quinta-feira, 7 de julho de 2011

Bia Magno, a mini-Goebbels da UnB

A reportagem da revista Veja sobre o patrulhamento ideológico na UnB lançou luzes sobre muitas coisas que, antes da publicação da matéria, só eram notadas por poucos membros da comunidade acadêmica da universidade. A reação agressiva do Reitor - que chamou os professores entrevistados de incompetentes - e de outros membros da instituição - como o professor Luiz Martins da Silva, que simplesmente tachou os entrevistados de anti-éticos (aliás, atitude muito ética, não é?) - chamam bastante a atenção.

Outra coisa que também salta aos olhos é a campanha (esta sim verdadeiramente reacionária) promovida pela Secretaria de Comunicação (ou seria Propaganda?) da UnB contra a revista Veja, o repórter responsável pela matéria e as pessoas que dela participaram - campanha que, diga-se de passagem, acaba por provar que a tese de patrulhamento levantada pela revista está longe de ser ilusória, exagerada ou leviana. Chegou-se mesmo a distorcer as palavras de gente que deu seu depoimento à Secom - como o ministro Gilmar Mendes, que logo preparou nota de esclarecimento sobre sua declaração de modo a corrigir a torção de suas palavras.

Para quem é frequentador assíduo do Portal da UnB, isso é apenas a explicitação de uma linha de atuação que, ao longo de toda a gestão do nosso Grande Timoneiro José Geraldo, tem se exibido de maneira mais ou menos discernível: o mais deslavado puxa-saquismo pseudo-jornalístico que o dinheiro público pode comprar. Entretanto, essa sem-vergonhice (que muitos chamam de "linha editorial" da Secom) pode ter explicação plausível ao conhecermos um pouco da história de quem chefia a Secretaria de Comunicação da UnB.

Ana Beatriz Magno (Bia para os íntimos), antiga militante do movimento estudantil, é o nome da mestra-de-marionetes (ou também marionete-mestra, no caso) da Reitoria na Secom. Poucas pessoas de fora do meio jornalístico conhecem esse nome, mas, acreditem, é um nome que já deu o que falar - sobretudo da parte do governo dos Estados Unidos. Em 1994, de 24 a 31 de julho, Ana Beatriz Magno, então repórter do Correio Braziliense, publicou no jornal uma série de reportagens sobre tráfico de crianças para roubo de órgãos. Em 8 de dezembro 1995, a jornalista foi laureada com o Prêmio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha, concedido pela Agência EFE e pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional (AECID) - e entregue em mãos pelo Rei da Espanha em pessoa, o que ocorreu em 19 de março de 1996. Dez dias depois do anúncio na premiação, o extinto United States Information Agency (USIA) contestou formalmente o governo espanhol, através da Embaixada dos Estados Unidos em território espanhol, acerca da premiação, informando que a reportagem tratava-se de uma "ficção perigosa e prejudicial". O fato gerou uma crise diplomática entre os dois países. O governo da Colômbia também contestou, à ocasião, o governo espanhol.

Depois de a premiação ter sido ratificada pelos jurados que a concederam e ter sido entregue, a própria Ana Beatriz Magno admitiu ao jornal El País, em 20 de março de 1996, que havia baseado sua matéria em outros artigos, tendo averiguado apenas dois dos casos - a única evidência de um deles era uma radiografia em que, supostamente, faltava um rim. A reportagem causou uma celeuma enorme na comunidade jornalística e científica, sendo contextada inclusive por especialistas reconhecidos internacionalmente - como Sir Roy Yorke Calne, professor da renomada Universidade de Cambridge e um dos cirurgiões pioneiros no transplante de órgãos na Europa.

Mas não foi só no Primeiro Mundo que a chefona da Secom deu o que falar. Por incrível que possa parecer, ela trabalhou na própria revista Veja antes de assumir seu posto de paladina-de-plantão do Grande Timoneiro. Em 2008, Bia Magno publicou reportagem sobre o caso da menina Lucélia Rodrigues da Silva, que era torturada por sua madrasta, Sílvia Calabresi Lima, em Goiânia/GO. Sugerindo, dentre outras coisas, que a iminência de receber R$ 300 mil de indenização havia feito da garota uma espécie de bibelô de duas pastoras evangélicas de Belo Horizonte/MG - Pra. Ezenete Rodrigues e Pra. Ana Paula Valadão Bessa (líder do grupo gospel Diante do Trono) -, a reportagem causou grande polêmica, sobretudo no seio da comunidade evangélica. A revista Veja, tentando consertar o estrago, publicou carta de resposta da Pra. Ana Paula Valadão Bessa e dispensou os préstimos jornalísticos de Bia Magno. Aliás, como pode ser lido na imagem abaixo, acho que essa tarimbada jornalista guarda algum ressentimento contra a revista Veja e qualquer pessoa a ela associada.


Mas onde os préstimos jornalísticos de Bia Magno encontrariam guarida? Na UnB, claro! O Grande Timoneiro José Geraldo, um dos expoentes do mambembe Direito Achado na Rua, decerto encontrou nela o símbolo perdido de um Jornalismo Achado na Rua, e, assim, não pensou duas vezes em puxá-la para ser a chefe da Secretaria de Comunicação da universidade. Juntou-se a fome com a vontade de comer: o Reitor ganhou uma leal e destemida defensora, e a jornalista conseguiu continuar fazendo o que sempre soube fazer melhor.

Claro, o fato de Ana Beatriz Magno receber como pessoa física desde 2009, algo flagrantemente contra a legislação vigente, é um mero detalhe. Afinal, o Magnífico Reitor nos ensina que essa abominação chamada legalismo é coisa do passado. Bom mesmo é subverter tudo em nome de uma causa superior.

4 comentários:

  1. essa celeuma sem fim que está sobre o caso veja não acrescenta em nada na discussão acadêmica.

    a unb está abandonada. e as festas, bem as festas estão por toda parte.

    ano passado quando fazia uma matéria de mestrado (às sextas pela manhã) o que encontrávamos no subsolo da Pós-FAC era lastimável. Do cheiro, às pessoas ainda caídas por ali.

    A SECOM me parece mais que comunicação institucional. é um veículo completo de propaganda. Nota-se pelo direcionamento aos reporteres que em PIBICS só entrevistam unbistas. Se algum aluno for de outra instituição é completamente ignorado com a frase: "tem alguém da unb no grupo de pesquisa? não? então tá. tchau".

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  2. Este blog é Ô BLOG! Além de fidedigno em informações(vulgamente "mata a cobra e mostra o pau") que os "ideopátas" ocultam e entre eles camuflam-se, acobertam-se, tentando esconder da sociedade a vida acadêmica não tão "Execelente" e fatos diversos da vidinha pequena e medíocre taambém acobertadas da Reitoria à ramificações MENORES da UNB! É isso aí, isto aí há muito vem servindo à pequenez das idéias, ideias e interesses pessoais manipulados pela pseudo esquerda brasileira! PAU NELES JUVENTUDE CONSERVADORA!

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  3. Artigo perfeito. Só uma ressalva. Essa mini-mini-mini-mini Goebbels nunca foi repórter de Veja. Ana Beatriz Magno tentou por anos cavar uma vaga na mais influente revista do Brasil, mesmo quando era profissional do Correio Braziliente. Tudo o que conseguiu foram trabalhos como freelancer. Chegou a gastar mais dinheiro tentando emplacar matérias na revista do que propriamente recebeu por seus préstimos. Daí o revanchismo. Só a Secom da UnB mesmo para acolher alguém de nível tão rasteiro.

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  4. É isso aí turma! Sinto que se não forem denunciadas todas as formas de opressão, estaremos fadados à PENSAR COLETIVAMENTE, tal como Mimosa teleguiada pelo Grande Irmão (muito apreciado pelo Grande Timoneiro, ou não!?) Como o anônimo: Pau neles, garotos!

    Estarão no meu facebook, com certeza!

    rcm.marta@hotmail.com (não tão anônima...)

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