sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Quem sou eu?


Meu nome é Felipe de Oliveira Azevedo Melo, estudante de Administração da Universidade de Brasília. Nasci em 21 de dezembro de 1985 em Anápolis, Goiás, apesar de meus pais terem sido criados no Distrito Federal. Fui criado em Ceilândia, bairro de periferia, e moro ainda nessa cidade-satélite (que adoro de coração).

Tive uma infância bastante politizada. Minha mãe, professora da então Fundação Educacional do Distrito Federal (FEDF), era integrante da Articulação de Esquerda, corrente do Partido dos Trabalhadores (PT), e conhecida de muitas pessoas que sempre participaram do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (SINPRO/DF). Ainda pequeno, acompanhava minha mãe tanto nas reuniões do PT quanto nas assembleias dos professores. Também sempre participei das campanhas de rua do PT. Não é à toa que, desde cedo, mostrei uma verve política de esquerda muito forte.

Ingressei no curso de Direito da Universidade Católica de Brasília (UCB) em 2002, quando tinha 16 anos de idade. Nessa mesma época, me filiei ao Partido dos Trabalhadores e ingressei na corrente O Trabalho (OT), de orientação trotskista. Li muitos dos autores clássicos da literatura marxista-leninista e trotskista -- Karl Marx, Friedrich Engels, Rosa Luxemburgo, Antonio Gramsci, Vladimir Lenin, Leon Trotsky -- e até mesmo autores anarquistas, como Proudhon, Kropotkin e Bakunin.

Em meados de 2005, após uma conversa com um dos ideólogos do grupo, meu pensamento político começou a mudar. O indivíduo em questão possuía uma vida que, sob todos os aspectos, o encaixava na classificação de pequeno-burguês de acordo com o próprio jargão que utilizávamos: morava em Brasília num apartamento de mais de 200m², era casado com uma alta funcionária da diplomacia brasileira e tinha uma renda familiar mensal de aproximadamente R$ 20 mil. À época, a renda mensal de minha família não ultrapassava R$ 2.500, o que não nos garantia uma vida muito confortável. Eu me encaixava perfeitamente no estereótipo socialista de "proletário" -- pai metroviário, mãe professora, eu mesmo sendo um estudante desempregado que dependia de bolsa de estudos para cursar o ensino superior -- e esse ideólogo, um dos cabeças do grupo, não chegava nem perto de ser um "proletário". Uma dúvida surgiu na minha mente: por que ele dizia, com tanta propriedade, conhecer os anseios da classe trabalhadora se, a rigor, nunca havia feito parte dela?

Isso me levou duas indagações fundamentais. Primeiro, os grandes nomes da literatura socialista, comunista e anarquista nunca foram membros da classe "proletária": se não faziam parte da pequena-burguesia (como Lenin, que era advogado), eram burgueses de fato (como Engels, que era dono de indústria) ou aristocratas (como Kropotkin, membro da Casa Real de Rurik). Segundo, a "dialética" que era tão defendida dentro do grupo (não apenas o materialismo dialético, mas o pensamento dialético puro) era uma grande farsa; já que dialética implica confrontação de ideias opostas, como poderíamos ser dialéticos se nunca, jamais estudamos sequer um único texto de algum autor "reacionário"? Outra coisa que também foi determinante foi o escândalo do mensalão e a profunda decepção que isso representou para mim, que ainda acreditava no Lula como a grande alternativa para o Brasil. Foi a partir desse momento que, sentindo que algo não estava no lugar, comecei a me afastar cada vez mais do espectro político de esquerda.

Em 2007, ingressei no curso de Administração da Universidade de Brasília. Até então, eu havia me mantido em inatividade política, sem ler ou pesquisar nada que se relacionasse a isso. Estudando na UnB, comecei a estudar mais profundamente disciplinas como economia, psicologia, sociologia e filosofia. O mundo acadêmico literalmente abriu-se para mim, e foi essa massa crítica de conhecimento que, lentamente, começou a revelar o que para mim era a postura mais correta a ser adotada em matéria de política. A relevância intelectual das teorias que serviram de base para o socialismo, o comunismo e o anarquismo revelou-se praticamente nula a partir desses estudos.

Decidido a buscar alternativas, comecei a buscar outros autores, intelectuais que estivessem dispostos a analisar as coisas sob outro prisma. As coisas começaram a fazer sentido. Aquela sensação de deslocamento, reflexo da dissonância cognitiva que sofri quando tive meu desencanto, não se apresentou mais. Era quase como me ver curado de uma doença -- e, de fato, era uma doença profunda e grave, que destrói o senso de certo e errado, que transforma assassinos em santos e demoniza os valores mais sagrados sobre os quais se construiu nossa civilização. E, à medida que fui ampliando e aprofundando meus conhecimentos, conheci outros que, como eu, não se viam representados pelo status quo ideológico.

Quando decidi iniciar o blog da Juventude Conservadora da UnB, não tinha por objetivo ser um agente político ipsis litteris, mas dar voz a alguém que fazia parte de uma realidade esquecida, achincalhada e, às vezes, oprimida dentro da universidade. Os textos que publiquei jamais refletiram somente a minha opinião pessoal, mas a de muitas outras pessoas com as quais converso e convivo diariamente na universidade. O anonimato, que até agora tentei manter, buscava me resguardar de retaliações. Nunca gostei desse pretenso anonimato, para falar a verdade. Por que eu deveria me esconder? Era impossível não enxergar nisso uma certa covardia, mesmo que bem fundamentada. Além disso, as ofensas e as ameaças que recebi, apesar de provocarem medo no primeiro momento, serviram como combustível inconsciente para que eu prosseguisse.

Hoje, eu decidi revelar de uma vez por todas quem sou a fim de evitar maiores especulações. Alguns já me conheciam. Outros, desconfiavam. Não sei até onde isso será importante ou relevante, tanto para mim quanto para os outros, mas o tempo vai me mostrar.

63 comentários:

  1. Feliz fico de ver alguém com bolas para mostrar a cara e não ficar cobrindo o rosco com camisetas ou editando fotos para borrar a face como fazem as gangs da UnB.

    Culhões, amigos. É o que falta nesse mundo.

    E pau no cu do Marx.

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    1. isso!! estamos juntos!!

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  2. Se preservar não é covardia, covardia é trezentos contra um.

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  3. Mandou muito bem cara! Parabéns!!

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  4. Parabéns! A universidade brasileira precisa de mais estudantes com iniciativa e espírito de liberdade. Continue firme.

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  5. Parabéns. Finalmente surgem movimentos relevantes para contrariar a pasmaceira esquerdopata.

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  6. Continue o seu trabalho de divulgar os pensamentos conservadores,eu estou farto de ver que esquerdismo em todos os lugares,na mídia,nas universidades como esse caso da USP etc.

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  7. Oi, Felipe
    Quero te parabenizar pela coragem de "sair do armário". Considero-me um dos provocadores dessa sua decisão e espero, realmente, que não existam retaliações, mas no máximo embates de ideias.
    Mesmo divergindo ideologicamente, admiro a sua base de conhecimento e experiência de vida e respeito muito a forma como expõe suas opniões.
    No fim das contas, por falta de espaço na edição, a matéria com você acabou não saindo como eu havia planejado. Foi uma pena. Quem sabe de uma próxima vez. De toda forma, espero realmente que pelo menos tenha servido de alguma forma positiva para você.
    Um grande abraço,
    Ricardo Taffner

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  8. Muito legal saber um pouco sobre você, Felipe!

    A propósito, te adicionei no Facebook.

    Um grande abraço.

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  9. Mas vc é feio, hein!

    Parabéns pelo blog!

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  10. http://www.youtube.com/watch?v=EvfWbOWu7P0

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  11. Voce sabe quem foi Salvador Allende e Alexander Dubcek ??????????????

    Se me responder, conversamos...

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  12. Muito bom, Ahmed.

    Ainda vou escrever sua biografia =)

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  13. presado Catedral da Desordem, o Felipe já mostrou conhecer tais pessoas citadas por ti em outro post. Agora, porque se dispor a conversar apenas se a outra parte conhecer fulano ou ciclano? Você tem um cérebro (sim, possuo tal esperança), por que então se utilizar das ideias alheias para se debater qualquer coisa? Use o teu próprio cérebro para formular tuas próprias ideias, você verá que isso é bem proveitoso. E acredite em mim, é bem divertido também :)

    E uma última pergunta, você leu a droga do post antes de escrever o teu comentário? Bem, porque o teu comentário não tem absolutamente nada a ver com o texto, LOL!

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  14. Parabéns, Felipe de Oliveira Azevedo Melo. Sua atitude é corajosa e fundamental,assim como este blog. Não esqueça, vc não está só. Abraços e sucesso.

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  15. PARABÉNS, FELIPE

    Quanta vivência em tão pouco tempo. Mantenha a chama acesa. Os jovens precisam de modelos assim.
    Conheço muitas mentes brihantes que cresceram muito depois que largaram a camisa de força da esquerda.
    Espíritos livres.

    Abraço
    Gutenberg
    Laudaamassada

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  16. Parabéns, fico realmente feliz em saber que tem pessoas como você lutando pela verdade nesse Brasil. Espero um dia lutar contigo.

    Não te conheco mas me alegro honestamente com a sua capacidade.

    Abs!

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  17. Agradeço a todos pelas mensagens generosas e gentis! Espero poder fazer jus a todas! =)

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  18. Pergunta: por que da foto de Ayn Rand no mural? Ela não é conservadora. Quem sabe Margaret Thatcher ou a Princesa Isabel?

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  19. PArabéns pelo blog, Felipe! Sucesso, precisamos de mais gentes combativas, como vocÊ é!

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  20. Em se tratando de acreditar em valores, ideias próprias, princípios, quando tudo à volta promove e sustenta o contrário, deixo uma sugestão: nesse sábado dia 04/02 a Nova Acrópole de Brasília vai fazer um evento dedicado à arte numa visão clássica, ou seja, de que beleza é sim necessário, e que, então, arte de verdade tem que ser bela. Uma das palestras, inclusive, será "A arte segundo Roger Scruton", o filósofo atual inglês que está incomodando o mundo com essa visão, também na política, e talvez por isso mesmo seja uma autoridade cada vez mais respeitada. Em meio à mesmice de ideias que vivemos, acho um convite quase que imperdível. Se quiserem ver os dados direitinho, entrem aqui na página da Nova Acrópole: http://www.acropole.org.br/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=40&Itemid=62

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  21. Parabens por este Nobre Trabalho e pela coragem de enfrentar o "Establishment"!

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  22. Prezado Felipe Melo, gostaria de parabenizá-lo pela coragem moral e intelectual de apresentar não só ao meio acadêmico, mas à sociedade como um todo a verdadeira, doentia, hipócrita e nefasta mente dos acólitos da ideologia marxista-gramscista, que hegemonicamente dominam o meio acadêmico, político e a mídia, entre outros, impondo um pensamento único do politicamente correto e do senso comum esquerdista, transformando a nossa sociedade em meros robôs, programados para lutar pela ideologia do anacronismo, ditada pelo FÓRUM DE SÃO PAULO.

    Acredito que você deva estar passando por uma pressão muito grande na universidade, pois ao longo do meu curso de História, tive grandes problemas em apresentar ideias que contrariassem o senso comum esquerdista, mas jamais me abati diante das pressões vindas da maioria dos docentes e discentes contaminado pela ideologia do anacronismo, que chegava a me ameaçar de mandar sair da sala de aula pelo simples fato de questionar as baboseiras que se falavam na sala de aula voltadas para a doutrinação.

    Você está me lembrando uma célebre frase de WINSTON CHURCHILL, que dizia: "ANTES MORRER DE PÉ DO QUE VIVER DE JOELHOS".

    Certamente, você está se tornando um ícone de esperança em relação à salvação do meio acadêmico nacional, que se encontra dominado pela ideologia do atraso e pelas viúvas de Lênin.

    Desejo sucesso nesta hercúlea luta de buscar acordar a sociedade do sono profundo que vive, anestesiada pelo vírus do politicamente correto e do senso comum esquerdista, alertando-a sobre o perigo que está rondando o País, dominado pelos ideólogos do comunismo, já que O PREÇO DA LIBERDADE É A ETERNA VIGILÂNCIA.

    Fique com DEUS. Um cordial abraço.

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  23. Receba o meu apoio. Raí Mariano Soares

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  24. Parabéns pelo seu blog e pelo seu belo testemunho. Nunca conheci um ex-direitista, mas ex-esquerdista há dezenas. Por que será ? De que lado está a verdade ?

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    1. Prezado Luís,
      Salve Maria

      Sou ex-esquerdista e ex-direitista.
      Se você acha isso impossível, acesse:
      http://subsidiariedade.wordpress.com/

      Forte abraço.

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  25. Parabéns, Felipe Melo!

    Texto muito elucidativo.

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  26. Parabéns pelo blogs, pela coragem e por sua resistência. Seja fiel a sua consciência, mesmo sabendo que os covardes estarão a sua caça. Firmeza de caráter e honra, não desista você não está sozinho.

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  27. Felipe, parabéns, não desista, pois como foi dito acima, você não está sozinho.

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  28. Felipe meus parabéns! Sua história de vida é muito legal. Fiquei surpreendido em saber de pessoas que como vc mudaram de posições políticas. Isso é muito difícil, principalmente quando desde criança se convive com esta ideologia marxista. A impressão que tenho é que carregando estes dogmas ideológicos da esquerda é permitido pensar somente o que esteja dentro dos dogmas. Meu pai que diz que os comunistas são ateus porque não aceitam nenhuma concorrência com o partido....e por ai vai.

    Continue com o seu trabalho pois tenho certeza muitas pessoas são beneficiadas
    Um abarço

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  29. Olá boa noite peço que me informe sobre o referencial bibliográfico onde constam as citações a seguir: "A liberdade é um bem tão precioso que deveria ser racionado", disse Lenin. "Quanto mais pessoas você mata, mais revolucionário você é", disse Mao. “Não preciso de prova para executar um homem – apenas de prova acerca da necessidade de executá-lo”, disse Che, a fim de não ficar no subjetivismo. Grato

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    1. Curioso,

      A frase de Lenin está no livro "Soviet Communism: A New Civilization?" (1936), do casal Sidney Webb e Beatrice Webb, dois dos maiores nomes do socialismo fabiano em solo inglês.

      A frase de Mao está publicada em "Mao's Last Revolution", de Roderick MacFarquhar e Michael Schoenhals.

      A frase de Che está no livro "Yo Soy El Che!", de Luis Ortega.

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  30. Sou um cara de esquerda, mas que odeia a chamada filosofia continental.

    Todavia, respeito conservadores com bons argumentos. E você é um deles.

    E o que você disse sobre a dialética é verdade: os marxistas vivem pregando a tal dialética, mas se recusam a ler autores do outro lado do espectro político.

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  31. Felipe, de fato, você tem seu mérito por dois motivos:
    1º - Conseguiu enxergar as contradições nos movimentos marxistas.
    2º - Tem a coragem de expor suas ideias e posições num ambiente tão esquerdizado, como é os das universidades públicas.

    Sugiro que abandone a oposição "liberal x conservador"; 'conservadorismo' não é uma escola filosófica propriamente dita, como o 'marxismo', ou o 'liberalismo'. O 'conservadorismo' é mais um posicionamento político, a exemplo do 'direitismo' e do 'esquerdismo', e bem menos preciso do que estes. Veja que o 'direitista' de hoje foi o 'esquerdista' de ontem, e o 'esquerdista' de hoje será o 'direitista' de amanhã'. Os liberais hoje são tidos como conservadores, direitistas, mas, veja que na Revolução Francesa, de 1789, eles sentaram á 'esquerda' do Rei francês, por isso, ficaram conhecidos como 'esquerdistas', mas hoje são considerados 'direitistas'.
    Por fim, rogo a Deus que, por Nossa Senhora de Fátima, você veja as contradições dos liberais (os conservadores de hoje), assim como viu as contradições marxistas, para conhecer uma outra forma de pensar.
    Forte abraço e parabéns pela coragem e idealismo.
    Rogério A. Silva

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  32. Parabéns,Felipe, estou orgulhosa de você! Continue, pelo Brasil!
    Siga-me no twitter onde faço a minha parte contra o avanço do comunismo/esquerdismo no Brasil.
    https://twitter.com/celecarba
    Ceci

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  33. Parabéns pela iniciativa. Tenha certeza de que não está só e que o número de pessoas que cada vez mais se "liberta" de ideologias "revolucionárias" só aumenta, apesar da pouca instrução do povo. Por sorte, a ascensão do PT ao poder foi importante para sua desmistificação. Eu mesmo votei no Lula para dar-lhe a chance de "redimir-se" desmascarando a si próprio. Há uma certa maturidade sendo gestada espontaneamente em nosso povo. Vai demorar e ser doloroso, mas vai acontecer. Basta que jovens inteligentes e bem intencionados como você não se omitam. Mais uma vez: parabéns!

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  34. Parabéns peo trabalho. Precisamos de mais pessoas capacitadas e com coragem. Abraços

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  35. Felipe Melo, meu caro, conheci seu blog a pouco tempo, mas quando conheci foi uma grande alegria para mim, eu que buscava "gente abertamente" conservadora nessa nossa Brasília, que sabe o que fala, já que estou ainda engatinhando... Espero um dia conhecê-lo pessoalmente, pois também sou morador de Ceilândia. Parabéns!

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  36. Mas e quanto ao problema da pobreza, o problema da falta de justiça social, como fica? O pensamento de direita tem alguma proposta pra isso?

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    1. Claro que tem, Anônimo. Uma das coisas que a esquerda gosta muito de propalar é que eles possuem o monopólio das boas intenções, como se todos os liberais e conservadores fossem criaturas monstruosas e sem coração que querem que os pobres e desvalidos. Esse raciocínio é torpe.

      Liberais e conservadores acreditam que justiça social e miséria são combatidas pelas próprias pessoas, não pelo governo. Esses dois problemas só podem ser resolvidos a contento quando as pessoas estão inseridas em um ambiente no qual possam trabalhar e produzir riqueza – que, ao contrário do que advogam os marxistas, não é para usufruto exclusivo da “burguesia”, mas de toda a sociedade. No entanto, as pessoas só poderão ter atividades produtivas e sustentarem a si mesmas em um ambiente que seja propício à livre empresa e que se paute pelo princípio da subsidiariedade. Isso envolve algumas inúmeras coisas, dentre as quais destaco as seguintes medidas econômicas:

      - Reversão do engessamento legal a que estão submetidas as empresas, especialmente as PMEs (pequenas e microempresas);
      - Racionalização da carga tributária;
      - Redução dos gastos do governo;
      - Privatização das empresas que não fazem parte do raison d’être do Estado (como a Petrobrás, por exemplo).

      Mas a questão não se limita a questões econômicas. Ela envolve coisas muito mais complexas – como valores tradicionais, por exemplo. Uma economia saudável só será força motriz de verdadeiro desenvolvimento social e humano em um país que não esteja num clima de degradação moral. Atos da mais pura excrescência são cometidos em todas as classes sociais, em todas as regiões do País, e todos convivem dentro desse ambiente moralmente degradado. E o que o tornou assim? A cultura a inveja, do ressentimento, a divisão da sociedade em grupelhos mutuamente antagônicos que devem lutar uns contra os outros em busca de direitos que não são direitos e de benefícios que redundam em malefícios muito piores.

      Uma coisa temos que ter em mente: jamais poderemos criar um Paraíso na Terra. O mundo sempre será imperfeito, sempre terá coisas ruins, porque isso tudo faz parte da própria natureza humana. No entanto, podemos dirimir essas coisas. Como? Nos atendo àquilo que construiu a nossa civilização até hoje: a tradição, a moral, a liberdade, a propriedade e a vida.

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    2. Mas, e porque até hoje a direita brasileira não promoveu essas coisas que você coloca?

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    3. Porque não existe direita brasileira. Na verdade, só houve ao longo do tempo poucos indivíduos no Brasil que poderiam ser classificados como liberais e conservadores -- Joaquim Nabuco, Roberto Campos e José Osvaldo de Meira Penna são alguns exemplos.

      No Brasil, "direita" sempre foi um nome utilizado para definir aqueles que não eram revolucionários clássicos -- como os socialistas fabianos (PSDB) --, ou que eram fisiologistas puros -- como o PMDB -- ou os ditos anti-comunistas. O regime militar, por exemplo, jamais pode ser chamado de "direita", seja liberal ou conservadora, porque o Estado sempre foi, na visão dos militares, o principal promotor do bem-estar e da riqueza.

      Enquanto que a ideologia marxista encontrou terreno fértil no Brasil, os pensadores conservadores e liberais clássicos passam completamente despercebidos.

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  37. Que partidos hoje, ou políticos representam esse tipo de pensamento de direita hoje no Brasil?

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    1. Nenhum partido, e, ao que me consta, nenhum político de real importância. Há somente dois candidatos que defenderam propostas liberais-conservadoras ultimamente: Coronel Paes de Lira e Ricardo Salles, ambos filiados ao DEM. Mas nem mesmo o DEM é, hoje, um partido liberal ou conservador: no máximo, centrista.

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  38. Mas, com relação ao que chama de liberalismo, este não foi no mundo ocidental a palavra de ordem desde o "Consenso de Washington" - com o predomínio na América do Norte, Europa e vários países da América Latina (ex: governos Menen, Fugimore, FHC etc).? Até pelo menos o início dos anos 2000? Esses governos/países não foram todos de alguma forma inspirados no liberalismo defendido pelo "consenso" e inspirado nos Chicago Boys, por exemplo? Por que não deram certo? Por que a pobreza e a miséria aumentaram? O liberalismo realmente se importa com o sofrimento da imensa maioria da população mundial, que é pobre?

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    1. Anônimo,

      Na verdade, o Consenso de Washington não chegou a ser aplicado. Publicamos no ano passado uma análise sobre isso aqui: http://unbconservadora.blogspot.com.br/2011/04/unb-e-o-mau-caratismo-academico.html

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  39. Então podemos pressupor que na verdade não foi a "ideologia liberal" uma das causas do aumento dos bolsões de miséria pelo mundo durante principalmente os anos 90, mas, na verdade, o não cumprimento de seus parâmetros? Todos esses governos que abraçaram e difundiram tal ideologia na verdade agiram de maneira hipócirta? Ou seja, traíram seus princípios? Se sim, em nome de que princípios e valores?

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    1. Dos governantes nominalmente citados como exemplos por você, absolutamente nenhum deles foi ou é liberal, muito menos conservador. Alberto Fujimori – apesar de adotar uma política anticomunista – se utilizou largamente da máquina estatal para cooptar as mais influentes associações representativas e classistas do Peru, além de ter sua própria versão de Mensalão com o auxílio de Vladimiro Montesinos, chefe do serviço secreto peruano. Carlos Menem adotou políticas econômicas desastrosas, como a paridade peso-dólar. Quanto a Fernando Henrique Cardoso, ele nunca deixou de ser um político e um intelectual de esquerda: as privatizações promovidas em seu governo não foram levadas a cabo por convicção doutrinária, mas por pura necessidade; além disso, o governo FHC promoveu, por exemplo, uma série de políticas públicas de cunho social que forçaram grandes gastos governamentais.

      Nenhum desses governantes abraçou o ideário liberal. Todas as medidas tomadas em favor do fortalecimento do livre mercado e da redução de gastos estatais – leis de responsabilidade fiscal, privatizações, reformas tributárias e previdenciárias – não foram tomadas por serem medidas liberais, mas sim apesar de serem medidas liberais. Todos esses três governantes usaram e abusaram da máquina pública, e o inchaço estatal é visceralmente oposto ao que apregoa o ideário liberal-conservador.

      Além do mais, há que se ter em conta uma coisa: a adoção de algumas medidas do Consenso de Washington foi, por um bom tempo, pré-requisito para a liberação de empréstimos por parte do Fundo Monetário Internacional. Os empréstimos, no entanto, eram concedidos de modo a proporcionar a esses governos equalizar suas contas e, assim, poderem andar com as próprias pernas. Por que, então, o endividamento dos governos latino-americanos só cresceu? Porque as medidas de austeridade recomendadas não foram adotadas, uma vez que os gastos governamentais apenas cresceram. Pelo contrário: os empréstimos foram tomados justamente para financiar o inchaço do Estado nessas regiões. Se existe uma imagem de que esses governos abraçaram e difundiram o afamado “neoliberalismo”, essa imagem é completamente equivocada.

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  40. Ok obrigado pelas respostas. Ainda não vi o que "liberais" e "conservadores" (e é curioso como essas duas coisas estão juntas aqui...) podem ou pretendem fazer com relação ao combate à pobreza, à desigualdade social etc (presentes em nossa querida Ceilândia por exemplo). Apesar de todos os seus defeitos e contradições ainda acho e sinto o viés de esquerda como o que mais me toca e acredito. Valeu.

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  41. Felipe Melo, jamais fique com medo de vagabundos. Continue firme em seu proposito! Forte abraco!

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  42. Felipe , parabéns por acordar no meio do mar de vagabundos.

    Gostaria de dar uma dica que acredito que será muito interessante se colocar em prática.
    Abrir um Portal de notícias que tenha compromisso com a verdade ( tenho certeza que você tem)
    como um futuro administrador de empresas seu potencial nesse aspecto vai ajudar bastante.
    Busque colegas que saibam fazer sites, colegas que tenham interesse em escrever com compromisso com a verdade. Fazer o jornalismo verdadeiro.
    Observo hoje os colunistas da folha, principalmente o Lênin, estão sendo rejeitados pelos leitores. Os cidadãos que querem textos sólidos e verdadeiros não tem para onde fugir, só pra Veja em alguns aspectos

    Pode ter certeza que você tera sucesso não só no compromisso com a verdade, mas também como administrador.

    E se quiser colocar essa ideia paara frente, pode contar com minhas contribuições! principalmente financeira ( com doações na medida do possível )

    Procuro você se houver interesse.
    Abraços ´Léo

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  43. CARO FELIPE,
    REALMENTE O NÍVEL DE DOUTRINAMENTO QUE DEVE TER SIDO INICIADO JÁ NAS DÉCADAS EM QUE O BRASIL VIVIA SOB O REGIME MILITAR, E QUE NUNCA FOI FEITO NADA EM SENTIDO CONTRÁRIO QUE DESSE À JUVENTUDE INFORMAÇÕES SOBRE DEMOCRACIA E LIBERALISMO, ENFIM, ALGO QUE FORMASSE UMA FORÇA CONTRÁRIA AO DOUTRINAMENTO PROMOVIDO PELAS ESQUERDAS, ISSO CONTINUOU SOLTO E POSSO SÓ IMAGINAR, ATÉ POR QUE PERTENÇO A UMA CATEGORIA NÃO LIGADA ÀS CIENCIAS HUMANAS, O NIVEL A QUE TUDO ISSO DEVE TER CHEGADO.
    CHEGO ATÉ PENSAR QUE DEVE SER POR ISSO TODO O INTERESSE EM QUE SEJAM PRIMARIZADAS AS CARREIRAS DA ÁREA DE HUMANAS EM DETRIMENTO DAS CARREIRAS TECNICAS DE ENGENHARIA E CORELATAS, QUANDO UM PAÍS COMO ESTE TANTO NECESSITARIA PARA SE DEESENVOLVER!
    O FATO É QUE AS COISAS SÃO DESENVOLVIDAS NO CAMPO INTELECTUAL PARA SEREM DEPOIS COLOCADAS EM PRÁTICA, E AÍ SERÁ TARDE DEMAIS!
    J.A.MELLOW

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  44. DIVULGADO em comentários no “O EXTRA DE ALAGOAS” em 15 de outubro de 2012
    CAVALO DE TRÓIA NA COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DEFESA NACIONAL
    Tribuno Fernando Collor de Melo, quem diria, o ex-presidente da república, um dos principais responsáveis pelos crimes de lesa-pátria contra a soberania nacional, favorecido pela sorte da não existência de uma legislação penal, invocável, que criminalize suas ações absolutamente tíbias, comprometedoras de um porvir altaneiro para nossos filhos e netos, agora quer dar uma de paladino da defesa do país. Vamos e convenhamos, quanta “cara de pau”, vossa excelência presidindo a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado!
    Para os que não se lembram e para aqueles que ainda não se deram conta, é bom que se diga: este cidadão, entre os vários desserviços prestados ao nosso país, legou em longo prazo para a “presidenta” uma herança maligna sem precedentes. O senador alguma vez na vida já se deteve pensando, assim de leve, nos problemas a menos que teria Dona Dilma se não fossem os seus estranhos devaneios entreguistas? A grande realidade é que por causa deles, “nobre parlamentar”, se criou corpo no País um complexo de tirânica subserviência aos desígnios dos que mandam porque podem, coisa jamais vivida pela nacionalidade até então.
    Veja bem, senador, em seu governo se passou a consentir o desarmamento e controle de armas nucleares, apesar de todo o aconselhamento contrário da assessoria militar. Eu lhe pergunto: não fosse isso, estaria o País hoje, no afogadilho, correndo atrás para gastar suas divisas em compra de armamentos nos mesmos “mercadores da morte homiziados no “Conselho de Segurança da ONU”? Mas sua irresponsabilidade não parou por aí, é de pasmar, até armas químico-biológicas entraram na negociação”. Parlamentar, que desatino, nunca passou pela sua cabeça que este devaneio transformou sua Pátria em verdadeira “casa da mãe Joana”, que se submete porque precisa.
    A seguir, o seu governo, em completo desatino, manifestou disposição de aceitar diretrizes do Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis, reconhecendo que esta decisão não implicaria em restrições de qualquer tipo ao programa espacial brasileiro e tampouco prejudicaria a cooperação internacional pertinente a tais programas. Senador Collor, por Deus, que reconhecimento mais patético esse! Em verdade, com estes mísseis, que já poderiam estar em estágios bem mais avançados de desenvolvimento pela indústria nacional, a compra de caças e a construção de submarinos nucleares se faria até em condições de melhor barganha.
    Senador Fernando Collor, gerador do ”KOZOVO YANOMAMY”, vossa excelência tem idéia do que seja um adestramento diuturno em combate na selva? Pois o senhor, assim como FHC mais adiante, que aderiu ao TNP, condenou a juventude amazonense, que incorpora anualmente no Exército Brasileiro, a este sacrifício desumano. Que se diga, a mais miserável opção estratégica que nos sobrou, graças a uma lamentável falta de visão prospectiva. Não tenha dúvida o “preclaro” político, os brasileiros até hoje se quedam a conjeturar sobre as motivações existentes àquela época para que no seu governo se renunciasse ao domínio de tecnologias de ponta que iriam poupar o soldado brasileiro do confronto, substituindo-o pela dissuasão.
    Ao colegiado de mentecaptos que o alçou à Presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, portanto, mais uma vez, os pêsames da nação brasileira, posto que sua nomeação lamentável para cargo de tamanha envergadura estratégica só veio a corroborar novamente para o descrédito de uma já decadente classe política. Por isso mesmo, diante dos fatos e por coerência, tome um “chazinho de simancol’ e renuncie ao cargo na investidura senatorial que preside.
    Paulo Ricardo da Rocha Paiva
    Coronel de Infantaria e Estado-Maior

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  45. Excelente trabalho. É bom saber que ainda existe vida inteligente na Universidade brasiliera. Parabéns e continue firme.

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  46. Caro Felipe, estudei História na UnB entre 2002 e 2006 e sei o quanto é difícil para os que discordam dos "iluminados", que só pensavam em fazer greve, se drogar ou fazer festas, debater e expor civilizadamente seu modo de pesar para essa horda de estupidez e fanatismo que domina a UnB. Meu irmão, que era da Engenharia Florestal, e o pessoal da direção do CA na época foram escorraçados pelo pessoal que queria fumar maconha e roubava coisas do próprio CA pra trocar por drogas. Me lembro de salas invadidas e aulas atrapalhada a toque de bumbo e palavras de ordem por baderneiros que queriam nos OBRIGAR a aderir a greves Tive professores discriminados por colegas e alunos, taxados de fascistas e colaboradores da ditadura só por discordarem da baderna e doutrinação comunista que havia. Esses foram meus melhores professores, pois orientavam e não doutrinavam. Minha impressão é que hoje mais do que nunca a UnB e as Universidades brasileiras estão comprometidas mais com projetos políticos ideológicos do que com a busca do conhecimento, os alunos estão sendo doutrinados e não ensinados. Pensar por si próprio, ouvir os dois lados pra chegar a uma conclusão, que deveria ser feito e incentivado pelos professores, já não é mais bem visto. Existe apenas os CERTOS que são eles e os errados, todo o resto. Te dou os parabéns por defender aquilo que acredita, ainda que isso resulte em tantos ataque por parte dos que se dizem "tolerantes" e te chamam de "fascista" e "intolerante". Também já me identifiquei com a esquerda, mas me desapontei ao ver que o discurso e a práxis eram diametralmente opostos. Hoje graças a Deus posso dizer que sou conservador com muito orgulho.

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  47. Caro Felipe, para mim foi uma agradável surpresa descobrir o seu blog. Surpresa maior ainda por ver que êle estava resistindo atá há pouco (28 de fevereiro de 2013). Espero que ainda esteja ativo. O relato de sua passagem de um esquerdista doutrinado até o campo do ideal liberal democrático foi muito interessante. Parecido com a história de muitas pessoas que fizeram essa passagem. Parabéns.

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  48. HAHAHAHHAHAHAHHAHAHAHHAHAHHAHAHHAHAHAHHAHA. A novidade da esquerda: Salvador Allende. Conta outra meu filho, essa já tá velha.

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  49. Parabéns pelo blog precisamos de novas ideias e mostrar o outro lado da moeda para os estudantes participarem ativamente da politica estudantil, contaminada hoje pelos nossos queridos militantes "socialistas de carros de papai". Quem sabe esse blog seja uma catalizador e agregador de muitos estudantes com nosso perfil perdidos e "humilhados" pela esquerda racista e ditatorial do movimento estudantil. Abraços, Flávio Taniguchi (medicina USP)

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  50. Parabéns Felipe ! Continue difundindo seu textos!

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  51. É impressionante o número de pessoas que se valem do anonimato por medo das esquerda. A esquerda causa tanto medo quanto qualquer tirania por eles acusada. Deviam sentir vergonha e "se tocarem". O mais importante nessa "cura" do Felipe foi o efeito do admirável "remédio" que ele tomou que se chama LIBERDADE. Quando se toma essa "vacina" passa-se a entender que a humanidade não é feita de seres clonados; que o ser humano é individualista por natureza; que ninguém tem a receita para o paraíso; que a felicidade não é um estado eterno, mas passageiro; que ninguém É pobre, mas está pobre assim como ninguém É rico mas está rico; que o trabalho, a poupança e o conhecimento são as melhores ferramentas para se melhorar o padrão de vida que não necessariamente será definitivo; que depois de cuidar de si em primeiro lugar ou enquanto cuida de si a pessoa que cuidar de outros por vontade própria deve ser admirada e considerada uma pessoa digna e exemplar, mas que se o sujeito não quiser cuidar de mais ninguém, mesmo estando com as burras cheias, não poderá ser obrigado, mas sim desprezado e ignorado por quem não gostar do seu modo de agir e finalmente, mas não definitivamente, a LIBERDADE nos proporciona reconhecer a nossa verdadeira humanidade, com suas virtudes e defeitos, e nos tira a arrogância de querermos ser deuses que se propõem moldar a natureza dos demais seres humanos iguais a nós pela força.

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