terça-feira, 5 de julho de 2011

Indignação ou cinismo?

Hoje, dia 5 de julho, o Magnífico Reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Junior, publicou carta aberta através da Secretaria de Comunicação da universidade repudiando veementemente a matéria publicada pela revista Veja sobre a UnB. A reportagem, intitulada "Madraçal no Planalto", relatou supsotos casos de patrulhamento e perseguição política ocorridos na UnB e apontou que a patrulha ideológica aumentou substancialmente depois da eleição de José Geraldo para a Reitoria.

Dentre as indignações expressadas pelo Grande Timoneiro em sua carta, estão coisas muito interessantes. Ele desqualifica os professores que deram seu relato à entrevista dizendo que "dos seis críticos à atual reitoria, nenhum estava combatendo o medo nas salas de aula e nos corredores do campus durante os anos de exceção" - como se ter lutado contra o Regime Militar concedesse o mérito de estar acima do bem e do mal. Para defender seu mérito acadêmico, disse: "Sou autor de quatro livros, organizei 24 publicações, escrevi 56 artigos em periódicos e 43 capítulos de livros." No encerramento de sua carta, diz o Reitor:

Tomo a liberdade de encerrar esta carta com as três linhas que as cinco páginas de reportagem reservam para a única pessoa que defende a universidade no texto: o reitor. “É preciso analisar se não são os professores que, por falta de competência, perderam a visibilidade”. Refiro-me, claro, aos seis professores que foram se queixar à revista e me pergunto se fizeram isso de intolerantes que são ou se intolerante é a Veja, que os acolheu sem ouvir o outro lado?

Para não sermos tachados de maldosos, apressadinhos ou coisa que o valha por quem realmente tem neurônios e sinapses com funcionamento em dia, é justo que se faça uma pequena comparação entre o Magnífico Reitor e algum dos seis dissidentes que contribuíram para a matéria, certo? Assim sendo, resolvemos fazer uma comparação simples entre José Geraldo de Sousa Junior e o professor Ronaldo Rebello de Britto Poletti - afinal, ambos são do mesmo departamento. Para termos uma base de comparação justa, selecionamos os trabalhos individuais de cada um - artigos publicados em periódicos, livros completos e artigos publicados em jornais de notícias e revistas. Desconsideramos capítulos isolados e livros escritos em contribuição com outros autores. Fizemos esse pequeno filtro para mostrar a produção acadêmica individual de ambos, algo que leva em consideração unicamente a competência acadêmica pessoal dos professores. As informações foram extraídas dos currículos Lattes de ambos. Para conferir as informações, basta procurar pelos currículos dos professores da base Lattes do CNPQ.

O que os números nos mostram? Vejamos:

JOSÉ GERALDO DE SOUSA JUNIOR
Artigos em Periódicos: 56
Livros Completos: 4
Textos em Jornais de Notícias/Revistas: 148

RONALDO REBELLO DE BRITTO POLETTI
Artigos em Periódicos:
98
Livros Completos: 10
Textos em Jornais de Notícias/Revistas: 13

Como podemos ver, o professor Ronaldo Poletti publicou quase o dobro de artigos em periódicos acadêmicos e 2,5 vezes mais livros do que nosso Grande Timoneiro. O único ponto em que o professor Poletti perde para José Geraldo é na publicação de textos não-acadêmicos . Essa informação suscita uma pergunta bastante estratégica para a questão: em matéria de competência acadêmica, quem é que sai ganhando nessa contagem? Os números falam por si. Além disso, vale ressaltar que dois dos livros do professor Ronaldo Poletti - "Introdução ao Direito", "Constituição Anotada" e "Elementos de Direito Romano" - são adotados por cursos de Direito em diversas faculdades e universidades, públicas e privadas, do Brasil e do exterior - como a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Universidade Católica de Goiás (UCG) e o American College of Brazilian Studies (AMBRA). Como se não fosse bastante, os entendimentos do professor Ronaldo Poletti, jurista que é, reiteradamente têm sido utilizados para embasar votos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Vê-se que é possível imputar ao professor Ronaldo Poletti uma porção de falhas e deméritos, menos a de falta de competência. Diante dessas informações, há o risco de que muitos possam tomar a carta indignada do Grande Timoneiro - inegavelmente legítima, devemos lembrar - como um faniquito textual motivado por despeito. Mas tal pensamento seria, por certo, excessivamente nefasto, não é?

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Em tempo: a Secretaria de Propaganda, digo, Comunicação da UnB se dignou até a garimpar postagens no Twitter que falassem mal da reportagem da Veja e exultassem o Grande Timoneiro. Goebbels ficaria orgulhoso: nunca se viu um órgão oficial de propaganda tão esmerado, dedicado e leal.

15 comentários:

  1. Quando estudei na UnB havia jubilamento para alunos que não tivessem um desempenho mínimo.
    Isso ainda existe, ou basta ser do PT e fumar maconha para não ser jubilado?

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  2. Ficar comparando Lattes é a mais clássica e imbecil forma de buscar meritocracia na Universidade. Só digo que essa postagem foi infeliz em utilizar dos mesmos meios que o Zé Geraldo citou para contra-argumentar ele. Mas tudo bem, como diriam os velhos sábios mais sábios que os nossos velhos: "Seria preciso mais de 4 vezes qualquer universidade para suportar o ego daqueles que trabalham nela."

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  3. Utilizamos os mesmos parâmetros evocados pelo Bananífico Reitor só para demonstrar, com os argumentos que ele mesmo usou, como a acusação implícita de incompetência é vazia e inócua. =)

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  4. Link do lattes da professora Concepta.

    http://lattes.cnpq.br/6052239712915301

    O reitor não sabe o que fala.

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  5. meus parabéns ao post... precisamos de mais pessoas que questionem de verdade!! não basta querer mudar sem entender, esse povo aí critica, mas é do tipo de gente que nem mesmo lê a reportagem antes de sair respondendo!!

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  6. O que eu sei é que há algo de muito errado em uma Universidade que permite que seus alunos façam festas e deixem a Universidade no estado em que vi várias vezes: salas urinadas, vômito pelas mesas, extintores de incêndio descarregados (pó químico pelo chão), garrafas e mais garrafas de vodka quebradas por todos os lados, uma sujeira sem precedentes... Eu já vi isso no minhocão, e não foi só uma vez. isso está certo? na minha concepção essas festas depredatórias do patrimônio público não deveriam ser permitidas. "Disciplina é liberdade". Essa liberdade permitida pelo reitor não passa de uma ode à irresponsabilidade! Deprimente...

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  7. Curioso também a Secretaria de Propaganda (Secom) classificar a matéria da Veja de tendenciosa, quando a secretária de propaganda, Ana Beatriz Magno, teve matéria sua contestada pelo Departamento de Estado dos EUA. Outra matéria de autoria dela, como freelancer da própria Veja (ironia), teve uma chuva de reclamações na Redação, de pessoas que disseram ter declarações suas distorcidas.

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  8. Esse reitor é um imbecil. Mais nada a dizer. Quosque tandem, Zezinho, abutere patientia nostrae?

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  9. O sujeito foi nomeado "reitor" meses depois de terminar um "doutorado" julgado pelos próprios colegas de faculdade. No Lattes mostra claramente que ele desconhece o idioma Ingles. Desses 56 artigos, é provável que poucos periódicos (talvez mesmo nenhum) sejam sérios do ponto de vista científico, ou seja, periódico internacional, escrito no idioma Ingles, com revisores e indexados no ISO ou no SCOPUS. O sujeito cometeu várias irregularidades quando "orientou" mestrados sem possuir o título de doutor em desacordo com o próprio regulamento da UNB. Deveria ser motivo de Sindicância Administrativa.

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  10. Eu gostaria que esse tipo de revelação acontecesse em outras IES para que os alunos tivessem conhecimento da esquizofrenia marxista em que vivem e da falta de ética que impera no meio acadêmico.

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  11. Convém verificar se os livros foram escritos pelo José Geraldo ou se ele é mero organizador. Explico, vi um desses livros, ele juntou vários artigos, encadernou e se dizia autor !
    Esse Zé Geraldo...

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  12. Uma coisa posso afirmar: Ele não sabe uma vírgula de Direito! Fui aluno dele.
    Ouso afirmar que se ele fizer a prova da OAB ele não passa nem na primeira fase.
    Sugestão aos repórteres: leva umas questões, objetivas, de direito, pede para ele responder. Vais ver o pulo que ele vai dar!!!

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  13. deplorável é o que vem ocorrendo nos corredores da unb. tanta sujeira junta só pode ser reflexo de sua administração conivente com festanças juvenis.

    hoje as pessoas ingressam na universidade para saber qual a melhor festa para ir. o sentido da inserção ao estudo perdeu-se, assim como as garrafas de vodcas nos corredores.

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  14. De alma lavada, finalmente há reação nesta coisa em que foi transformada a UnB. Finalmente torna-se pública a verdadeira face persecutória de viés e retrógrado ideologismo marxista dentro da UNB. Lástima é que está infestada em todos os seguimentos e setores. Parabéns pela ATITUDE de vcs! e GRATÍSSIMO pelo "desbanque" e desmascaramento destes que se dizem a maioria aí dentro!

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