sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Plantando racismo

Aristóteles Drummond
De seu site pessoal



Quem conhece os estados brasileiros onde existem populações indígenas instaladas, percebe que o paternalismo do Estado brasileiro em relação aos silvícolas está sendo exagerado, permitindo desperdício do dinheiro público, falta de segurança para obras de infraestrutura e mesmo atividades privadas. E, o que é pior, um sentimento de revolta na população civil que cresce visivelmente.

Exemplo maior é Roraima. Lá, os rizicultores foram, desnecessariamente, expulsos de suas terras, onde, inclusive, contavam com apoio de parte dos índios. Hoje vivem na miséria e a região deixou de produzir e até exportar arroz para Manaus. Com 10% da população de Roraima, as reservas representam mais de 70% da área do estado.

Mas em outros estados, e muito em função de obras públicas, as exigências materiais beiram o absurdo. Encarecem obras, criam territórios sem controle e deixam a população sendo manipulada, quando não explorada. Alguém precisa levantar esses privilégios e custos. Deve ter muita ONG metida nisso.

O nosso Brasil, como entendeu Gilberto Freyre, está mudando. Planta-se ressentimento para com os índios, que têm todos os direitos e nenhum dever. Cria-se certa instabilidade com esta história de “quilombolas”, que também beira o ridículo, mas que tem levado intranquilidade a milhares de famílias e até a cidades inteiras. Em Belo Horizonte surgiu um “quilombo” em pleno Grajaú, bairro da classe média.

Não dá para entender os objetivos desse tipo de ação, que vai ganhando espaço na máquina pública, no Judiciário e colocando o nosso Brasil em situações ridículas perante a investidores estrangeiros – como ocorre nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará, principalmente. Mas, em Santa Catarina, onde a escravidão foi diminuta, tem uma cidade sem crônica de abrigar população de origem africana que está sob ameaça de um grupo que reivindica a área central do município. E são mais de mil as áreas requeridas no pequeno estado, exemplo de distribuição de terras produtivas no Brasil. Não bastasse o Código Florestal, que quase liquida seu agronegócio.

Esse assunto não comporta tolerância. Nada mais sagrado para a índole do brasileiro do que a paz e a fraternidade numa sociedade reconhecida pelo seu pluralismo racial internacionalmente.

Mas na verdade o clima anda ruim. Quem não tiver sangue índio ou de origem africana acaba sendo considerado de uma raça exploradora e devedora da sociedade. Os ganhos dos índios são verdadeiramente inacreditáveis. Até o Porto de Santos tem uma obra para melhorar seus acessos sem licença por, eventualmente, provocar barulho que perturbe a vida de um grupo indígena, que mora cerca de quinze quilômetros da obra.

A falta de reação a estes absurdos é muito preocupante. Mostra uma sociedade acomodada a retroceder no progresso e na dignidade.

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