quarta-feira, 4 de abril de 2012

Risco de morte na UnB

Vejam o vídeo abaixo:


Vocês sabem o que aconteceu no vídeo acima? Isso foi um transformador de energia elétrica entrando em curto-circuito, superaquecendo e, por fim, explodindo. Isso foi o que quase aconteceu na semana passada.

As quedas de luz ocorridas na UnB durante a semana passada foram ocasionadas por falhas nos transformadores localizados no subsolo do ICC Norte. Uma das integrantes da equipe de segurança notou que um calor estranho estava vindo da parte do transformador (sua mesa fica a pouca distância) e, ao se aproximar para verificar o que estava ocorrendo, notou que havia um vazamento de óleo.

A prefeitura do campus foi chamada. O risco de explosão era tão iminente que decidiram evacuar a área e desligar imediatamente o transformador. Isso acabou causando a sobrecarga de um segundo transformador, que, sem conseguir suportar, acabou queimando.

O que a Secretaria de Comunicação da Universidade de Brasília noticiou no portal virtual dá a entender que o problema foi algo corriqueiro e de pouca periculosidade. No entanto, chegous-e a essa situação crítica após uma série de irregularidades que, há anos, vêm sendo cometidas ou cuja existência é ignorada.

1) Transformadores desse porte devem possuir instalações próprias, em casamatas isoladas, preferencialmente longe de áreas em que haja circulação de pessoas. Cada transformador desses opera com uma intensidade de corrente de 800 ampères (1 ampère basta para matar uma pessoa instantaneamente).

2) Os transformadores estavam há pelo menos 2 anos sem qualquer tipo de manutenção. Isso já seria em si um fato grave; levando em consideração a idade dos transformadores (15 a 20 anos), é algo pior ainda. A ausência de manutenção constante, como a verificação no nível de óleo nos transformadores, pode gerar situações catastróficas. Há alguns anos, um técnico eletricista que estava realizando testes em um transformador de menor porte no subsolo do edifício do CNPq, na asa norte, ligou advertidamente o aparelho ao pensar que estava com o nível de óleo adequado. O arco voltaico gerado pela energia (a temperatura chega imediatamente à casa dos 10.000ºC) fez o transformador explodir, matando o técnico na hora.

3) A área em que estão instalados os transformadores não possui qualquer tipo de estrutura para evacuação numa possível ocorrência. O Departamento de Ciência da Computação está localizado numa área péssima no subsolo do ICC Norte: as estruturas do departamento são precárias; há um corredor de aproximadamente 40 metros de extensão que possui um único acesso livre de entrada e saída, pois o outro permanece trancado (e ninguém possui as chaves); as placas indicadoras de saída de emergência ficam fora do alcance das luzes de emergência; não há nenhuma ventilação. Caso o local fosse vistoriado pelos bombeiros e pela defesa civil, certamente toda a área seria interditada por tempo indeterminado.

4) Os transformadores foram forçados a operarem em condições que contrariam quaisquer requisitos de segurança. Uma das chaves de segurança do primeiro transformador, responsável pelo desarme em caso de sobrecarga, estava calçada por uma trave de madeira para que não desligasse automaticamente o transformador.

Se não fosse a presteza da guardete (uma verdadeira heroína), uma explosão como a que vimos no vídeo acima teria ocorrido dentro do ICC Norte. Os danos patrimoniais seriam enormes, e certamente haveria algumas mortes. Todo o quadro é tão absurdo que o Departamento de Ciência da Computação fez um abaixo-assinado e, após algumas reuniões, decidiu suspender todas as suas atividades até que a situação seja resolvida em definitivo. Uma das demandas dos professores é que um relatório independente – ou seja, sem participação alguma da Administração da UnB ou da prefeitura do campus, que se mostraram indignas de qualquer confiança – sobre a situação do lugar seja produzido imediatamente.
 
Carta que acompaha o abaixo-assinado do departamento.
Essa situação calamitosa é apenas uma imagem vívida da situação de toda a Universidade de Brasília: uma instituição que possui um orçamento da ordem de R$ 1,0 bilhão que não sabe (ou não tem interesse em) administrar corretamente seus recursos, orientando seus esforços em trivialidades enquanto eventos potencialmente mortais, que ameaçam diretamente a vida de toda a comunidade acadêmica, vão tomando corpo paulatina e silenciosamente.

Em tempo: uma das salas de aula da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da UnB fica exatamente sobre os transformadores. E houvesse uma explosão em horário de aula?

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