sábado, 1 de outubro de 2011

O jornalismo progressista e os malvados conservadores

Prezados leitores do blog,

Todos sabem que a mídia brasileira, salvo algumas exceções, não é lá de muita confiança. Afinal de contas, em um lugar onde um sujeito como Mino Carta -- que afirmou, com todas as letras, crer piamente que Josef Stálin era um direitista -- é tido como um grande jornalista-intelectual, não se deve acreditar muito no que se publica. No mínimo, o que se espera é um pouco de critério e, claro, outras fontes de informação.

Entretanto, em alguns casos, o mau-caratismo e a pusilanimidade atingem patamares tão obscenos que fica difícil não se indignar. Um exemplo desse anti-jornalismo nos foi brindado com o beneplácito do Último Segundo, portal de notícias do provedor iG, no começo dessa semana. Dia 26 de setembro, uma matéria intitulada "Extrema direita universitária se alia a skinheads" foi publicada pelo iG. A matéria trata de uma possível aliança entre a UCC -- União Conservadora Cristã, organização estudantil da USP -- e grupos de skinheads. O desfile de insanidades e deturpações é tão vergonhoso que publicamos abaixo a resposta da UCC ao iG.
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Carta em resposta ao portal ÚLTIMO SEGUNDO (notícias da iG) sobre a matéria "Extrema direita universitária se alia a skinheads"

Por Celso Zenaro
27/09/2011


O jornalista Ricardo Galhardo nos abordou expressando a intenção de escrever uma matéria sobre a UCC que apresentasse ao público nossas atividades, objetivos e bases ideológicas. Tal interesse foi despertado após o primeiro contato realizado na Contra-Marcha da Maconha, promovida pela UCC em aliança com outras duas organizações. Ao contrário do que o caráter panfletário da reportagem evidencia – a começar pelo seu título eivado de um sensacionalismo característico de jornalismo policial de bairro – o jornalista transpareceu alguma seriedade, sobretudo ao afirmar que uma de suas expectativas era justamente a de desconstruir alguns mitos relacionados a tais organizações e de que o interesse específico pela União Conservadora Cristã era fundamentada no fato de se tratar de uma organização universitária, algo que nos distinguia solenemente.

A entrevista perdurou por quase três horas e se dividiu entre perguntas seguidas de respostas formais e digressões sobre assuntos diversos, com o repórter relatando algumas de suas experiências que inclusive endossavam algumas das declarações do entrevistado. Ao ler a matéria publicada, a conclusão mais óbvia que se anunciou é a de que o jornalista premeditou sorrateiramente o seu conteúdo antes mesmo de executar a entrevista. Tudo o que lá se escreve tenta legitimar o histriônico título “Extrema-Direita Universitária Se Alia a Skinheads”. A técnica difamatória utilizada pelo militante travestido de jornalista foi a de recortar frases soltas – que separadas do contexto em que foram proferidas e do raciocínio que as precedeu estão sujeitas as mais levianas interpretações –, projetar sobre o entrevistado algumas de suas crenças particulares acerca de sua organização e reproduzir alguns de seus comentários secundários e acessórios como se fossem argumentos capitais capazes de impugnar determinadas acusações.

Segue meus esclarecimentos a cada uma das questões distorcidas e manipuladas pelo jornalista:

“Estamos aqui para batalhar tanto intelectualmente quanto fisicamente”

Tal frase foi dita quando eu descrevia o panorama do movimento estudantil. É de conhecimento comum que as ações políticas na universidade são monopolizadas pela esquerda e que qualquer ameaça de oposição, por mais modesta que se apresente, é por ela prontamente rechaçada sem o menor escrúpulo de recorrer a expedientes de violência se assim julgarem necessário. Portanto, a citada disposição para a batalha física adquire um significação de que, diferentemente de outros grupos, não nos deixaremos intimidar por palavras de ordem ou investidas de agressão. O jornalista, mesmo sabendo perfeitamente do que eu estava falando, recortou essa frase e a enquadrou a seu bel prazer de modo a identificá-la com uma veneração pela violência, possivelmente confirmada por nossa fictícia “aliança com skinheads”.

“O que precisamos é de homens dispostos a morrer por seus valores”

Mais uma vez o jornalista promoveu um arranjo para encaixar uma frase em uma lógica imaginária e difamatória, sugerindo que expressaria novamente uma admiração pela violência de grupos extremistas. A referida foi dita quando explicava o que sobrepõe o conservador cristão a pseudo-direita brasileira, ou, como o jornalista gostava de classificá-la, “direita coxinha”. Neste caso, um autêntico cristão estaria disposto a morrer se fosse perseguido por suas posturas, eis a firmeza de convicções que faltaria à oposição política brasileira. O jornalista adora rotular os outros de intolerante, porém não tolera a hipótese de escrever a verdade.

“Essa postura de combate me inspira muito. Uma inteligência que não está disposta ao combate é uma inteligência vazia”

Outra frase recortada para nos associar a entidades existentes e hiperbolizadas no discurso da mídia esquerdista. Criticava nesse trecho a proliferação de movimentos conservadores que agem restritos à internet e elogiava aqueles que apresentam a hombridade de sair às ruas e não me referia a nenhuma gangue ou tribo urbana. Todas as organizações que ousam militar por valores conservadores têm pleno conhecimento de que serão boicotadas ou satirizadas pela imprensa – tomemos como exemplo a grande mobilização contra a PL 122 ocorrida em Brasília -, nessa conjuntura, a postura de combate é sim uma virtude louvável.

UCC e referências

O Integralismo (atualmente representado pela FIB) e o IPCO jamais foram citados como referências teóricas e doutrinárias. O que foi afirmado é que são organizações com as quais estamos dispostos a dialogar e propor ações conjuntas contra problemas concretos. Ademais, o jornalista demonstra uma ignorância brutal e safadeza descomunal ao etiquetar o Integralismo como uma versão nacional do nazismo. A respeito do filósofo Olavo de Carvalho, o mesmo sequer ouviu falar da nossa organização (pelo menos não até a publicação da matéria). Nossa relação com ele se reduz à leitura de sua obra e admiração por sua coragem e vida consagrada aos estudos.

UCC e PSDB

As duas formas de nos associar ao PSDB expressaram claramente a má-fé do jornalista.

Em primeiro lugar, quando mencionei de passagem nossa conversa com a juventude do PSDB discorria sobre a história em movimentos políticos dos membros fundadores e aludia a um episódio que ocorrera quando a UCC sequer existia, de modo a frisar como e porque percebemos que não poderíamos participar de grupos já existentes, uma vez que tínhamos posicionamentos inflexíveis quanto a determinadas questões. Ou seja, um comentário sem qualquer importância para o objetivo da matéria conforme o declarado pelo jornalista, mas que ele selecionou com o intento de explorar o estereótipo da “classe média tucana” tão familiar ao vocabulário petista.

Em segundo lugar, as razões que fomentaram nosso voto por exclusão em José Serra foram simplificadas ao cúmulo do ridículo. Nossa ojeriza ao PSDB não se reduz a considerações genéricas como a frase reproduzida “Serra manteve alguns ideais de esquerda” indica. Ao justificar nosso voto em José Serra, expliquei pausadamente as relações espúrias do PT e seu protagonismo no Foro de São Paulo, uma organização com projeto de poder continental em fase adiantada de aplicação e que tem como suporte financeiro o narcotráfico coordenado pelas FARC. Isso me recordo muito bem que o jornalista anotou, mas talvez achou inconveniente reproduzir na matéria, dando preferência a frases curtas que isoladas não dizem nada. Talvez para ele tudo aquilo que estiver à direita da cumplicidade tucana com o projeto totalitário petista seja mesmo “extremismo”.

“Para os jovens da UCC, a USP é um antro comunista, nenhum partido político é suficientemente conservador, a pedofilia na Igreja é fruto da infiltração de agentes da KGB, o sexo é uma forma de idiotização da juventude, Geraldo Alckmin colocou uma mordaça gay na sociedade paulista, Fernando Henrique Cardoso foi o criador de Lula e Lula é o próprio anticristo.”

Uma mentira grosseira e duas deturpações.

1 - Quando mencionei a relação entre os casos de pedofilia na Igreja com a ação da KGB, tive o cuidado de observar repetidas vezes de que não estava afirmando categoricamente que a pedofilia só existia exclusivamente em decorrência disso. Apenas ressalvei que eram estudos realizados – citei dois livros a respeito – e vastamente ignorados pelos jornalistas.

2 - Sobre sexualidade e juventude, fui perguntado acerca da moral sexual cristã e sua aplicabilidade na vida ordinária do jovem hoje. Disse que a defesa da moral sexual não pode ser baseada na ênfase em normas fechadas mas sim abordadas de acordo com a abrangência que o assunto reclama, na qual está incluída a erotização excessiva promovida pela indústria de publicidade e entretenimento como um método de escravização psicológica da juventude. O jornalista afirmou que igualmente percebia esse problema e que compartilhava dessa preocupação por motivos de ordem familiar. Entretando, na matéria buscou caricaturar ao evocar a impressão de que acreditamos que qualquer jovem que pratique sexo é automaticamente um idiota. Se o jornalista é idiota eu não sei, mas malicioso, certamente.

3 - Não afirmei ou sugeri que Lula seja o Anticristo. Como cristão, jamais banalizaria o termo dessa forma.

UCC e neonazismo

Minha explanação das razões pelas quais rejeitamos o nazismo e o nacional-socialismo como um todo foi talvez a mais longa de todas. Todavia Ricardo Galhardo pretende fazer o público se convencer disso porque temos um aliado vegetariano e somos a favor de Israel. Sobre vegetarianismo e nazismo, não opus um ao outro como é subentendido pelo texto. Comentei sobre o vegetarianismo do líder da Resistência Nacionalista brevemente em uma situação descontraída, de maneira a afrontar o estereótipo do “brutamontes que quer sair dando porrada em todo mundo” que o supracitado jornalista insistia em atribuí-lo.

“A aproximação tem base na argumentação ideológica dos neoconservadores, segundo a qual é necessária uma elite intelectual que sirva de referência para a massa. 'Uma massa conservadora sem uma elite é uma massa de manobra. Não existe educação para as massas. Precisamos de uma alta cultura que sirva de referência para estas massas', disse Zenaro.”

Temos aqui a manipulação mais repugnante de todas. Quando mencionei a "massa conservadora desprovida de uma elite" me referi aos mais de 60 milhões de cristãos (entre católicos praticantes e evangélicos) e não às organizações com as quais participamos na Contra-Marcha da Maconha, como o jornalista tentou sugerir, nos tentando colocar como oportunistas instrumentalizadores das mesmas.

Em tempo: o prof. Olavo de Carvalho também publicou uma carta de repúdio a esse arremedo de matéria jornalística do iG. Confira aqui.

Um comentário:

  1. minha indignação é maior que a vontade de comentar este assunto.

    uma prática jornalística cotidiana.

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