quinta-feira, 21 de julho de 2011

Blog de férias

Caríssimos leitores, não estranhem o hiato de postagens: estamos aproveitando o período de férias para relaxar um pouco e manter a cabeça fria e afiada para o próximo semestre.

Até agosto!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Paridade: democracia ou demagogia?

Um dos rescaldos da última semana, que agitou a Universidade de Brasília ao transformá-la no epicentro de uma grande polêmica, foi a questão da paridade - ou seja, poder igual para os três segmentos da comunidade (estudantes, professores e servidores) - que foi adotada pela UnB na última eleição para reitor, na qual foi eleito o Grande Timoneiro José Geraldo. Muito se alardeia que a paridade é imprescindível para tornar a universidade um ambiente verdadeiramente democrático - uma das falácias mais demagógicas já ditas quando se refere ao ambiente universitário.

Em primeiro lugar, imagine a sociedade como um todo. Há uma porção de instituições e órgãos que afetam a nossa vida e que, mesmo inseridos dentro de um contexto perfeitamente democrático, funcionam com regras específicas que se tenta imputar como antidemocráticas. Tomemos com exemplo o Congresso Nacional. Um deputado federal ou um senador são escolhidos com base no sistema de sufrágio universal, ou seja, todos os cidadãos legalmente aptos participam da escolha. Entretanto, o sistema para escolha dos presidentes da Câmara Federal e do Senado é bastante distinto: somente deputados federais participam da eleição para presidente da Câmara, assim como apenas senadores participam da eleição para presidente do Senado. Como são elegíveis para o cargo de reitor apenas professores, é natural e esperado que o voto dos professores tenha peso bem maior do que o voto de estudantes e servidores.

Em segundo lugar, o caráter acadêmico é a essência primordial da universidade. A academia se baseia tríade ensino-pesquisa-extensão, e, nesse sentido, os professores possuem protagonismo inegável. É evidente que ignorar o papel dos estudantes nesse âmbito é equivocado; todavia, os estudantes constroem o saber a partir de uma perspectiva mais limitada uma vez que dependem da orientação dos professores na consecução de suas atividades acadêmicas. Com relação aos servidores, sua atuação, ainda que importante, é acessória no contexto acadêmico. Assim demonstrado, a responsabilidade institucional dos professores dentro da universidade é consideravelmente maior do que a dos outros dois segmentos universitários.

Em terceiro lugar, a paridade é patentemente contrária à atual legislação. A proporção de poder de 70% para professores, 15% para estudantes e 15% para servidores está em flagrante desacordo com a letra legal. A Lei 9.394/96 estabelece:

Art. 56. As instituições públicas de educação superior obedecerão ao princípio da gestão democrática, assegurada a existência de órgãos colegiados deliberativos, de que participarão os segmentos da comunidade institucional, local e regional.

Parágrafo único. Em qualquer caso, os docentes ocuparão setenta por cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão, inclusive nos que tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais, bem como da escolha de dirigentes.

Adicionalmente, o Decreto 1.916/96, que regulamenta o processo de escolha dos dirigentes de instituições federais de ensino superior, define:

Art. 1° O Reitor e o Vice-Reitor de universidade mantida pela União, qualquer que seja a sua forma de constituição, serão nomeados pelo Presidente da República, escolhidos dentre os indicados em listas tríplices elaboradas pelo colegiado máximo da instituição, ou por outro colegiado que o englobe, instituído especificamente para este fim.

§ 1º Somente poderão compor as listas tríplices docentes integrantes da Carreira de Magistério Superior, ocupantes dos cargos de Professor Titular ou de Professor Associado 4, ou que sejam portadores do título de doutor, neste caso independentemente do nível ou da classe do cargo ocupado.

§ 2º A votação será uninominal, devendo as listas ser compostas com os três primeiros nomes mais votados em escrutínio único, onde cada eleitor vota em apenas um nome para cada cargo a ser preenchido.

§ 3º O colégio eleitoral que organizar as listas tríplices observará o mínimo de setenta por cento de participação de membros do corpo docente em sua composição.

§ 4º O colegiado máximo da instituição poderá regulamentar processo de consulta à comunidade universitária, precedendo a elaboração das listas tríplices, caso em que prevalecerão a votação definida no § 2º e o peso de setenta por cento dos votos para a manifestação do corpo docente no total dos votos da comunidade.

Em meio à crise provocada pelo caso de corrupção envolvendo o ex-reitor Timothy Mulholland (e que provocou a sua queda), as eleições para reitor, que ocorreriam no fim de 2009, foram antecipadas para setembro de 2008. No dia 13 de junho daquele ano, o Conselho Universitário (Consuni), órgão deliberativo máximo da Universidade de Brasília, decidiu que a eleição para reitor seria paritária, ou seja, com peso igual para o voto de professores, servidores e estudantes. No dia 9 de setembro, às vésperas da eleição - que ocorreria nos dias 17 e 18 daquele mês -, o Ministério Público Federal (MPF) recomendou que a eleição fosse suspensa por estar em desacordo com a legislação que regulamenta o assunto. O que se esperava era que o Consuni acatasse o pedido do MPF.

Mas o que aconteceu não foi isso. Em uma "saída estratégica" que faria inveja a Pôncio Pilatos, o Consuni literalmente jogou a decisão nas mãos da comunidade acadêmica. Além disso, todos as chapas que então concorriam à eleição para reitor concordaram unanimemente com a paridade. Todos mandaram a legislação às favas. Entretanto, isso não aconteceu sem motivo, e ele tem nome: demagogia. A invasão à Reitoria, cuja força teve grande responsabilidade na queda de Timothy, conferiu ao movimento estudantil grande poder, ainda que pontualmente. Ninguém queria adotar uma medida impopular e, assim, provocar ainda mais aquela fera recém-desperta. O que todos os defensores da paridade fizeram, no fundo, foi apoiar a medida que melhor satisfizesse os estudantes - não por convicção na paridade como medida democrática, mas para não manchar a imagem de ninguém junto ao corpo discente da UnB.

Autonomia universitária não significa que a universidade não esteja submetida a regulamentos e leis específicos, os quais deve cumprir. A defesa da autonomia universitária não pode nunca estar associada a medidas populistas de quinta categoria como a paridade, sobretudo se elas ferem claramente dispositivos legais e dão margem à desfiguração do espírito da universidade - que, no caso da UnB, tem ocorrido desde a assunção do Grande Timoneiro. Por mais que alguns setores desejem, a Universidade de Brasília não é um mundo à parte. Ainda bem!

domingo, 10 de julho de 2011

O paradigma do jogo sujo

A reportagem da Veja sobre a situação calamitosa da UnB transformou-se em uma novela cansativa e cheia de maus exemplos. Ao invés de buscar o rechaço da reportagem através da contraposição de fatos que poderiam provar o equívoco da matéria, o Reitor e sua patotinha de sequazes partiu para a utilização personalista dos órgãos institucionais da UnB visando à desmoralização da revista Veja, do repórter responsável pela matéria e, sobretudo, dos professores que deram seu depoimento à revista. Foram questionados, da maneira mais leviana e covarde, a competência, o esforço e a ética dos professores entrevistados. O que se vê é uma verdadeira caça às bruxas que, no fim das contas, acaba conferindo à reportagem grande credibilidade.

A Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) publicou nota na sexta-feira, dia 8 de julho, acerca da matéria da revista e da carta de resposta redigida pelo Grande Timoneiro José Geraldo. A ADUnB criticou a maneira como o Reitor tentou levantar dúvidas sobre a credibilidade e a competência dos professores entrevistados. O presidente da associação, prof. Ebnezer Nogueira, repetiu suas críticas na última reunião do Consuni, inclusive - fato que gerou uma resposta agressiva por parte do decano Eduardo Raupp, que pronunciou-se na reunião quando o professor Ebnezer não mais encontrava-se presente.

Após a reunião do Consuni, a Secretaria de Propaganda da UnB publicou no portal da universidade uma carta da Oposição Unificada da ADUnB. Para quem não sabe, a tal Oposição Unificada da ADUnB é representada por dois professores: José Eduardo Martins (Física), que integra a Comissão Preparatória para o Congresso Estatuinte da UnB, e Rodrigo Dantas (Filosofia), candidato ao governo do Distrito Federal nas últimas eleições pelo PSTU. A carta da autointitulada Oposição Unificada da ADUnB é um carrossel de pseudo-argumentos fajutos que compõe a munição da histriônica patrulha a serviço do Grande Timoneiro da UnB. Dentre outras coisas, a carta diz categoricamente que:

  • A UnB está, hoje, completamente imune a qualquer tipo de corrupção;
  • A eleição paritária para Reitor foi uma grande conquista, e não uma manobra demagógica feita contra os dispositivos legais;
  • O recredenciamento da Finatec é um absurdo, algo que não deveria ter acontecido - como se as fundações privadas não fossem necessárias à pesquisa dentro da UnB.
Além disso, a carta, no final, presta-se a constranger muito discretamente a ADUnB - uma repetição modestíssima do que têm ocorrido ao longo da semana com os professores que foram entrevistados pela Veja - ao instar a associação a defender o que tem ocorrido na UnB nos últimos anos como algo necessário à democratização da universidade. Chega a ser curioso que a Oposição Unificada da ADUnB apareça nesse instante para, magicamente, reforçar argumentos que foram levantados - ipsis litteris, inclusive - pelo Grande Timoneiro e seus asseclas tanto ao longo da semana quanto no próprio Consuni. E, afinal, onde estava entocado esse grupo para merecer atenção da Secretaria de Propaganda da Reitoria? A resposta a essa pergunta pode ser suposta facilmente.

As discussões em torno da reportagem da Veja já se esgotaram e, de um modo ou de outro, acabaram ofuscando problemas muito mais prementes dentro da UnB. Esperamos que a comunidade da universidade tenha despertado para a ausência de autoridade, de pluralismo, de seriedade e, sobretudo, de um projeto para construir uma Universidade de Brasília verdadeiramente livre e pautada pela excelência acadêmica.

sábado, 9 de julho de 2011

A Ética do Professor Jornalista

Prof. FREDERICO FLÓSCULO PINHEIRO BARRETO, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB.


Quando alguns jornalistas têm a reputação de alguns advogados – de que são capazes de vender a própria mãe e entregar a boa senhora no prazo, por uma ação, por uma oportunidade de trabalho – devemos fazer a defesa do jornalismo ético e independente. Ou não?

O jornalista-chefe da Secretaria de Comunicação da Universidade de Brasília, o professor Luiz Gonzaga Motta, deu uma lição de ética no seu artigo “AGENDAR UMA PAUTA E CORRER PARA CONFIRMAR” desta semana (4 de julho de 2011) no colega jornalista Gustavo Ribeiro (“jovem repórter”), que escreveu a reportagem da VEJA sobre o Madraçal.

O velho jornalista sai a campo para desmoralizar o novo jornalista, mas em causa própria, fazendo a advocacia de seu patrão, o Reitor da UnB (“se há algo que excede hoje na Universidade de Brasília é liberdade”).

Seu jornalismo é mesmo o da desmoralização dos colegas. Parte para os professores que depuseram nessa reportagem denunciando o clima de perseguição que sofrem na UnB, o uso da UnB por lobbyes imobiliários, a “Ciência dos Amigos” que bloqueia com selvageria a crítica adversa, sobretudo na área de urbanismo.

É nesse ataque desmoralizante aos professores que o grande professor de ética Luiz Gonzaga Motta comete seu grande erro. Diz que um “outro docente citado tem vários processos no Conselho de Ética movidos pelos seus próprios colegas”.

As informações relativas aos processos éticos, professor Motta, são SIGILOSAS. Como o Sr. sabe que há processos contra ESTE OU AQUELE PROFESSOR, movido por ESTA OU AQUELA INSTÂNCIA? Essas duas “coordenadas” de um processo ético são SIGILOSAS. Isso, professor, não é fofoca, é a ética da sua Reitoria.

Há uma terceira coordenada que é ainda mais preocupante: Luiz Gonzaga Motta afirma, na seqüência, que esses processos éticos “nada têm a ver com a Reitoria”.

Como esse senhor pode saber disso? Para afirmar peremptoriamente que PROCESSOS (no plural) têm este ou aquele conteúdo é necessário CONHECER SEU CONTEÚDO.

Tudo leva a crer que o sigilo dos processos éticos foi quebrado pela Reitoria (que abriga a Comissão de Ética da UnB), e o ético Gonzaga Motta teve assim as informações para fazer sombriamente, em seu artigo, introdutoriamente, citações constrangedoras. Isso, sim, é falta de ética, que beira a criminalidade.

Desrespeitaram a Lei do Servidor Público, em nome da qual essa famigerada Comissão de Ética foi criada - como um instrumento de perseguição dos docentes que, como eu, criticam a República dos Amigos, a grande máfia em que se transformou a Universidade de Brasília, graças à coligação desses professores tão éticos que a dirigem. Comissão de Ética criada sem funcionáros, sem representativade de servidores, com amigos fiéis do grande Senador Cristovam. Comissão feita para o grande "abafa" do escândalo da queda de Mulholland.

Pior, as TRÊS coordenadas detidas pelo ético Motta são apenas indicadores de mais munição: reconheço a AMEAÇA do uso de mais informações sigilosas, em nome da defesa da “Homeland”, da UnB-do-Zé. E é uma ameaça oficial, feita por um dirigente universitário, visceralmente ligado ao Reitor José Geraldo. Há aí uma quebra da Ética e da Lei, evidente.

Essa atitude do prof. Gonzaga Motta lembra a do Sr. Palocci, quando Ministro da Fazenda, dirigente público, teve acesso aos dados bancários e sigilosos de um caseiro, para desmoralizá-lo. É o PT dos aloprados no poder: não há sigilo se não houver submissão total. Cala a boca!!!

Se o prof. Gonzaga Motta entendesse a lição de ética que tentou dar ao jornalista Gustavo Ribeiro, seria também honesto ao ponto de dizer que TODOS OS PROCESSOS ÉTICOS MANTIDOS CONTRA MIM FORAM REMOVIDOS, por iniciativa da Direção da FAUUnB, em acordo promovido pela Comissão de Ética – dado que eu movia um número igual de processos contra aquela Direção. A Comissão de Ética, diante do Madraçal, foi honesta e pediu PAZ. Somente a retirada dos processos, no meu caso, foi mantida em sigilo? Ah, não vale a pena falar disso.

A PAZ foi obtida, gratuitamente, de forma generosa e direta. No meu caso, abdiquei de processar a Direção da minha Faculdade simplesmente porque eu SOMENTE DESEJO O DIÁLOGO CARA A CARA, coisa de gente que tem vergonha na cara. Diálogo cara a cara, e não essa coisa sórdida promovida por maus professores, movidos a processos covardes. A Direção da FAU se recusava ao diálogo e promovia a perseguição. Seus efeitos, contudo, permanecem.

E agora, Luiz Gonzaga Motta?

Como explica essas três coordenadas privilegiadas sobre os PROCESSOS ÉTICO-DISCIPLINARES sob a guarda da sua Reitoria, ao seu alcance, Sr. Goebbels do Cerrado? Como pode saber disso, um jornalista do sr. Reitor?

Qual a diferença entre um professor de ética e um canalha, professor? Certamente o canalha usa a ética para finalidades anti-éticas, usa a sua função pública para a ameaça e perseguição de seus críticos e opositores, mas se envolve, miseravelmente, na bandeira da Instituição e da Ética.

Não tenho dúvidas em afirmar que o Sr., professor Luiz Gonzaga Motta, somente detém essas TRÊS COORDENADAS porque o sigilo dos processos ético-disciplinares sob a guarda da Reitoria foI QUEBRADO, e que seu conteúdo está a ser usado politicamente pelos defensores do Reitor.

A quem eu denuncio o senhor? À Comissão de Ética da UnB?

Fonte: O Miraculoso

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Bia Magno, a mini-Goebbels da UnB

A reportagem da revista Veja sobre o patrulhamento ideológico na UnB lançou luzes sobre muitas coisas que, antes da publicação da matéria, só eram notadas por poucos membros da comunidade acadêmica da universidade. A reação agressiva do Reitor - que chamou os professores entrevistados de incompetentes - e de outros membros da instituição - como o professor Luiz Martins da Silva, que simplesmente tachou os entrevistados de anti-éticos (aliás, atitude muito ética, não é?) - chamam bastante a atenção.

Outra coisa que também salta aos olhos é a campanha (esta sim verdadeiramente reacionária) promovida pela Secretaria de Comunicação (ou seria Propaganda?) da UnB contra a revista Veja, o repórter responsável pela matéria e as pessoas que dela participaram - campanha que, diga-se de passagem, acaba por provar que a tese de patrulhamento levantada pela revista está longe de ser ilusória, exagerada ou leviana. Chegou-se mesmo a distorcer as palavras de gente que deu seu depoimento à Secom - como o ministro Gilmar Mendes, que logo preparou nota de esclarecimento sobre sua declaração de modo a corrigir a torção de suas palavras.

Para quem é frequentador assíduo do Portal da UnB, isso é apenas a explicitação de uma linha de atuação que, ao longo de toda a gestão do nosso Grande Timoneiro José Geraldo, tem se exibido de maneira mais ou menos discernível: o mais deslavado puxa-saquismo pseudo-jornalístico que o dinheiro público pode comprar. Entretanto, essa sem-vergonhice (que muitos chamam de "linha editorial" da Secom) pode ter explicação plausível ao conhecermos um pouco da história de quem chefia a Secretaria de Comunicação da UnB.

Ana Beatriz Magno (Bia para os íntimos), antiga militante do movimento estudantil, é o nome da mestra-de-marionetes (ou também marionete-mestra, no caso) da Reitoria na Secom. Poucas pessoas de fora do meio jornalístico conhecem esse nome, mas, acreditem, é um nome que já deu o que falar - sobretudo da parte do governo dos Estados Unidos. Em 1994, de 24 a 31 de julho, Ana Beatriz Magno, então repórter do Correio Braziliense, publicou no jornal uma série de reportagens sobre tráfico de crianças para roubo de órgãos. Em 8 de dezembro 1995, a jornalista foi laureada com o Prêmio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha, concedido pela Agência EFE e pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional (AECID) - e entregue em mãos pelo Rei da Espanha em pessoa, o que ocorreu em 19 de março de 1996. Dez dias depois do anúncio na premiação, o extinto United States Information Agency (USIA) contestou formalmente o governo espanhol, através da Embaixada dos Estados Unidos em território espanhol, acerca da premiação, informando que a reportagem tratava-se de uma "ficção perigosa e prejudicial". O fato gerou uma crise diplomática entre os dois países. O governo da Colômbia também contestou, à ocasião, o governo espanhol.

Depois de a premiação ter sido ratificada pelos jurados que a concederam e ter sido entregue, a própria Ana Beatriz Magno admitiu ao jornal El País, em 20 de março de 1996, que havia baseado sua matéria em outros artigos, tendo averiguado apenas dois dos casos - a única evidência de um deles era uma radiografia em que, supostamente, faltava um rim. A reportagem causou uma celeuma enorme na comunidade jornalística e científica, sendo contextada inclusive por especialistas reconhecidos internacionalmente - como Sir Roy Yorke Calne, professor da renomada Universidade de Cambridge e um dos cirurgiões pioneiros no transplante de órgãos na Europa.

Mas não foi só no Primeiro Mundo que a chefona da Secom deu o que falar. Por incrível que possa parecer, ela trabalhou na própria revista Veja antes de assumir seu posto de paladina-de-plantão do Grande Timoneiro. Em 2008, Bia Magno publicou reportagem sobre o caso da menina Lucélia Rodrigues da Silva, que era torturada por sua madrasta, Sílvia Calabresi Lima, em Goiânia/GO. Sugerindo, dentre outras coisas, que a iminência de receber R$ 300 mil de indenização havia feito da garota uma espécie de bibelô de duas pastoras evangélicas de Belo Horizonte/MG - Pra. Ezenete Rodrigues e Pra. Ana Paula Valadão Bessa (líder do grupo gospel Diante do Trono) -, a reportagem causou grande polêmica, sobretudo no seio da comunidade evangélica. A revista Veja, tentando consertar o estrago, publicou carta de resposta da Pra. Ana Paula Valadão Bessa e dispensou os préstimos jornalísticos de Bia Magno. Aliás, como pode ser lido na imagem abaixo, acho que essa tarimbada jornalista guarda algum ressentimento contra a revista Veja e qualquer pessoa a ela associada.


Mas onde os préstimos jornalísticos de Bia Magno encontrariam guarida? Na UnB, claro! O Grande Timoneiro José Geraldo, um dos expoentes do mambembe Direito Achado na Rua, decerto encontrou nela o símbolo perdido de um Jornalismo Achado na Rua, e, assim, não pensou duas vezes em puxá-la para ser a chefe da Secretaria de Comunicação da universidade. Juntou-se a fome com a vontade de comer: o Reitor ganhou uma leal e destemida defensora, e a jornalista conseguiu continuar fazendo o que sempre soube fazer melhor.

Claro, o fato de Ana Beatriz Magno receber como pessoa física desde 2009, algo flagrantemente contra a legislação vigente, é um mero detalhe. Afinal, o Magnífico Reitor nos ensina que essa abominação chamada legalismo é coisa do passado. Bom mesmo é subverter tudo em nome de uma causa superior.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Indignação ou cinismo?

Hoje, dia 5 de julho, o Magnífico Reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Junior, publicou carta aberta através da Secretaria de Comunicação da universidade repudiando veementemente a matéria publicada pela revista Veja sobre a UnB. A reportagem, intitulada "Madraçal no Planalto", relatou supsotos casos de patrulhamento e perseguição política ocorridos na UnB e apontou que a patrulha ideológica aumentou substancialmente depois da eleição de José Geraldo para a Reitoria.

Dentre as indignações expressadas pelo Grande Timoneiro em sua carta, estão coisas muito interessantes. Ele desqualifica os professores que deram seu relato à entrevista dizendo que "dos seis críticos à atual reitoria, nenhum estava combatendo o medo nas salas de aula e nos corredores do campus durante os anos de exceção" - como se ter lutado contra o Regime Militar concedesse o mérito de estar acima do bem e do mal. Para defender seu mérito acadêmico, disse: "Sou autor de quatro livros, organizei 24 publicações, escrevi 56 artigos em periódicos e 43 capítulos de livros." No encerramento de sua carta, diz o Reitor:

Tomo a liberdade de encerrar esta carta com as três linhas que as cinco páginas de reportagem reservam para a única pessoa que defende a universidade no texto: o reitor. “É preciso analisar se não são os professores que, por falta de competência, perderam a visibilidade”. Refiro-me, claro, aos seis professores que foram se queixar à revista e me pergunto se fizeram isso de intolerantes que são ou se intolerante é a Veja, que os acolheu sem ouvir o outro lado?

Para não sermos tachados de maldosos, apressadinhos ou coisa que o valha por quem realmente tem neurônios e sinapses com funcionamento em dia, é justo que se faça uma pequena comparação entre o Magnífico Reitor e algum dos seis dissidentes que contribuíram para a matéria, certo? Assim sendo, resolvemos fazer uma comparação simples entre José Geraldo de Sousa Junior e o professor Ronaldo Rebello de Britto Poletti - afinal, ambos são do mesmo departamento. Para termos uma base de comparação justa, selecionamos os trabalhos individuais de cada um - artigos publicados em periódicos, livros completos e artigos publicados em jornais de notícias e revistas. Desconsideramos capítulos isolados e livros escritos em contribuição com outros autores. Fizemos esse pequeno filtro para mostrar a produção acadêmica individual de ambos, algo que leva em consideração unicamente a competência acadêmica pessoal dos professores. As informações foram extraídas dos currículos Lattes de ambos. Para conferir as informações, basta procurar pelos currículos dos professores da base Lattes do CNPQ.

O que os números nos mostram? Vejamos:

JOSÉ GERALDO DE SOUSA JUNIOR
Artigos em Periódicos: 56
Livros Completos: 4
Textos em Jornais de Notícias/Revistas: 148

RONALDO REBELLO DE BRITTO POLETTI
Artigos em Periódicos:
98
Livros Completos: 10
Textos em Jornais de Notícias/Revistas: 13

Como podemos ver, o professor Ronaldo Poletti publicou quase o dobro de artigos em periódicos acadêmicos e 2,5 vezes mais livros do que nosso Grande Timoneiro. O único ponto em que o professor Poletti perde para José Geraldo é na publicação de textos não-acadêmicos . Essa informação suscita uma pergunta bastante estratégica para a questão: em matéria de competência acadêmica, quem é que sai ganhando nessa contagem? Os números falam por si. Além disso, vale ressaltar que dois dos livros do professor Ronaldo Poletti - "Introdução ao Direito", "Constituição Anotada" e "Elementos de Direito Romano" - são adotados por cursos de Direito em diversas faculdades e universidades, públicas e privadas, do Brasil e do exterior - como a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Universidade Católica de Goiás (UCG) e o American College of Brazilian Studies (AMBRA). Como se não fosse bastante, os entendimentos do professor Ronaldo Poletti, jurista que é, reiteradamente têm sido utilizados para embasar votos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Vê-se que é possível imputar ao professor Ronaldo Poletti uma porção de falhas e deméritos, menos a de falta de competência. Diante dessas informações, há o risco de que muitos possam tomar a carta indignada do Grande Timoneiro - inegavelmente legítima, devemos lembrar - como um faniquito textual motivado por despeito. Mas tal pensamento seria, por certo, excessivamente nefasto, não é?

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Em tempo: a Secretaria de Propaganda, digo, Comunicação da UnB se dignou até a garimpar postagens no Twitter que falassem mal da reportagem da Veja e exultassem o Grande Timoneiro. Goebbels ficaria orgulhoso: nunca se viu um órgão oficial de propaganda tão esmerado, dedicado e leal.

domingo, 3 de julho de 2011

UnB: a fina flor da esquerdopatia

Este blog tem relatado, desde sua inauguração, casos de patrulhamento, aparelhamento, doutrinação e perseguição ideológicos ocorridos diuturnamente dentro da Universidade de Brasília. A situação chegou a um tal nível que, agora, a revista Veja publicou matéria falando sobre o descalabro sem limites pelos quais passa aquela que já foi uma das mais conceituadas universidades do País. Abaixo, segue a reportagem (créditos do blog Ciência Brasil).







A reportagem aborda basicamente o patrulhamento e a perseguição impostos a professores, mas há um aspecto ainda mais funesto: a doutrinação e a perseguição contra estudantes da universidade - aquela promovida por professores, esta promovida por professores e outros estudantes.

No dia 13 de junho, dois estudantes da UnB foram ameaçados de agressão física dentro das dependências da UnB por um grupo de alunos de extrema-esquerda. Os agressores integram um grupo chamado Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC), uma organização conhecida por recorrer ao vandalismo e à brutalidade em suas ações dentro da UnB - como pichações de instalações da universidade. O caso foi notificado à Reitoria através do Departamento de Administração.