sexta-feira, 27 de maio de 2011

A UnB segundo Schopenhauer


Arthur Schopenhauer (1788 - 1860), um dos mais importantes filósofos de todos os tempos, nunca esteve na UnB. Bom, nem poderia - afinal, morreu um século antes da fundação da universidade. Entretanto, em seu tratado sobre dialética erística, o grande filósofo descreveu, com precisão, como funciona a Universidade de Brasília e o patrulhamento ideológico imposto pela fina-flor da intelligentsia brasileira.

Abaixo, segue a perfeita descrição schopenhaueriana de nossa querida universidade.

O que se chama opinião geral reduz-se, para sermos precisos, à opinião de duas ou três pessoas; e ficaríamos convencidos disto se pudéssemos ver a maneira como nasce tal opinião universalmente válida. Então descobriríamos que, num primeiro momento, foram dois ou três que pela primeira vez as assumiram e apresentaram ou afirmaram e que os outros foram tão benevolentes com eles que acreditaram que as haviam examinado a fundo; prejulgando a competência destes, outros aceitaram igualmente essa opinião e nestes acreditaram por sua vez muitos outros a quem a preguiça mental impelia a crer de um golpe antes que tivessem o trabalho de examinar as coisas com rigor. Assim crescem dia após dia o número de tais seguidores preguiçosos e crédulos.

De fato, uma vez que a opinião tinha um bom número de vozes que a aceitavam, os que vieram depois supuseram que só podia ter tantos seguidores pelo peso concludente de seus argumentos. Os demais, para não passar por espíritos inquietos que se rebelam contra opiniões universalmente admitidas e por sabichões que quisessem ser mais espertos que o mundo inteiro, foram obrigados a admitir o que todo mundo já aceitava. Neste ponto, a concordância torna-se uma obrigação. E, de agora em diante, os poucos que forem capazes de julgar por si mesmos se calarão, e só poderão falar aqueles que, totalmente incapazes de ter uma opinião e juízo próprios, sejam o eco das opiniões alheias. E estes, ademais, são os mais apaixonados e intransigentes defensores dessas opiniões. Pois estes, na verdade, odeiam aquele que pensa de modo diferente, não tanto por terem opinião diversa daquela que ele afirma, quanto pela sua audácia de querer julgar por si mesmo, coisa que eles nunca poderão fazer, sendo por dentro conscientes disto.


Em suma, são muito poucos os que podem pensar, mas todos querem ter opiniões. E que outra coisa lhes resta senão tomá-las de outros em lugar de formá-las por conta própria?


(SCHOPENHAUER, Arthur. Como Vencer um Debate sem Precisar Ter Razão. Rio de Janeiro: Topbooks, 1997, pp. 169-171)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A falta de representatividade do DCE-UnB

Democracia. Apesar dos diversos ataques, cada vez mais constantes e recentes, que têm sido promovidos contra essa velha e distinta senhora, ela ainda sobrevive no Brasil. As democracias modernas têm sido orientadas por diversos valores, como liberdade, propriedade, dentre outros. Uma das características (que, em certo sentido, também é um dos valores) da democracia é a representação política. Mas o que vem a ser isso?

Abarcar todos os conceitos possíveis de representação política tomaria um livro inteiro. Portanto, para fins didáticos, adotaremos o seguinte conceito:

A representação política, praticada nos Estados modernos, significa que os cidadãos delegam à seus representantes a tarefa de defender seus interesses. Para tanto, os representantes devem ser eleitos de forma democrática para expressar o desejo da maioria, e contemplar, sempre que possível, todos os segmentos da sociedade. O parlamento é por isso, a instituição na qual a representação política é exercida. (Fonte: Política para Políticos)


Nesse sentido, o que vem a ser a representatividade? Ela é o grau em que os representantes eleitos democraticamente fazem valer os interesses do todo que representam. Isso significa que os representantes eleitos não devem levantar bandeiras que sejam contrárias aos interesses de seus representados, muito menos defender causas que possam criar cisões no corpo que os elegeu. Afinal, isso iria contra o próprio sentido da representação política, o que pode gerar crises profundas e, em alguns casos, irremediáveis.

Diante disso, como podemos avaliar a representatividade do DCE da UnB junto à comunidade acadêmica? Tomaremos como objeto de análise um caso particular: a extradição do criminoso italiano Cesare Battisti. Battisti, que fez de um grupo terrorista de extrema-esquerda, é foragido da justiça italiana e está preso na Papuda, aqui em Brasília. Foi aberta uma enquete no site do DCE para verificar, junto à comunidade acadêmica da UnB, sua opinião sobre o caso Battisti. O resultado da enquete, disponível para consulta no site do DCE, foi:


Para se garantir a real representatividade do DCE nesse ponto, qual seria a postura a ser tomada? Respeitar a opinião da maioria dos estudantes e não defender a libertação de Cesare Battisti - afinal, a maioria das pessoas não expressou-se a favor da extradição do criminoso? Entretanto, o DCE da UnB, ignorando a opinião dos estudantes nesse assunto, publicou um manifesto (em 11 de janeiro deste ano) defendendo libertação de Battisti e, em 22 de fevereiro, convocação para um ato político a favor do terrorista.


É possível, diante dessa evidência, dizer que o DCE da UnB realmente representa o interesses dos estudantes da universidade? O desrespeito à opinião dos estudantes garante algum tipo de representatividade ao DCE da UnB?

terça-feira, 10 de maio de 2011

Hugo Chávez cancela sua vinda ao Brasil

Ministério das Relações Exteriores
Assessoria de Imprensa do Gabinete

Nota à Imprensa nº 186

9 de maio de 2011
Cancelamento da visita do Presidente da República Bolivariana da Venezuela, Hugo Chávez, ao Brasil

O Governo brasileiro tomou conhecimento, por intermédio do Chanceler Nicolás Maduro, que chegou a Brasília há pouco, de que o Presidente Hugo Chávez não poderá viajar ao Brasil para a visita prevista para amanhã, 10 de maio, por recomendação médica, para tratamento de lesão no joelho, que exigirá repouso nos próximos dias.

Também foram suspensas as visitas que o Presidente venezuelano faria ao Equador e a Cuba.

O Ministro das Relações Exteriores receberá o Chanceler Maduro, na manhã do dia 10 de maio, para examinar os principais temas das agendas bilateral e regional.

Nova data para a visita do Presidente Hugo Chávez ao Brasil será acordada tão logo se conclua o restabelecimento do mandatário venezuelano.

Comentário:

Ouvia-se choros e lamentos do lado de fora do DCE. O clima de comoção era comovente - e pleonástico, também. Todas viúvas chavistas chora.

sábado, 7 de maio de 2011

Hugo Chávez na UnB


Não, você não leu errado. No dia 10/05, terça-feira próxima, o ditador, digo, presidente da República Bolivariana da Venezuela, Tenente-Coronel Hugo Rafael Chávez Frías, estará na Universidade de Brasília para realizar uma palestra. Como podem ver na imagem acima, o evento tem apoio tanto da Fundação Darcy Ribeiro quanto do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB.

Sabe o que mais chama atenção nisso? Uma organização estudantil apoiando um governo que persegue duramente todos aqueles que não rezam pela cartilha bolivariana - sobretudo os estudantes. Um exemplo recente é o do líder estudantil Lorent Saleh, da Juventud Activa Venezuela Unida (JAVU), que foi agredido brutalmente pela polícia chavista e preso em um protesto contra o governo Chávez na cidade de Barinas. O protesto dava-se em apoio ao General Delfín Gómez Parra, um dos muitos presos políticos do governo Hugo Chávez.

Nós, da Juventude Conservadora da UnB, estaremos na "palestra" do ilustre caudilho. Queremos aproveitar o momento e convidar a todos aqueles que, como nós, consideram essa visita uma afronta aos mais básicos valores nos quais se baseia nossa (frágil) democracia - sobretudo a Liberdade - para comparecer ao evento e mostrar a esse ditador e seus apoiadores na UnB o que pensamos a seu respeito!

Onde: Ponta da Ala Sul do ICC
Quando: 10/05, terça-feira, às 17h00

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A UnB e o jornalismo maoísta

Hoje de tarde, a direção do Hospital Universitário de Brasília (HUB) entregou carta de demissão coletiva ao Magnífico Reitor José Geraldo de Sousa Júnior, o Grande Timoneiro da UnB. O motivo da demissão é a divergência de postura entre a administração da UnB e a direção do HUB com relação à criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) - mais úbere cheio de tetas macias e fartas para a companheirada encher a barriga com o nosso dinheiro sob o pretexto esfarrapado de melhorar a qualidade dos serviços públicos. Segue abaixo a íntegra da carta:

Brasília 02 de maio de 2011

Magnífico Reitor José Geraldo de Sousa Junior

Magnífico Reitor,
Considerando a evidente divergência de postura ideológica e prática entre a administração superior da Universidade de Brasília em relação à proposta do Ministério da Educação, contida na Medida Provisória 520, o Diretor Geral, a Diretora Adjunta de Ensino e Pesquisa, a Diretora Adjunta de Serviços Assistenciais e a Diretora Adjunta Executiva o Hospital Universitário de Brasília apresentam, por meio desta carta, seu pedido de demissão em caráter
irrevogável.

Ficamos à disposição da instituição para garantir a transferência tranquila do cargo para os novos diretores sem afetar a segurança dos pacientes e as atividades dos profissionais em treinamento no HUB.

Gustavo Adolfo Sierra Romero
Maria Imaculada Muniz Barboza Junqueira
Elza Ferreira Noronha
Laene Pedro Gama


O foco desse pequeno texto não é, entretanto, discutir o mérito dessa atitude, muito menos investigar os meandros dessa proposta estapafúrdia do governo federal, mas sim chamar a atenção para um fato interessante: o fato foi noticiado nos sites de, pelo menos, três grandes jornais (dentre eles, o G1, da Globo); entretanto, não há uma única nota, lembrete ou menção a esse fato - cuja importância para a UnB e a comunidade que depende do HUB - no Portal da UnB. Para não nos acusarem de estarmos sendo maldosos, segue abaixo duas imagens retiradas agora há pouco do Portal da UnB:



A tal da isenção jornalística é coisa desconhecida do pessoal da Secretaria de Comunicação da UnB (Secom). Como o fato atinge diretamente a imagem do Grande Timoneiro, é ignorado, como se não existisse. É como acontece com os jornais chineses, que são proibidos de falar qualquer coisa que chegue perto de macular a imagem do governo. Acontece que, nesse caso, não há censura imposta: há desinformação como vocação, quase como ofício de fé.

Que orgulho de ser UnB!