quinta-feira, 26 de abril de 2012

Sobre o caso Victor Neves

Caros leitores do blog,

Recebemos a mensagem abaixo da irmã de Victor Neves, Ludmila, sobre o que aconteceu no dia 24 de abril. Leiam abaixo.
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Eu não sei por mais quantos blog´s terei que fazer esse apelo...Meu nome é Ludmila Neves, e sou irmã desse rapaz mencionado acima...

Peço desculpas pelo meu irmão, infelizmente fizemos alteração da medicação dele, por o mesmo sofrer de distúrbio “BIPOLAR”, por esse motivo ele saiu de casa na segunda e fez tdos esses atos infelizes. Quero q vcs entendam e saibam, que ele estava totalmente fora de si e em crise, tanto q no próprio vídeo isso é perceptível.

Sanamos a situação, o mesmo está medicado e em uma clínica para o seu restabelecimento. Peço desculpas, pelas palavras de agressão e sei bem como vcs devem estar se sentindo, pq ele tbm me agride com palavras quando está alterado. Na verdade, essa é a segunda vez, à mais de dois anos que ele estava cumprindo à regra o tratamento, só que infelizmente pela alteração da receita, ele entrou em crise.
Sei que pedido de desculpas ñ deixa vcs seguros, afinal com todos os psicopatas que andam na rua fazendo horrores e com até às coincidências e ameaças sofridas na UNB, é normal se ficar inseguro. Mas, quero q vcs fiquem mais calmos…O meu irmão como disse está sendo medicado e quando entra nessa crise, normalmente só agride com palavras e nunca vi ele partindo para uma agressão, só mesmo quando se sente temeroso pela sua vida, ou mesmo, insultado. Acho que esse ñ foi o caso, já que vcs ñ o agrediram. Apesar, que soube que alguns tentaram até linxá-lo.

Entendo, até a atitude de vcs, pq antes que eu soubesse que ele sofria desse transtorno eu retrucava, tentava agredi-lo com palavras, até que eu conheci a patologia e entendi que se eu agir como uma parede, ou, mesmo se eu tentar mostrar com às minhas atitudes e ñ palavras q estou ao seu lado, ele vê isso. Claro, q vc têm q ter noção da doença e em alguns casos sair de perto se ver que ele está alterado ao ponto de nem saber oq faz, só que infelizmente tbm vi na filmagem, q alguns ñ fizeram isso.

Queria pedir a ajuda, para o melhor tratamento dele. Preciso que vcs ñ o retruquem, nem o xinguem e principalmente denunciem o face, o orkut e outras redes sociais para q ele ñ entre. Pq até o proibimos de entrar, mas pode ser q ele consiga e tente voltar a falar com vcs. Então o anulem, assim como tdo oq ele falar. Mais uma vez, ele em crise ñ responde pelo que ele fala, é como se o mundo estivesse contra ele, mas se o mundo se vira, ele nem reage.

Estou rastreando tdo o possível que ele tem falado e por esse motivo soube da UNB, só ñ o impedimos antes, pq ele sumiu e ñ conseguimos encontrá-lo. Eu liguei para tdos os departamentos e até tentei na noite de segunda-feira, ligar na “UNB”, para saber se ele estava lá, mas sem sucesso. Foi quando, entrei em contato no dia seguinte, mas me disseram que ele ñ tinha aparecido lá. Conversei com o Hugo que pertence a UNB, muito gentil ao saber que ele esteve, retornou o contato que foi onde soubemos de tdo e corremos para resolver.

Preciso que vcs me ajudem e saibam que também é uma luta para à minha família, só nos sabemos oq passamos e tbm pessoas q se encontram na mesma situação.
Mais uma vez, peço perdão à tdos os alunos da UNB!!!

Mais do q tdo, aos entendidos da doença q nos ajudem espalhando como é, pq infelizmente moramos em um país que interdita os seus doentes, que ao invés de mostrar como é a doença coloca ela restrita em abrigos e prisões, como faziam antigamente. Ainda estamos em uma estrutura arcaica, onde um doente é um inválido social, recluso do mundo e os mesmos se sentem assim.

Porque antes do meu irmão entrar em crise, alguns se fingindo serem amigos, acho q para brincarem com ele marcaram vários encontros e furaram…Ele se sentiu péssimo e acho que isso facilitou bastante a crise. Creio que até chora quando se depara com a solidão que ele vive pela reclusão que às pessoas fazem por acharem que ele é perigoso e mal.

Ele só fica fora de si quando está em crise e à muito ñ entrava em uma. No normal ele é um doce. Claro, com aqueles q ñ o ofendem, pq ngm gosta de ser ofendido.

Não estou aqui para justificar o ato dele, antes de tdo peço perdão no nome da minha mãe, que está muito abalada com tdo. Ñ é fácil para ela!!!Sei que tbm ñ foi fácil para os seus pais e familiares, pela insegurança que o ato causou na mente de vcs.

Não sei oq fazer para pedir desculpas, à única coisa que posso é pedir perdão e fazer oq estamos fazendo, o ajudando com a assistência médica e psicológica necessária.
Até peço, que se caso vcs saibam de uma assistência psicológica gratuita dentro da UNB, agradeço, pq é muito caro e estamos até tentando um plano médico, mas é muito demorado o período de liberação. O sitema público, como vcs sabem ñ oferecem essa facilidade.

Infelizmente o Brasil em algumas das opniões do meu irmão estão totalmente corretas, vivemos em um país para alguns e esses ñ inclui os seus doentes. São filas enormes e total descaso, médicos muitas vezes despreparados e altamente caros.

Minha mãe tem tido condições de fazer particular, mas agora tá se tornando difícil, já que tdo nessa área é cara e por ñ querer q ele fique sem medicamentos à mesma tira do seu bolso (médico, remédio e tratamentos), mas ñ tá suportando os valores (a rede pública está com falta da maioria dos medicamentos para essas patologias). Então, peço essa ajuda se vcs tiverem esse acesso!!!

No mais, agradeço ter esse acesso e se for possível delete esse post para q ele ñ continue respondendo…Creio q ñ vai, pq quando se estabilizar vai melhorar e ñ vai ter acesso por nossa parte. Peço que me avisem caso ele tente ameaçar, ou, ficar nas mesmas conversas, pq ai teremos como impedí-lo e tomar às medidas cabíveis.

Sei tbm q vc têm lutado pelos seus direitos e concordo e acredito que muitas vezes é dado ênfase a coisas menores, como arrancar cartazes (mas, dentro da lei isso está errado), ñ estou justificando o meu irmão nem uma sociedade corrupta em seus ideais. Oq venho dizer é q meu irmão estava em crise e por esse motivo, estava totalmente descontrolado e acabou fazendo isso. Peço desculpas e venho pedir a ajuda de vcs!!

Grata, Ludmila Neves.
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Como mencionamos no texto que tratou do que aconteceu, a confusão mental de Victor é bastante evidente ao se analisar a carta que foi escrita por ele. O comportamento no vídeo também deixa claro que é improvável se tratar de alguém que não esteja transtornado, o que já fornece indícios para questionar se se trata de uma pessoa instável que explodiu (caso do Victor, como explicado por sua irmã ) ou de alguém que adota essa postura deliberadamente.

Ludmila, de nossa parte, pode ter certeza que encaminharemos seu apelo para as pessoas que podem ajudar o seu irmão. Caso queira informar-nos algum contato de e-mail, nos escreva: unbconservadora@gmail.com.

Concentração fundiária e violência no campo

Luis Lopes Diniz Filho
Blog Tomatadas


Os geógrafos rurais, reproduzindo os discursos dos movimentos de “luta pela terra”, costumam afirmar que a concentração fundiária é a causa da violência no campo. Por conseguinte, inferem que as invasões de terra são inversamente proporcionais aos investimentos realizados no assentamento de famílias em projetos de reforma agrária. Para averiguar as conclusões a que essas ideias nos conduzem quando se observam as estatísticas de violência no campo, elaborei o gráfico abaixo. A fonte são os Relatórios da Ouvidoria Agrária, disponíveis no site do Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA. 


Os fatos e a lógica

Partindo-se do pressuposto de que a concentração fundiária e o montante dos investimentos na instalação de assentamentos explicam a violência no campo, as conclusões lógicas a extrair desses dados são:
  • No período de 1995 a 1999, o governo FHC investiu tão pouco em reforma agrária que o resultado foi uma verdadeira explosão de violência, com as invasões saltando de 145 para 502.
     
  • Esse governo reagiu ao problema de 2000 em diante, realizando investimentos tão elevados em reforma agrária que as invasões de terra despencaram para menos da metade já nesse ano, e continuaram caindo aceleradamente até atingir a marca de 103 invasões em 2002.
     
  • Em 2003, primeiro ano do governo Lula, houve cortes muito grandes na Política Nacional de Reforma Agrária, o que provocou as 222 invasões de terra ocorridas nesse ano.
     
  • Esse governo continuou ignorando o problema em 2004, o que fez as invasões saltarem para 327.
     
  • De 2005 a 2010, o governo Lula expandiu em certa medida o assentamento de famílias realizado anualmente, o que fez o número de invasões oscilar na faixa de 173 a 298, sem tendência de queda.
     
  • Observando-se os dezesseis anos da série, vê-se que a violência expressa nas invasões estava em vias de desaparecer no segundo mandato de FHC, mas voltou a ganhar força e estabilizou-se nos anos seguintes.
Alguém é capaz de dizer que tais interpretações não são as únicas que tornam as ideias dos geógrafos rurais coerentes com os dados do MDA? Realmente, a única maneira de explicar os fatos acima de outra maneira é abandonar a hipótese de que concentração fundiária produz violência rural e, por conseguinte, a inferência de que os casos de invasão de terra são inversamente proporcionais ao número de famílias assentadas. Essa explicação alternativa é bem simples e já saiu na imprensa várias vezes.

Violência no campo é questão de impunidade e custo de oportunidade

Interpretar essas informações com base nos discursos do MST e dos geógrafos implica concluir que o segundo governo FHC fez o número de invasões despencar porque investiu maciçamente em reforma agrária, ao passo que as duas gestões Lula fizeram a violência no campo crescer e estabilizar-se em altos patamares porque implantaram menos assentamentos. O problema é que essa interpretação, embora coerente com o pressuposto de que concentração fundiária produz violência, desmente os dados dos governos petistas sobre suas realizações nessa área e também não é do agrado dos geógrafos, petistas em sua maioria. Mas qual seria a explicação correta?

Bem, a explicação verdadeira desmente o PT do mesmo jeito e é igualmente desagradável para geógrafos rurais e emessetistas, já que implica inverter a relação de causalidade entre número de assentamentos e de invasões de terra. Como já escreveu Ricardo Abramovay, o determinante das invasões de terra é o custo de oportunidade dessa ação. O custo de oportunidade é um conceito de economia formulado por Alfred Marshall, segundo o qual o custo de uma coisa é igual ao custo daquilo de que se abre mão para obtê-la. No caso, os invasores de terra avaliam o benefício econômico que obtém por participarem de reuniões, acampamentos e/ou invasões em relação ao que poderiam ganhar se continuassem nas periferias urbanas à procura de empregos mal-remunerados. De fato, receber uma casa em um lote de terra implica apropriar-se rapidamente de um patrimônio bastante considerável para pessoas de renda baixa ou remediados, algo que demoraria uma vida inteira para ser conquistado se permanecessem residindo na cidade. Soma-se a isso a impunidade dos invasores, já que, embora o direito de propriedade seja assegurado pela constituição, é inegável que os ditos “sem-terra” só costumam sofrer sanções legais (e nem sempre!) quando incorrem em vandalismo e crimes contra a pessoa.

Nesse sentido, a escalada das invasões de terra nos anos 1995-1999 se explica pelos altos investimentos realizados na política de reforma agrária, os quais sinalizaram que invadir terra, além de não resultar em punições legais, era um bom negócio. A queda abrupta das invasões em 2000 se deve à edição de uma medida provisória, em maio desse ano, que dificultou o acesso à terra por meio de invasões. Esse instrumento, apelidado de “MP anti-invasão”, determinou que os invasores de terra ficariam suspensos do programa de reforma agrária por dois anos a contar da data da invasão, teriam seus nomes divulgados no site do Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA, e que a suspensão seria estendida caso houvesse reincidência durante os dois anos de espera. Outra mudança importante foi a determinação de que as terras invadidas ficariam com as vistorias suspensas também por período de dois anos, o que tornaria as desapropriações para fins de reforma agrária muito mais demoradas.

Com a chegada de Lula ao poder, em 2003, a MP anti-invasão deixou de ser aplicada, ou seja, retirou-se do site do MDA a lista de invasores e eles deixaram de ser suspensos. O resultado foi que o número de invasões pulou de 103 para 222 e, em 2004, para 327! Todavia, o governo Lula jamais editou uma nova medida provisória que anulasse a MP anti-invasão, contrariando as reivindicações do MST nesse sentido. De maneira absolutamente casuísta, Lula deixou de aplicar a lei para não perder o apoio político do MST e das forças políticas de esquerda, mas preservou a lei herdada do governo FHC para ter nas mãos um instrumento punitivo a ser aplicado contra o MST caso as invasões assumissem proporções incontroláveis. Foi por isso que, diante da explosão de violência, o então Ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu, veio a público avisar que o governo não iria permitir que a desordem tomasse conta do campo e que a lei seria cumprida. Tal ameaça, vindo de alguém como Dirceu, um homem que sempre foi notório pela defesa intransigente da legalidade, calou fundo...

Seja como for, o fato é que os governos do PT e os movimentos de “luta pela terra” (na verdade, organizações políticas que arregimentam desempregados urbanos atrás de assistencialismo) chegaram a um ponto de acomodamento de seus interesses. A partir de 2005, o número anual de invasões, embora elevado, sobretudo em comparação com 2002, manteve-se estável. A popularidade do governo não é desgastada e a máquina de invasões, que estava em extinção, ganhou uma boa sobrevida, deixando os emessetistas satisfeitos dentro do possível. Enquanto isso, o PT vai dando continuidade ao assistencialismo da política fundiária de FHC ao mesmo tempo em que finge estar fazendo algo diferente.

Ao contrário do que dizem emessetistas e geógrafos rurais, são a ampliação dos assentamentos e a falta de punição para invasores que estimulam a violência. Ou alguém vai dizer que essa explicação não é coerente com os dados acima?

Luis Lopes Diniz Filho é professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Paraná.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O mal da intolerância

Ontem, dia 24, foi preso Victor Rafael Herzog Pinto no campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília. Victor foi detido após “ameaçar” estudantes da UnB. A confusão foi gravada, como podem ver a seguir:


Na ocasião, ele também divulgou uma carta, originalmente endereçada às Forças Armadas, que reproduzimos na íntegra abaixo.
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Olá, meu nome é Victor e sou formado em história. Bem, estou indignado com a atual situação do país, revoltado, com o que se transformou a nossa gloriosa forças armadas devido a lavagem cerebral de corruptos, mídia e principalmente da esquerda que é responsável por essas ações.

Estou ainda mais inconformado com o que está acontecendo com nossa população e sinceramente já chegou ao limite essa corrupção, não aguento mais ver pessoas passando fome nas ruas, crianças sendo transformadas em criminosas por causa da desgraça social que é resultado da ganância de políticos e esquerda. Frustrante é ver a bolsa esmola sendo o pão e circo das pessoas que aceitam conformadas as migalhas, quando deveria receber a gloria, essa gloria que poderia ser oferecida ao povo pela nossa querida e guerreira forças armadas.

Bom, meu protesto não é somente palavras ao vento eu tenho idéias que peguei de vários locais e adaptei. Essas idéias podem transformar o país em uma potência, porém, é necessário que a fantástica forças armadas tomem uma atitude para tirar o país da desgraça e leva-lo a glória.

A primeira iniciativa que os militares poderiam fazer é ter uma representação no congresso, não sei porque, não existe ainda uma representação das pessoas que protegem a população... essa representação deveria ser fixa e sem a opção de voto, ou seja, não precisam de eleições são presença permanente no congresso. Quanto aos que dizem que seria um ato institucional, isso é um absurdo em tempos de ameaça ao estado as forças armadas devem proteger o país ou de estrangeiros, com vocês no congresso, poderíamos fazer algo fantástico para ganhar credibilidade perante a população e combater a propaganda cretina que fizeram contra quem defende nosso país (vocês é claro), vocês, poderiam assim que entrassem no congresso abrir as portas dele para o povo, fazendo cada indivíduo ter uma liberdade política, e exercesse uma vida política criticando, dando sugestões e melhorando o país, com isso teríamos uma real democracia, afinal, quem ama cuida e cuidando que se ama.

Consequentemente com essa idéia não vamos precisar mais de políticos, CALMA, estou falando dos vereadores, deputados federais e estaduais e senadores. O resultado é que pouparíamos aos cofres públicos bilhões e de forma alguma quero acabar com os políticos, devemos ter representantes até atingirmos a maturidade política que vem com o tempo, sendo assim, teríamos ainda governadores e o presidente, esse último deveria existir para representar o povo em outros países, afinal, não dá para colocar todos brasileiros que desejem falar em uma reunião com lideres políticos... simplesmente o presidente escutaria o povo no congresso, forças armadas e transmitiria as idéias aos outros países ou em uma reunião. Com o amadureciomento político causado pelas forças armadas, defendendo a população e ela construindo o país teríamos um amadurecimento do nacionalismo e consequentemente o cargo de governador seria extinto com o tempo, ficando somente o do presidente, poupando milhões aos cofres públicos.

Na educação poderiam fazer mudanças brilhantes como colocar o ensino das 7 horas da manhã as 6 da tarde para todos desde o primário, fundamental, médio e superior seria ensinado aos alunos música, filosofia, história sociologia ciências que fazem o indivíduo pensar e se questionar, transformando a população em livre pensadores, críticos e aumentando o nível intelectual da sociedade... engana-se, quem pensa que essas ciências corrompem o povo. Estudei história e isso fez meu amor pelo país, povo aumentar... o problema são as ideologias nazistas como o comunismo. Mais voltando ao assunto, na estrutura do colégio poderíamos criar um campo oficial de futebol, piscina olímpica, pista de corrida oficial, quadras poliesportivas e uma pista de skate profissional, ainda poderíamos criar tatames para o ensino de artes marciais e um mini posto de saúde para comunidade e alunos, gerando assim, mais empregos e principalmente qualidade de vida e não vamos esquecer de uma biblioteca ampla e computadores de última geração para na semana os alunos pudessem pesquisar e finais de semana a diversão da comunidade com jogos com amigos, dentre outros entreterimentos assim conquistaríamos a população e melhorariamos o ensino público.

Porém, um dos grandes problemas na educação brasileira e falo isso como professor é a ganância e comodismo dos professores, hoje, deixam de ensinar nas escolas públicas e universidades para ensinar em colégios particulares para ganhar mais dinheiro, isso é muito comum. Consequentemente os alunos da rede pública perdem o rendimento... e outra professores ensinam mal e porcamente, não procuram especialização e não leem livro em sua maioria. Por isso, devemos criar uma lei obrigando os professores a fazer especializações como pós graduação, mestrado, doutorado e pós doutorado... a ler um livro por mês e fazer uma crítica a ele, sendo analisado por um servidor público, assim teríamos melhores profissionais, na realidade, isso poderia ser feito de cada servidor público, até mesmo, dos militares falando para eles lerem sobre o Brasil, guerras, armas... melhorando o nível intelectual das pessoas, mesmo que obrigado, com o tempo as pessoas se acostumariam... então voltando ao assunto da corrupção... o outro lado dessa situação, temos políticos que são donos de cursinhos, colégios particulares, preparatórios... ou seja, enquanto professores ganham mais ensinando em colégios particulares e deixando o ensino público sucateado, políticos ganham rios de dinheiro com a desgraça educacional do país e cobrando mensalidades para as pessoas estudarem o que é um direito de todo brasileiro, estrangeiro que paga impostos... sobre o ensino superior: as universidades deveriam ser abertas a todos, quem quiser poderia fazer um curso assim teríamos mão de obra qualificada o que falta no mercado, pagamos impostos e devemos usar os frutos dos impostos que é saúde, educação, qualidade de vida... enfim, professores, políticos e alguns alunos alienados não querem que o vestibular seja anulado porque os professores, políticos ganham e todos ficam felizes, enquanto, pessoas passam fome no nordete, nas ruas bem ai perto de vocês que está lendo essa carta porque não tem capacitação e uma esperança na vida... e isso só pode mudar com a ajuda das forças armadas que impõe respeito através das armas e seu legado de gloria, SIM GLÓRIA! Ninguém além de vocês podem mudar a situação do país.

Sobre o trabalho em si, existe trabalhos onde a carga horária é 6 horas, algumas profissões fazem turnos de 6 e 6 horas, agora, veja que idéia grandiosa para o país em colocar turnos de 6 em 6 horas de trabalho no serviço público. Fazendo turnos de 6 horas e deixando a maquina do estado funcionando 24 horas por dia, triplicaríamos os empregos, dessa forma as pessoas agradeceriam eternamente as forças armadas. E quem afirmar que não é possível isso porque gastaríamos muito dinheiro pagando as pessoas, pense bem, uma das funções do trabalho é pagar o indivíduo, que vai gastar o dinheiro e isso vai gerar impostos, consequentemente a produção do país vai aumentar e as indústrias privadas vão ter que se adaptar ao novo horário, fornecendo bens de serviço a população E CONTRATANDO MAIS PESSOAS PARA O TRABALHO... os trabalhadores que agora trabalhariam em todos horários do dia, ou seja, teríamos na realidade 6 vezes mais empregos juntando os novos horários do serviço público e privado... e a carga horária de 8 horas é cansativa e inútil com esa idéia, pense bem, poderíamos gastar mais tempo lendo, assistindo filme e passando tempo com a família.

Uma das grandes problemáticas do país seria o transporte que deveri a ser silencioso afinal, pessoas dormem a noite enquanto teríamos pessoas trabalhando, então deveria ser colocado carros, ônibus e outros transportes movidos a energia elétrica, existe um carro da mitsubichi que roda 140 km, toda recarga dele pode ser feita em casa com um adaptador que leva 6 horas ou em um posto que em 30 minutos é feito isso, pense bem, ninguém que trabalha e vive na cidade roda mais de 140 km por dia, enfim, poderia ser colocado para recarregar enquanto dorme ou não usa o carro, veja, que poderíamos pegar essa tecnologia e melhora-la aqui no Brasil, as possibilidades são infinitas! Seríamos quase que pioneiros em usar essa energia, porque, dentro de poucos anos o petróleo vai acabar e se não nos adaptarmos entraremos em crise, já que, tudo é movido a petróleo hoje basicamente, por isso estimulariamos pesquisas a respeito de novas fontes limpas de energia fora a elétrica para manter o país, quando a crise do petróleo fosse iniciada. Também poderíamos insentivar as pessoas a fazerem exércicio físico usando bicicletas e nas repartições públicas, poderíamos fazer banheiros com duchas para tomarem banho evitando futuras desculpas que não podem usar bicletas pelo suor...

Sobre a natureza um dos grandes problemas que estamos enfrentando é o novo código florestal que, deseja acabar com as matas na beira dos corregos, alto dos morros... tirando as árvores do alto dos morros teríamos desmoronamentos, já que, a chuva quando desce sai arrastando tudo, porém, com árvores é amenizado o problema. Quanto as matas na beira dos rios, eles cultivam vidas, animais que sobrevivem daquelas plantas e sua proteção a fauna, retirando isso mataríamos essas espécies, senhores devemos proteger o país, nossa amazônia foi praticamente varrida do mapa, ATÉ QUANDO ISSO? Poderíamos plantar mais árvores na cidade, amenizando o calor e gerando uma harmonia entre os homens e natureza.

Na questão militar poderíamos colocar a obrigatoriedade para todos entrarem nas forças armadas, isso iria gerar um amor a pátria e treinamento em sobrevivência e para defender o país em futuras guerras, conflitos, defesa pessoal... que são atos essenciais para o ser humano sobreviver em tempos de desordem, guerra. Fora que, isso produziria amor a pátria, porque, sabemos que somente servindo a pátria é que amamos ela, pelo menos, na grande maioria das vezes... as forças armadas deveriam ter os melhores equipamentos, para defender o país, fora que, nossas instituições militares deveriam ter grande investimento em tecnologia para o desenvolvimento de equipamentos militares, para produzirmos as nossas próprias armas, aviões, tanques...

Poderíamos chamar bandas internacionais, locais para tocar a cada 30 dias no estado específico, assim movimentaríamos o comércio, entre a banda tocar e outra entrar daríamos chances a novas bandas que estão iniciando na carreira da música. Outra idéia que resultaria em diversão e grande arrecadação de impostos é criar no interior do nordeste, em uma área isolada uma Las Vegas brasileira, senhores, não vamos ter preconceito ou discriminação com jogos e azar. As pessoas as vezes viajam para outros países e jogam neles, porque não usar isso em nosso país? Criando uma cidade como Las Vegas em pleno sertão, teríamos grande quantidade de empregos, que, poderiam ser parte deles para os próprios moradores do estado, uma cota, para ajuda-los. Teríamos uma população que teria diversão, uma nova cidade no meio de nada como Las Vegas nos Estados Unidos da Ámerica, que surgiu do nada com esse proposito, acredito que, idéias boas devem ser copiadas para o bem maior da nação. E os impostos seriam muito grande devido aos jogos turismo internacional e nacional.

Algumas informações pertinentes a meu respeito. Eu já tentei colocar essas idéias em prática, ou divulga-las no Ceará... fui preso, levado a um hospital psiquiátrico como os dissidentes políticos da URSS (já que estamos em um governo de esquerda...), enfim, apanhei, voltei, apanhei, voltei durante 3 anos. Arrumei confusão com a mídia, estudantes cretinos das federais (nem todos são assim...), CEFETS, hoje, volto a ativa mais sem brigas porque amo as forças armadas e meu país, meu povo e não vou bater em nenhum soldado, oficial a minha luta será através da greve de fome, na frente de um quartel do exército, mesmo que seja muito difícil para mim, afinal sou gordo (risos).

Lembre-se senhores, vocês, são os heróis da nação mais infelizmente a corrupção, esquerda e mídia controlada por esses dois grupos colocaram heróis como violões. Acredito, que vocês ainda não fizeram nada contra essa desgraça que se instalou em nosso país, porque, tem receio devido o que foi dito sobre vocês no regime militar. Senhores, sou professor de história, sei perfeitamente que existiam pelo menos 2 grupos terroristas em nosso país querendo realizar uma revolução do proletariado, como a liga camponesa de Francisco Juliano e os 11 de Leonel Brizola.

Senhores, vocês foram heróis, mesmo que, nas próprias forças armadas exista aqueles que digam que não foi um ato heróico a contra-revolução, eu como professor e brasileiro afirmo que vocês são: HERÓIS! Salvaram o país de um regime de terror, AGORA, senhores é preciso lutar por nossa nação, vocês fizeram um juramento de proteger o país contra ameaças internas e externas, senhores, vocês devem lutar pelo país, combater essa corrupção, somente os senhores podem fazer mudanças efetivas no país. A sociedade pode não acreditar em vocês, dizer que são vilões não acreditem nisso, atos falam mais do que palavras, então, lutem, LUTEM POR UM PAÍS MELHOR E PARA GLÓRIA DA NAÇÃO E DAS FORÇAS ARMADAS!

BRASIL ACIMA DE TUDO!

Victor Rafael Herzog Pinto
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Uma das coisas que salta aos olhos ao se ler a carta de Victor Rafael é, primeiramente, uma tremenda confusão mental. É muito difícil apreender as ideias que Victor defende, e é ainda mais difícil estabelecer entre elas um nexo do qual se possa extrair um norte ideológico. Num segundo momento, o que se pode observar é uma mistura de planos mirabolantes que poderiam levar o Brasil e desenvolver-se em uma grande potência. O foco num suposto protagonismo das Forças Armadas nesse sentido é patente, e permeia toda a carta de Victor um nacionalismo irracional, pernicioso mesmo, do tipo que pode se desenvolver em algo perigoso. Victor Rafael parece o exemplo de uma pessoa mentalmente confusa e instável que pode vir a se tornar um ameaça real.

No entanto, ele não é o único. A instabilidade de Victor é algo que foge ao controle, que se transforma em uma intolerância sem amarras que pode ter o mesmo efeito de uma granada de fragmentação, atingindo letalmente a todos que porventura se encontrem no seu raio de explosão. Mas há aquela instabilidade amarrada, controlada e meticulosamente alimentada, e que, ainda por cima, se traveste de ideário respeitável, de luta democrática. Esta, ao contrário da instabilidade de Victor, desenvolve-se numa intolerância direcionada a alvos específicos e tem o potencial letal de um atirador de elite.

Apesar do comportamento deplorável de Victor, registrado no vídeo acima, gostaria de fazer uma pergunta: ele falou alguma coisa errada com relação ao Socialismo? Os governos soviético e maoísta não foram os maiores trituradores de gente da história humana? O Socialismo, em todas as suas vertentes – marxismo-leninismo, nacional-socialismo, maoísmo, kimilsonguismo, castrismo, Khmer vermelho –,  não foi responsável pelo assassinato de mais de 100 milhões de seres humanos? Não há nenhuma mentira, muito menos exagero, nessas informações. Doa a quem doer, a verdade é que o Socialismo foi (e continua sendo) uma das maiores desgraças que a mente humana foi capaz de conceber. Nisso, Victor Rafael está absolutamente correto.

Há anos, vive-se um clima de sectarismo político na Universidade de Brasília. As pessoas que ousam contestar o status quo ideológico sofrem toda sorte de perseguição, da mais velada e sutil à mais cruenta e explícita. Quando assassinos contumazes e terroristas assumidos são tidos como heróis, quando ódios de classe e de gênero são levantados como bandeiras políticas, certamente temos um forte indício de que a intolerância é não apenas abraçada, mas divinizada. Num ambiente assim, a dissensão se torna motivo de ataque, de supressão, e não oportunidade de diálogo. Essa atmosfera sectária se torna propícia para que ocorram fatos grotescos como esse. Assim como o comportamento de Victor foi bizarro (ainda que compreensível), a reação (ainda que igualmente compreensível) a seu comportamento foi igualmente asquerosa.

Por isso mesmo seria um erro crasso apontar Victor Rafael como sendo o único culpado por essa cena vergonhosa. Ele é um produto perigoso da intolerância – assim como os que o chamaram de fascista (a palavra mais fácil de se arrancar de um esquerdista quando questionamos sua pretensa superioridade moral). Isso não o exime de culpa, evidentemente, mas nos ajuda a compreender como manifestações como essa podem ocorrer em um ambiente considerado plural e democrático. Quando tentam calar à força a voz de qualquer pessoa por suas convicções políticas, ou quando essas convicções servem de motivo para se recorrer à violência, não se pode falar em ambiente plural e democrático. E toda a comunidade da UnB é, sim, responsável por essa situação.

Agora eu pergunto: o que é que você está fazendo para tornar a UnB um lugar plural de verdade?

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O Conservadorismo Americano e a Igreja Católica

John Caiazza
Modern Age, Vol. 52, n. 1 – Inverno de 2010


A relação entre o movimento conservador moderno e a Igreja Católica nos Estados Unidos está começando a ser compreendida agora. Apesar da evidência de uma relação estreita entre Catolicismo e Conservadorismo, a Igreja é quase sempre considerada uma instituição esquerdista, enquanto a Igreja Católica nega oficialmente qualquer conexão inerente a qualquer partido político ou ideologia. Ainda assim, a conexão entre o Conservadorismo americano e o Catolicismo é muito mais forte do que normalmente se entende, tanto que a Igreja pode ser melhor entendida mais como uma instituição conservadora do que esquerdista.

As origens católicas do Conservadorismo americano

Um dos fatos ignorados acerca do movimento conservador moderno é o papel imprescindível dos católicos [1]. De fato, é quase possível crer que o movimento conservador nos Estados Unidos é um movimento
amplamente católico, mas isso seria superestimar a influência dos católicos. O movimento conservador não era uma tentativa explícita de católicos leigos ou da própria Igreja de construir um movimento ou braço para obter influência política para a Igreja Católica (ao contrário da Moral Majority [2], que foi uma clara tentativa de se criar uma facção secular e se obter influência política direta para o Protestantismo evangélico). A Igreja Católica nos Estados Unidos, ao contrário com a Igreja na Europa, não se aliou oficialmente a nenhum partido político ou movimento ideológico, respeitando a separação americana entre igreja e Estado. Na verdade, a influência católica tende a ser mais difusa, representando a grande variedade de opiniões políticas de seus membros.

Os maiores representantes do Catolicismo no movimento conservador, bastante conhecidos pelos leitores desta revista, são William F. Buckley e Russell Kirk, os fundadores de National Review e Modern Age, respectivamente. Buckley era um católico de berço que freqüentou uma escola confessional católica inglesa. Ele possuía uma forte visão tradicional da Igreja e era um opositor da Missa em língua vernácula resultante do Concílio Vaticano II (CV-II) [3]. A National Review tratava diretamente e com freqüência de questões católicas, sendo conhecida tanto por ter atacado as encíclicas do Papa João XXIII quanto pelas críticas à neo-marxista Teologia da Libertação, que emergiu na América Latina [4]. Russell Kirk, cujo livro The Conservative Mind foi publicado em diversas edições, encorajou fortemente uma forma tradicionalista de pensamento conservador. Era católico converso, mas já havia estabelecido sua filosofia conservadora quando ingressou na Igreja [5]. Enquanto Buckley representa a influência dos católicos de berço cujas crenças religiosas os fizeram críticos agudos do desenvolvimento político e social americano pós-Segunda Guerra, Kirk representa os conservadores católicos que ingressaram na Igreja por razões pessoais de fé, certamente, mas também porque seu conservadorismo estava explícita e fortemente representado na Igreja Católica. A presença de um grande número de católicos de berço no movimento conservador e a tendência de conservadores em se converterem em católicos levanta a questão: qual é o nexo entre Catolicismo e Conservadorismo?



William F. Buckley

Existe um grande elo entre Catolicismo e Conservadorismo, e isso pode ser observado sob cinco aspectos. Primeiro, há o respeito pela tradição, ou seja, o postulado burkeano de que qualquer instituição social vigente por um longo tempo e servindo bem às pessoas possui certo poder sobre nós. A Igreja Católica contribuiu de modo essencial e distinto para a civilização ocidental nas artes, na literatura, na música, na teologia, na filosofia e – não menos importante – na divulgação do evangelho cristão, que teve um efeito civilizatório sobre muitos povos da Europa, sobretudo aqueles originalmente chamados de  “bárbaros.

Segundo, há um realismo moral intrínseco às doutrinas e práticas da Igreja que pressupõe a existência e a distinção reais entre bem e mal. Enquanto a ordem do mundo europeu colapsou durante o século XX sob o peso de guerras totais e movimentos totalitários, bem e mal foram relegados ao posto de antigas idéias facilmente descartáveis ante o massacre do puro poder político. A contínua defesa da existência de uma ordem moral objetiva, por parte da Igreja Católica, parece, portanto, providencial e salutar.

Terceiro, havia uma política de anti-comunismo, que foi particularmente notável após a Segunda Guerra, quando a Igreja apoiou partidos de centro e centro-esquerda na Itália e na França em oposição a partidos comunistas. Nos Estados Unidos dos anos 1950, figuras como o Bispo Sheen [6] e o Cardeal Spellman [7] opuseram-se vigorosamente ao Comunismo; um resultado desconcertante do CV-II foi a mudança efetiva da Igreja de uma política anti-comunista para uma política anti-anti-comunista.
 


Bispo Fulton Sheen

Quarto, a Igreja Católica fornece um exemplo primário de uma instituição que sobrevive na história não porque permanece estática, mas porque muda gradativamente ao longo do tempo, acomodando-se a novas circunstâncias enquanto retém sua identidade essencial. Assim, os efeitos confusos do CV-II contribuíram para uma aparente mudança radical na Igreja e um doloroso teste de fé para muitos católicos conservadores. Alterações na ordem da Missa e a reversão da política anti-comunista causaram uma discórdia especialmente severa.

Finalmente, e apelando especialmente para os intelectuais conservadores, está a defesa, pela Igreja, da lei natural, que é consoante à doutrina dos direitos naturais fundada pela prática do direito americano e escrita na Declaração de Independência, que se refere à  “natureza de Deus
como sendo a fonte dos direitos e de uma ordem moral implícita, de acordo com a qual as ações dos agentes políticos podem ser justa e racionalmente julgadas [8].

Isso não significa que o Catolicismo e o Conservadorismo americano são compatíveis em tudo. A tradição conservadora americana é diversa, tendendo especialmente para o princípio da liberdade pessoal face a controles estatais. A tradição católica é comunitária e familiar, vendo o indivíduo como algo ligado a uma rede de conexões sociais e responsabilidades cuja origem é divina. Esse comunitarismo contradiz fortemente o individualismo que compõe inerentemente a cultura americana, como expressa em especial a vertente libertária do conservadorismo contemporâneo. Anteriormente, o magistério católico havia criticado a doutrina dos direitos individuais; isso, entretanto, está mudando. Desde o CV-II, os documentos oficiais da Igreja defenderam a liberdade de consciência individual para defender a religião em lugares onde a Igreja é constantemente perseguida, como na China, ou onde o culto cristão é bastante restrito, como nas nações islâmicas [9].

Outro ponto semelhante de desacordo refere-se ao capitalismo de livre mercado. Teólogos católicos continentais há muito nutrem uma animosidade sobre a organização social  “anglo-saxônica
da Inglaterra e dos Estados Unidos com sua ênfase na liberdade política e no desenvolvimento monetário [10]. Isso pode ser apenas um preconceito cultural, mas, na verdade, a doutrina social da Igreja não se sente à vontade com uma forma irrefreada de capitalismo na qual não há nenhuma rede reaganiana de segurança (pelo menos) para aqueles que não se beneficiam diretamente do livre mercado. A doutrina católica advogava a promoção da solidariedade comunal com algumas garantias de moradia e dividendos para todos, e de uma perspectiva católica, a filosofia do capitalismo desenfreado eleva o livre mercado como um falso ídolo. Novamente, entretanto, as atitudes católicas estão mudando para uma posição mais conservadora; a última encíclica social do Papa João Paulo II aprovou o livre mercado como uma maneira eficiente de estabelecer preços e alocar recursos, e proeminentes leigos católicos, como William Simon e Michael Novak, defenderam que o livre mercado é compatível com o pensamento católico [11].

A Igreja esquerdista

Enquanto não há nada nos documentos do CV-II que liga explicitamente o Catolicismo à filosofia social esquerdista, liberais e progressistas se valeram do Concílio para promover seus programas e filosofias dentro da Igreja. O CV-II urgiu pela participação dos leigos no mundo, de modo que a mensagem cristã pudesse espalhar-se por todos os âmbitos da sociedade. Sem o devido delineamento dos bispos que participaram do Concílio e sob cuja supervisão seus documentos foram escritos, foi automaticamente interpretado que as reformas conciliares significavam um ativismo social semelhante ao promovido por esquemas e agendas de esquerda. Os bispos, incluindo os papas que iniciaram o Concílio, João XXIII e Paulo VI, não desconfiavam de quão rapidamente essas mudanças deixariam a Igreja sob a pressão de diversos libelos da esquerda, incluindo feministas, pacifistas, especialistas em liturgia, radicais anarquistas e defensores da expansão do estado de bem-estar [12]. Autoridades da Igreja foram surpreendidas por alguns fatos até que se viram obrigadas a puxar as rédeas e restabelecer as linhas de autoridade, como aconteceu sob os papas João Paulo II e Bento XVI.


Papa Paulo VI

Uma das reformas do CV-II foi conferir um maior grau de autoridade e independência aos conselhos nacionais de bispos católicos, fazendo com que não mais precisassem esperar por diretrizes do Vaticano [13]. Nos Estados Unidos, os bispos fizeram política em seus encontros anuais e utilizaram a burocracia da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) para promulgar essas políticas e fazê-las serem aplicadas. Uma vez que tanto os encontros anuais quanto a USCCB são sediados em Washington, D.C., isso contribuiu para que a Igreja se tornasse um grupo de lobby do Dupont Circle [14] promovendo uma agenda esquerdista em praticamente todas as áreas de políticas públicas e assuntos internos e externos [15]. Todavia, as políticas da USCCB, que pretendem  “compartilhar a doutrina social da Igreja, têm atraído a oposição de conservadores católicos que e outros críticos que não apenas possuem uma visão ideológica distinta desses assuntos, mas que também possuem mais conhecimento sobre tais assuntos do que a equipe do USCCB que escreve a faz lobby dessas políticas. A única exceção à orientação esquerdista adotada pela USCCB encontra-se na área de sexo e reprodução, incluindo aborto, casamento gay, clonagem e pesquisas com células-tronco.

A idéia de que a Igreja tornou-se politicamente esquerdista e progressista foi encorajada pelos escritos dos dois papas que supervisionaram o CV-II. João XXIII promulgou duas importantes encíclicas e, como mencionado acima, Mater et Magistra, em particular, foi criticada pela National Review. É verdade, todavia, que essa encíclica era um ensaio sensível sobre a doutrina social católica tal qual havia sido desenvolvida até aquele tempo, e pareceu que a crítica conservadora focava mais seu tom utópico ou sua intenção presumida do que seus postulados específicos. Paulo VI, por outro lado, em seu documento (não é uma encíclica) Populorum Progressio expressou uma profunda preocupação pela justiça no Terceiro Mundo e condenou as políticas econômicas do Primeiro Mundo [16]. Não apenas progressivas, mas radicais dimensões da doutrina social católica foram rapidamente desenvolvidas pela Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM), que empregou explicitamente linguagem e temas marxistas para denunciar o capitalismo americano. Uma importante contribuição da CELAM foi promover a doutrina da opção preferencial pelos pobres, que num instante tornou-se o padrão usual pelo qual políticas econômicas e sociais eram julgadas e promovidas pelos bispos americanos e pela USCCB [17].

Papa João XXIII

Os bispos promulgaram, nos anos 1980, uma carta pastoral intitulada “Justiça Econômica para Todos”, que deveria ser um guia para a ação social católica em audiências públicas sobre questões econômicas, uma nova maneira de se fazer as coisas [18]. Apesar do modo aberto com o qual opiniões eram buscadas e a importância do tópico, a carta foi um desastre, uma vez que era basicamente um documento coletivo com uma tendência geral para reformas sociais e econômicas progressistas, mas cujas recomendações não possuíam nenhum sentido consistente. Ao contrário de uma carta pastoral anterior sobre a guerra nuclear, a carta sobre economia não surtiu efeito em âmbito nacional.

As políticas sociais de esquerda defendidas por católicos liberais depois do CV-II foram tão influenciadas pelo pensamento esquerdista contemporâneo quanto pelos Evangelhos. A opção preferencial pelos pobres reflete o argumento do filósofo político esquerdista John Rawls [19] de que desigualdades econômicas e sociais só podem ser justificadas por seu efeito positivo nos mais pobres da sociedade [20]. É importante notar que essa opção preferencial marca uma divergência significativa com a preocupação pregressa da Igreja conforme refletida nas encíclicas sociais de papas anteriores. O objetivo dessas encíclicas era fornecer um argumento moral em favor dos trabalhadores e suas famílias, que eram vistos como menos poderosos do que os donos de fábricas e empresas comerciais que os empregavam. Em meio ao processo de rápida industrialização, a Igreja estava ansiosa por proteger aquelas pessoas que, em larga escala, haviam deixado suas fazendas para se tornarem operárias nas grandes cidades [21]. A opção preferencial pelos pobres, no entanto, substituiu a preocupação da Igreja por trabalhadores produtivos por aqueles que estão nas últimas camadas sociais e não podem contribuir para ela. Assim sendo, a Igreja, co efeito, deu as costas aos trabalhadores e cidadãos de classe média, que parecem não mais necessitar de sua defesa. Parece agora que, ao defender a opção preferencial pelos pobres em uma era de expansão global de uma economia industrial capitalista, a Igreja deseja atrair atenção àqueles que não podem participar dessa expansão. Defensores católicos da doutrina social progressista nos Estados Unidos tendem a igualar a opção preferencial pelos pobres diretamente à expansão dos benefícios do estado de bem-estar e devem ter achado desconcertante quando o Papa João Paulo II, em sua última encíclica social, declarou que a  “assistência social do Estado
, ou seja, o estado de bem-estar, não era um reflexo na preocupação evangélica pelos pobres, e que o livre mercado era um meio de distribuição mais valioso [22]. 

John Rawls

O perigo da influência esquerdista sobre a Igreja Católica pode ser visto em seus efeitos. Primeiro, a promoção do engajamento social como uma vocação cristã preferencial após o CV-II resultou, por um lado, no abandono da vocação por parte de muitos sacerdotes e religiosos, e, por outro, no declínio de novas vocações, das quais a Igreja depende para sua existência. Ativismo social supera a dedicação sacramental na igreja esquerdista. Segundo, fiéis liberais, tanto homens quanto mulheres, duvidam da legitimidade da idéia de que a Igreja é uma instituição fundada por Deus, e argumentam que a Igreja deveria cultivar uma idéia mais humilde de si mesma. Os liberais opõem-se por princípio ao suposto triunfalismo da Igreja e pensam que a única atitude suficiente para reparar o anti-semitismo católico é adotar um grau de auto-abnegação equivalente a um suicídio institucional [23]. Há, na igreja esquerdista, um espírito de anti-autoridade geral que vai além do mero ressentimento das atitudes de império de padres e prelados na igreja imigrante. Ou melhor, é uma atitude que nega ou procura menosprezar a relevância das normas históricas e das estruturas institucionais presentes na Igreja. O absolutismo de regras morais, o sacerdócio masculino, a existência do Inferno, e a autoridade papal são atacados como se nenhum impedimento a reformas radicais na Igreja ou restrições a quaisquer crenças ou comportamentos individuais fossem aceitáveis. A existência da Igreja Católica em sua forma histórica é vista pelos liberais como um impedimento à consecução da verdadeira liberdade e da perfeição terrena.

A Igreja conservadora

Não demorou muito para que ocorresse uma reação contra os liberais que dominaram e instituíram as reformas, primeiro por padres e leigos católicos tradicionalistas, mas subseqüentemente a nível de papado [24]. A ascensão de João Paulo II ao papado parece providencial nesse sentido. Críticos liberais enxergavam-no como uma figura reacionária, ainda que João Paulo II e seu sucessor, Bento XVI, não estivessem voltando o relógio da Igreja para o período pré-Vaticano II. Ao contrário, esses dois papas estavam fazendo avançar os reais objetivos do CV-II, pois a eles parecia que os efeitos do concílio haviam ido longe demais. João Paulo II e Bento XVI não são totalmente reacionários, mas representantes de uma reação termidoriana [25] eclesial lutando contra os excessos das reformas pós-conciliares e tentando trazer a Igreja de volta à forma originalmente pensada pelos padres conciliares. Nunca foi intenção dos bispos do concílio abolirem antigas tradições católicas, e dentre essas reformas há um enorme desejo de que o antigo Rito Tridentino (a Forma Extraordinária) da Missa permanecesse disponível àqueles que o quisessem, e, nos últimos tempos, introduzir breves seções de latim na Missa vernacular (a Forma Ordinária ou Novus Ordo); católicos favoráveis à reforma litúrgica enxergam isso como uma completa reviravolta ao invés de uma acomodação. No entanto, João Paulo II esmagou pesadamente o movimento pelo sacerdócio feminino mesmo quando, triunfante, perambulou pelas maiores cidades do mundo.

Papa João Paulo II e o cardeal Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI)

Durante seu longo papado, João Paulo II escreveu e enviou ao mundo uma grande quantidade de escritos que tratando não apenas de questões espirituais, mas também culturais, políticas e econômicas. Houve importantes encíclicas se opondo ao relativismo moral e epistemológico, e outra sobre a relação da fé com a razão direcionada a teólogos católicos, mas também de interesse direto para filósofos e intelectuais preocupados com essa questão [26]. Houve outros escritos, mas foi por sua própria presença como líder carismático, que freqüentemente ofuscava os políticos com os quais se encontrava, que João Paulo II foi influente, reavivando a confiança de muitos católicos em sua fé e, não incidentalmente, inspirando muitos jovens católicos a se tornarem padres. Foi por sua presença carismática que ele inspirou o movimento Solidariedade na Polônia, e sua manobra conspiratória com Zbigniew Brzezinski (também polonês de berço), o movimento trabalhista americano, e o presidente Reagan foi decisiva para solapar os regimes comunistas na Polônia e no leste europeu – e, eventualmente, na própria Rússia [27]. O papado de João Paulo II foi enormemente influente, uma vez que reavivou o senso de tradição católica e cumpriu a política anti-comunista da Igreja na Europa.

Há uma igreja conservadora semelhante que consiste em instituições educacionais, editoras e uma rede de televisão que coexiste com a igreja esquerdista. Dentre elas há faculdades, incluindo University of Dallas, Fraciscan University of Steubenville, Ave Maria College and Law School, e Thomas More College, a maior parte sendo instituições recentes fundadas por leigos com tendências tradicionalistas ou conservadoras (Thomas More e outras faculdades tradicionalistas são freqüentemente propagandeadas pela National Review). Essas faculdades produzem mais sacerdotes e religiosos dentre seus alunos, absoluta ou relativamente, do que faculdades e universidades católicas mais antigas e melhor estabelecidas. Há diversos diários católicos conservadores, incluindo Crisis (antigamente Catholicism Crisis), fundado por Ralph McInerny e Michael Novak, enquanto o National Catholic Register é a contraparte tradicionalista semanal do esquerdista National Catholic Reporter. Ignatius Press, fundada por Joseph Fessio, S.J., é a maior fornecedora de livros, Bíblias, DVDs e gravações de áudio para a igreja conservadora. O elemento mais visível e ímpar da igreja conservadora é a Eternal Word Television Network (EWTN), fundada por uma freira carismática, Madre Angelica, e diretamente financiada por seus telespectadores. A EWTN transmite 24 horas por dia, 7 dias por semana, e produz a maior parte de sua programação em Irondale, Alabama.

Madre Angelica
 
A Igreja Católica nos Estados Unidos compartilha algumas tendências religiosas e culturais com o Protestantismo em suas variadas formas. Uma dessas tendências é enxergar a necessidade de restaurar os valores tradicionais e opor-se à recente secularização da política americana, algo defendido também por protestantes tradicionalistas e evangélicos. Conservadores católicos e protestantes tradicionalistas têm unido forças em questões sociais, como o aborto e a sexualização da mídia, e cristãos tradicionalistas de todas as denominações receberam entusiasticamente o filme  “A Paixão de Cristo de Mel Gibson [28]. Protestantismo e Catolicismo, que têm se digladiado ao longo da história, encontraram-se em pleno acordo em face da secularização e do relativismo moral, uma combinação de forças que tem fornecido apoio significativo para o movimento conservador nos Estados Unidos.

A Igreja Católica dividida

O dilema do Catolicismo americano é uma situação de profundo conflito entre aqueles caracterizados como esquerdistas, liberais ou progressistas, de um lado, e os direitistas ou conservadores do outro. Esse racha interno afeta a maneira como a doutrina é interpretada e compreendida, o modo como os católicos praticam sua religião individualmente, e suas opiniões sobre política, cultura, e o papel da Igreja na arena pública. É possível, até mesmo provável, que um católico conservador irá discordar de um comunicado que os bispos católicos americanos emitem através de sua organização oficial, a USCCB [29]. Por outro lado, é também provável que um católico esquerdista discordará de pronunciamentos e políticas papais que contradigam o  “espírito
do Vaticano II, que, não obstante indefinido, pareceu prometer uma maior liberdade de opiniões e ações dentro da Igreja. É possível tanto a um esquerdista quanto a um conservador ser um  “bom católico, ou seja, ir à Missa regularmente, ser leal à Igreja e tentar obedecer aos Mandamentos. No entanto, é quase certo que os liberais irão escarnecer práticas católicas tradicionais, como a adoração eucarística e o rosário, ou devoções a santos específicos como Teresa de Lisieux [30], e apoiar a ordenação de mulheres para o sacerdócio. A mentalidade esquerdista tende a fazer a religião católica se focar em sua preocupação com os pobres e no ativismo social, enquanto menospreza expressões tradicionais sobre os males do pecado e a necessidade de reparação. Nas Missas católicas de hoje, é comum que quase todos os fiéis recebam a Comunhão mesmo que poucos se confessem, uma situação anômala que resulta mais da apologética do  “sentir-se bem dentro da Igreja do que de um aumento decisivo na santidade da maioria dos católicos. A mentalidade conservadora se mantém viva à idéia de existência do mal no mundo e à necessidade de combatê-lo, e é particularmente alimentada pela presença do aborto, que é visto como um pecado escandaloso na sociedade americana contemporânea. Católicos conservadores participam de devoções tradicionais e tendem a ver favoravelmente a Forma Extraordinária da Missa.

Nos anos 1980, o Cardeal Bernardin [31], de Chicago, propôs uma solução do tipo  “túnica inconsútil
para as divisões entre as tramas esquerdista e conservadora da Igreja [32]. A proposta de Bernardin buscou aplicar a energia do movimento anti-aborto, que caracteriza a igreja conservadora, às questões sociais mais amplas da igreja esquerdista. Assim, pobreza, preconceito, meio-ambiente e desigualdades de moradia e educação seriam incluídas como questões de  “vida, na esperança de que o mesmo grau de intensidade espontânea que católicos devotos trazem à questão do aborto fosse aplicado a essas questões sociais. O apelo da túnica inconsútil não pegou, ainda que as questões sociais mais amplas sejam utilizadas na retórica institucional da Igreja como  “questões de vida. A principal razão para sua falha parece ser não tanto a resistência à justiça social dentre os católicos conservadores, mas um resultado de sua maior preocupação acerca do aborto. A defesa feroz dos direitos de aborto na cultura secular reflete uma sensibilidade geral que dessacraliza a vida humana e tem sido expandida para a pesquisa com células-tronco embrionárias, clonagem, eutanásia e suicídio assistido. Movimentos aliados incluem a legalização do casamento homossexual e uma sexualização tão intensa da cultura popular que mesmo críticos seculares têm noticiado-a e condenado-a [33]. O poder desses movimentos seculares e imorais dentro da sociedade americana apresenta um perigo claro e presente de acordo com a moralidade católica, e choca a consciência dos católicos (e muitos outros) mais do que desigualdades de moradia e renda.

É freqüente a acusação de que os católicos hoje em dia são  “católicos de cafeteria, aceitando aquelas práticas e doutrinas da Igreja que pessoalmente aprovam e negligenciando ou ignorando aquelas que não aprovam. Essa pecha parece ser imputada igualmente tanto aos liberais quanto aos conservadores no seio da Igreja – estes ignorando a Igreja quanto a pobreza, justiça social e pena capital, aqueles ignorando a Igreja quanto a aborto, moral sexual e autoridade. No entanto, a pecha aplica-se mais claramente aos liberais, uma vez que a imoralidade do aborto é ponto pacífico, assim como o homossexualismo e a coabitação sem o sacramento do matrimônio, enquanto a Igreja Católica, tanto histórica quanto doutrinariamente, defendeu a autoridade dos bispos e do Papa. Por outro lado, a posição conservadora quanto à pobreza não nega a missão central dos cristãos em ajudar os pobres, mas questiona como isso deve ser feito. Soluções do estado de bem-estar para a pobreza, questões de saúde e desigualdades sociais chocam-se com uma forte oposição conservadora, o que confere uma falsa impressão de que os conservadores são indiferentes ao sofrimento. Conservadores confiam em soluções do livre mercado para problemas sistêmicos na economia e enfatizam a obrigação pessoal de ajudar os pobres que conhecemos e dentre os quais vivemos ao invés de apoiar programas governamentais maciços cuja ineficiência e desperdício são notórios (Dorothy Day [34], uma heroína do Catolicismo esquerdista, opôs-se aos programas de bem-estar de Franklin Roosevelt e Lyndon Johnson [35]). No tocante à pena de morte, de acordo com o Catecismo da Igreja Católica, sua imposição é permitida, ainda que critérios significativos devam ser preenchidos para que a pena de morte seja administrada licitamente [36]. 

Dorothy Day

Através da USCCB e de sua Campanha para o Desenvolvimento Humano, a Igreja promove institucionalmente o que parece ser uma agenda esquerdista e freqüentemente exerce sua considerável influência em prol de programas governamentais liberais. Essa atuação se converte em apelo às elites liberais, que constantemente propagandeiam seu senso de compaixão pelos mais pobres e alienados, mas nos Estados Unidos, assim como em outras nações desenvolvidas ao redor do mundo, as elites liberais tendem a ser explicitamente seculares ao ponto de excluir a religião de seus horizontes [37]. Enquanto liberais seculares podem aceitar a ajuda da Igreja no lobby para aumentar a quantidade de cupons de comida ou arrefecer as regras de imigração, essas mesmas elites promovem com a mesma (se não maior) intensidade o casamento gay, o aborto e a pesquisa com células-tronco embrionárias. Assim, qualquer apelo às elites liberais seculares é deficiente, uma vez que legitima posições que a Igreja considera imorais, mesmo quando a igreja esquerdista recusa a pedir apoio para entidades financeiras, empresariais ou comerciais.

Abraçando o  “Conservadorismo Interior
da Igreja

O conflito entre liberais e conservadores dentro da Igreja resulta em mensagens confusas emitidas pelos bispos, tanto que a maioria dos católicos votou em Barack Obama na última eleição presidencial, mesmo apesar de ele ser um firme defensor dos direitos de aborto. Uma das causas do grande voto católico em Obama foi um documento divulgado pelos bispos intitulado  “Consciência e Seu Voto
, no qual encorajaram eleitores católicos a considerar as posições dos candidatos em outros assuntos que não fossem o aborto para decidir a respeito de seus votos [38]. O documento secundou um argumento esquerdista comum dentro da Igreja de que o aborto não pode ser a preocupação principal ao se votar em um candidato. O dilema para bispos e católicos liberais é que candidatos políticos que são  “pró-vida são quase sempre conservadores em questões como bem-estar, moradia, imigração, pena de morte e guerra, de modo que tornar o aborto a preocupação decisiva resulta efetivamente no apoio institucional da Igreja a candidatos do Partido Republicano.

Outro conflito entre liberais e conservadores da Igreja advém da Campanha para o Desenvolvimento Humano, o braço oficial da Igreja que apóia a ação direta a la Saul Alinsky [39] para acabar com a injustiça social. O apelo anual feito nas Missas dominicais ao redor do país para apoiar a CDH encontraram uma resistência maior que a esperada esse ano em virtude da revelação de que a CDH estava repassando recursos para a ACORN [40], que recentemente foi acusada de se envolver em fraude eleitoral sistemática. Um sacerdote local distribuiu a nota de desagravo emitida pelo bispo Morin sobre as relações entre a CDH e a ACORN, mas adicionou sua própria recomendação de que deixava às consciências individuais dos membros de sua diocese se deveriam ou não contribuir para a campanha anual da CDH [41].

Saul Alinsky

A exceção à agenda esquerdista da USCCB são as questões envolvendo sexo e reprodução, mas no presente contexto isso não é visto meramente como uma exceção genérica ao esquerdismo dentro da Igreja: é uma exceção desqualificante. Não importa quão progressista ela possa ser em questões como pobreza e imigração, a oposição da Igreja ao aborto, ao casamento gay, à clonagem, à pesquisa com células-tronco embrionárias, à fertilização in-vitro e à eutanásia, bem como sua recusa em ordenar mulheres ao sacerdócio, significa que, no contexto da cultura secular americana, a Igreja Católica será inevitavelmente vista como não-progressista. Ao contrário, a Igreja continua a ser vista como uma força retrógrada por pessoas de tendência progressista, incluindo aquelas dentro da Igreja.

Culturalmente, a Igreja continua a ser vista como um baluarte de conservadorismo social em suas doutrinas e práticas, a última resistência institucional ao relativismo moral e à absoluta liberdade pessoal dentro da cultura americana. Isso atrai uma oposição de tal monta que se converte em uma nova forma de anti-Catolicismo americano. A fonte original do anti-Catolicismo americano foi a doutrina protestante e o sentimento anti-imigração, cuja maior parte foi sendo vencida à medida que a população católica se integrou à sociedade americana. A nova forma de anti-Catolicismo é baseada nas doutrinas da Igreja sobre sexo e reprodução, bem como em sua declaração explícita de que existe um códice moral objetivo embasado na inspiração divina [42]. O novo anti-Catolicismo é ideológico e baseado na crença progressista em uma autonomia pessoal completamente dissociada de qualquer elo social e na oposição a qualquer autoridade punitiva que pretenda impor controle social e promover um padrão moral público. As tentativas católicas de influencias a cultura com referência a uma ordem moral objetiva foram seriamente solapadas pelo recente escândalo de pedofilia. Mas o conflito permanece, e as políticas explicitamente progressistas da Igreja, promovidas pelo lobby da USCCB e pela agitação da CDH, não conseguem e efetivamente não podem sobrepujar o conservadorismo implícito em suas ações em prol da veracidade de uma doutrina moral inspirada por Deus. Com efeito, a Igreja Católica nos Estados Unidos de hoje é politicamente esquerdista, mas culturalmente conservadora. Todavia, no contexto de aumento da secularização da cultura americana, é seu conservadorismo cultural que irá caracterizar cada vez mais a posição contra-cultural da Igreja Católica nos Estados Unidos.

Aqueles atualmente chamados  “conservadores
dentro da Igreja comumente começaram como defensores das práticas tradicionais da Igreja e suas doutrinas, mas cujo motive não era o de promulgar uma filosofia política conservadora dentro da Igreja. No entanto, como os  “neocons dentro da arena política, eles são freqüentemente chamados de  “conservadores e relegados a um escuro ostracismo pelos liberais dentro da Igreja, ainda que seu centro gravitacional se situe mais em questões religiosas do que políticas ou econômicas (um conhecido pregador franciscano ativo no movimento pró-vida se sentiu compelido a dizer:  “não somos conservadores). Todavia, em questões de aborto, autoridade eclesiástica e promoção de devoções tradicionais, os objetivos desses tradicionalistas religiosos coincidem com a mentalidade conservadora. Mas uma crise se aproxima (de fato, já chegou), e como resultado a Igreja Católica nos Estados Unidos terá que abraçar seu conservadorismo interior, mesmo que isso pareça impróprio para muitos católicos. A Igreja estará melhor, entretanto, se abandonar suas tentativas de apelo aos liberais e exercer uma atitude mais benigna àquelas tradições particularmente americanas de empreendedorismo, independência pessoal, rejeição do grande governo, e os valores da classe média de trabalho duro e tolerância que permitiram à Igreja Católica nos Estados Unidos atingir um grau de integração e sucesso sem par – e que fornece à Igreja Católica universal um modelo de como melhor fazer frente às novas condições da pós-modernidade.

John C. Caiazza é PhD pela Boston University e professor adjunto de Filosofia do Rivier College (Nashua, New Hampshire).
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Notas [N. do A.: do autor; N. do T.: do tradutor]

[1] No entanto, o historiador Patrick Allitt atentou-se para a conexão. Vide Catholic Intellectuals and Conservative Politics in America, 1950-1985 (Ithaca, NY: Cornell University Press, 1993) e The Conservatives (New Haven, CT: Yale University Press, 2009), 180–81, 167, 264–65. [N. do A.]
[2] Organização protestante evangélica de lobby político que atuou nos Estados Unidos de 1979 até fins dos anos 1980. [N. do T.]
[3] Sobre a atitude de Buckley acerca da Missa em latim, vide Rev. George W. Rutler, confessor de Buckley. [N. do A.]
[4] Gary Wills, quando escrevia para a National Review, cunhou o slogan sarcástico da revista sobre Mater et Magistra, “Mater si, Magistra no”. Vide Gary Wills, Confessions of A Conservative (New York: Penguin Books, 1979), 44. [N. do A.]
[5] Kirk publicou The Conservative Mind em 1953 e converteu-se ao Catolicismo em 1964. [N. do A.]
[6] O Servo de Deus Fulton John Sheen (1895 – 1979) foi um arcebispo norte-americano e pioneiro na utilização de meios de comunicação via satélite para pregações religiosas. [N. do T.]
[7] Francis Joseph Spellman (1889 – 1967) foi um cardeal norte-americano que presidiu a Arquidiocese de Nova York de 1939 até sua morte. [N. do T.]
[8] Vide John Courtney Murray, S.J., We Hold These Truths (New York: Sheed and Ward, 1960), que defendeu que a Constituição Americana tivesse uma base na lei natural. No entanto, a teoria da lei natural é menos encorajada hoje pela Igreja do que em 1960, uma vez que tem sido vista como um empecilho no diálogo com outras denominações religiosas; vide Allitt, Catholic Intellectuals, 297. [N. do A.]
[9] O Concílio Vaticano II produziu uma “Declaração sobre Liberdade Religiosa” (Dignitatis Humanae). A declaração está em Walter M. Abbott, S.J., The Documents of Vatican II (New York: America Press, 1966), 672–700, e tem uma introdução por John Courtney Murray, S.J., o jesuíta americano freqüentemente apontado como promotor da Dignitatis Humanae durante os trâmites conciliares. [N. do A.]
[10] Michael Novak, The Spirit of Democratic Capitalism (New York: Simon and Schuster, 1982), 145–50. [N. do A.]
[11] João Paulo II, Centesimus Annus, 49–50. [N. do A.]
[12] Um sumário da agenda esquerdista é fornecido por um de seus defensores proeminentes: “O Vaticano II assinalou uma mudança na guerra da Igreja contra a modernidade... [os] direitos das mulheres, o fim da autocracia patriarcal, a restauração da honestidade simples, a cura do clericalismo, o lugar do laicato, o abandono do narcisismo denominacional na relação com outras igrejas, a afirmação da sexualidade...” James Carroll, Constantine’s Sword (New York: Houghton Mifflin, 2001), 548. [N. do A.]
[13] A autoridade dos bispos locais foi reafirmada pelo “Decreto sobre o Ofício Pastoral dos Bispos na Igreja”. Abbott, Documents of Vatican II, 396–421. [N. do A.]
[14] Dupont Circle é um cruzamento de Washington, D.C., localizado em uma região onde se situam diversos órgãos governamentais. [N. do T.]
[15] Brian Benestad, The Pursuit of a Just Social Order: Policy Statements of the U.S. Catholic Bishops, 1966–80 (Washington, D.C.: Ethics and Public Policy Center, 1982). [N. do A.]
[16] O texto de Populorum Progressio, “Sobre o Desenvolvimento dos Povos,” encontra-se em Joseph Gremillion, The Gospel of Peace and Justice (Maryknoll, NY: Orbis Books, 1976), 387–416. [N. do A.]
[17] A opção preferencial pelos pobres foi primeiramente descrita de modo explícito num documento da CELAM em uma reunião em Medellín (1968), e dada a toda a Igreja na encíclica Octogesima Adveniens, de Paulo VI, em 1971; vide Gremillion, Gospel, 474, 496. [N. do A.]
[18] Conferência Nacional de Bispos Católicos, Justiça Econômica para Todos (Washington, D.C., 1986). [N. do A.]
[19] John Bordley Rawls (1921 – 2002) foi um importante filósofo político americano.
[20] John Rawls, A Theory of Justice (Cambridge, MA: Harvard University Press, 1971), 60–82, descreve um princípio de justiça, o “princípio da diferença”, que estipla que desigualdades numa sociedade são justificadas apenas se elas trabalham para a vantagem dos menos favorecidos. A confiança de Rawls em modelos lógicos formais e econômicos para fazer isso é bem diferente da linguagem exortativa e às vezes profética de bispos latino-americanos e encíclicas papais, mas o ponto é o mesmo: políticas econômicas devem ser direcionadas primeiramente aos pobres. [N. do A.]
[21] A tradição católica de instrução papal sobre problemas políticos e econômicos modernos começou com a encíclica Rerum Novarum (1891), do Papa Leão XIII, e é citada freqüentemente por seus sucessores ao comentar sobre questões sociais e políticas. Vide Papa João Paulo II, Centesimus Annus (1991). [N. do A.]
[22] João Paulo II, Centesimus Annus: sobre o livre mercado (ponto 34); sobre a “assistência social do Estado” (ponto 48). [N. do A.]
[23] 18 Gary Wills, Papal Sin (New York: Doubleday, 2000), 309–11. James Carroll, Constantine’s Sword (New York: Houghton Miffl in, 2001), defende uma “reforma” tão ampla que a auto-identidade da Igreja seria destruída; Carroll, A Call for Vatican III, 547–604. [N. do A.]
[24] George A. Kelley, Battle for the American Church (Revisited) (San Francisco: Ignatius Press, 1995), 10, 11. [N. do A.]
[25] Referência à revolta que deu fim ao Terror, fase mais cruel da Revolução Francesa. Tem esse nome por conta do dia do calendário revolucionário em que ocorreu, 9 de Termidor do ano II (27 de julho de 1794). [N. do T.]
[26] Fides et Ratio (1998). [N. do A.]
[27] George Weigel, Witness to Hope (New York: Harper-Collins, 2001), 441, 445. Weigel afirma categoricamente que não houve “conspiração” entre João Paulo II e Reagan, ainda que seus interesses e visões sobre o Comunismo coincidissem. [N. do A.]
[28] The New York Times (5 de fevereiro 2004), “Some Christians See ‘Passion’ as Evangelism Tool”, por Laurie Goodstein. [N. do A.]
[29] A USCCB foi formada em 2001 pela combinação da Conferência Nacional de Bispos Católicos (NCCB) com a Conferência Católica dos Estados Unidos (USCCO. A NCCB era o braço político dos bispos, função ora exercida sob a autoridade da USCCB. [N. do A.]
[30] Mais conhecida como Santa Teresinha de Jesus. [N. do T.]
[31] Joseph Louis Bernardin (1928 - 1996) foi um cardeal norte-americano e presidiu a Arquidiocese de Chicago de 1982 até sua morte. [N. do T.]
[32] A proposta de “túnica inconsútil” do Cardeal Bernardin, combinando oposição ao aborto e à pena de morte, foi primeiramente chamada por ele de uma “consistente ética pela vida” em um discurso na Fordham University, em 1983. Veja a reação conservadora por Joseph Sobran. [N. do A.]
[33] John Caiazza, War of the Jesus and Darwin Fishes (New Brunswick, NJ: Transaction Publishers, 2007), 154–57. [N. do A.]
[34] Dorothy Day (1897 – 1980) foi uma influente jornalista e ativista social católica dos Estados Unidos.
[35] William D. Miller, A Harsh and Dreadful Love: Dorothy Day and the Catholic Worker Movement (New York: Liveright, 1973), x, xi, 81–84. [N. do A.]
[36] Catecismo da Igreja Católica, ponto 2266. [N. do A.]
[37] O caso da constituição proposta pela União Européia é bem conhecido: em um documento de quinhentas páginas, não há uma única menção às origens cristãs (católica, protestante ou ortodoxa) da civilização européia. Vide Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI) e Marcello Pera, Without Roots, trans. M. Moore (New York: Basic Books, 2006), 35–36. [N. do A.]
[38] http://www.usccb.org/bishops/FCBullinsert.pdf. [N. do A.]
[39] Saul David Alinsky (1909 – 1972) foi um escritor e ativista social norte-americano. É uma das influências políticas de Hillary Clinton. [N. do T.]
[40] A Associação de Organizações Comunitárias por Reforma Já (Association of Community Organizations for Reform Now – ACORN) foi uma ONG de organizações de bairro que trabalhava com registro de moradores para voto, ajudas do governo, assistência médica e outros. [N. do T.]
[41] Relatório do Bispo Roger Morin, presidente da Subcomissão da Campanha Católica pelo Desenvolvimento Humano, sobre a CCDH e a ACORN. [N. do A.]
[42] Vide João Paulo II, Veritatis Splendor. [N. do A.]