessa matéria.

    Há um documentário da BBC sobre a Inquisição Espanhola que recomendo a quem tiver paciência: http://www.youtube.com/watch?v=aGa1OXZZqBg

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  24. "DGA 5 de agosto de 2012 18:10
    Pô. Na boa, Danilo:

    'Pão pão, queijo queijo.'
    -Aristóteles."

    Míiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiticoooooooo

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  25. É mesmo uma batalha (e das mais complicadas) essa contra a mentalidade revolucionária, caro Felipe. Mas, como se diz na Bíblia, "o certame é difícil mas o combate é bom; combatamos o bom combate".

    Gosto muito de uma frase do primeiro filme, quando o jovem Bruce enfrenta um "gorila mongol", que me serve de inspiração: "Você não é o demônio, é treinamento".

    Talvez seja essa a chave para enfrentar toooda essa sabotagem dialética revolucionária, onde muitos que até se dizem neutros nesses assuntos políticos & ideológicos, sem perceber, acabam por repetir o engodo mental dessa turma genocida, mentirosa e cínica.

    Anderson Silva

    abs

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  26. Demorei pra achar, mas está lá, Felipe! Se puder, gostaria de sua opinião!

    Abraço!

    http://boitempoeditorial.wordpress.com/2012/08/08/ditadura-do-proletariado-em-gotham-city-artigo-de-slavoj-zizek-sobre-batman-o-cavaleiro-das-trevas-ressurge/

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    1. Danilo,

      Obrigado pelo texto! Li todo e devo dizer que é, em determinados pontos, ultrajante - sobretudo a equiparação entre Cristo e Che Guevara. Pode ter certeza de que publicarei uma resposta a esse texto do Slavoj Žižek em breve.

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  27. Descambar para o maniqueísmo e se considerar portador da verdade sagrada na luta contra aqueles que foram estigmatizados como O Mal não pode ter outro resultado do que embotar a racionalidade até mesmo nos mais perspicazes autores.

    Como o norte intelectual é denunciar "a essência PERVERSA da mente revolucionária", ocorreu que não se detectou o "revolucionário", e sim apenas o perverso.
    Por mais interessante que seja a analogia, ela falha em perceber o óbvio fato de que não havia pretensão revolucionária alguma nas ações de Bane, mas sim apenas visava a destruição total de Gotham City após um prolongado tempo de humilhação e sofrimento. Não à toa a Bomba Nuclear foi preparada desde o início para explodir independente dos fatos.

    A falha maior, porém, pode ser correlacionada com a cena da “tomada do poder” por Bane. Não foi num comício político, numa reunião ideológica nem sindicato trabalhista. Foi num estádio onde todos estavam se divertindo, curtindo alegremente a vida, simbolizando o fato de que Gotham City gozava de um período incomum de paz e prosperidade resultante do sucesso do combate à criminalidade.

    Ao tomar toda a população como refém, Bane pode até ter usado o discurso ideológico, mas ninguém queria segui-lo, as pessoas se submeteram por puro medo, pois não tinham motivos para se lançar numa cruzada revolucionária. Os únicos que o “seguiram ” evidentemente foram os criminosos que ele tirou da cadeia, pois estes sim, estavam na pior e só tinham a ganhar.

    Indo para a realidade, NENHUMA revolução violenta de massas se deu num contexto harmônico e pacífico onde a única motivação seria a perversa volição de destruir a felicidade geral. Elas sempre se deram em condições imorais de opressão, humilhação e exploração insuportáveis por classes dirigentes que concentravam seus privilégios em desprezo pelos que lhes sustentavam.

    Se a motivação da uma revolução é a perversidade, então esta está nas condições degradantes nas quais uma imensa maioria é submetida.

    Por fim, há que se lembrar que o mundo que o mundo pelo qual qualquer conservador luta não é perene, e sim foi obtido por processos históricos frequentemente revolucionários. O Cristianismo, por exemplo, foi possivelmente a maior revolução da história, partindo de ideais sublimes de espiritualidade, passando pela libertação REVOLUCIONÁRIA das massas, escravos explorados por nobrezas cada vez mais dependentes.

    Terminou se atrelando ao poder político e usando a força estatal para impor pela espada o que não pôde ser feito pela fé e razão, alterando drasticamente a ordem social, os valores estéticos e simbólicos, alterando toda a visão de mundo de uma civilização. Mas por mais excessos que tenha cometido, os erros não foram resultantes de pura perversão, mas do pura e simples choque de uma visão incompleta de mundo contra a complexidade indomável da realidade.

    As revoluções da modernidade tiveram como principal diferença a velocidade com que se deram, os contingentes populacionais imensamente maiores, bem como os recursos tecnológicos mais avançados.

    Eu gostava mais dos textos do Felipe no tempo em que ele ainda se encontrava em sincero e nobre esforço para entender o mundo, contestando dogmas que lhe foram impostos e descortinando toda a rede de tolices e intrigas que os movimentos esquerdistas lhe tinham oferecido.

    Temo que agora ele tenha abraçado um discurso extremista oposto e esteja em situação totalmente equivalente, incapaz de ver toda a teia de engodo ainda mais profundo dos que se consideram representantes de Deus na Terra, e abdicando de construir por si próprio sua percepção existencial.

    Amigavelmente

    Marcus Valerio XR
    xr.pro.br

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  28. O anônimo está correto na sua colocação. O Bruno e Danilo não entendem NADA sobre esquerda, mente revolucionária etc.... Santo Tomás de Aquino, por exemplo, fez um contributo inestimável em seu tempo no campo da Teologia e Filosofia, nem por isso pode ser enquadrado como um "revolucionário". Não se pode usar esse termo de forma indiscriminada, aplicando-se a qualquer pessoa que tenha uma "ideia nova sobre as coisas". Não é isso.... "Revolucionário" é um termo técnico referente a uma pessoa, grupo ou movimento que pretender "quebrar a ordem vigente estabelecida por Deus".

    É o que Marx, em sua juventude dizia: "Desejo me vingar d'Aquele que governa lá em cima." "Meu objetivo na vida é destronar Deus e destruir o capitalismo."

    Essas e outras citações de Marx contra Deus e a religião cristã podem ser encontradas no obra "Marx e Satã", do escritor Richard Wurmbrand, que reúne os escritos de juventude do perverso mentiroso e satânico Marx.

    Obs.: tanto o comunismo como o capitalismo são sistemas condenados pela Igreja, embora a condenação ao comunismo seja mais severa, já que ele é "intrinsecamente perverso", por querer SUPRIMIR DIREITOS DE DEUS E DO HOMEM. Já o erro do capitalismo é ABUSAR DOS DIREITOS. Como SUPRIMIR DIREITOS é mais grave que ABUSAR DELES, o comunismo é bem mais perverso.

    Mas ambos, comunismo e capitalismo, possuem um ponto diabólico em comum: são sistemas materialistas.

    Parabéns ao autor do artigo.

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  29. Hoje, 15 de janeiro de 2014, navegando pela internet em busca de um assunto específico, topei com o blog e com a análise do filme. E depois de ler a análise e os comentários, fiquei com duas certezas. A primeira, que o ser humano, realmente, enxerga apenas aquilo que deseja ver. Rotular Batman como conservador apenas porque ele luta contra a loucura de Bane é não reconhecer o que representa o homem-morcego: um vigilante que quebra leis (ou a ordem) tão cara aos conservadores para fazer o que acha correto - no fundo, um Bane em doses homeopáticas. Rotular Bane de revolucionário porque ele traveste a sua loucura com discursos políticos e, por isto, achar que ele é o personagem mais perigoso da trilogia, é ignorar totalmente o que o Coringa deseja provar no segundo filme: que o ser humano nada mais é do que a maldade ou loucura travestida de civilidade, e que ao menor sinal de perigo à sua sobrevivência, o caos e a loucura imperarão, algo muito mais danoso e cruel ao ser humano. Enfim, o ser humano enxerga apenas o que deseja ver.
    A segunda certeza é que, seja de esquerda ou de direita, conservador ou revolucionário, nenhum lado assumirá que, no fundo, a questão está é no próprio ser humano. Por melhor que sejam os ideais, os idealistas e seus sonhos; por melhores que sejam as intenções dos conceitos e das filosofias, sempre haverá em qualquer sistema aquele que distorcerá as idéias originais em beneficio próprio, seja por mera ambição, seja por loucura. Afirmar categoricamente que um sistema ou conjunto de ideias é "naturalmente" ou "historicamente" melhor que outro, é não apenas evitar reconhecer as falhas que cada sistema ou conjunto de ideias humanos possui, por serem humanos; mas ignora que, no frigir dos ovos, basta um com visão egoísta ou assassina para que qualquer ideal político, religioso ou científico se esvaia.
    E, no resultado final, ambos os lados se igualam nos resultados, confirmando uma máxima de Voltaire: "a política é redonda. Se você andar muito para um lado, acabará do outro".

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