terça-feira, 19 de junho de 2012

Israel: a origem do Mal


Membros de um grupo terrorista judaico atravessam a fronteira do Sinai, adentrando em território egípcio. Uma vez dentro do território, atacam a tiros um grupo de operários egípcios que trabalhava na construção de uma barreira, matando um deles. Em resposta, as forças egípcias interceptam a célula terrorista, engajam-se em combate e matam dois de seus combatentes. Diante desse incidente preocupante, e ante o quadro de instabilidade do governo israelense – cujo poder é disputado por judeus radicais com ramificações terroristas –, o governo egípcio decide movimentar tanques para a região de modo a evitar novos ataques vindos do território israelense, ainda que isso viole um acordo de paz firmado com Israel há muitos anos. Além disso, em uma ação cirúrgica, o governo egípcio promove um ataque aéreo além de suas fronteiras, matando outros quatro terroristas judeus radicais.

Se o caso hipotético acima fosse verdadeiro, veríamos notícias muito interessantes sendo veiculadas pelos principais meios de comunicação ao redor do mundo: a TV Al-Jazeera apresentaria uma reportagem de dez minutos contando pormenorizadamente a vida do operário egípcio brutalmente assassinado pelos terroristas sionistas; a CNN exibiria imagens de protestos de solidariedade realizados diante das embaixadas egípcias nos principais países ocidentais; um ou outro membro permanente do Conselho de Segurança da ONU criticaria a leniência e a ineficiência do governo israelense em controlar suas fronteiras; programas com analistas de assuntos exteriores e de defesa sobre as perspectivas na região seriam gravados; seriam exibidas muitas reportagens mostrando os vínculos dos terroristas judaicos com o partido sionista que está na briga pelo poder em Israel, indicando que a possibilidade real de que ataque não tenha sido um incidente isolado.

Consideremos um segundo caso hipotético. Terroristas judaicos atacam constantemente o território jordaniano com mísseis de curto alcance, alvejando cidades próximas da fronteira entre os dois países. Estruturas são danificadas, e, eventualmente, um ou outro cidadão jordaniano acaba sendo vitimado. A inteligência das forças armadas jordanianas localiza os locais exatos de onde partiram os mísseis, efetuando uma varredura para identificar novos pontos de onde podem partir novos ataques, e descobre que os terroristas instalaram os equipamentos em meio à população civil com o objetivo de usá-la como escudo humano. Ainda assim, as forças da Jordânia resolvem bombardear as bases, prevenindo novos ataques. Um bom número de terroristas perece, mas um número muito maior de civis acaba morrendo nesse ínterim. A cobertura midiática da ação mostraria, certamente, a perfídia dos terroristas sionistas em usarem a população local como escudos humanos, uma dentre muitas táticas macabras utilizadas para evitar ao máximo qualquer retaliação militar por seus ataques covardes; também reforçaria o direito legítimo do Estado jordaniano em reagir aos ataques a seu território, reação que, apesar das baixas civis, jamais seria referenciada como “limpeza étnica” ou “holocausto” ou termos congêneres.

Um dos muitos exemplos da ampla propaganda anti-Israel.

Os dois casos acima retratados são perfeitamente factíveis. Na verdade, seriam mais do que esperados em um mundo normal. A invasão de um bando armado, célula de uma organização maior que recorre a expedientes terroristas para levar a cabo sua missão e é inspirado por uma ideologia que mistura fanatismo religioso e tendências genocidas, a partir de um país politicamente instável, é um fato que justifica plenamente o rompimento unilateral momentâneo de um tratado de desmilitarização de fronteiras. A interceptação e a eliminação dessa célula terrorista dentro do território invadido é uma ação militar racional que qualquer governo adotaria. A eliminação de elementos hostis ligados a essa célula fora dos limites da fronteira pode ser tomada como uma ação temerária, mas não ilegítima: sob diversos aspectos, é o desdobramento lógico das ações tomadas dentro do território invadido. As mortes civis eventualmente provocadas por ações militares em resposta a esses ataques seriam terríveis, é evidente, mas não vãs nem injustificadas.

Todo o raciocínio exposto acima deveria ser aplicado a toda nação soberana na condição de vítima dos ataques terroristas enunciados. No entanto, ao que tudo indica, Israel é um dos Estados que não possui esse direito. De fato, toda ação militar realizada pelas forças armadas israelenses com vistas a salvaguardar seus direitos e proteger seus cidadãos é tida aprioristicamente como má de per si: o enfrentamento de terroristas que invadiram seu território é resumida como “violação de tratado de paz com o Egito”, e, portanto, ilegítimo; a morte de civis utilizados como escudos humanos por terroristas palestinos é classificada de “genocídio” e “crimes contra a Humanidade”, como se esses civis fossem, desde o começo, os alvos da ação militar israelense.

Um exemplo de hoje pode ser visto numa notícia publicada pela BBC e republicada pelo jornal Folha de S. Paulo: uma mesquita foi depredada na Cisjordânia, sendo alvo de pichações e ações incendiárias. O foco da reportagem é mostrar que os crimes não recebem a atenção devida por parte das autoridades israelenses, deixando no ar um cheiro de conivência do Estado de Israel. Todavia, foi convenientemente omitida a informação de que uma grande força investigativa, que conta com policiais e agentes do Shin Bet (o serviço de segurança interna de Israel), está promovendo diligências na região para averiguar quem cometeu esses crimes – o que foi noticiado até pelo jornal esquerdista Haaretz. Quando uma sinagoga perto do assentamento de Dolev, em que se localiza o memorial de Yair Mendelson (israelense morto num ataque terrorista durante a Primeira Intifada), foi incendiada repetidas vezes, não se aventou, nem mesmo se insinuou, uma possível conivência da Autoridade Palestina. Quando a sinagoga Neve Dekalim, na Faixa de Gaza, foi reduzida a escombros por uma turba enfurecida liderada por membros do alto escalão do Hamas, nenhuma organização de direitos humanos criticou aquele grotesco ato de perseguição religiosa. Na verdade, ambos os fatos passaram praticamente despercebidos: poucos jornais os relataram.


A destruição da sinagoga Neve Dekalim.

Os inimigos de Israel podem não ter conseguido varrer o Estado judeu do mapa literalmente, mas trabalham diuturnamente para destruir sua reputação, sua legitimidade e seus esforços para sobreviver. E tudo isso com o beneplácito de quase todos os grandes veículos de informação, organizações multilaterais, instituições não-governamentais e diversos governos, inclusive ocidentais.

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