segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Movimento estudantil pra quê?

Dentro de algumas semanas, acontecerá na Universidade de Brasília mais uma eleição para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e para representantes discentes (RDs), que são os estudantes que atuarão nos conselhos superiores da UnB – Conselho de Administração (CAD), Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) e Conselho Universitário (Consuni). Quase dez chapas foram formadas para a campanha eleitoral.

Ao contrário do que o blog da Juventude Conservadora fez na última eleição, não iremos apoiar oficialmente nenhuma das chapas. Os motivos que embasam essa decisão são dois, basicamente: primeiro, a própria natureza do movimento estudantil na Universidade de Brasília; segundo, os princípios em que o blog se alicerça.

O movimento estudantil, sobretudo na UnB, é pouquíssimo orientado para as reais necessidades dos estudantes. Salvo exceções cada vez mais raras, o que se vê em abundância no movimento estudantil são grupos e organizações que servem como testas-de-ferro de partidos políticos, grupos estes compostos por militantes estudantes – importante diferenciá-los do estudante militante, porque este tem seu foco primário na formação acadêmica, o que é inverso daqueles – que objetivam construir no ambiente universitário suas ideologias políticas (tenham elas pouco ou nada que ver com a realidade acadêmica) ou por arrivistas de toda sorte interessados em utilizar o movimento estudantil como trampolim para suas carreiras.

Pragmatismo, bom-senso, prudência e responsabilidade são características freqüentemente qualificadas como deturpações “burguesas” da “direita reacionária”. Curiosamente, são justamente essas “prestidigitações conservadoras” que moram nos corações e nas mentes da esmagadora maioria dos estudantes, e não lero-lero doutrinário com cheiro de naftalina. Não é à toa que muita gente sequer sabe o que seja movimento estudantil – a não ser, claro, quando sai alguma notícia sobre baderna ou arruaça promovida pelos militantes estudantes, como a que aconteceu recentemente na Reitoria da UnB (invasão que começou bem, mas que degringolou para um samba do crioulo – digo, afro-descendente – doido desnecessário). São coisas assim que incutem uma dúvida: para que, afinal, serve o movimento estudantil?

Explicado o primeiro motivo, aí vem o segundo: os princípios do blog. Nunca foi objetivo ou pretensão da Juventude Conservadora da UnB ser mais do que um veículo de informação e opinião que tem por objetivo primordial dar voz a uma parcela ignorada e acossada da comunidade acadêmica da Universidade de Brasília. Nunca tivemos a menor pretensão de atuar no movimento estudantil de maneira organizada. Por quê? Porque não encontramos uma resposta satisfatória para a pergunta do final do parágrafo anterior. Para nós, diante das evidências que se mostram todos os dias em diversos lugares e situações, o movimento estudantil serve ora para causar tumulto despropositado, ora para usar estudantes bem-intencionados como massa de manobra na defesa de ideários atrasados e que não possuem relação direta com ou capacidade de transformar positivamente a realidade universitária.

Bom, ainda assim, é certo que haverá aqueles que, babando e uivando, vomitem todo tipo de acusações contra nós. Afinal, quem é que pode confiar na palavra de “direitistas reacionários” e “ultraconservadores delirantes” como nós? Gente da "direita reaça" sempre está tramando alguma coisa – ao menos é isso o que se convencionou pregar – e não se pode acreditar em nada que digam.

Então, temos um recado para você que ajuda a divulgar esse tipo de besteira; que fala a torto e a direito dos conservadores sem nem saber o que é Conservadorismo; que mora no Lago Sul, Lago Norte, Asa Sul, Asa Norte, Sudoeste ou Jardim Botânico, mas é um “burguês de alma proletária”; que é um aluno badernista criado a leite com pêra, ovomaltino e pão com mortadela, e pode passar o dia inteiro na vagabundagem proletáriasocialistaprogressistarevolucionáriaultrajovem; que não está nem aí para o que a universidade realmente precisa e só ganhar fama em cima das dificuldades reais dos estudantes; e que tem poluções sucessivas ante a mera possibilidade de virar político às custas da comunidade estudantil. Para você, aí vão as palavras do saudoso Alborghetti:

Um comentário:

  1. O melhor revolucionário é um jovem desprovido de toda a moral.

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