terça-feira, 15 de novembro de 2011

Agnelo, o Governador-Sol

Dizem que o rei Luís XIV cunhou a expressão “L’État c’est moi” (“O Estado sou eu”). Há muita dúvida sobre se isso é mesmo verdade ou se é apenas mais um dos mitos que muitos tomam por fatos verdadeiros. Entretanto, não há dúvidas, muito menos há especulação de mito, no caso de Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal pelo Partido dos Trabalhadores: ao ser inquirido sobre provas de sua inocência acerca de um suposto esquema de corrupção na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Agnelo, através de sua assessoria de imprensa, afirmou categoricamente: “palavra de um governador de Estado já é, por si, uma prova”.

Se faltava mais alguma prova do neo-absolutismo petista, ei-la aí, nua e crua, aos olhos de quem quiser ver. A arrogância de Agnelo é tamanha que o governador, por ocupar a chefatura do Executivo distrital, acha-se imbuído de alguma sobrenatural idoneidade acima do bem e do mal, longe do alcance de qualquer moral e de qualquer lei humana. Indignado pela ousadia em ser questionado, Agnelo declara, soberbamente: “a Verdade sou eu”. Não esqueçamos que, ao ter o nome envolvido em escândalos de corrupção, uma das primeiras providências do governador foi exonerar toda a cúpula da Polícia Civil do Distrito Federal.

Os delírios autoritários do PT e seus asseclas têm se mostrado de modo cada vez menos humilde, e, quando há qualquer questionamento ou tentativa de averiguação dos fatos de modo transparente, a sanha esquerdóide se abate contra os dissonantes como uma revoada de aves de rapina.

O mais curioso de tudo é o silêncio da “juventude”. Quando pairavam apenas suspeitas vagas de participação em esquemas de corrupção sobre o ex-governador Arruda, corrupto contumaz, o Movimento Fora Arruda foi formado e ganhou as ruas, provocando estardalhaço, caos e confusão suficientes para contribuir na queda do ex-governador. Onde estão esses jovens que, na época, foram louvados como pessoas politizadas, de sensibilidade crítica e firmeza moral? Muitos deles estão hoje trabalhando para Agnelo -- não me refiro à massa manobrada nos protestos, mas aos mentores, a intelligentsia por trás do movimento -- ou para sua base aliada na Câmara Legislativa.

Essa vergonhosa subserviência ao projeto de poder petista -- autoritário em sua essência, mutilador em seus métodos -- tem se mostrado cotidianamente. O obstinado silêncio da dita “juventude” é, além de embaraçoso, revoltante. Das organizações políticas jovens do Distrito Federal, apenas a Juventude do DEM publicou nota pedindo o impeachment do governador Agnelo e exigindo que as denúncias sejam apuradas de maneira transparente, responsabilizando judicialmente os culpados. As demais organizações, partidárias ou não, perseveram em seu silêncio.

Estariam elas ratificando as palavras e as atitudes de nosso egrégio Governador-Sol?

Um comentário:

  1. Texto muito bom. Parabéns. Teço aqui alguns comentários sobre ele:

    Primeiramente, não é novidade nenhuma essa tendencia autoritária, totalitária e ditatorial do PT que é vista claramente na postura sádica que o governador Agnelo adotou para se "defender" das acusações.

    Outro importante ponto tocado é a "omissão" da uma "juventude" que esteve presente em todos os protestos contra governos de "direita". Hoje, mostram-se nada mais do que vendidos e manobrados. Entorpecidos por cargos no governo.

    Para finalizar. tive a oportunidade de estar na Câmara Legislativa com meu partido, o PSDB, com a juventude do DEM, senadores, deputados e representantes da oposição para protocolar os 5 pedidos de impeachment contra o governador Agnelo. Inclusive, um deles assinado por mim. Vale lembrar que a Juventude do PSDB apoia o impeachment mesmo não tendo se pronunciado em nota.

    Infelizmente, de forma desonesta, o presidente da CLDF, que é do PT, arquivou os 5 pedidos de impeachment alegando para os 2 pedidos de partido, que partidos não podem pedir o impeachment, contrário ao que diz o artigo 102 da lei orgânica do DF que diz que partidos podem sim entrar com a representação. Já para os 3 pedidos feitos por cidadãos, inclusive o que eu assinei, o presidente da CLDF afirmou que não há fundamentos suficientes que justifiquem medida tão drástica.

    Essa é, infelizmente, a situação que o DF vive. Agora, resta a nós, juventude de fato consciente, protestar e botar para fora aqueles que destroem o patrimônio público.

    Matheus Leone Carneiro
    http://matheusleone45.blogspot.com

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