sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A Jornada dos Magos

Caros leitores do blog,

O Natal se aproxima. À medida que nos acercamos da comemoração do nascimento de Nosso Senhor, não são poucas as manifestações sobre o sentido excessivamente materialista que se lhe dá. Entretanto, essas manifestações não passam disto: reclamações vazias lançadas ao vento, oscilando ao sabor da maré de conversas frívolas e de opiniões vaidosas. Não raro, o que se vê não é, de fato, uma lamúria verdadeiramente queixosa, mas um exercício de farisaísmo.

Aproxima-se o dia em que comemoramos a vinda ao mundo de Deus Filho, Jesus Cristo. O maior Homem que pisou sobre a Terra, aquele a quem os Reis-Magos referiam-se como o Rei dos Reis, nasceu em meio a animais domésticos em um estábulo. Quando veio ao mundo, foi deitado não em um berço de ouro, mas em uma manjedoura. Os primeiros a darem notícia de Seu nascimento não foram homens letrados ou autoridades da lei, mas humildes pastores e homens sábios que, vindos de terras longínquas, queriam ver quem era Aquele que havia acabado de vir ao mundo.

Recolhamo-nos, pois, e reflitamos sobre o que significa o nascimento de Jesus Cristo; busquemos dentro de nós, em Deus e no seio de nossas famílias o sentido mais profundo do Natal, e que possamos gozar do profundo amor de Deus hoje e sempre.

Um Feliz Natal a todos.

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A Jornada dos Magos
T. S. Eliot


"Tivemos uma fria chegada,
Na pior época do ano
Para uma jornada, e que longa jornada:
Caminhos profundos e clima cortante,
O mais morto do inverno."
E os camelos se irritaram, lacerados, indômitos,
Deitando na neve que derretia.
Foram tempos de saudades
Dos palácios de verão em arcos, dos terraços,
E das melífluas meninas trazendo sherbet.
E homens em camelos amaldiçoando e esbravejando
E partindo, e querendo sua bebida e suas mulheres,
E as fogueiras se apagando, e a falta de abrigos,
E as cidades hostis e os povoados inóspitos
E as vilas imundas e altos preços cobrados:
Tempos difíceis tivemos.
Ao fim preferimos viajar a noite inteira,
Dormindo em cochilos,
Com as vozes aos nossos ouvidos, dizendo
Que tudo isso era tolice.

Então ao alvorecer descemos a um temperado vale,
Úmido, abaixo da linha da neve, recendendo à vegetação;
Com um riacho corrente e um moinho açoitando a treva,
E três árvores sob o céu baixo,
E um velho cavalo branco partiu a galope no pasto.
E chegamos então a uma taverna com folhas de videira à porta,
Seis mãos na porta aberta jogando por peças de prata,
E pés chutando os odres vazios,
Mas não havia informação, então prosseguimos
E chegamos ao entardecer, nem um momento mais cedo
Encontrando o local; e era (diga-se) satisfatório.

Tudo isso foi há muito tempo, eu me lembro,
E faria novamente, mas anote isto
Escreva isto
Isto: tomamos todo aquele caminho por
Nascimento ou Morte? Houve um Nascimento, certamente,
Tivemos evidência e nenhuma dúvida. Eu vi nascimento e morte,
Mas achei que eram diferentes; esse Nascimento foi
Dura e amarga agonia para nós, como a Morte, nossa morte.
Retornamos aos nossos lugares, estes Reinos,
Mas não há mais paz aqui, na velha dispensação,
Com gente estranha agarrada a seus deuses.
Eu gostaria de morrer outra morte.

4 comentários:

  1. Oi! Você pode me dizer de quem é essa tradução?? Obrigada!!

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  2. Ana Cláudia, essa tradução livre foi feita por mim. :)

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    Respostas
    1. Obrigada!! Vou usar em um trabalho!!! Coloco seu nome nos créditos!!rsrs

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