quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Paulo Freire, uma vida pela Revolução


Como já deve ser do conhecimento de muita gente, a Semana Universitária da UnB deste ano -- que acontecerá de 1º a 8 de outubro -- terá como tema "90 ANOS DE PAULO FREIRE: um marco para a reflexão sobre os rumos da Universidade Brasileira". Bom, muita gente nem deve saber quem é Paulo Freire. Poucas pessoas que não são ligadas ao meio acadêmico já ouviram falar dele. Então, vamos esclarecer algumas coisas.

Está vendo a foto acima? Esse velhinho de apecto bondoso, de barbas e cabelos brancos, é Paulo Freire. Nasceu em Recife no ano de 1921. Cursou Direito na Universidade do Recife -- sim, ele não era pedagogo de formação --, exilou-se na Bolívia e no Chile durante o Regime Militar, e voltou ao país em 1979. Morreu em 1997, aos 75 anos. Sua obra mais famosa é "Pedagogia do Oprimido" (1968), lançada quando ele estava no Chile. Era um crente entusiástico da Teologia da Libertação -- uma espécie de teologia cristã socialista que basicamente mistura Karl Marx e Jesus Cristo.

De acordo com um texto publicado hoje no portal da UnB pela mestranda Lívia Gimenes Dias da Fonseca -- assessora do nosso Grande Timoneiro e defensora do Direito Achado na Lua Rua --, o estimado educador "tinha em sua prática pedagógica a destituição da realidade injusta por meio de uma educação em que os/as envolvidos/as se descobrissem sujeitos históricos ativos para que os direitos pudessem começar a serem conquistados e não doados". Assim sendo, a pedagogia freireana está firmemente baseada na ideia de que a função da educação é libertar os oprimidos. Bonito, não é?

Mas não é só isso. Para Paulo Freire, a educação não tinha por objetivo emancipar as pessoas, torná-las aptas a interpretar o mundo e agir nele de acordo com a sua própria vontade, mas servir de meio de agitação revolucionária através de uma abordagem dialógica. Ele deixa isso bem claro em "A teoria da ação antidialógica", o quarto capítulo de seu livro Pedagogia do Oprimido (grifo nosso):
Salientamos, mais uma vez, que não estabelecemos nenhuma dicotomia entre o diálogo e a ação revolucionária, como se houvesse um tempo de diálogo, e outro, diferente, de revolução. Afirmamos, pelo contrário, que o diálogo é a “essência” da ação revolucionária.
Em outra passagem particularmente interessante do mesmo capítulo, afirma o bom velhinho da educação libertária (grifos nossos):
É que, indiscutivelmente, os profissionais, de formação universitária ou não, de quaisquer especialidades, são homens que estiveram sob a “sobredeterminação” de uma cultura de dominação, que os constituiu como seres duais. Poderiam, inclusive, ter vindo das classes populares e a deformação, no fundo, seria a mesma, se não pior. Estes profissionais, contudo, são necessários à reorganização da nova sociedade. E, como grande número entre eles, mesmo tocados do “medo da liberdade” e relutando em aderir a uma ação libertadora, em verdade são mais equivocados que outra coisa, nos parece que não só poderiam, mas deveriam ser reeducados pela revolução.

Isto exige da revolução no poder que, prolongando o que antes foi ação cultural dialógica, instaure a “revolução cultural”. Desta maneira, o poder revolucionário, conscientizado e conscientizador, não apenas é um poder, mas um novo poder; um poder que não é só freio necessário aos que pretendam continuar negando os homens, mas também um convite valente a todos os que queiram participar da reconstrução da sociedade.

Neste sentido é que a “revolução cultural” é a continuação necessária da ação cultural dialógica que deve ser realizada no processo interior à chegada ao poder.
Revolução cultural. Você já devem ter ouvido falar disso, não? A revolução cultural defendida tão ardorosamente por Paulo Freire foi posta em prática num certo país asiático que, hoje, é a 2ª economia mundial: a China. Após 17 anos de governo, Mao Tsé-Tung lançou, em 1966, a chamada Revolução Cultural Chinesa. Durante essa revolução, algumas cenas tornaram-se comuns na China: professores foram linchados por estudantes, presos e executados pela Guarda Vermelha, ou se viram obrigados a fugir do país; livros foram queimados em praça pública; políticos e burocratas acusados de traição ou pouca ortodoxia foram sumariamente executados; e, finalmente, o Livro Vermelho, uma coletânea de pensamentos de Mao Tsé-Tung, foi alçado à condição de livro fundamental na sociedade chinesa, elevando o Grande Timoneiro (o chinês, não o da UnB) ao status de divindade terrestre.

Aliás, essa não é a única "coincidência" entre Freire e Mao. Em diversas passagens do livro Pedagogia do Oprimido, o autor cita Mao Tsé-Tung como uma referência. Ao falar da necessidade de reestruturar sob uma perspectiva revolucionária o conhecimento passado aos estudantes, Freire cita uma conversa entre Mao e o escritor francês André Malraux: “Vous savez que je proclame depuis longtemps: nous devons enseigner aux masses avec précision ce que nous avons reçu d’elles avec confusion” (tradução livre: "Você sabe que eu proclamo há muito tempo: temos de ensinar às massas exatamente o que aprenderam de modo confuso."). Aliás, Mao não é o único a ser citado: Lenin, Marx, Althusser, até Che Guevara são citados frequentemente.

Bom, poderíamos chamar de manipulação ideológica o ato de "reestruturar sob uma perspectiva revolucionária". Também poderíamos afirmar que valer-se de pessoas que, juntas, mataram cerca de 40 milhões de pessoas em governos ditatoriais sangrentos é, no fim das contas, defender a palavra de assassinos em massa. Mas isso seria maldoso demais. Jamais esse grande humanista poderia querer transformar a educação num processo explícito de doutrinação ideológica que permitisse à elite revolucionária usar o povo de massa de manobra. 

Afinal, olhe só para ele. Como não acreditar nesse bom velhinho?

11 comentários:

  1. Ué, a revolução cultural funcionou lá na china, não funcionou? Eles estão virando potência, já já passam os gringos. Liberdades políticas? Livre opinião? Coisa de burguês!

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    1. O que funcionou na China foi justamente o abandono do socialismo na economia e adesão ao liberalismo econômico com Deng Xiaoping. Qualquer aluno de ensino médio sabe disso. A cartilha marxista seguida a risca na coletivização dos campos de Mao matou milhões de fome.

      Pedro.

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  2. Se é coisa de burguês, então porque vocês reclamam até hoje do regime militar? hein?

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  3. putz, tem gente q não entende ironia!
    hehehe

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  4. Concordo com Olavo de Carvalho a respeito de Freire "Paulo Freire é um sujeito oco, o tipo acabado do pseudo-intelectual militante. Sua fama baseia-se inteiramente no lucro político que os comunistas obtêm do seu método. Esse método, aliás, não passa de uma coleção de truques para reduzir a educação à doutrinação sectária. Um dia teremos vergonha de ter dado atenção a essa porcaria."

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  5. O interessante é a verdadeira ditadura do pensamento desse sujeito na academia, a vida dele hoje é uma hagiografia para dizer a verdade, sendo que nenhum resultado prático foi obtido (ainda bem! senão estavamos como em Cuba...) na verdade as pessoas mal conhecem suas ideias, mas conhecem bastante suas frase de auto-ajuda cheia de palavras de amor e pseudo-libertárias.

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  6. Freire era um ideólogo, que por meio de suas ideias auxiliava na disseminação de ideologias, que tinham como intuito reproduzir a dominação da classe burguesa sobre a classe proletária.

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  7. Nunca havia lido tanta bobagem! A tal 'juventude conservadora' deveria ao menos ler e estudar antes de escrever qualquer coisa. Parem de reproduzir como papagaios Reinaldo Azevedo e Olavo de Carvalho meus caros.

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  8. Aponte quais são as bobagens e tente refutá-las. Se você puder, claro.

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  9. Caro autor do blog, é óbvio e necessário que seus escritos causem a indignação nervosinha dos sonhadores. O teu blog serve como uma das muitas provas empíricas de que aquele ditado é corretíssimo: A VERDADE DÓI.

    o que você escreve aqui simplesmente DÓI nos cuca-rasa!

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  10. Marcelo Silva.

    Fantástico este Blog! Engraçado! Se é bobagem, por que lê? se é bobagem, no que consistiria? Apresente seus argumentos que rebateremos todos com FATOS e algo que a esquerda não tem: lógica e retórica!
    Voltando ao Paulo Freire. Minha mãe é professora aposentada, com 30 anos de sala de aula, tanto no Município como no Estado. Tenho 26 anos de idade. Ela era ferrenha defensora de Paulo Freire, porque sua mente foi forjada para tanto.
    Todavia, aprofundando seus estudos sobre Pedagogia, ela mesma tem constatado as vigarices do "bom velhinho".
    Atualmente ela diz: "como estive errada a vida inteira ao acreditar na pedagogia de Freire; quantas crianças e jovens enganei com essa pedagogia fajuta!".
    Bom, se ela que estudou e continua a estudar pedagogia, foi professora de fato, tirando dinheiro do bolso muitas vezes para comprar material para seus alunos, sempre esteve engajada na alfabetização de crianças, ela sempre foi amada pelos seus alunos, posso dizer que a mesma educação que ela deu a mim e a minha irmã ela também fornecia aos seus alunos, quem seria eu para dizer que está errada sobre Paulo Freire?
    Como disseram: a verdade dói. E digo mais. O maior inimigo da esquerda são os fatos.

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