domingo, 10 de julho de 2011

O paradigma do jogo sujo

A reportagem da Veja sobre a situação calamitosa da UnB transformou-se em uma novela cansativa e cheia de maus exemplos. Ao invés de buscar o rechaço da reportagem através da contraposição de fatos que poderiam provar o equívoco da matéria, o Reitor e sua patotinha de sequazes partiu para a utilização personalista dos órgãos institucionais da UnB visando à desmoralização da revista Veja, do repórter responsável pela matéria e, sobretudo, dos professores que deram seu depoimento à revista. Foram questionados, da maneira mais leviana e covarde, a competência, o esforço e a ética dos professores entrevistados. O que se vê é uma verdadeira caça às bruxas que, no fim das contas, acaba conferindo à reportagem grande credibilidade.

A Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) publicou nota na sexta-feira, dia 8 de julho, acerca da matéria da revista e da carta de resposta redigida pelo Grande Timoneiro José Geraldo. A ADUnB criticou a maneira como o Reitor tentou levantar dúvidas sobre a credibilidade e a competência dos professores entrevistados. O presidente da associação, prof. Ebnezer Nogueira, repetiu suas críticas na última reunião do Consuni, inclusive - fato que gerou uma resposta agressiva por parte do decano Eduardo Raupp, que pronunciou-se na reunião quando o professor Ebnezer não mais encontrava-se presente.

Após a reunião do Consuni, a Secretaria de Propaganda da UnB publicou no portal da universidade uma carta da Oposição Unificada da ADUnB. Para quem não sabe, a tal Oposição Unificada da ADUnB é representada por dois professores: José Eduardo Martins (Física), que integra a Comissão Preparatória para o Congresso Estatuinte da UnB, e Rodrigo Dantas (Filosofia), candidato ao governo do Distrito Federal nas últimas eleições pelo PSTU. A carta da autointitulada Oposição Unificada da ADUnB é um carrossel de pseudo-argumentos fajutos que compõe a munição da histriônica patrulha a serviço do Grande Timoneiro da UnB. Dentre outras coisas, a carta diz categoricamente que:

  • A UnB está, hoje, completamente imune a qualquer tipo de corrupção;
  • A eleição paritária para Reitor foi uma grande conquista, e não uma manobra demagógica feita contra os dispositivos legais;
  • O recredenciamento da Finatec é um absurdo, algo que não deveria ter acontecido - como se as fundações privadas não fossem necessárias à pesquisa dentro da UnB.
Além disso, a carta, no final, presta-se a constranger muito discretamente a ADUnB - uma repetição modestíssima do que têm ocorrido ao longo da semana com os professores que foram entrevistados pela Veja - ao instar a associação a defender o que tem ocorrido na UnB nos últimos anos como algo necessário à democratização da universidade. Chega a ser curioso que a Oposição Unificada da ADUnB apareça nesse instante para, magicamente, reforçar argumentos que foram levantados - ipsis litteris, inclusive - pelo Grande Timoneiro e seus asseclas tanto ao longo da semana quanto no próprio Consuni. E, afinal, onde estava entocado esse grupo para merecer atenção da Secretaria de Propaganda da Reitoria? A resposta a essa pergunta pode ser suposta facilmente.

As discussões em torno da reportagem da Veja já se esgotaram e, de um modo ou de outro, acabaram ofuscando problemas muito mais prementes dentro da UnB. Esperamos que a comunidade da universidade tenha despertado para a ausência de autoridade, de pluralismo, de seriedade e, sobretudo, de um projeto para construir uma Universidade de Brasília verdadeiramente livre e pautada pela excelência acadêmica.

3 comentários:

  1. LDB 9.394/96:

    Art. 56. As instituições públicas de educação superior obedecerão ao princípio da gestão democrática, assegurada a existência de órgãos colegiados deliberativos, de que participarão os segmentos da comunidade institucional, local e regional.

    Parágrafo único. Em qualquer caso, os docentes ocuparão setenta por cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão, inclusive nos que tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais, bem como da escolha de dirigentes.

    Ainda precisa falar mais alguma coisa?

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  2. Muitíssimo bem lembrado. Nosso próximo texto, aliás, será justamente sobre a tal da paridade - e o golpe demagógico aplicado pelo Consuni.

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  3. Quando a corja demagoga e autoritária quer, qualquer ato minoritário tornar-se maioria, pior, passa por unanimidade. Vamos contar direito, senhores Conselheiros do Consuni e outros órgãos superiores da UnB? Continuem fiscalizando a burla da legislação, Meninos e boca no trombone pois faz anos que a Unb padece destes falsos e burra "revolucão das izquerda"! PAU NELES!

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