quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Imperialismo Americano? Por favor...

Jonah Goldberg
National Review Online


Esse é o fim. Os Estados Unidos estão saindo do Iraque.

Estou firme no campo que vê isso como um equívoco estratégico. A democracia iraquiana é frágil, e o desejo do Irã em subvertê-la é forte. Além disso, anunciar nossa retirada é uma forma esquisita de responder a um frustrado plano iraniano para cometer um ato de guerra na capital dos EUA. Obviamente, espero estar errado e que o presidente Obama não esteja desperdiçando nossos enormes sacrifícios no Iraque em virtude de preocupações políticas domésticas e inépcia diplomática.

Entretanto, há uma vantagem. A decisão de Obama em sair o Iraque deveria desferir um golpe mortal contra os críticos internos e externos da América.

Afinal de contas, que tipo de império faz uma coisa dessas?

Por muito tempo os críticos da política externa dos EUA têm desfiado a ladainha sobre o "império" americano. O termo tem sido usado como um epíteto tanto pelos isolacionistas de esquerda quanto de direita, como um termo mais friamente descritivo por intelectuais da moda como Niall ferguson e Lawrence Kaplan, e com entusiasmo jubilante de alguns neoconservadores em política externa como Max Boot.

A acusação em tempos recentes têm como foco o Oriente Médio, especificamente o Iraque.

O problema é que a América contemporânea não é um império, pelo menos em nenhum sentido convencional ou tradicional.

Um império típico invade países para explorar seus recursos, impor controle político e extorquir tributos. Isso é verdade para todo império, desde os antigos romanos até os britânicos e soviéticos.

Esse nunca foi o caso do Iraque. Por toda a baboseira de sangue-por-petróleo, se a América quisesse o petróleo do Iraque ela poderia ter poupado muito sangue e simplesmente comprado. Saddam Hussein ficaria feliz em fechar um acordo se nós apenas acabássemos com nossas sanções. De fato, a indústria de petróleo dos EUA nunca fez lobby para uma invasão, mas para o fim das sanções. Nós também nunca arrancamos impostos do Iraque. Na verdade, nós defendemos sua diminuição.

E nós certamente não estamos no controle político do Iraque. Se estivéssemos, não teríamos concordado com o desejo do governo iraquiano em nos ver partir. Por acaso César se importava com o desejo popular da Gália?

Alguns militantes indubitavelmente dirão que a diferença essencial é que Barack H. Obama, e não George W. Bush, é presidente.

Porém, essa objeção tola esconde o fato de que Obama integrou-se em uma cronologia desenhada pela administração Bush. Mais do que isso, Obama se aproximou de Bush mais do que qualquer um poderia imaginar.

Considere a Líbia. Obama perseguiu exatamente o mesmo objetivo político -- forçar a mudança de regime -- que os críticos da Guerra do Iraque diuturnamente denunciaram como sendo o coração do imperialismo americano. Há diferenças significativas entre as duas empreitadas, é verdade, mas há pouquíssima diferença no nível conceitual, e nenhuma das duas teve algo que ver com imperialismo.

Mais importante, para que a acusação de imperialismo signifique alguma coisa ela precisa descrever algo mais amplo do que uma simples diferenciação ideológica de políticas. Se nosso imperialismo pode ser ligado e desligado como uma lanterna com a mera mudança de partidos, então quão imperialistas podemos ter sido desde o começo?

A palavra "regime" tem sido definida nos últimos anos como nada mais do que administrações presidenciais. "O que precisamos agora não é apenas uma mudança de regime com Saddam Hussein e o Iraque, mas precisamos de uma mudança de regime nos Estados Unidos", disse o senador John Kerry em 2003.

Regime descreve, na verdade, todo um sistema de governo. E se o regime americano é imperialista apenas enquanto os republicanos estão no poder, então não é uma afirmação séria, mas apenas uma calúnia conveniente e ideológica.

Em muitos lugares do Oriente Médio, a Guerra ao Terror é invocada como um front de inspiração religiosa para um imperialismo crusado. Essa besteira não enxerga o fato de que a América foi à guerra para salvar vidas islâmicas mais do que qualquer país islâmico já fez. Sob democratas e republicanos nós lutamos para salvar muçulmanos na Somália, no Kosovo, na Bósnia, no Kuwait, no Afeganistão, no Iraque e, agora, na Líbia. Não procuramos a conversão de ninguém e -- com exceção do Kuwait -- nunca apresentamos uma conta a pagar. Quando nos pediram para sair, nós saímos.

Dizer que fizemos essas coisas simplesmente por pilhagem e poder é um insulto a todos os americanos, particularmente àqueles que deram suas vidas no processo.

Jonah Goldberg é editor-assistente do National Review Online e autor do livro "Fascismo de Esquerda: a história secreta do esquerdismo americano", publicado pela Ed. Record (leia mais aqui).

4 comentários:

  1. Os árabes basicamente só se fodem.

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  2. gente, esse texto é muito ingênuo...a cara de um norte-americano médio...por favor, não vamos comprar qualquer tipo de peixe estragado pra poder bater na esquerda caricata

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  3. Nenhum argumento dele justifica nem os motivos e nem os meios obscuros dessa tentativa tão "linda" dos americanos (sejam republicanos, ou democratas) de salvar a humanidade.

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  4. Os antiamericanistas, por falta de algo mais útil a se fazer na vida, inventam os mais ridículos argumentos para desmerecer os fatos como os expostos acima. Eles parecem cultivar um estúpido sentimento que extravazam na vã esperança de estarem na frívola e inútil moda que predomina em muitos países invejosos e ressentidos. Graças aos céus que não pertenço a essa laia, mas admito que muitas vezes sinto pena. Espero que algum dia esses antiamericanistas consigam encontrar um rumo mais construtivo, mais edificante e parem de criticar os EUA, já que, obviamente, isso não leva e nem nunca conduz a NADA!

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