terça-feira, 21 de junho de 2011

FCE/UnB: o drama dos esquecidos

É certo que boa parte dos estudantes da UnB têm acompanhado o drama de seus colegas universitários de Ceilândia. O atraso na entrega das obras gira em torno de dois anos, e a situação parece muito longe de chegar ao fim.

A Concorrência nº 26/2008-ASCAL/PRES/NOVACAP - cujo objeto é a construção da Unidade Acadêmica (UAC), da Unidade de Ensino e Docência (UED) e do Gradil da Faculdade UnB, em Ceilândia -, deu origem ao Contrato nº 158/2008, assinado em 10 de setembro de 2008 com a empresa Uni Engenharia e Comércio Ltda., vencedora da concorrência. O prazo original para a execução da obra foi de trezentos dias corridos - ou seja, o campus de Ceilândia deveria ter sido entregue em 9 de julho de 2009 -, e seu valor total era de R$ 17.165.176,23. De lá para cá, foram feitos treze Termos Aditivos: além do prazo de execução ter sido estendido para o dia 31 de maio de 2011, o custo total da obra subiu 13,16%, passando para R$ 19.424.589,13 (uma elevação de R$ 2.259.412,90).

Conversando com os alunos da FCE/UnB, descobre-se que a obra, além de atrasada, foi muito mal-feita. Conta-se que os laboratórios não possuem as instalações próprias do sistema de gás, o que vai exigir que as paredes sejam quebradas para que o sistema seja colocado. Além disso, o sistema de drenagem deverá ser refeito, já que a área em que se encontra o campus propicia o acúmulo de água da chuva. Quando perguntados sobre a possibilidade de entrega das obras no prazo correto, os engenheiros responsáveis dizem que somente um milagre garantiria a execução no tempo acordado. Além disso, não foram poucas as vezes em que os alunos visitaram as obras do campus e encontraram todos os funcionários da obra parados, sem trabalhar. Enquanto isso, cerca de 1.500 alunos precisam conviver com instalações precárias, laboratórios perigosamente improvisados, risco constante de violência e até mesmo a impossibilidade de se alimentarem decentemente para conseguirem dar continuidade a seus estudos.

Existem culpados para essa situação calamitosa? Sim, existem: em primeiro lugar, a empresa Uni Engenharia; em segundo lugar, o Governo do Distrito Federal; e, por último, a Universidade de Brasília.

A empresa Uni Engenharia é velha conhecida do governo federal e dos órgãos do judiciário. Em 2006, a empresa começou a participar de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Porto Velho/RO. Conta-se que uma das grandes responsáveis pelo ingresso da empresa no programa foi a ajuda substancial da então senadora Fátima Cleide (PT). Através do contrato N° 112/PGM/2006, com valor de R$ 10.778.614,92, a empresa foi contratada para realizar serviços de drenagem em período contratual de 12 meses em regiões de baixa renda da capital de Rondônia. A Uni Engenharia subcontratou empreiteiras para a execução de algumas dessas obras. O dinheiro foi embolsado, as subempreiteiras ficaram a ver navios e as obras não foram executadas, prejudicando a população carente. Em Belém/PA, a empresa também é conhecida: responsável pelas obras do projeto Vila da Barca, a Uni Engenharia não paga em dia seus funcionários e chega a fornecer alimentação com data de validade vencida aos trabalhadores.

Mas não pensem que a empresa só é conhecida apenas no Norte do País. A Uni Engenharia venceu, em 2008, licitação para a construção do Anexo III do Tribunal de Contas da União (TCU) aqui em Brasília. De acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU):

Durante a execução da construção, o tribunal verificou diversos atrasos injustificados no cronograma. A equipe técnica do TCU constatou que desde o início de dezembro de 2008, a obra estava praticamente paralisada. A Corte de Contas entrou com processo administrativo para obrigar a empresa a terminá-la. Porém, a empresa pediu a ampliação de 60 dias do prazo, para concluir a obra, inicialmente, prevista para terminar em 270 dias. No final dos 360 dias concedidos, a empresa havia terminado somente 40% do serviço.

Apesar de essas informações serem ruins para a imagem da empresa, ela não pode levar a culpa sozinha. O GDF também tem sua parcela de culpa. A falta de pulso firme na fiscalização da execução das obras, além da imensa crise que se instalou no governo em virtude do esquema de corrupção conduzido pelo ex-governador José Roberto Arruda, certamente contribuíram muito para que a situação se agravasse. Hoje, o que se vê é uma leniência que pouco se explica e que beira o descaso com a comunidade acadêmica da UnB.

Além da empresa e do governo, a própria Universidade de Brasília é culpada. O Magnífico (ou seria Bananífico?) Reitor parece se recusar a tomar todas as medidas cabíveis, inclusive judiciais, para garantir o interesse legítimo de alunos, professores e demais funcionários da UnB. Com sua fala mansa e seu jeitinho de frade franciscano, evoca os tempos em que a Universidade de Brasília foi fundada, como se dar aulas debaixo de árvores fosse sinônimo de uma Idade de Ouro perdida, mas almejada de todo o coração, e não sinônimo de precariedade do ensino. Além de não tomar nenhuma medida visando à responsabilização da empresa e do GDF, a UnB também não refreou o aumento do número de vagas nos cursos da FCE/UnB, o que agravou ainda mais a situação crítica na qual já se encontrava o campus improvisado.

As responsabilidades nesse caso são muitas, e a ação efetiva para resolver a situação, que deveria ser tomada pelas partes diretamente envolvidas, nunca ocorreu. O que se vê é um amontoado de promessas vazias de todos os lados. Enquanto isso, os alunos da FCE/UnB se veem obrigados a correr riscos diversos, inclusive à própria vida, para poder ter alguma formação superior.

É impossível, nessas condições, sentir orgulho de ser aluno da Universidade de Brasília.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Um Ano!

Hoje, o blog da Juventude Conservadora da UnB completa um ano. Nesse tempo, tentamos sempre tratar de assuntos relacionados à Universidade de Brasília sob uma perspectiva legitimamente conservadora, sem conversa fiada, de maneira direta e clara, desconstruindo ideias preconceituosas e estúpidas propagadas pela intelligentsia esquerdóide.

Ao longo desse pequeno período, recebemos a tímida simpatia de poucos e o achaque desmedido e ignorante de muitos - como bem colocou o filósofo Olavo de Carvalho, exerceram seu jus esperniandi. O anonimato que aqui adotamos foi frequentemente tachado de covarde, mas, para quem conhece como funcionam as coisas na UnB, sabe que essa é uma medida necessária - ainda que não nos agrade em absoluto.

Estamos convictos de que nossa pequena contribuição para um debate de ideias verdadeiramente plural e democrático dentro da universidade é de importância considerável. As mensagens de apoio que nos chegaram até hoje reforçam a certeza de que, aqui, falamos o que está entalado em muitas gargantas, estejam elas ligadas ou não à Universidade de Brasília.

Não nos intitulamos arautos de ninguém, muito menos temos a pretensão de assumir uma posição de vanguarda, seja ela qual for. Somos pessoas comuns, jovens universitários que se cansaram do totalitarismo ideológico no ambiente acadêmico e que, da melhor forma que encontraram, buscaram uma forma legítima e segura de divulgar suas ideias, suas opiniões e seus sentimentos sobre a UnB.

Aos que anseiam pelo nosso silêncio, àqueles que buscam nossa supressão, deixamos um aviso: a Juventude Conservadora da UnB veio para ficar.

Parabéns para nós!

P.S.: para que nossos detratores não fiquem chateadinhos nem ressentidos, aqui vai a nossa pequena homenagem:

domingo, 12 de junho de 2011

Se te chamarem de "nazista", comemore

Fonte: Blog Quebrando o Encanto do Neo-Ateísmo

Uma técnica frequente no debate entre conservadores e progressistas é o uso da rotulação de “nazista” ou “fascista” pela parte adversária.

Esse expediente tem sido usado por alguns comentaristas do blog. Mas se antes eu ficava incomodado, hoje eu comemoro.

Motivo?

No momento em que um interlocutor simplesmente me acusa de nazista, ele normalmente NÃO refutou nada do que eu disse. Ele simplesmente larga um xingamento para tentar vencer pela emoção, não pela razão.

Assim, eu fico feliz. Se ele quis me xingar de nazista, significa apenas que ele tem incapacidade mental de responder ao meu argumento. E segue que eu venci o debate.

Outro pode vir com “Ahh, mas conservadores são nazistas sim. Isso você não pode negar”.

Pois eu demonstro que não. A proposta conservadoras se baseia em dois itens básicos:
  • (a) Existe uma ordem moral duradoura que não pode ser violada;
  • (b) O ser humano tende a se corromper por natureza (não por culpa da sociedade) e por isso não se deve confiar nele (e sim na sabedoria da espécie);
É verdade que essa postura tem base religiosa, seja na idéia de um “direito” natural ou no ceticismo quando ao ser humano (basta lembrar de “Maldito é o homem que confia no homem”), embora um secular também possa acreditar em (a) e (b).

Voltando ao fascismo e o nazismo, fica claro depois de uma análise breve que conservadorismo é DIFERENTE dessas doutrinas políticas.

Ambas dependem de um Estado inchado que sempre vai ser um sistema que CONCENTRA poder. A frase “Tudo dentro do Estado, nada contra o Estado e nada fora do Estado” é a marca de Mussolini. Os nacionais socialistas também eram coletivistas, como explica bem o seguinte texto.

E continua: os Estados não só eram gigantescos, como se davam ao direito de DECIDIR quem iria VIVER e morrer, sem falar nas outras liberdades. O Estado era um ser onipotente que tinha o direito de matar e controlar a vida de quem quiser.

Se eu acredito que (a) existe um ordem moral duradora, que INCLUI o direito à vida e o direito as outras liberdades (como de consciência), então eu estou automaticamente contra o Estado nazista e fascista descritos acima.

E se eu (b) não confio no homem, então eu também NÃO confio na concentração de poder. Afinal, poder concentrado é o poder na mão de algumas poucas pessoas. E se eu não confio nessas pessoas, automaticamente eu não delego o poder a elas.

Portanto, a proposta conservadora INVIABILIZA o nazismo e o fascismo. Chorem os esquerdistas o quanto quiserem.

Aliás, quem defende Estado inchado e relativismo moral são os esquerdistas. Se os princípios conservadores fossem adotadas, o fascismo e o nazismo seriam inviabilizados por completo. Já o intervencionismo e o relativismo fazem parte da ESSÊNCIA do fascismo e do nazismo, que estão na turma dos “progressistas” e “revolucionários”.

E se alguém lhe chamar de “nazista” ou “fascista”, pode saber que ele, ao mesmo tempo, não soube ter um argumento convincente e também não sabe nada sobre o assunto.

Normalmente o diálogo vai assim:
  • ESQUERDISTA PROGRESSISTA: Você não aguenta as mudanças sociais. É por isso que você é contra a revolução comunista, onde vamos criar o novo homem e viver em paz para sempre, sem os malditos capitalistas.
  • CONSERVADOR: Não. A natureza humana sofre irremediavelmente de determinadas falhas graves. Em sendo o homem imperfeito, nenhuma ordem social perfeita, como o seu comunismo idealizado, pode ser criada. Por conta de seu desassossego, a humanidade se rebelaria sob qualquer dominação utópica, e iria, mais uma vez, eclodir em violento descontentamento. Eu também não confio em sua hipótese. Em nome da liberdade, os revolucionários franceses e russos aboliram as antigas restrições ao poder; mas o poder não pode ser abolido; encontra sempre seu caminho para as mãos de alguém. Esse poder que os revolucionários tinham pensado ser opressivo nas mãos do antigo regime transformou-se, muitas vezes, tão tirânico quanto o anterior nas mãos dos novos mestres radicais do Estado. No momento em que você der todo o poder para um grupo criar um “utopia” terrena, ele vai se apropriar e usar para seu próprio benefício. Querer “utopias” se resume a uma falta de verificação empírica da realidade. Por isso, sou contra revoluções, principalmente de caráter comunista.
  • ESQUERDISTA PROGRESSISTA: Hã.. hã… Nazista! Seu nazista!
Aí é apontar os erros, demonstrando que o adversário não sabe nada. Se quiser, deixar claro que ele está cometendo uma fraude intelectual e fale isso diretamente.

Depois disso, é só mandar pastar, já que a platéia deverá ter percebido a picaretagem do outro lado.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Dando nome aos bois

Recebemos hoje um e-mail muito interessante de um leitor que preferiu não se identificar. O texto e as imagens abaixo são dele.

Quando entrei na UnB, em 2007, eu tinha algum respeito por essa instituição e as pessoas que nela estudam. Hoje, essa imagem se transformou completamente. Hoje, vejo a UnB exatamanete como ela é: um antro de gente estúpida. A quantidade de quadrúpedes intelectuais por metro quadrado é assombrosa. Dá nojo.

Hoje, alguns alucinados acharam que não era suficiente fazer murais relembrando assassinos históricos - que eles louvam como se fossem verdadeiros heróis - e resolveram pregar cartazes pedindo a libertação de Cesare Battisti, aquele terrorista que, por ter tirado a vida de 4 pessoas durante sua luta para instaurar uma ditadura comunista na Itália, devia estar apodrecendo em alguma cadeia do outro lado do Atlântico.


Como o esquema na UnB é ocupar a universidade, resolvi fazer minha parte. Afinal de contas, se groupies de genocidas e ditadores podem, por que eu, que prezo muito os valores mais básicos da nossa democracia, não posso? Assim sendo, resolvi improvisar alguns adesivos para deixar bem claro o que o Battisti é: ASSASSINO. Colei em cada um dos cartazes que encontrei pela frente. Alguns dos adesivos foram arrancados uma, duas, até três vezes, mas eu fiz em quantidade suficiente para refazer o trabalho.

Fui chamado de fascista, claro - como se esse bando de débeis mentais sequer soubesse o que é Fascismo. Quando não é isso, sou tachado de "burguês reacionário". Eu sou realmente muito burguês: moro em Ceilândia, não tenho carro, não tenho roupa da moda e sou desempregado - ao contrário desses playboys em pele de "proletário". Mas eu sinceramente prefiro ser chamado de fascista e de burguês reaça do que compactuar com gente que, em pleno século XXI, idolatra assassinos. Aliás, não só o terrorista Battisti foi meu alvo, como podem ver abaixo:


Eu sou estudante, pobre e conservador, e me recuso a me calar diante desses revolucionários de meia-tigela que nunca saberão o que é ser realmente um "proletário". Se isso significa arranjar briga na UnB, que seja: farei isso mesmo que eu tenha que recorrer ao anonimato para tentar me proteger das represálias que certamente virão - e com força. Está na hora desse pessoal saber o que significa realmente viver em uma democracia.

Gostaríamos aqui de parabenizar essa atitude de coragem. Como lembrou o filósofo Olavo de Carvalho, o que falta é gente com atitude e determinação para combater o status quo imposto pela intelligentsia universitária - esta sim, cruelmente reacionária quando se trata de defender seus interesses escusos. Você tem o nosso inteiro apoio!