quinta-feira, 14 de junho de 2012

Descanse em paz, Dom Bergonzini


Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo emérito da Diocese de Guarulhos, faleceu na madrugada do dia 13 de junho no Hospital Stella Maris, onde estava internado desde o dia 21 de maio em virtude de uma pneumonia.

Dom Luiz Bergonzini nasceu em 20 de maio de 1936 na cidade de São João da Boa Vista, interior de São Paulo. Era o terceiro dos quatro filhos de Luiz Bergonzini, sapateiro, e Aristea Bruscato Bergonzini, dona-de-casa. Entrou para o seminário aos 10 anos de idade, no início de 1947. Foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1959, e recebeu a ordenação episcopal no dia 23 de fevereiro de 1992, tornando-se o segundo bispo da Diocese de Guarulhos. No ano de 2009, renunciou ao posto de chefe diocesano e tornou-se bispo emérito da cidade.

Dom Luiz Bergonzini foi um dos poucos sacerdotes da Igreja Católica que, nos tenebrosos tempos hodiernos em que vivemos, recusava-se a ceder às pressões laicistas e anticristãs, oficiais ou oficiosas, que procuram sufocar impiedosamente a liberdade política e a liberdade de expressão dos líderes religiosos no Brasil. No ano de 2010, foi responsável por um documento em que expunha com clareza como o Partido dos Trabalhadores adota a cultura da morte em seu programa partidário, e esclarecia que os verdadeiros cristãos jamais deveriam votar em políticos que tivessem tal plataforma política, como era então o caso da candidata Dilma Rousseff. A medida atraiu para si a crítica e o desafeto de muitas pessoas e instituições, inclusive dentro da própria Igreja: a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu uma nota repudiando a atitude de Dom Luiz Bergonzini. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o bispo afirmou:
A CNBB não tem autoridade nenhuma sobre os bispos. Eu segui a voz da minha consciência. Sou cristão de verdade e defendo o mandamento “não matarás”. Não tem esse negócio de “meio termo”. [...] Como cidadão, tenho direito de expressar minha opinião e, como bispo, tenho a obrigação de orientar os fiéis.
A atuação pública de Dom Luiz Bergonzini não se limitou somente à questão do aborto, ainda que esta tenha sido sua pauta principal. O falecido bispo emérito de Guarulhos foi uma das maiores vozes da Igreja Católica no Brasil contra os avanços alarmantes da esquerda em nosso país e sua infiltração em todos os âmbitos da sociedade brasileira, inclusive (e especialmente) dentro da própria Igreja. Sua coragem e sua determinação lhe renderam, em 5 de novembro de 2011, o Prêmio Cardeal von Galen – premiação em homenagem ao Cardeal Clemens August von Galen, o Leão de Münster, que laureia prelados católicos que se destacam por sua defesa irredutível da vida e da dignidade humanas –, concedido pela Human Life International.

Beato Clemens August von Galen

Vivemos em um período que faz jus ao desejo intestino do revolucionário francês Denis Diderot tal qual exposto em seu poema “Les Éleuthéromanes”: “Et ses mains ourdiraient les entrailles du prêtre, / Au défaut d’un cordon pour étrangler les rois.” (“E suas mãos trançariam as entranhas do padre / Na falta duma corna para estrangular os reis.”) Se possível fosse, enforcariam qualquer resquício de tradição com as tripas da religião, num festim sanguinolento que só pode ser propriamente denominado como diabólico. No entanto, há algumas pessoas que ainda se recusam em depor as armas da verdade e da fé e teimam em lutar contra as hostes que têm pilhado a civilização há séculos. Dom Luiz Bergonzini foi, certamente, um dos paladinos na linha de frente dessa batalha. Seu exemplo de combatividade e firmeza deve servir de remédio contra a pusilanimidade e a poltronice que pululam nos meios cristãos de nossa sociedade, inspirando a todos aqueles que não apenas enxergam, com perspicácia, o estado geral de degenerescência promovido pelos revolucionários culturais, mas que também veem o combate a eles como um dever inelutável.

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