sábado, 30 de junho de 2012

Obama, o candidato do Foro de São Paulo

O Foro de São Paulo – aquela organização inexistente de partidos e grupos de esquerda, capitaneada pelo Partido dos Trabalhadores, da qual faz parte o grupo narcoterrorista FARC, e cuja existência é frequentemente imputada a certa tendência esquizofrênica da parte de perigosos ultrarreacionários direitistas delirantes – promoverá, entre os dias 2 e 6 de julho, seu XVIII Encontro em Caracas, Venezuela. A programação e o documento-base do encontro podem ser consultados aqui (em espanhol). Algo também interessante de ser consultado é o documento que o Partido dos Trabalhadores redigiu para o encontro, disponível aqui (em espanhol).


O documento-base emitido pelo FSP, sob diversos aspectos, repisa a velha cantilena comuno-socialista de sempre: o “capitalismo” é o pior mal já surgido na face da terra, é preciso lutar contra o “capitalismo”, há que se construir uma alternativa socialista através dos partidos e grupos “progressistas e de esquerda”, sobretudo a partir dos movimentos populares, a “viabilidade da democracia liberal” está em xeque, e por aí vai. Imputa-se, como sói acontecer com grupos desse calibre, a crise mundial ao grande capital – esse monstro que todo socialista deve conhecer, mas que quase nenhum consegue descrever com detalhes, sem recorrer a logorréias cheias daqueles jargões complicadíssimos e intermináveis –, e os vitupérios de praxe são lançados contra os Estados Unidos (que sempre está nos estertores, mas nunca chega a jogar a toalha).

No entanto, esse documento-base traz algumas novas linhas de discussão para as quais devemos nos atentar.

Uma dessas linhas é a busca por “uma solução política e pacífica para a situação da Colômbia”. Esse anseio vai de encontro dois pontos da história recente da Colômbia: primeiro, as bem-sucedidas incursões militares levadas a cabo pelo governo Uribe, que atacaram a serpente na cabeça e debilitaram em grande medida seu potencial estratégico, um revés com o qual certamente as hostes narcocomunistas não contavam; segundo, o novo marco legal produzido pela alcunhada Lei da Impunidade do governo Santos, da qual Graça Salgueiro já tratou com grande propriedade. Este ponto é consequência daquele: uma vez que o governo colombiano, liderado pelo presidente Alvaro Uribe, passou a obter vitórias importantes contra os guerrilheiros e narcotraficantes das FARC, abriu-se de imediato uma brecha jurídica uma vez que o mandatário se afastou do poder. Observar o Foro de São Paulo exarar seu desejo de “avançar em uma solução política e pacífica para a situação da Colômbia”, dentro desse contexto, e tomar esse comportamento como o aproveitamento de uma oportunidade fortuita seria, no mínimo, ingenuidade: claro está que foram os esforços do próprio Foro de São Paulo que redundaram na Lei da Impunidade de Santos.

Outra linha de discussão para a qual se deve conceder alguma atenção é a intenção de se criar a Secretaria Estados Unidos do Foro de São Paulo, a exemplo da já existente Secretaria Europa. Ao longo do documento, a despeito do já esperado criticismo ao neoliberalismo e ao imperialismo e ao neocolonialismo estadunidenses, observa-se uma estranhíssima neutralidade no tocante à figura do presidente Barack Hussein Obama. Sua reforma de saúde e o corte nos gastos militares são até mesmo vistos com bons olhos pelo Foro de São Paulo, apesar de serem considerados “tímidos”. Além disso, o documento coloca bastante ênfase no fortalecimento do movimento conservador dentro dos Estados Unidos – com o Tea Party, por exemplo, que surgiu como grande clamor popular contra a política progressista de Obama – e seu reflexo no Partido Republicano, o que evidencia o grau de “fanatismo, primitivismo e ignorância que existe na política da nação mais poderosa do mundo”. Continua o documento-base:
19. Ao contrário da Europa, a esquerda não possui grande expressão eleitoral própria nos EUA. Nesse contexto, o Foro de São Paulo deve manter seus esforços na constituição da Secretaria Regional do Foro de São Paulo nos Estados Unidos. Um dos debates mais importantes que devemos acompanhar será o que terão que enfrentar as organizações de latinoamericanos sobre a orientação do voto hispânico na eleição de novembro, que será muito importante e complexa, tendo em vista os efeitos que eventuais políticas do Partido Republicano teriam sobre o movimento progressista e de esquerda na América Latina.
Para bom entendedor, meia palavra basta: o Foro de São Paulo trabalhará ativamente para reeleger Barack Hussein Obama. Além disso, uma vez estabelecida sua secretaria regional nos Estados Unidos, o Foro de São Paulo terá por objetivo “fortalecer nossos laços com os movimentos de resistência nos Estados Unidos, particularmente com os movimentos em defesa dos imigrantes e de resistência contra a crise como os chamados ‘ocupe’ (occupy).” Para aqueles que não se lembram, esses movimentos originaram-se no chamado Occupy Wall Street – que, apesar de forçar uma imagem de agregação espontânea dos bravos descontentes norte-americanos, que perfazem 99% da população do país, foi um movimento fartamente financiado por organizações não-governamentais e peixes grandes da elite globalista, como o notabilíssimo George Soros. O quadro que se pinta diante dessa possibilidade é decerto o pior possível.


A partir de segunda-feira, dia 2 de julho, devemos ficar mais atentos que o costume para os desdobramentos do encontro do Foro de São Paulo. O possível êxito das diretrizes de atuação do Foro de São Paulo na conjuntura atual redundaria em uma catástrofe de proporções mais que regionais, agravando a situação no continente americano a um nível dramático.

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