segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Comunicação alternativa ou cooptada?

Amanhã, dia 1º de novembro, ocorrerá a conferência "O papel dos meios de comunicação no contexto de crise global" às 18h30 no Memorial Darcy Ribeiro (Beijódromo). A conferência está sendo promovida pela Aliança Bolivariana para as Américas - ALBA, organização supranacional composta por Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador, Antigua e Barbuda, Nicarágua, Dominica e São Vicente e Granadinas. A notícia é da Secretaria de Comunicação da UnB.

Os conferencistas, referenciados pela Secom como "especialistas" em comunicação, serão Ignacio Ramonet e Jesse Chacón. Ignacio Ramonet, engenheiro de formação, foi diretor da revista de esquerda Le Monde Diplomatique, fundador da ATTAC ("Associação pela Tributação das Transações Financeiras para ajuda aos Cidadãos", uma organização internacional contrária ao livre mercado) e membro do conselho consultivo da Telesur (Televisón del Sur), uma rede de televisão multi-estatal idealizada por Hugo Chávez e fundada pelos governos cubano, venezuelano, argentino e uruguaio. Jesse Chacón, formado em Artes e Ciências Militares pelo Instituto Politécnico das Forças Armadas Nacionais da Venezuela, participou da tentativa de golpe liderada por Hugo Chávez em 1992 e chefes do Ministério do Interior (setembro de 2004 a janeiro de 2007), da Casa Civil da Presidência venezuelana (2008), do Ministério de Comunicações e Informação (dezembro de 2008 a abril de 2009) e do Ministério de Ciência e Tecnologia (abril a 6 de dezembro de 2009, quando renunciou ao cargo devido ao envolvimento de seu irmão, Arné Chacón, em um escândalo de corrupção).

O que estes "especialistas" têm em comum? Seu alinhamento ideológico. Mais do que isso: ambos têm fortes e profundas ligações com Hugo Chávez, o Grande Timoneiro da Venezuela. Além disso, Ignacio Ramonet é amigo pessoal de Fidel Castro e um dos maiores proponentes do altermundismo (a ideia de que "um outro mundo é possível", ou seja, um nome menos explícito para Socialismo). Até aí, tudo bem. Todos têm o direito de ter amizade com quem lhes aprouver e defender as bandeiras que acharem mais justas e corretas. Onde reside o problema, então?

A conferência de amanhã tratará do tema da comunicação com foco sobre os ditos meios alternativos de comunicação -- blogs, jornais independentes e redes sociais (Twitter, Facebook, dentre outras). O tema é importante, e o assunto é bastante fértil. O problema dessa questão é o posicionamento dos conferencistas sobre a caracterítica primordial desses meios alternativos de comunicação: liberdade. Tanto Ramonet quanto Chacón são defensores da postura bolivariana de estrangulamento à liberdade de imprensa e de perseguição, direta e indireta, aos meios de comunicação declaradamente opositores ao governo. Nesse contexto, ambos colocam que os meios alternativos de comunicação são uma maneira de combater a "grande mídia" -- sem enxergar um possível papel complementar, ou suplementar, daqueles em relação a esta.

Essa lógica encontra grande eco na intelligentsia e na classe política tupiniquim. Em 15 de setembro do ano passado, José Dirceu, o líder da quadrilha do Mensalão, declarou que  há "excesso de liberdade e do direito de expressão e da imprensa" no Brasil. Franklin Martins defendeu a criação do Conselho de Comunicação Social, órgão governamental de regulação e monitoramento dos meios de comunicação no País. Além disso, foi divulgado recentemente que o Partido dos Trabalhadores (PT) está trabalhando para oficializar a criação de uma patrulha virtual para atuar como uma guerrilha de propaganda e comunicação (o que foi preconizado pela "guerra de posições" de Gramsci).

O tom da conferência está muito bem explícito na reportagem da Secom:
O conselheiro político da embaixada da Venezuela no Brasil, Manuel Valdell, afirma que atualmente o mundo experimenta um série de crises. “E não se trata apenas da crise econômica ou social”, aponta. “Passamos, principalmente, por uma crise de idéias e modelos de desenvolvimento”, afirma.

Para ele, o sistema capitalista está por trás da instabilidade global. “A história recente já provou que se trata de um modelo falido, que vive em constante crise”, disse.
Certamente os "especialistas" vão desfiar elogios intermináveis à "primavera" árabe e, claro, ao Occupy Wall Street, além de esbravejar contra os grandes órgãos de comunicação como uma ameaça à "democracia midiática" mundo afora. Não resta dúvida de que será um grande evento de propaganda de ideias totalitárias, pura e simplesmente.

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