sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A Visão de Obama por uma América Espartana



O discurso do Estado da União do presidente Obama foi nojento.

O presidente começou com um tributo comovente às forças armadas e suas conquistas. Mas como fez das outras vezes, ele celebrou as virtudes militares não para prestar apoio aos militares, mas para se vangloriar – ele matou Osama Bin Laden! – e convencer o povo americano de que todos deveriam pôr-se em fila e marchar juntos.

Sobre os militares, ele disse: “Em um tempo em que muitas de nossas instituições nos decepcionaram, eles excederam nossas expectativas. Eles não são controlados pela ambição pessoal. Eles não são obcecados por suas diferenças. Seu foco é a missão. Eles trabalham juntos. Imaginem o que poderíamos alcançar se seguíssemos seu exemplo. Pensem na América ao nosso alcance.”

Isso foi nojento.

O que Obama está dizendo, simplesmente, é que a América estaria melhor se não fosse mais a América. Ele não está defendendo o caráter excepcional da América, mas o caráter excepcional de Esparta.

Isso é muito pior do que qualquer coisa que George W. Bush, o pretenso belicista, jamais disse. Bush, o suposto fascista, não queria militarizar nosso país livre; El tentou usar nossos militares para libertar países militarizados.

Na verdade, Obama está deturpando a real vocação dos militares numa sociedade livre. Nós temos uma força militar para manter a nossa sociedade livre. Não temos militares para que nos ensinem a melhor maneira de abdicarmos de nossa liberdade. Nossos guerreiros abrem mão de suas liberdades e arriscam suas vidas para protegerem as nossas. A promessa de vida americana de Obama é que, se tentarmos nosso melhor e trabalharmos duramente, poderíamos ser como uma unidade militar lutando por um único objetivo. Eu vi imagens assim da Coréia do Norte. Não, obrigado, Sr. Presidente.

Claro, a fantasia militar de Obama não é nova. Desde que William James cunhou a expressão “equivalente moral da guerra”, o esquerdismo tem por obsessão encontrar maneiras de mobilizar a vida civil com a eficiência e a conformidade da vida militar. “Virtude marciais”, escreveu James, “devem ser o cimento duradouro” da sociedade americana: “intrepidez, desprezo pela leveza, abdicação do interesse privado, obediência ao comando devem ser ainda a rocha sobre a qual um Estado é construído.” Seu discípulo, o filósofo de esquerda John Dewey, ansiava por uma ordem social que forçaria os americanos a deixar de lado “nosso bondoso individualismo e nos pôr em marcha”.

É por isso que a administração Obama acredita que uma crise é boa demais para ser desperdiçada. É por isso que Obama tem tagarelado sobre “momentos Sputnik” e se lamentando em sua inveja da China e seus governantes. É por isso que seus floreios se esforçaram por traduzir a morte de Bin Laden em um tipo de defesa de sua agenda doméstica: porque ele não pode liderar um povo livre aonde ele acha que devam ir.

Ao fim de seu discurso, Obama mais uma vez invocou a morte de Bin Laden como César fez com Vercingetorix (o líder gaulês derrotado que César exibiu triunfantemente em Roma). “Tudo o que importava naquele dia era a missão. Ninguém pensou em política. Ninguém pensou em si mesmo.” Obama poetizou.

Os guerreiros na terra “apenas obtiveram sucesso [...] porque cada membro daquela unidade fez seu trabalho. [...] Mais do que isso, a missão foi exitosa somente porque cada membro daquela unidade confiava no outro – pois você não pode subir aquelas escadas, em meio à escuridão e ao perigo, a menos que você saiba que há alguém atrás de você, protegendo suas costas. É assim com a América.”

 “Esta nação é grande porque trabalhamos como um time. Esta nação é grande porque protegemos uns aos outros.”

Não. Errado. Não é assim com a América. Esta nação não é grande porque trabalhamos como um time tendo o presidente por capitão. A América é grande porque a América é livre. Ela é grande não porque colocamos de lado nosso interesse próprio, mas porque temos o direito de buscar a felicidade.

Eu não culpo o presidente por estar exausto com a bagunça e a chateação da democracia e da política, uma vez que ele provou ser inadequado para fazer jus às demandas de ambas. Eu também não penso que ele realmente queira impor virtudes marciais à América. Mas ele quer desesperadamente que seus adversários calem a boca e simplesmente marchem. Ele acredita que essas asneiras irão convencê-los a fazer isso.

O que eu não posso perdoar, entretanto, é a maneira como ele tenta transmitir seu ideal de uma América onde todos marchem juntos, como uma América melhor. Isso não seria a América.


Jonah Goldberg é editor-assistente do National Review Online e autor do livro "Fascismo de Esquerda: a história secreta do esquerdismo americano", publicado pela Ed. Record.

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