segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Comunicação alternativa ou cooptada?

Amanhã, dia 1º de novembro, ocorrerá a conferência "O papel dos meios de comunicação no contexto de crise global" às 18h30 no Memorial Darcy Ribeiro (Beijódromo). A conferência está sendo promovida pela Aliança Bolivariana para as Américas - ALBA, organização supranacional composta por Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador, Antigua e Barbuda, Nicarágua, Dominica e São Vicente e Granadinas. A notícia é da Secretaria de Comunicação da UnB.

Os conferencistas, referenciados pela Secom como "especialistas" em comunicação, serão Ignacio Ramonet e Jesse Chacón. Ignacio Ramonet, engenheiro de formação, foi diretor da revista de esquerda Le Monde Diplomatique, fundador da ATTAC ("Associação pela Tributação das Transações Financeiras para ajuda aos Cidadãos", uma organização internacional contrária ao livre mercado) e membro do conselho consultivo da Telesur (Televisón del Sur), uma rede de televisão multi-estatal idealizada por Hugo Chávez e fundada pelos governos cubano, venezuelano, argentino e uruguaio. Jesse Chacón, formado em Artes e Ciências Militares pelo Instituto Politécnico das Forças Armadas Nacionais da Venezuela, participou da tentativa de golpe liderada por Hugo Chávez em 1992 e chefes do Ministério do Interior (setembro de 2004 a janeiro de 2007), da Casa Civil da Presidência venezuelana (2008), do Ministério de Comunicações e Informação (dezembro de 2008 a abril de 2009) e do Ministério de Ciência e Tecnologia (abril a 6 de dezembro de 2009, quando renunciou ao cargo devido ao envolvimento de seu irmão, Arné Chacón, em um escândalo de corrupção).

O que estes "especialistas" têm em comum? Seu alinhamento ideológico. Mais do que isso: ambos têm fortes e profundas ligações com Hugo Chávez, o Grande Timoneiro da Venezuela. Além disso, Ignacio Ramonet é amigo pessoal de Fidel Castro e um dos maiores proponentes do altermundismo (a ideia de que "um outro mundo é possível", ou seja, um nome menos explícito para Socialismo). Até aí, tudo bem. Todos têm o direito de ter amizade com quem lhes aprouver e defender as bandeiras que acharem mais justas e corretas. Onde reside o problema, então?

A conferência de amanhã tratará do tema da comunicação com foco sobre os ditos meios alternativos de comunicação -- blogs, jornais independentes e redes sociais (Twitter, Facebook, dentre outras). O tema é importante, e o assunto é bastante fértil. O problema dessa questão é o posicionamento dos conferencistas sobre a caracterítica primordial desses meios alternativos de comunicação: liberdade. Tanto Ramonet quanto Chacón são defensores da postura bolivariana de estrangulamento à liberdade de imprensa e de perseguição, direta e indireta, aos meios de comunicação declaradamente opositores ao governo. Nesse contexto, ambos colocam que os meios alternativos de comunicação são uma maneira de combater a "grande mídia" -- sem enxergar um possível papel complementar, ou suplementar, daqueles em relação a esta.

Essa lógica encontra grande eco na intelligentsia e na classe política tupiniquim. Em 15 de setembro do ano passado, José Dirceu, o líder da quadrilha do Mensalão, declarou que  há "excesso de liberdade e do direito de expressão e da imprensa" no Brasil. Franklin Martins defendeu a criação do Conselho de Comunicação Social, órgão governamental de regulação e monitoramento dos meios de comunicação no País. Além disso, foi divulgado recentemente que o Partido dos Trabalhadores (PT) está trabalhando para oficializar a criação de uma patrulha virtual para atuar como uma guerrilha de propaganda e comunicação (o que foi preconizado pela "guerra de posições" de Gramsci).

O tom da conferência está muito bem explícito na reportagem da Secom:
O conselheiro político da embaixada da Venezuela no Brasil, Manuel Valdell, afirma que atualmente o mundo experimenta um série de crises. “E não se trata apenas da crise econômica ou social”, aponta. “Passamos, principalmente, por uma crise de idéias e modelos de desenvolvimento”, afirma.

Para ele, o sistema capitalista está por trás da instabilidade global. “A história recente já provou que se trata de um modelo falido, que vive em constante crise”, disse.
Certamente os "especialistas" vão desfiar elogios intermináveis à "primavera" árabe e, claro, ao Occupy Wall Street, além de esbravejar contra os grandes órgãos de comunicação como uma ameaça à "democracia midiática" mundo afora. Não resta dúvida de que será um grande evento de propaganda de ideias totalitárias, pura e simplesmente.

sábado, 29 de outubro de 2011

CarandirUSP

No dia 27 de outubro, quinta-feira passada, a apreensão de três estudantes da USP que estavam fumando maconha próximos à faculdade de História da universidade foi o estopim para uma das maiores demonstrações públicas de estupidez, ignorância e violência realizada por universitários brasileiros nos últimos anos. O cumprimento da lei foi motivo para que uma rebelião se instalasse contra basicamente tudo.

Invasores do edifício da administração da FFLCH. (Fonte: Veja)

E este é o termo correto: rebelião. Os manifestantes assumiram a administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), fizeram barricadas, encheram o lugar de cartazes e andam constantemente com os rostos cobertos. É impossível não ver as imagens e associar essa revolta "estudantil" com rebeliões de presos na unidade Franco da Rocha da Fundação Casa (antiga FEBEM), em São Paulo, ou em Bangu 1, no Rio de Janeiro. Isso diz muito sobre a real natureza da rebelião, que é levada a cabo pelo extrato mais alienado da comunidade discente da USP: marxistas-leninistas fanáticos, trotskistas delirantes, anarquistas fundamentalistas, drogados convictos e "progressistas" de toda sorte.

Os rebeldes e suas "bíblias" na tentativa de conversão dos policiais. (Fonte: Folha de S. Paulo)
Uma das coisas que chama a atenção é uma foto em que os revoltosos aparecem com livros na mão, aparentemente tentando convencer a polícia de que sua luta tem um fundamento moral superior. Bom, para alguém que não consegue escrever nem um cartaz direito -- "Os policiais não são trabaliadores são o braço armado$ dos exploradores" (sic) --, fica meio difícil acreditar que eles usem aqueles livros como alguma coisa além de peso de papel.

Um dos cartazes da ocupação. Paulo Freire ficaria orgulhoso.
(Fonte: Folha de S. Paulo)


A USP está entre as 200 melhores universidades do mundo -- no QS World University Ranking, está na 169ª posição; no Times Higher Education (THE), aparece em 178º lugar. Essas imagens são a prova de que nem a melhor universidade brasileira escapa de ser vítima de bandeiras que a história humana já mostrou serem fadadas ao oblívio. Ganham os totalitários de plantão, mas todos perdemos.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Hoje: Liberdade na Estrada 2011 na UnB


Evento gratuito. Clique aqui para fazer sua inscrição.

Texto do blog é divulgado no Mídia Sem Máscara




O portal de notícias Mídia Sem Máscara - MSM publicou a tradução que o blog Juventude Conservadora da UnB fez de texto do jornalista norte-americano Jonah Goldberg sobre a queda de Gaddafi e o suposto imperialismo dos Estados Unidos nesse caso. Para ler mais, clique na imagem acima.

Quem sou eu?


Meu nome é Felipe de Oliveira Azevedo Melo, estudante de Administração da Universidade de Brasília. Nasci em 21 de dezembro de 1985 em Anápolis, Goiás, apesar de meus pais terem sido criados no Distrito Federal. Fui criado em Ceilândia, bairro de periferia, e moro ainda nessa cidade-satélite (que adoro de coração).

Tive uma infância bastante politizada. Minha mãe, professora da então Fundação Educacional do Distrito Federal (FEDF), era integrante da Articulação de Esquerda, corrente do Partido dos Trabalhadores (PT), e conhecida de muitas pessoas que sempre participaram do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (SINPRO/DF). Ainda pequeno, acompanhava minha mãe tanto nas reuniões do PT quanto nas assembleias dos professores. Também sempre participei das campanhas de rua do PT. Não é à toa que, desde cedo, mostrei uma verve política de esquerda muito forte.

Ingressei no curso de Direito da Universidade Católica de Brasília (UCB) em 2002, quando tinha 16 anos de idade. Nessa mesma época, me filiei ao Partido dos Trabalhadores e ingressei na corrente O Trabalho (OT), de orientação trotskista. Li muitos dos autores clássicos da literatura marxista-leninista e trotskista -- Karl Marx, Friedrich Engels, Rosa Luxemburgo, Antonio Gramsci, Vladimir Lenin, Leon Trotsky -- e até mesmo autores anarquistas, como Proudhon, Kropotkin e Bakunin.

Em meados de 2005, após uma conversa com um dos ideólogos do grupo, meu pensamento político começou a mudar. O indivíduo em questão possuía uma vida que, sob todos os aspectos, o encaixava na classificação de pequeno-burguês de acordo com o próprio jargão que utilizávamos: morava em Brasília num apartamento de mais de 200m², era casado com uma alta funcionária da diplomacia brasileira e tinha uma renda familiar mensal de aproximadamente R$ 20 mil. À época, a renda mensal de minha família não ultrapassava R$ 2.500, o que não nos garantia uma vida muito confortável. Eu me encaixava perfeitamente no estereótipo socialista de "proletário" -- pai metroviário, mãe professora, eu mesmo sendo um estudante desempregado que dependia de bolsa de estudos para cursar o ensino superior -- e esse ideólogo, um dos cabeças do grupo, não chegava nem perto de ser um "proletário". Uma dúvida surgiu na minha mente: por que ele dizia, com tanta propriedade, conhecer os anseios da classe trabalhadora se, a rigor, nunca havia feito parte dela?

Isso me levou duas indagações fundamentais. Primeiro, os grandes nomes da literatura socialista, comunista e anarquista nunca foram membros da classe "proletária": se não faziam parte da pequena-burguesia (como Lenin, que era advogado), eram burgueses de fato (como Engels, que era dono de indústria) ou aristocratas (como Kropotkin, membro da Casa Real de Rurik). Segundo, a "dialética" que era tão defendida dentro do grupo (não apenas o materialismo dialético, mas o pensamento dialético puro) era uma grande farsa; já que dialética implica confrontação de ideias opostas, como poderíamos ser dialéticos se nunca, jamais estudamos sequer um único texto de algum autor "reacionário"? Outra coisa que também foi determinante foi o escândalo do mensalão e a profunda decepção que isso representou para mim, que ainda acreditava no Lula como a grande alternativa para o Brasil. Foi a partir desse momento que, sentindo que algo não estava no lugar, comecei a me afastar cada vez mais do espectro político de esquerda.

Em 2007, ingressei no curso de Administração da Universidade de Brasília. Até então, eu havia me mantido em inatividade política, sem ler ou pesquisar nada que se relacionasse a isso. Estudando na UnB, comecei a estudar mais profundamente disciplinas como economia, psicologia, sociologia e filosofia. O mundo acadêmico literalmente abriu-se para mim, e foi essa massa crítica de conhecimento que, lentamente, começou a revelar o que para mim era a postura mais correta a ser adotada em matéria de política. A relevância intelectual das teorias que serviram de base para o socialismo, o comunismo e o anarquismo revelou-se praticamente nula a partir desses estudos.

Decidido a buscar alternativas, comecei a buscar outros autores, intelectuais que estivessem dispostos a analisar as coisas sob outro prisma. As coisas começaram a fazer sentido. Aquela sensação de deslocamento, reflexo da dissonância cognitiva que sofri quando tive meu desencanto, não se apresentou mais. Era quase como me ver curado de uma doença -- e, de fato, era uma doença profunda e grave, que destrói o senso de certo e errado, que transforma assassinos em santos e demoniza os valores mais sagrados sobre os quais se construiu nossa civilização. E, à medida que fui ampliando e aprofundando meus conhecimentos, conheci outros que, como eu, não se viam representados pelo status quo ideológico.

Quando decidi iniciar o blog da Juventude Conservadora da UnB, não tinha por objetivo ser um agente político ipsis litteris, mas dar voz a alguém que fazia parte de uma realidade esquecida, achincalhada e, às vezes, oprimida dentro da universidade. Os textos que publiquei jamais refletiram somente a minha opinião pessoal, mas a de muitas outras pessoas com as quais converso e convivo diariamente na universidade. O anonimato, que até agora tentei manter, buscava me resguardar de retaliações. Nunca gostei desse pretenso anonimato, para falar a verdade. Por que eu deveria me esconder? Era impossível não enxergar nisso uma certa covardia, mesmo que bem fundamentada. Além disso, as ofensas e as ameaças que recebi, apesar de provocarem medo no primeiro momento, serviram como combustível inconsciente para que eu prosseguisse.

Hoje, eu decidi revelar de uma vez por todas quem sou a fim de evitar maiores especulações. Alguns já me conheciam. Outros, desconfiavam. Não sei até onde isso será importante ou relevante, tanto para mim quanto para os outros, mas o tempo vai me mostrar.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Liberdade na Estrada 2011 será na UnB


Prezados leitores,

A edição de Brasília do "Liberdade na Estrada 2011", organizado pelo OrdemLivre.org -- um projeto da Atlas Economic Research Foundation em cooperação com o Cato Institute --, será realizada na Universidade de Brasília. O evento será amanhã, dia 28 de outubro, às 19h00, no Anfiteatro 19 (ponta da ala norte do ICC).

Palestrantes:

Diogo Costa
Mestre em Teoria Política pela Columbia University e professor de Relações Internacionais do Ibmec-MG

Carlos Pio
Doutor em Ciência Política e professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília

Para fazer gratuitamente sua inscrição para o evento, clique aqui.

Aliança pela Liberdade vence eleições do DCE


Hoje é, sem sombra de dúvidas, um dia histórico para a Universidade de Brasília. De acordo com informações da Secretaria de Comunicação da UnB, a Aliança pela Liberdade (chapa 8) foi a vitoriosa nas eleições para o Diretório Central dos Estudantes. De acordo com informações do Campus Online, a chapa vencedora recebeu 1.280 votos -- 188 a mais do a chapa 5, que ficou em segundo lugar. Isso marca um importante ponto de inflexão não apenas no movimento estudantil, mas representa uma crucial mudança de percepção por parte da comunidade acadêmica da Universidade de Brasília.

De todas as chapas que participaram do pleito, a Aliança pela Liberdade era a única que não pertencia ao espectro político de esquerda. Além disso, era também a única chapa que não era formada por partidos ou grupos políticos externos à universidade, conforme noticiou ontem reportagem publicada pelo Correio Braziliense na seção "Eu, Estudante". Outro ponto a se notar é que a Aliança pela Liberdade foi o primeiro grupo estudantil organizado da Universidade de Brasília a defender pontos rechaçados pela tradicional militância esquerdista dentro da universidade, como a importância das fundações privadas no financiamento de pesquisas e a necessidade de policiamento constante como uma das medidas de combate à violência dentro dos campi.

A eleição da chapa 8 expôs não apenas o grande racha que permeia os grupos políticos de esquerda dentro da universidade, mas também o grau de distância entre a realidade universitária e as propostas das chapas vermelhas. A vitória da Aliança pela Liberdade mostra que a comunidade discente da Universidade de Brasília aposta em políticas pragmáticas, realistas e que tenham impacto concreto positivo na instituição. A mesma ladainha de sempre do "fora isso, fora aquilo" está esgarçada, frágil e não encontra eco junto aos estudantes como acontecia há alguns anos.

Entretanto, a situação não são só flores. Ao ser anunciada a vitória da Aliança pela Liberdade, as outras chapas presentes à apuração manifestaram-se aos gritos de "não me representa". A próxima gestão do DCE da UnB certamente enfrentará uma oposição como nunca se viu antes, especialmente de grupos mais radicais dentro da universidade (ligados ao PSTU, ao PCO, ao MEPR e à RECC). A proposta de implementação do DCE parlamentarista pode ser eficiente em dissuadir a politicagem rasteira e trazer ao debate aqueles estudantes que realmente se importam com os rumos da UnB sob um ponto de vista realista, e não utópico. Ainda assim, apostar em um cenário específico por agora é bastante prematuro. Devemos acompanhar de perto a evolução dos acontecimentos daqui em diante com atenção e cuidado.

O blog Juventude Conservadora da UnB gostaria de parabenizar a Aliança pela Liberdade por essa vitória histórica. Essa conquista não é só importante para a comunidade acadêmica da Universidade de Brasília, mas também para todos os estudantes de universidades públicas ao redor do País. O resultado dessa eleição para o DCE é um refrigério de esperança para todos aqueles que vislumbram um ambiente universitário mais plural, humanista e democrático.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Imperialismo Americano? Por favor...

Jonah Goldberg
National Review Online


Esse é o fim. Os Estados Unidos estão saindo do Iraque.

Estou firme no campo que vê isso como um equívoco estratégico. A democracia iraquiana é frágil, e o desejo do Irã em subvertê-la é forte. Além disso, anunciar nossa retirada é uma forma esquisita de responder a um frustrado plano iraniano para cometer um ato de guerra na capital dos EUA. Obviamente, espero estar errado e que o presidente Obama não esteja desperdiçando nossos enormes sacrifícios no Iraque em virtude de preocupações políticas domésticas e inépcia diplomática.

Entretanto, há uma vantagem. A decisão de Obama em sair o Iraque deveria desferir um golpe mortal contra os críticos internos e externos da América.

Afinal de contas, que tipo de império faz uma coisa dessas?

Por muito tempo os críticos da política externa dos EUA têm desfiado a ladainha sobre o "império" americano. O termo tem sido usado como um epíteto tanto pelos isolacionistas de esquerda quanto de direita, como um termo mais friamente descritivo por intelectuais da moda como Niall ferguson e Lawrence Kaplan, e com entusiasmo jubilante de alguns neoconservadores em política externa como Max Boot.

A acusação em tempos recentes têm como foco o Oriente Médio, especificamente o Iraque.

O problema é que a América contemporânea não é um império, pelo menos em nenhum sentido convencional ou tradicional.

Um império típico invade países para explorar seus recursos, impor controle político e extorquir tributos. Isso é verdade para todo império, desde os antigos romanos até os britânicos e soviéticos.

Esse nunca foi o caso do Iraque. Por toda a baboseira de sangue-por-petróleo, se a América quisesse o petróleo do Iraque ela poderia ter poupado muito sangue e simplesmente comprado. Saddam Hussein ficaria feliz em fechar um acordo se nós apenas acabássemos com nossas sanções. De fato, a indústria de petróleo dos EUA nunca fez lobby para uma invasão, mas para o fim das sanções. Nós também nunca arrancamos impostos do Iraque. Na verdade, nós defendemos sua diminuição.

E nós certamente não estamos no controle político do Iraque. Se estivéssemos, não teríamos concordado com o desejo do governo iraquiano em nos ver partir. Por acaso César se importava com o desejo popular da Gália?

Alguns militantes indubitavelmente dirão que a diferença essencial é que Barack H. Obama, e não George W. Bush, é presidente.

Porém, essa objeção tola esconde o fato de que Obama integrou-se em uma cronologia desenhada pela administração Bush. Mais do que isso, Obama se aproximou de Bush mais do que qualquer um poderia imaginar.

Considere a Líbia. Obama perseguiu exatamente o mesmo objetivo político -- forçar a mudança de regime -- que os críticos da Guerra do Iraque diuturnamente denunciaram como sendo o coração do imperialismo americano. Há diferenças significativas entre as duas empreitadas, é verdade, mas há pouquíssima diferença no nível conceitual, e nenhuma das duas teve algo que ver com imperialismo.

Mais importante, para que a acusação de imperialismo signifique alguma coisa ela precisa descrever algo mais amplo do que uma simples diferenciação ideológica de políticas. Se nosso imperialismo pode ser ligado e desligado como uma lanterna com a mera mudança de partidos, então quão imperialistas podemos ter sido desde o começo?

A palavra "regime" tem sido definida nos últimos anos como nada mais do que administrações presidenciais. "O que precisamos agora não é apenas uma mudança de regime com Saddam Hussein e o Iraque, mas precisamos de uma mudança de regime nos Estados Unidos", disse o senador John Kerry em 2003.

Regime descreve, na verdade, todo um sistema de governo. E se o regime americano é imperialista apenas enquanto os republicanos estão no poder, então não é uma afirmação séria, mas apenas uma calúnia conveniente e ideológica.

Em muitos lugares do Oriente Médio, a Guerra ao Terror é invocada como um front de inspiração religiosa para um imperialismo crusado. Essa besteira não enxerga o fato de que a América foi à guerra para salvar vidas islâmicas mais do que qualquer país islâmico já fez. Sob democratas e republicanos nós lutamos para salvar muçulmanos na Somália, no Kosovo, na Bósnia, no Kuwait, no Afeganistão, no Iraque e, agora, na Líbia. Não procuramos a conversão de ninguém e -- com exceção do Kuwait -- nunca apresentamos uma conta a pagar. Quando nos pediram para sair, nós saímos.

Dizer que fizemos essas coisas simplesmente por pilhagem e poder é um insulto a todos os americanos, particularmente àqueles que deram suas vidas no processo.

Jonah Goldberg é editor-assistente do National Review Online e autor do livro "Fascismo de Esquerda: a história secreta do esquerdismo americano", publicado pela Ed. Record (leia mais aqui).

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O PT na coleira da Alemanha

Victor Fernandes
CONS Paraná


Muito tem sido dito a respeito das fontes de financiamento pouco ortodoxas do Partido dos Trabalhadores (PT). Esquemas de corrupção lamentavelmente já são corriqueiros nos noticiários. Quadrilheiros notórios empalmam o mando nos ministérios. O patrimônio público é usado sem pudor para finalidades estritamente pessoais dos que participam do círculo íntimo dos governantes. As autoridades federais imperialmente outorgam-se privilégios absurdos sem o menor constrangimento.

No entanto, muitos ignoram que a voracidade cleptocrática do PT sobre o Estado brasileiro não se contenta nem mesmo com o gigantesco butim que arranca do Erário cotidianamente. O Partido-Príncipe de modo contínuo se socorre em multimilionárias fundações estrangeiras, colocando-se na dependência direta de poderes transnacionais que trabalham para o fim das soberanias dos Estados-nações, erguidos a custa de muito suor e muito sangue de nossos bravos antepassados.

Agindo conforme essa prática, o PT não se fez de rogado e procurou o Friedrich Ebert Stiftung (FES, outrora ILDES), que municiou com conhecimentos técnicos de ativismo político uma plêiade de organizações esquerdistas que gravitam em torno da sigla, os quais lhes permitiram seqüestrar a máquina estatal em detrimento dos cidadãos e em benefício dos militantes que rezam segundo a cartilha do internacionalismo de esquerda. Como o dinheiro que sustentou esses esforços de adestramento dos revolucionários nativos veio dos cofres do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, não há exagero algum em se afirmar que a holding PT - CUT - Fundação Perseu Abramo tem um governo estrangeiro entre seus acionistas.

Sabendo-se que há leitores mais incrédulos, convém deixar aqui a confissão de petistas graduados acerca da influência da ILDES/FES na organização e na manutenção do PT e suas organizações-simbiontes. O vídeo a seguir dissipa quaisquer dúvidas porventura existentes acerca de tudo que foi dito neste post até agora:


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ocupe você também!

Vê-se, nos últimos dias, um dos eventos mais inspiradores da atualidade: o movimento Occupy Wall Street. Milhares de jovens de classe média e classe média-alta protestanto contra o malvado sistema capitalista e suas corporações sanguinolentas. Registrando cada momento de fúria libertária com suas câmeras Nikkon ou suas filmadoras Sony, atualizando os amigos sobre os acontecimentos através do Twitter e enchendo os murais alheios do Facebook com ditos revolucionários, democráticos e populares -- tudo através de seus smartphones e tablets comprados com a suada mesada que ganharam de seus papais e de suas mamães, que trabalham a alguns quarteirões dos protestos --, esses guerreiros da liberdade estão ameaçando de uma vez por todas os alicerces sobre os quais o Grande Satã & Encarnação do Mal Eterno, os Estados Unidos da América, foram erguidos. O fato de que todos os que estão ocupando Wall Street serem beneficiários da cruel lógica do grande capital é um mero detalhe.

Mensagens de solidariedade e reconhecimento não param de ser enviadas aos bravos lutadores pela verdadeira democracia. Os líderes da gloriosa revolta que derrubou o sanguinário Hosni Mubarak, no Egito -- e que, mais tarde, facilitaram a invasão à embaixada do Pequeno Satã, vulgo Israel, e o justiçamento de perigosos inimigos da revolução --, saudaram o Occupy Wall Street como sendo o mais forte eco da Primevera Árabe no Ocidente. Os indômitos e incansáveis companheiros de luta de Londres, que abalaram as estruturas do sistema conservador nazifascista de direita inglês deixando de lado toda essa baboseira de legalismo e ação engessada, também enviaram saudações calorosas aos novos partisans estadunidenses.

O movimento Occupy Wall Street foi idealizado pela organização NYC General Assembly -- um grupo que reúne artistas, escritores, intelectuais, estudantes e sindicalistas, ou seja, a intelligentsia vanguardista dos liberals de Nova York (praticamente uma mistura de CUT, UNE e a folha de pagamento do Ministério da Cultura) -- e conta com o apoio de outros grupos, como o Adbusters (acreditam que toda propaganda é lavagem cerebral cerceadora dos direitos de escolha do cidadão) e o Anonymous (os sujeitos que devem fazer Alan Moore, o reacionário criador de "V de Vingança", se retorcer de raiva). O movimento também tem apoio de gente importante e admirada nos Estados Unidos, como Susan Sarandon e Michael Moore. E, bom, se a Sarandon e o Moore apóiam, deve ser uma coisa boa, né? Bonita certamente é: os sujeitos são tão democráticos que têm até um guia de uniformização de comunicações para as reuniões. Isso sim que é defender a igualdade!

Aliás, como são diferentes esses novos heróis americanos -- jovens, inteligentes, democratas -- daqueles caipirões racistas e broncos do Tea Party! Quer um discurso de ódio pior que o de exigir que o governo não cobre mais impostos de quem produz mais? Quer um discurso mais racista do que falar que o primeiro presidente negro dos Estados Unidos é um socialista com inspirações totalitárias disfarçado de bom moço? Isso não é liberdade de expressão, isso é crime -- ao contrário de defender a decapitação de banqueiros. Aliás, para quem ainda não sabe como identificar um guerreiro da liberdade e um sicofanta reacionário (onde foi que eu ouvi isso mesmo?), aí vai (com os devidos créditos ao camarada Bruno Garschagen):


P.S.: Em um de seus momentos de inspiração intelectual (e, convenhamos, não eram poucos), Paulo Francis soltou a seguinte frase: "A ignorância é a maior multinacional do mundo." Hoje em dia, é mais que isso: a ignorância transformou-se em ideologia, em estilo de vida, na religião que mais cresce no mundo. Só não vê quem não quer.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Democracia normal e patológica – II

Olavo de Carvalho

 Não é preciso dizer que situações especiais podem induzir quaisquer das duas facções maiores a inverter sua política habitual, em vista das conveniências e oportunidades. O governo petista, adotando controles monetários ortodoxos para escapar a uma crise econômica; a administração Bush, criando um sistema de vigilância interna quase socialista depois do 11 de setembro, são exemplos notórios.

Fatos como esses bastam para demonstrar que a democracia saudável é a administração bem-sucedida de um conflito insolúvel, destinado a perpetuar-se entre crises e não a produzir a vitória definitiva de uma das facções. Desde o início, a democracia tem encontrado no equilíbrio instável a regra máxima do seu bom funcionamento.

Basta compreender essas noções para perceber que a democracia brasileira é um doente em estado quase terminal. O jogo normal de esquerda e direita, que permite a continuidade do processo democrático e mantém os extremismos sob rédea curta, foi substituído por um sistema de controle monopolístico não só do poder estatal como da cultura e da mentalidade pública; controle tão eficiente que já não é percebido como tal, de modo que, quanto mais patológica é a situação, mais confortavelmente todos se acomodam a ela, acreditando piamente viver na mais pura normalidade democrática.

A facção que domina o governo controla também o sistema de ensino, as universidades e instituições de cultura, o meio editorial e artístico e a quase totalidade dos órgãos de mídia. A mais mínima falha nesse controle, o mais leve sinal de descontentamento, mesmo parcial e apolítico, desperta ou alarma as hostes governistas, que se apressam a mobilizar seus militantes para o combate a "ameaças golpistas"  inexistentes. A facção dominante compõe-se da aliança indissolúvel entre a esquerda e a extrema-esquerda, sendo esta última, então, legitimada como parte da esquerda normal, digna do respeito e da consideração dos eleitores.

Tão perfeito é o controle hegemônico que essa aliança exerce sobre a sociedade, que nem a esquerda nem a extrema-esquerda têm de se apresentar francamente como tais: os eleitores tornaram-se como peixes que, jamais tendo estado fora da água, ignoram a existência de algo que não seja água e portanto não distinguem entre a água e o universo em geral. Nessas condições, está realizado o ideal de Antônio Gramsci, em que o Partido revolucionário desfruta "da autoridade onipresente invisível de um imperativo categórico, de um mandamento divino".

Tão paradoxal é a situação, que os únicos que insistem em exibir sua identidade de esquerdistas, com orgulho disso, são justamente os membros da "oposição", colhidos entre facções da esquerda moderada ou entre oportunistas sem ideologia nenhuma. Uns e outros têm com o governo divergências pontuais e, é claro, disputa de cargos. Nada mais.

Nesse panorama, a ostensiva colaboração política do partido governante com organizações terroristas, por sua vez associadas a gangues de criminosos locais, é incapaz de provocar escândalo, pelo simples fato de que não se conseguiu provar nenhuma ajuda financeira vinda dos bandidos aos políticos de esquerda. Isto é, só se concebe uma aliança criminosa sob a forma do financiamento ilegal, da "corrupção" no sentido mais genérico e apolítico do termo.

A articulação de partidos legais com organizações criminosas para fins de vantagem política mútua não é, em si, considerada um crime ou motivo de alarma. O "direito" à conquista do poder absoluto por quaisquer meios possíveis e imagináveis é aceito como procedimento democrático normal, desde que não envolva "corrupção".

Nesse quadro, a direita, como tal, não existe mais. Os ideais que a caracterizavam são cada vez mais criminalizados como extremismo, espalhando entre os políticos o medo de encarná-los em público, para não ser tachados de golpistas, racistas, nazistas, o diabo.

A anormalidade da situação é percebida pela própria esquerda dominante que, na ausência de oposição direitista, tem de inventar uma, composta de ficções e de figuras de linguagem, para dar a impressão de que está lutando contra alguma coisa. Essa necessidade é tanto mais premente porque a esquerda brasileira forjou sua reputação explorando o papel de "minoria perseguida", adquirido no tempo dos militares, e sente a necessidade de continuar a representá-lo em público quando já não há ninguém que a persiga e, ao contrário, só ela dispõe dos meios de perseguir. A "ameaça direitista" é construída, então, mediante os seguintes expedientes:

1- Explorar a recordação dos feitos malignos do regime militar, ampliados até à demência, de tal modo que trezentos terroristas mortos assumam as proporções de um genocídio mais vasto que a matança de cem mil cubanos, dois milhões de cambojanos, quarenta milhões de cidadãos soviéticos e setenta milhões de chineses.

O fato de que aqueles terroristas fossem, em maior ou menor medida, todos colaboradores do genocídio comunista é descontado como se fosse um nada, e os personagens são transfigurados em heróis da democracia. A menor tentativa de recolocar os fatos nas devidas proporções é rejeitada, inclusive nas universidades, como sinal ameaçador de golpismo iminente. Se isso não é uma psicose, toda a ciência da psicopatologia está errada.

2- Como não é possível, ao mesmo tempo, manter a população sob o temor de um golpe iminente e continuar exibindo como única prova desse risco acontecimentos de meio século atrás, o establishment de esquerda e extrema-esquerda têm de produzir constantemente novos indícios da existência e periculosidade de uma direita que ele eliminou por completo. Um dos recursos para esse fim é dar ares de feroz oposição ideológica direitista a qualquer hostilidade pontual e mínima que surja nas hostes da esquerda moderada, que constitui a quase totalidade da oposição presente.

Quando um social-democrata tucano aponta um sinal de ineficiência administrativa ou de corrupção no governo, logo aparece algum Paulo Henrique Amorim bem pago para denunciar o golpe de direita que, é claro, se prepara a olhos vistos. A única reação dos acusados, em geral, é exibir sua certidão de bons serviços à esquerda, para eliminar suspeitas.

3- O mais extremo dos expedientes é apontar indivíduos isolados ou grupos minoritários de dimensões irrisórias como se fossem forças ameaçadoras que se levantam no horizonte, ameaçando esmagar a esquerda nas eleições ou fuzilar todos os comunistas. Organizações ridiculamente pequenas, de trinta ou quarenta membros, sem financiamento ou suporte político, são tratadas como militâncias multitudinárias, capazes de assombrar as noites dos governantes acuados.

Vozes solitárias, amputadas de qualquer possibilidade de ação política pela falta de recursos e pelas divergências insanáveis que as isolam umas das outras, são tratadas como se constituíssem um bloco único e temível, a "direita" ressurgente, pronta, como em 1964, para dar um golpe e anular todas as "conquistas populares". Não é preciso dizer que, nessas circunstâncias, grupos ultraminoritários de extrema-direita, como a Resistência Nacionalista, inflados pela propaganda negativa que recebem da esquerda, passam a se sentir mais importantes do que são e vislumbram, excitados, as mais belas oportunidades de futuro, sem perceber que elas, tanto quanto eles próprios, só têm a existência fantasmal das sombras de um delírio.

Como a existência de uma direita é requisito estrutural da normalidade democrática, sua supressão faz com que as formas patológicas de direitismo se sintam chamadas à missão sagrada de recolocar as coisas em seus lugares, como se sua própria existência não fosse baseada na desordem. Também não é de espantar que o medo autoalimentado que viceja na alma da esquerda a leve a não contentar-se com o combate verbal mas a tomar medidas práticas para defender-se de adversários microscópicos, tomando coelhos por leões e julgando que privar um Julio Severo dos meios de sustentar sua mulher e filhos é  feito heroico, vitória espetacular contra a ameaça reacionária rediviva.

Também não é de estranhar que os descalabros nessa luta contra fantasmas acabem produzindo no povo alguma hostilidade real contra o governo, extravasando em movimentos repentinos e sem conteúdo político-ideológico substantivo, como a Marcha para Jesus ou a Marcha Contra a Corrupção, e fazendo a esquerda crer ter encontrado – por fim! – a prova da realidade de seus piores pesadelos, sem notar que ela própria os produziu por excesso de precaução louca.

A coexistência pacífica das instituições democráticas formais com a total supressão da concorrência ideológica que define as democracias saudáveis, eis precisamente o que caracteriza a situação brasileira atual. É um quadro nitidamente psicótico, onde tudo é mentira, fingimento e pose. A farsa existencial com que a esquerda governante inventa inimigos para camuflar seu controle hegemônico tornou-se a norma e padrão para o país inteiro, invadindo as consciências e expelindo cada pensamento para longe da realidade. Quem quer que, num momento de sanidade, ouse enxergar as coisas como são, sente-se aterrorizado, ansioso para mergulhar de novo no oceano turvo de alucinações que assumiu o nome de "normalidade".

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Democracia normal e patológica – I

Olavo de Carvalho

A patologia depende da fisiologia. Não é possível saber se um órgão está doente quando não se tem ideia de como ele deveria funcionar normalmente. O mesmo princípio vigora na análise política. Não se pode falar de uma doença política da democracia quando não se tem uma ideia clara do que é uma democracia normal.

Felizmente para o estudioso, as democracias normais não somente existem, mas são mesmo as nações mais visíveis e influentes do mundo. Malgrado as forças patológicas que permanentemente as assaltam desde dentro e desde fora, e malgrado a inabilidade com que por vezes se defendem, essas democracias ainda exibem uma vitalidade invejável.

A Inglaterra e os EUA são as mais antigas. Alguns países escandinavos consolidaram-se como democracias normais desde a segunda metade do século 19. A Alemanha, a Itália e a França, após várias tentativas falhadas, só conseguiram se estabilizar nessa condição após o término da II Guerra Mundial. A democracia israelense nasceu junto com o próprio Estado de Israel, em 1947.

As democracias normais mais novas são a Espanha, Portugal e alguns países do Leste Europeu libertados do jugo comunista no começo dos anos 90. Material para estudo e comparação, portanto, não falta. Só um cretino ou alguém interessado em confundir propositadamente as coisas pode ignorar o que é normalidade democrática, ou chamar por esse nome algo que não é nem democracia nem muito menos normal.

Que é, no período histórico nascido desde a Revolução Americana, uma democracia política normal no Ocidente? Se o conceito genérico de "democracia" pode ser definido por traços meramente jurídico-formais, como a existência de uma ordem constitucional, partidos políticos, liberdade de imprensa etc., a mera presença desses traços é comum às democracias saudáveis e as doentes. A normalidade do sistema democrático tem de ser aferida por diferenças substantivas que o mero formalismo não apreende.

Normalidade democrática é a concorrência efetiva, livre, aberta, legal e ordenada de duas ideologias que pretendem representar os melhores interesses da população: de um lado, a "esquerda", que favorece o controle estatal da economia e a interferência ativa do governo em todos os setores da vida social, colocando o ideal igualitário acima de outras considerações de ordem moral, cultural, patriótica ou religiosa. De outro, a "direita", que favorece a liberdade de mercado, defende os direitos individuais e os poderes sociais intermediários contra a intervenção do Estado e coloca o patriotismo e os valores religiosos e culturais tradicionais acima de quaisquer projetos de reforma da sociedade.

Representadas por dois ou mais partidos e amparadas nos seus respectivos mentores intelectuais e órgãos de mídia, essas forças se alternam no governo conforme  o resultado de eleições livres e periódicas, de modo que os sucessos e fracassos de cada uma, na sua passagem pelo poder, sejam mutuamente compensados e tudo concorra, enfim, para o benefício da população.

Entre a esquerda e a direita estende-se uma zona indecisa de mesclagens e transigências, que podem assumir a forma de partidos menores independentes ou consolidar-se como política permanente de concessões mútuas entre as duas facções maiores. É o "centro", que se define precisamente por não ser nada além da própria forma geral do sistema indevidamente transmutada, às vezes em arremedo de facção política, como se numa partida de futebol o manual de instruções pretendesse ser um terceiro time em campo.

Nas beiradas do quadro legítimo, florescendo em zonas fronteiriças entre a política e o crime, há os "extremismos" de parte a parte: a extrema esquerda prega a submissão integral da sociedade a uma ideologia revolucionária personificada num Partido-Estado, a extinção completa dos valores morais e religiosos tradicionais, o igualitarismo forçado por meio da intervenção fiscal, judiciária e policial.

A extrema direita propõe a criminalização de toda a esquerda, a imposição da uniformidade moral e religiosa sob a bandeira de valores tradicionais, a transmutação de toda a sociedade numa militância patriótica obediente e disciplinada. Não é o apelo à violência que define, ostensivamente e em primeira instância, os dois extremismos: tanto um quanto o outro admitem alternar os meios violentos e pacíficos de luta conforme as exigências do momento, submetendo a frias considerações de mera oportunidade, com notável amoralismo e não sem uma ponta de orgulho maquiavélico, a escolha entre o morticínio e a sedução.

Isso permite que forjem alianças, alternadamente ou ao mesmo tempo, com gangues de delinquentes e com os partidos legítimos, às vezes desfrutando de uma espécie de direito ao crime. Não é uma coincidência que, quando sobem ao poder ou se apropriam de uma parte dele, os dois favoreçam uma economia de intervenção estatista. Isso não se deve ao slogan de que "os extremos se tocam”" mas à simples razão de que nenhuma política de transformação forçada da sociedade se pode realizar sem o controle estatal da atividade econômica, pouco importando que seja imposto em nome do igualitarismo ou do nacionalismo, do futurismo utópico ou do tradicionalismo mais obstinado.

Por essa razão, ambos os extremismos são sempre inimigos da direita, mas, da esquerda, só de vez em quando. A extrema esquerda se distingue da esquerda por uma questão de grau (ou de pressa relativa), pois ambas visam em última instância ao mesmo objetivo. Já a extrema direita e a direita, mesmo quando os discursos convergem no tópico dos valores morais ou do anti-esquerdismo programático, acabam se revelando incompatíveis em essência: é impossível praticar ao mesmo tempo a liberdade de mercado e o controle estatal da economia, a preservação dos direitos individuais e a militarização da sociedade.

Isso é uma vantagem permanente a favor da esquerda: alianças transnacionais da esquerda com a extrema esquerda sempre existiram, como a Internacional Comunista, o Front Popular da França e, hoje, o Foro de São Paulo. Uma "internacional de direita" é uma impossibilidade pura e simples. Essa desvantagem da direita é compensada no campo econômico, em parte, pela inviabilidade intrínseca do estatismo integral, que obriga a esquerda a fazer periódicas concessões ao capitalismo.

Embora essas noções sejam óbvias e facilmente comprováveis pela observação do que se passa no mundo, você não pode adquiri-las em nenhuma universidade brasileira nem na leitura dos comentários políticos usuais, pois praticamente todo mundo que abre a boca para falar de política nesse país, com exceções tão minguadas quanto inaudíveis, é parte interessada e beneficiária da confusão geral, a começar pelos professores universitários e comentaristas de mídia.

No próximo artigo, aplicarei os conceitos aqui resumidos à análise da democracia brasileira.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Brincando com palavras e imagens

A Secretaria de Propaganda Comunicação da Universidade de Brasília nos ensinou hoje uma grande lição: se você já passou pela UnB alguma vez na sua vida, você sempre será um apêndice da universidade, e qualquer, absolutamente qualquer conquista que tiver não será fruto de seu esforço pessoal, mas de sua passagem pela instituição.

Hoje, foram publicados trechos de uma matéria do G1 de sábado passado, dia 8 de outubro (disponível na íntegra aqui), sobre brasileiros que fazem graduação e pós-graduação no California Institute of Technology (Caltech), que fica na cidade de Pasadena. A Caltech encabeça o ranking das 400 melhores universidades do mundo da revista Times Higher Education (THE). No mesmo ranking, a Universidade de São Paulo (USP) encontra-se na 178ª posição, e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na 294ª posição. Vale lembrar não existe o mais ínfimo traço de existência da UnB no ranking da THE.

Um dos alunos da Caltech é o economista Guilherme de Freitas, que está desenvolvendo uma pesquisa sobre a aplicação da teoria dos jogos em regulações e regras. O doutorando estudou -- verbo conjugado no passado -- na Universidade de Brasília. Não estuda mais. Não há mais vínculo formal com a UnB. Um dos detaques dado ao recorte da Secom à matéria do G1 é que Freitas "credita parte de sua vocação aos docentes com quem teve aulas na Universidade de Brasília (UnB)". Bonito, certamente. Só que, quando se analisa o quadro como um todo, o leitor desavisado pode ser levado a entender coisas que estão bem longe da verdade.

Semana passada, no dia 5 de outubro, ocorreu a premiação das melhores universidades brasileiras de acordo com o ranking elaborado pelo Guia do Estudante, da Editora Abril. Pelo terceiro ano consecutivo, a Universidade de Brasília ocupou o primeiro lugar na área de Ciências Humanas e Sociais. A premiação tem sido alardeada institucionalmente como sendo uma grandiosa conquista da universidade; para ver o tamanho do alarde, é só notar o tamanho do banner sobre o assunto:


É importante valorizar o prêmio? Claro que sim. Na situação calamitosa em que se encontra a universidade, qualquer premiação é sinal de que ainda temos alguma esperança de ser uma universidade de renome e relevância internacionais num futuro longínquo. O que se objetiva fazer com esse jogo de imagens e palavras é muito maior do que celebrar a conquista do prêmio do Guia do Estudante ou comemorar a conquista de um ex-aluno (repito, ex-aluno) da UnB. Afinal, o economista Freitas é tratado pela Secom como aluno da UnB, o que não é verdade. A prova está abaixo:


Falar sobre esse tipo de coisa é exagero? Talvez. Mas lógica que se quer incutir é que não apenas a Universidade de Brasília é uma instituição fantástica, incrível e fenomenal -- com base num ranking elaborado pela Editora Abril, a mesma da revista Veja, que é a, na visão da UnB, a encarnação da mídia golpista conservadora reacionária malévola e sanguinária --, mas que a UnB também faz parte da Caltech (ainda que indiretamente) já que um de seus alunos está lá. A perversão da lógica reside em, sub-repticiamente (quer dizer, implicitamente, tacitamente, discretamente), dizer que a UnB é tão boa que um de seus alunos está na Caltech, e que ele só está lá por causa da suposta excelência UnB.

Trocando em miúdos: se você passou pela UnB, esforçou-se bastante para estudar muito, buscou novas oportunidades e teve a felicidade de ser bem-sucedido, o mérito não é seu. A partir do momento em que você entrou na Universidade de Brasília, você deixou de ser João, ou Maria, ou Joaquim, ou Antônia, e se transformou em um apêndice pulsante da universidade. Esforço e mérito individuais são invencionices da lógica neoliberal: você é um sucesso porque a UnB o fez assim.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Liberdade na Estrada 2011


 
Clique aqui para fazer a inscrição
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Porto Alegre, RS
17/10/2011 às 19h

Local: UFRGS - Salão Nobre da Faculdade de Direito
Av. João Pessoa, 80

Debatedores:

Carlos Pio
Doutor em Ciência Política e professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília

Roberto Robaina
Historiador e Presidente do PSOL-RS.
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Florianópolis, SC
20/10/2011 às 18h30min

Local: UFSC - CSE – Auditório da Economia

Palestrantes:

Diogo Costa
Mestre em Teoria Política pela Columbia University e professor de Relações Internacionais do Ibmec-MG

Fabio Barbieri
Mestre e Doutor pela Universidade de São Paulo e professor da USP na FEA de Ribeirão Preto.

Fabio Ostermann
Bacharel em Direito pela UFRGS e Diretor de Formação do IEE (Instituto de Estudos Empresariais).
___________________________________________
Curitiba, PR
21/10/2011 às 19h

Local: UNICURITIBA – Auditório Grande
Rua Chile, 1.678

Palestrantes:

Diogo Costa
Mestre em Teoria Política pela Columbia University e professor de Relações Internacionais do Ibmec-MG

Helio Beltrão
MBA pela Columbia University e Presidente do Instituto Mises Brasil.
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São Paulo, SP
24/10/2011 às 9h

Local: FGV - Auditório Direito GV

Palestrantes:

Diogo Costa
Mestre em Teoria Política pela Columbia University e professor de Relações Internacionais do Ibmec-MG

Bruno Salama
Doutor em Direito pela Universidade da Califórnia em Berkeley e Professor da Direito FGV.

Fábio Barbieri
Mestre e Doutor pela Universidade de São Paulo e professor da USP na FEA de Ribeirão Preto.
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Rio de Janeiro, RJ
26/10/2011 (horário a ser definido)

Local: A ser definido.

Palestrantes:

Diogo Costa
Mestre em Teoria Política pela Columbia University e professor de Relações Internacionais do Ibmec-MG

Rodrigo Constantino
Economista pela PUC-RJ e possui MBA deFinanças pelo IBMEC.
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Brasília, DF
28/10/2011 (horário a ser definido)

Local: A ser definido.

Palestrantes:

Diogo Costa
Mestre em Teoria Política pela Columbia University e professor de Relações Internacionais do Ibmec-MG

Carlos Pio
Doutor em Ciência Política e professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília
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Belo Horizonte, MG
1/11/2011 (horário a ser definido)

Local: Ibmec-BH

Palestrantes:

Diogo Costa
Mestre em Teoria Política pela Columbia University e professor de Relações Internacionais do Ibmec-MG

*Demais palestrantes serão anunciados em breve.
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Recife, PE
3/11/2011 às 14h

Local: Universidade Federal de Pernambuco - Anfiteatro CCSA

Debatedores:

Diogo Costa
Mestre em Teoria Política pela Columbia University e professor de Relações Internacionais do Ibmec-MG

Claudio Shikida
Doutor em Economia pela UFRGS e professor do Ibmec-MG

Pedro Sette-Câmara
Formado em grego clássico pela UFRJ

André Regis
Doutor em Ciência Política pela New School for Social Research

Pierre Lucena
Doutor em Administração de Empresas pela PUC-RJ

Alessandra Uchôa Sisnando
Douturanda em Filosofia pela UFPE.

Como transformar os debates do Diretório de Estudantes da sua Universidade em pura diversão

Por Demian Alves

DCE BINGO

Época de eleições do DCE. Você já cansou de ser interrompido nas aulas e receber panfletos das chapas com propostas engraçadíssimas das mais bizarras possíveis? Você está de bobeira andando pelos corredores da universidade porque o professor faltou e não tem aula? Você resolve parar pra assistir a um debate da eleição para o DCE e sente um tédio imenso durante os discursos e fica se perguntando o que está fazendo no meio daquele bando de gente à toa? Aqui tem um método eficaz para combater esse problema!

Como Jogar:

Imprima o quadro abaixo antes de começar o debate com as chapas do DCE. Sempre que ouvir a palavra ou expressão contida numa das casas, marque a mesma com um (X). Quando completar uma linha, coluna ou diagonal, grite "BINGO"!
Depoimento de jogadores satisfeitos:

a) "O debate já tinha começado há 5 minutos quando ganhei!";
b) "A minha capacidade para escutar aumentou muito desde comecei a jogar o DCE Bingo";
c) "A atmosfera do último debate foi muito tensa porque 14 pessoas estavam à espera de preencher a 5ª casa";
d) "A organização ficou surpresa ao ouvir oito pessoas gritando "BINGO", pela 3ª vez numa hora";
e) "Agora, vou a todos os debates do DCE, mesmo que esteja em horário de aula".

Se você é candidato ou te passaram o microfone para dar opinião, siga estas instruções para mandar bem e ser aplaudido:

MONTE SEU PRÓPRIO DISCURSO PARA PARTICIPAR DOS DEBATES!

A tabela abaixo permite a composição de até cem mil sentenças!

Basta combinar, em seqüência, qualquer frase da primeira coluna, com alguma da segunda, em seguida outra da terceira e finalmente qualquer uma da quarta. Termine sempre gritando alguma frase da quinta coluna. O resultado sempre será uma sentença correta, mas sem nenhum conteúdo inteligente. Monte agora mesmo seu discurso aleatório, democrático e popular! Experimente na próxima reunião do DCE e impressione até mesmo os comunistas mais ortodoxos que lá habitam há décadas, nunca se formaram e demonstram um profundo amor pela universidade “daqui não saio, ninguém me tira”!

Termino aqui deixando minha opinião sobre as eleições do DCE. Eu acho que o DCE deve permanecer fechado enquanto continuarem escrevendo com arrobas (@) e usando vírgula entre sujeito e predicado além de insistirem em escrever faCismo (com c) nos cartazes. Enquanto isso, alguém precisa estudar.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Os Borgs da UnB

O Prof. Dr. Cristiano Paixão, do Departamento de Direito da UnB, publicou hoje no Portal da UnB texto em que defende convictamente a instauração da chamada Comissão da Verdade, cujo objetivo é, alega-se, averiguar as violações de direitos humanos cometidas durante o Regime Militar (1964 - 1985). Paixão comenta em seu texto que a Constituição Federal de 1988 "assegura a todos o direito à vida e considera a tortura um crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia". E é verdade: no art. 5º, inciso XLIII, a Carta Magna fiz que "a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura" -- como podem ver, exatamante o que o professor escreveu (ou melhor, copiou), tintim por tintim.

O que se vê, entretanto, é a formação iminente de um tribunal de caça às bruxas formado por ex-integrantes de grupos de esquerda -- muitos deles autores de sequestros, assassinatos, assaltos e torturas, mas que não serão, sob hipótese alguma, alvo de investigação da tal comissão -- para perseguir, julgar e eventualmente punir os agentes de Estado acusados de cometer violações dos direitos humanos durante o Regime Militar. Entretanto, talvez o professor tenha pulado alguns incisos, ou tenha visto somente aqueles que facilitam e reforçam o caráter progressista-democrático-popular da Comissão da Verdade, e não tenha visto que, alguns itens acima, o inciso XL diz que "a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu".

Para contribuir para este debate, gostaríamos aqui de reproduzir abaixo um texto escrito também por um constitucionalista, e dos mais notáveis: Prof. Dr. Ives Gandra da Silva Martins. O texto foi publicado no jornal Folha de S. Paulo no começo deste ano.
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Os Borgs e a Comissão da Verdade

Ives Gandra da Silva Martins

Sou um admirador das séries de "Star Trek". Suas edições refletem muito a história da humanidade. Os Borgs são um povo de humanos robotizados e respondem a um comando central único, que pretende "assimilar" todos os povos do universo. Assimilar é fazer com que pensem rigorosamente como eles e obedeçam como uma só unidade. Senão, são mortos.

Os Borgs representam as ditaduras ideológicas, que não admitem contestação e que procuram dominar os povos, eliminando as oposições e as verdadeiras democracias. Se a 1ª Guerra Mundial foi um embate pela realocação de poderes na Europa, a 2ª Guerra já foi uma guerra entre as democracias e os regimes totalitários (alemão, italiano e russo, visto que, no início, Stálin apoiou Hitler na invasão à Polônia).

A vitória de princípios democráticos naquele conflito, que gerou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 10/12/1948, nem por isso eliminou essa luta permanente entre ideologias totalitárias, que não admitem contestação e que continuam poluindo a convivência das nações e das democracias.

Rawls, em dois de seus livros, "Uma Teoria da Justiça" e "Direito e Democracia", mostra que a democracia só pode ser vivida se as teorias políticas não forem abrangentes em demasia e possam conviver, em suas diversidades, com outras maneiras de pensar. Teorias abrangentes provocam a eliminação dos opositores ou a "assimilação", no estilo dos Borgs da "Star Trek", daqueles que vivem sob seu jugo.

Estamos no início de um novo governo, tendo a presidente sinalizado, mais de uma vez, que quer fazer um governo de união, mas com respeito aos opositores.

Não creio que a Comissão da Verdade venha auxiliar muito esse seu projeto, na medida em que, sobre relembrar fantasmas do passado e rememorar dolorosos momentos de história em que militares e guerrilheiros torturaram e mataram, tende a abrir feridas e a acirrar ânimos.

Como ex-conselheiro da seccional de São Paulo da OAB, durante seis anos no período de exceção, estou convencido de que com a arma da palavra fizemos muito mais pela redemocratização do que os guerrilheiros com suas armas, que, a meu ver, só atrasaram tal processo.

À evidência, sou favorável a que os historiadores — e não os políticos — examinem, pela perspectiva do tempo, o ocorrido naquele período, pois não são os políticos que contam a história, mas, sim, aqueles que se preparam para estudá-la e examinam-na sem preconceitos ou espírito de vingança.

Apoio, entretanto, o entendimento do ministro Nelson Jobim de que, se for instalada Comissão da Verdade, ela deve refletir o pensamento dos dois lados do conflito.

Tenho fundados receios de que uma pequena ala de radicais, a título de defender "direitos humanos" por um único e distorcido enfoque — e os vocábulos permitem uma flexibilização infinita para todos os gostos-, pretenderá "assimilar", à maneira dos Borgs na "Star Trek", todos os que não pensem da mesma maneira, transformando uma Comissão da Verdade em Comissão da Vingança.

Pessoalmente, como combati o regime de então — sofri em 1969, inclusive, pedido de confisco de meus bens e abertura de um IPM (Inquérito Policial Militar), processos felizmente arquivados — e participei da Anistia Internacional, enquanto tinha um ramo no Brasil, por ser visceralmente contra a tortura, sinto-me à vontade para criticar a "ideologização" dos fatos passados, a meu ver enterrados com a Lei da Anistia, de 1979.

Que os historiadores imparciais — e não os ideólogos — contem a verdadeira história da época, pois são para isso os mais habilitados.

Fonte: DebateOnline

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Grande notícia: livros do Roger Scruton serão lançados pela É Realizações

Do blog do Bruno Garschagen


Mais uma excelente notícia editorial: a É Realizações vai lançar alguns dos principais livros do filósofo inglês Roger Scruton. Já está programada a publicação das seguintes obras:

- The Meaning Of Conservatism (1980)
- Thinkers Of The New Left (1986)
- Beauty (2009)
- The Uses of Pessimism: And the Danger of False Hope (2010)
- Green Philosophy: How to Think Seriously About the Planet (Inédito)
- E um volume especial para a Biblioteca René Girard (Inédito)
Li e recomendo efusivamente todos os livros já lançados da lista e aguardo com ansiosa curiosidade o Green Philosophy e a obra sobre Girard.

A É Realizações já publicou do Scruton o livro Coração Devotado à Morte: O Sexo e o Sagrado em Tristão e Isolda, de Wagner, com tradução do meu amigo Pedro Sette Câmara.

É Realizações vai publicar obras do filósofo político Russell Kirk

Do blog do Bruno Garschagen


Em agosto, publiquei o post Russell Kirk foi até à República Checa e até o momento não veio ao Brasil em que comentava o lançamento de The Conservative Mind: From Burke to Eliot na República Checa. Tenho a felicidade e o prazer de informar aqui o lançamento das obras de Kirk no Brasil pela É Realizações, que tem feito um trabalho fantástico.

Reproduzo o comentário feito pelo Alex Catharino, que junto com a Márcia Xavier de Brito têm feito um valioso trabalho com a obra de Russell Kirk no instituto homônimo nos Estados Unidos, e ambos estão coordenando a publicação dos livros no Brasil:
Este ano serão publicados pela É Realizações os livros "Eliot and His Age" com o título "A Era de T. S. Eliot: A Imaginação Moral do Século XX" e "The Politics of Prudence" como "A Política da Prudência". No próximo ano sairá pela mesma editora o "The Conservative Mind" como "A Mentalidade Conservadora: De Edmund Burke a T. S. Eliot" e outras surpresas que, por enquanto, não posso adiantar.
Podem pagar as promessas e juntar as moedinhas para futuras compras.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Dinheiro na mão é vendaval...

O anúncio do governo federal do corte nas verbas na educação atemorizou muita gente. E, como todos sabem, em época de arrocho, os cintos devem ser apertados para que se consiga trabalhar com verba reduzida. Assim sendo, o anúncio deveria ter inspirado cautela nos gestores financeiros das universidades, exigindo que projetos e despesas fossem analisados de maneira mais criteriosa para que a liberação de verbas não deixasse áreas essenciais da universidade desfalcadas.

Ma, pelo visto, a Universidade de Brasília é imune a isso. A figura mítica, legendária, inefável do Bananífico Magnífico Reitor José Geraldo, cacique da exótica tribo dos tupi-lyristas e Grande Timoneiro da UnB, certamente deve também estar imbuída de poderes cósmicos e fenomenais fortes o suficiente para conferir à universidade total imunidade a esses problemas de ordem inferior. Não é à toa que estamos alugando ônibus por um período de um ano ao preço de compra veículos novinhos em folha. A informação está disponível no site do Cláudio Humberto (print abaixo).


A empresa em questão, Moura Transportes Ltda., já é bem conhecida da Câmara Legislativa do Distrito Federal, especialmente a CPI da Educação. O relatório final da referida CPI apontou que a empresa Moura Transportes Ltda. firmou, com a Secretária de Educação do Distrito Federal, (então comandada pela deputada cassada Eurides Brito) contrato superfaturado de transporte de alunos da rede pública de ensino. O prejuízo aos cofres públicos gira em torno de R$ 2,0 milhões. Na seção "8.8. DOS INDICIAMENTOS RECOMENDADOS", diz o relatório final sobre a empresa Moura Transportes Ltda. (p. 140):
21) GERALDO ALVES DE MOURA e CELSO ALVES DE MOURA, sócios proprietários da empresa MOURA TRANSPORTES LTDA., responsáveis por:

a) fraudar licitação através de combinação com outros concorrentes (itens 3.1.2, 3.1.4 e 7.2);

b) executar de modo fraudulento os Contratos nºs 87/2001, 88/2001 e 08/2004 (itens 3.2.2, 3.2.3 e 3.3.1);

c) ocultar e/ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente de crime contra a Administração Pública e/ou contra o sistema financeiro nacional (crime de lavagem de dinheiro) (item 7.1).

Diante das condutas acima descritas esta CPI recomenda o indiciamento dos Srs. GERALDO ALVES DE MOURA e CELSO ALVES DE MOURA como beneficiários da prática dos crimes tipificados nos artigos 10 e 11 da Lei 8.429/92 (Lei de Improbidade Administrativa); pela prática dos crimes tipificados nos artigos 90, 92, 93, e 95 da Lei 8.666/93 (Lei das Licitações); pela prática do crime previsto no art. 333 (corrupção ativa) do Código Penal Brasileiro e pela prática de crime de lavagem de dinheiro previsto no artigo 1º da Lei nº 9.613/98.
 Mais uma vez, a Universidade de Brasília se vê envolvida com uma empresa com fortíssimas suspeitas de envolvimento com desvio de dinheiro, superfaturamento e corrupção.

Até quando?

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Movimento estudantil pra quê?

Dentro de algumas semanas, acontecerá na Universidade de Brasília mais uma eleição para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e para representantes discentes (RDs), que são os estudantes que atuarão nos conselhos superiores da UnB – Conselho de Administração (CAD), Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) e Conselho Universitário (Consuni). Quase dez chapas foram formadas para a campanha eleitoral.

Ao contrário do que o blog da Juventude Conservadora fez na última eleição, não iremos apoiar oficialmente nenhuma das chapas. Os motivos que embasam essa decisão são dois, basicamente: primeiro, a própria natureza do movimento estudantil na Universidade de Brasília; segundo, os princípios em que o blog se alicerça.

O movimento estudantil, sobretudo na UnB, é pouquíssimo orientado para as reais necessidades dos estudantes. Salvo exceções cada vez mais raras, o que se vê em abundância no movimento estudantil são grupos e organizações que servem como testas-de-ferro de partidos políticos, grupos estes compostos por militantes estudantes – importante diferenciá-los do estudante militante, porque este tem seu foco primário na formação acadêmica, o que é inverso daqueles – que objetivam construir no ambiente universitário suas ideologias políticas (tenham elas pouco ou nada que ver com a realidade acadêmica) ou por arrivistas de toda sorte interessados em utilizar o movimento estudantil como trampolim para suas carreiras.

Pragmatismo, bom-senso, prudência e responsabilidade são características freqüentemente qualificadas como deturpações “burguesas” da “direita reacionária”. Curiosamente, são justamente essas “prestidigitações conservadoras” que moram nos corações e nas mentes da esmagadora maioria dos estudantes, e não lero-lero doutrinário com cheiro de naftalina. Não é à toa que muita gente sequer sabe o que seja movimento estudantil – a não ser, claro, quando sai alguma notícia sobre baderna ou arruaça promovida pelos militantes estudantes, como a que aconteceu recentemente na Reitoria da UnB (invasão que começou bem, mas que degringolou para um samba do crioulo – digo, afro-descendente – doido desnecessário). São coisas assim que incutem uma dúvida: para que, afinal, serve o movimento estudantil?

Explicado o primeiro motivo, aí vem o segundo: os princípios do blog. Nunca foi objetivo ou pretensão da Juventude Conservadora da UnB ser mais do que um veículo de informação e opinião que tem por objetivo primordial dar voz a uma parcela ignorada e acossada da comunidade acadêmica da Universidade de Brasília. Nunca tivemos a menor pretensão de atuar no movimento estudantil de maneira organizada. Por quê? Porque não encontramos uma resposta satisfatória para a pergunta do final do parágrafo anterior. Para nós, diante das evidências que se mostram todos os dias em diversos lugares e situações, o movimento estudantil serve ora para causar tumulto despropositado, ora para usar estudantes bem-intencionados como massa de manobra na defesa de ideários atrasados e que não possuem relação direta com ou capacidade de transformar positivamente a realidade universitária.

Bom, ainda assim, é certo que haverá aqueles que, babando e uivando, vomitem todo tipo de acusações contra nós. Afinal, quem é que pode confiar na palavra de “direitistas reacionários” e “ultraconservadores delirantes” como nós? Gente da "direita reaça" sempre está tramando alguma coisa – ao menos é isso o que se convencionou pregar – e não se pode acreditar em nada que digam.

Então, temos um recado para você que ajuda a divulgar esse tipo de besteira; que fala a torto e a direito dos conservadores sem nem saber o que é Conservadorismo; que mora no Lago Sul, Lago Norte, Asa Sul, Asa Norte, Sudoeste ou Jardim Botânico, mas é um “burguês de alma proletária”; que é um aluno badernista criado a leite com pêra, ovomaltino e pão com mortadela, e pode passar o dia inteiro na vagabundagem proletáriasocialistaprogressistarevolucionáriaultrajovem; que não está nem aí para o que a universidade realmente precisa e só ganhar fama em cima das dificuldades reais dos estudantes; e que tem poluções sucessivas ante a mera possibilidade de virar político às custas da comunidade estudantil. Para você, aí vão as palavras do saudoso Alborghetti:

sábado, 1 de outubro de 2011

O jornalismo progressista e os malvados conservadores

Prezados leitores do blog,

Todos sabem que a mídia brasileira, salvo algumas exceções, não é lá de muita confiança. Afinal de contas, em um lugar onde um sujeito como Mino Carta -- que afirmou, com todas as letras, crer piamente que Josef Stálin era um direitista -- é tido como um grande jornalista-intelectual, não se deve acreditar muito no que se publica. No mínimo, o que se espera é um pouco de critério e, claro, outras fontes de informação.

Entretanto, em alguns casos, o mau-caratismo e a pusilanimidade atingem patamares tão obscenos que fica difícil não se indignar. Um exemplo desse anti-jornalismo nos foi brindado com o beneplácito do Último Segundo, portal de notícias do provedor iG, no começo dessa semana. Dia 26 de setembro, uma matéria intitulada "Extrema direita universitária se alia a skinheads" foi publicada pelo iG. A matéria trata de uma possível aliança entre a UCC -- União Conservadora Cristã, organização estudantil da USP -- e grupos de skinheads. O desfile de insanidades e deturpações é tão vergonhoso que publicamos abaixo a resposta da UCC ao iG.
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Carta em resposta ao portal ÚLTIMO SEGUNDO (notícias da iG) sobre a matéria "Extrema direita universitária se alia a skinheads"

Por Celso Zenaro
27/09/2011


O jornalista Ricardo Galhardo nos abordou expressando a intenção de escrever uma matéria sobre a UCC que apresentasse ao público nossas atividades, objetivos e bases ideológicas. Tal interesse foi despertado após o primeiro contato realizado na Contra-Marcha da Maconha, promovida pela UCC em aliança com outras duas organizações. Ao contrário do que o caráter panfletário da reportagem evidencia – a começar pelo seu título eivado de um sensacionalismo característico de jornalismo policial de bairro – o jornalista transpareceu alguma seriedade, sobretudo ao afirmar que uma de suas expectativas era justamente a de desconstruir alguns mitos relacionados a tais organizações e de que o interesse específico pela União Conservadora Cristã era fundamentada no fato de se tratar de uma organização universitária, algo que nos distinguia solenemente.

A entrevista perdurou por quase três horas e se dividiu entre perguntas seguidas de respostas formais e digressões sobre assuntos diversos, com o repórter relatando algumas de suas experiências que inclusive endossavam algumas das declarações do entrevistado. Ao ler a matéria publicada, a conclusão mais óbvia que se anunciou é a de que o jornalista premeditou sorrateiramente o seu conteúdo antes mesmo de executar a entrevista. Tudo o que lá se escreve tenta legitimar o histriônico título “Extrema-Direita Universitária Se Alia a Skinheads”. A técnica difamatória utilizada pelo militante travestido de jornalista foi a de recortar frases soltas – que separadas do contexto em que foram proferidas e do raciocínio que as precedeu estão sujeitas as mais levianas interpretações –, projetar sobre o entrevistado algumas de suas crenças particulares acerca de sua organização e reproduzir alguns de seus comentários secundários e acessórios como se fossem argumentos capitais capazes de impugnar determinadas acusações.

Segue meus esclarecimentos a cada uma das questões distorcidas e manipuladas pelo jornalista:

“Estamos aqui para batalhar tanto intelectualmente quanto fisicamente”

Tal frase foi dita quando eu descrevia o panorama do movimento estudantil. É de conhecimento comum que as ações políticas na universidade são monopolizadas pela esquerda e que qualquer ameaça de oposição, por mais modesta que se apresente, é por ela prontamente rechaçada sem o menor escrúpulo de recorrer a expedientes de violência se assim julgarem necessário. Portanto, a citada disposição para a batalha física adquire um significação de que, diferentemente de outros grupos, não nos deixaremos intimidar por palavras de ordem ou investidas de agressão. O jornalista, mesmo sabendo perfeitamente do que eu estava falando, recortou essa frase e a enquadrou a seu bel prazer de modo a identificá-la com uma veneração pela violência, possivelmente confirmada por nossa fictícia “aliança com skinheads”.

“O que precisamos é de homens dispostos a morrer por seus valores”

Mais uma vez o jornalista promoveu um arranjo para encaixar uma frase em uma lógica imaginária e difamatória, sugerindo que expressaria novamente uma admiração pela violência de grupos extremistas. A referida foi dita quando explicava o que sobrepõe o conservador cristão a pseudo-direita brasileira, ou, como o jornalista gostava de classificá-la, “direita coxinha”. Neste caso, um autêntico cristão estaria disposto a morrer se fosse perseguido por suas posturas, eis a firmeza de convicções que faltaria à oposição política brasileira. O jornalista adora rotular os outros de intolerante, porém não tolera a hipótese de escrever a verdade.

“Essa postura de combate me inspira muito. Uma inteligência que não está disposta ao combate é uma inteligência vazia”

Outra frase recortada para nos associar a entidades existentes e hiperbolizadas no discurso da mídia esquerdista. Criticava nesse trecho a proliferação de movimentos conservadores que agem restritos à internet e elogiava aqueles que apresentam a hombridade de sair às ruas e não me referia a nenhuma gangue ou tribo urbana. Todas as organizações que ousam militar por valores conservadores têm pleno conhecimento de que serão boicotadas ou satirizadas pela imprensa – tomemos como exemplo a grande mobilização contra a PL 122 ocorrida em Brasília -, nessa conjuntura, a postura de combate é sim uma virtude louvável.

UCC e referências

O Integralismo (atualmente representado pela FIB) e o IPCO jamais foram citados como referências teóricas e doutrinárias. O que foi afirmado é que são organizações com as quais estamos dispostos a dialogar e propor ações conjuntas contra problemas concretos. Ademais, o jornalista demonstra uma ignorância brutal e safadeza descomunal ao etiquetar o Integralismo como uma versão nacional do nazismo. A respeito do filósofo Olavo de Carvalho, o mesmo sequer ouviu falar da nossa organização (pelo menos não até a publicação da matéria). Nossa relação com ele se reduz à leitura de sua obra e admiração por sua coragem e vida consagrada aos estudos.

UCC e PSDB

As duas formas de nos associar ao PSDB expressaram claramente a má-fé do jornalista.

Em primeiro lugar, quando mencionei de passagem nossa conversa com a juventude do PSDB discorria sobre a história em movimentos políticos dos membros fundadores e aludia a um episódio que ocorrera quando a UCC sequer existia, de modo a frisar como e porque percebemos que não poderíamos participar de grupos já existentes, uma vez que tínhamos posicionamentos inflexíveis quanto a determinadas questões. Ou seja, um comentário sem qualquer importância para o objetivo da matéria conforme o declarado pelo jornalista, mas que ele selecionou com o intento de explorar o estereótipo da “classe média tucana” tão familiar ao vocabulário petista.

Em segundo lugar, as razões que fomentaram nosso voto por exclusão em José Serra foram simplificadas ao cúmulo do ridículo. Nossa ojeriza ao PSDB não se reduz a considerações genéricas como a frase reproduzida “Serra manteve alguns ideais de esquerda” indica. Ao justificar nosso voto em José Serra, expliquei pausadamente as relações espúrias do PT e seu protagonismo no Foro de São Paulo, uma organização com projeto de poder continental em fase adiantada de aplicação e que tem como suporte financeiro o narcotráfico coordenado pelas FARC. Isso me recordo muito bem que o jornalista anotou, mas talvez achou inconveniente reproduzir na matéria, dando preferência a frases curtas que isoladas não dizem nada. Talvez para ele tudo aquilo que estiver à direita da cumplicidade tucana com o projeto totalitário petista seja mesmo “extremismo”.

“Para os jovens da UCC, a USP é um antro comunista, nenhum partido político é suficientemente conservador, a pedofilia na Igreja é fruto da infiltração de agentes da KGB, o sexo é uma forma de idiotização da juventude, Geraldo Alckmin colocou uma mordaça gay na sociedade paulista, Fernando Henrique Cardoso foi o criador de Lula e Lula é o próprio anticristo.”

Uma mentira grosseira e duas deturpações.

1 - Quando mencionei a relação entre os casos de pedofilia na Igreja com a ação da KGB, tive o cuidado de observar repetidas vezes de que não estava afirmando categoricamente que a pedofilia só existia exclusivamente em decorrência disso. Apenas ressalvei que eram estudos realizados – citei dois livros a respeito – e vastamente ignorados pelos jornalistas.

2 - Sobre sexualidade e juventude, fui perguntado acerca da moral sexual cristã e sua aplicabilidade na vida ordinária do jovem hoje. Disse que a defesa da moral sexual não pode ser baseada na ênfase em normas fechadas mas sim abordadas de acordo com a abrangência que o assunto reclama, na qual está incluída a erotização excessiva promovida pela indústria de publicidade e entretenimento como um método de escravização psicológica da juventude. O jornalista afirmou que igualmente percebia esse problema e que compartilhava dessa preocupação por motivos de ordem familiar. Entretando, na matéria buscou caricaturar ao evocar a impressão de que acreditamos que qualquer jovem que pratique sexo é automaticamente um idiota. Se o jornalista é idiota eu não sei, mas malicioso, certamente.

3 - Não afirmei ou sugeri que Lula seja o Anticristo. Como cristão, jamais banalizaria o termo dessa forma.

UCC e neonazismo

Minha explanação das razões pelas quais rejeitamos o nazismo e o nacional-socialismo como um todo foi talvez a mais longa de todas. Todavia Ricardo Galhardo pretende fazer o público se convencer disso porque temos um aliado vegetariano e somos a favor de Israel. Sobre vegetarianismo e nazismo, não opus um ao outro como é subentendido pelo texto. Comentei sobre o vegetarianismo do líder da Resistência Nacionalista brevemente em uma situação descontraída, de maneira a afrontar o estereótipo do “brutamontes que quer sair dando porrada em todo mundo” que o supracitado jornalista insistia em atribuí-lo.

“A aproximação tem base na argumentação ideológica dos neoconservadores, segundo a qual é necessária uma elite intelectual que sirva de referência para a massa. 'Uma massa conservadora sem uma elite é uma massa de manobra. Não existe educação para as massas. Precisamos de uma alta cultura que sirva de referência para estas massas', disse Zenaro.”

Temos aqui a manipulação mais repugnante de todas. Quando mencionei a "massa conservadora desprovida de uma elite" me referi aos mais de 60 milhões de cristãos (entre católicos praticantes e evangélicos) e não às organizações com as quais participamos na Contra-Marcha da Maconha, como o jornalista tentou sugerir, nos tentando colocar como oportunistas instrumentalizadores das mesmas.

Em tempo: o prof. Olavo de Carvalho também publicou uma carta de repúdio a esse arremedo de matéria jornalística do iG. Confira aqui.