quarta-feira, 14 de março de 2012

A ignorância de uma feminista


Para alguém que considera que os homens formam, via de regra, uma espécie de máfia obscura – o tal Patriarcado – que envida todo e qualquer esforço para solapar os direitos das mulheres e dominá-las de todas as maneiras possíveis e imagináveis, talvez seja demais pedir que tenha o interesse e a honestidade intelectual de fazer algumas leituras básicas antes de sair por aí falando asneiras. Entretanto, para aqueles que tem um mínimo compromisso com a verdade, isso não deixa de fazer o sangue ferver.

E é exatamente isso o que acontece ao se ler o mais recente panfleto feminista publicado, com toda pompa e circunstância, no portal da Universidade de Brasília. O texto, intitulado “O Dia Internacional das Mulheres e o ‘caso Eloá’”, foi escrito pela professora Lia Zanotta Machado – que recentemente emprestou seu prestígio de pesquisadora (que deve, em grande parte, aos generosos financiamentos da globalista Fundação Ford) para defender a legalização do aborto numa audiência pública no Congresso Federal.

E de que asneiras me refiro? Bom, a professora Lia, na mesma linha de artigo recente da professora Tania Navarro Swain – (in)felizmente, com um pouco mais de sutileza do que esta –, resolveu torcer um pouco nossa realidade e culpar os conservadores pela violência contra a mulher. Em uma passagem realmente inspiradora, escreve a professora (grifos meus):
De 13 a 17 de outubro de 2008, a população brasileira pôde assistir por televisão e rádio, o desenrolar do cárcere privado e da ameaça de morte de um rapaz de 22 anos contra uma menina de 15 anos. Em fevereiro de 2012, assistiu ao recente julgamento que finaliza com a sentença de homicídio doloso e premeditado. O caso Eloá emocionou a opinião pública, dividida entre a crença de um desejado desfecho positivo, tal como anunciado por vários meios de comunicação, e um desfecho trágico. Tratava-se de uma ocorrência que se dava ao vivo e que instava os sujeitos a se posicionarem. Era difícil aplicar o refrão conservador de que “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”.

Em 13 de outubro, Lindemberg invadiu o domicílio da ex-namorada onde ela e colegas realizavam trabalho escolar, com duas armas e um saco de munições. Às 23h30 de sábado, 18 de outubro, Eloá Pimentel, baleada na cabeça e na virilha, não resistiu e veio a falecer por morte cerebral. No depoimento, Lindemberg admite que levantou a arma quando a ex-namorada teria mentido ao negar que havia beijado outro que não ele. Parecia estar preso a um outro refrão conservador: “se não for minha, não será de ninguém”.
Eu gostaria realmente que a professora Lia Zanotta mostrasse algum nexo causal que indicasse que esses pensamentos fazem parte da mentalidade conservadora, e não da mentalidade brasileira – independente de posicionamento político. Afinal de contas, se assim fosse, não ocorreriam casos como o de Netinho de Paula, cantor e membro do Partido Comunista do Brasil, que agrediu sua mulher. Ora, Netinho é comunista de carteirinha (literalmente), e, portanto, decerto não deveria comungar dos cânones conservadores que a professora Lia tão zelosamente expõe em seu texto. De duas, uma: ou Netinho é um conservador em pele de bolchevique, ou a professora Lia recorreu a uma vergonhosa petição de princípio para provar um ponto de vista sem base.

Uma vez mais, vê-se como a Secretaria de Comunicação da UnB possui um tal alinhamento político que instrumentaliza essencialmente um órgão que, a bem da verdade, deveria dedicar-se à comunicação institucional, não ao jornalismo panfletário. Mas isso já não é nenhuma novidade, certo?

10 comentários:

  1. Muito bom o texto,fica mais uma vez claro a desonestidade intelectual de grande parte dos "professores" universitários.

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  2. Esse tipo de pensamento desnorteado e recalcado imbuído de um falso sentimentalismo ético já se tornou uma epidemia. O que não falta é ver gente incopetente sem nenhum senso profissional ou respeito com os demais em posições de alguma influência pública.
    O pior de tudo é a pretenção arrogante da qual esses meliantes são dotados e julgar-se sempre com a razão.
    Nesse mesmo dia a Voz do Brasil parecia mais um novela do que um jornal, dada a quantia de discursos emotivos.
    Dá vontade de cortar os pulsos ao pensar que teoricamente essas são as pessoas serias do Brasil.
    Lamentavel.

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  3. Parabéns pelo excelente texto, que retrata a forma desonesta e manipuladora, que infelizmente se torna corriqueiro no meio acadêmico dominado pelos oportunistas marxistas de plantão, que sempre distorcem a realidade dos fatos com versões espúrias, que se adequem às suas nefastas e sórdidas causas.

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  4. É muito conveniente para as esquerdas manipularem sentimentos passionais como o despeito, a raiva e o ciúme para fazer o joguinho de destruição ideológica de sempre. O que motivou Lindenberg a cometer o homicídio foi esse tipo de sentimento que nada a ver com ideologias quaisquer (sejam elas conservadoras ou não) mas com a própria complexidade do ser humano em não aceitar a frustração. Agora isso tem partido? Falou, Felipe, gosto do seu trabalho.

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  5. "talvez seja demais pedir que tenha o interesse e a honestidade intelectual de fazer algumas leituras básicas antes de sair por aí falando asneiras" e reparar que Feminismo busca somente a igualdade de gêneros e não 'considerar que os homens formam, via de regra, uma espécie de máfia obscura – o tal Patriarcado – que envida todo e qualquer esforço para solapar os direitos das mulheres e dominá-las de todas as maneiras possíveis e imagináveis'.

    Abraços

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  6. A "igualdade de gêneros" tão apregoada pelas feministas é apenas uma versão sexual da luta de classes. Homens e mulheres possuem dignidade pelo fato de serem pessoas humanas, e ambos devem ser respeitados em sua dignidade humana sem ser submetidos a quaisquer tipos de preconceito ou discriminação. Não é isso que o feminismo busca.

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    1. Feminismo não é o oposto de machismo, machismo visa submeter a mulher. O feminismo visa destruir o machismo e não submeter o homem.

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  7. Parabéns pelo texto. Não vou aqui ser redundante e dizer tudo novamente o que os amigos já disseram e ao meu ver estão totalmente certos. Faltou dizer também da manipulação que a mídia coloca todos os dias em nossas cabeças e que Justiça tem que ser feita pelos meios legais através de um juri (sério) e um tribunal. No caso Eloá assim como Nardoni a Mídia (principalmente a TV Record) investigou e declarou culpado em 3 dias (ou menos) os já citados. Ainda bem que não estamos na Roma antiga onde se jogava aos leões as pessoas. No caso Eloá tudo bem que o menino matou mas lembremos o que aconteceu, quase não ouve julgamento porque a opinião pública massacrou a advogada de defesa (que é um direito constitucional) do Lindemberg. Nada dá realmente o direito de alguém tirar a vida de alguém mas lembremos que a família também colaborou para isso, só lembrando que Lindemberg éra maior de idade e ja mantinha um relacionamento muito sério com uma menor de idade e a família pactuava com esta situação. E porque a opinião pública ou a mídia não levantou estes questionamentos na época? Obrigado pelo espaço...

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  8. Esse texto é de tamanha desonestidade intelectual e falta de nexo que me deixa em dúvida se houve, de fato, desonestidade ou se ele é um caso patente de analfabetismo funcional.

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