terça-feira, 12 de abril de 2011

UnB alagada: o silêncio do descaso

A chuva que castigou Brasília no último domingo, dia 10, superou todas as expectativas. De acordo com informações de agências meteorológicas, a chuva de domingo foi o equivalente ao triplo do esperado para os primeiros dez dias do mês de abril. Diversos foram os fatores apontados como causas do alagamento das instalações do campus Darcy Ribeiro - localização do ICC, falha de drenagem na região da Asa Norte, dentre outros.

Entretanto, os problemas relacionados à chuva - ou melhor, à falta de infraestrutura da universidade - não são recentes. Em janeiro de 2007, um grande apagão na UnB causou enormes perdas de material de pesquisa do Instituto de Biologia. Esse problema se repetiu em novembro daquele mesmo ano. Além disso, alagamentos são bastante comuns: qualquer chuva mais forte acaba deixando diversos edifícios do campus Darcy Ribeiro, como o ICC, com salas e corredores cheios de água - como foi noticiado em dezembro de 2010. Aliás, merecem destaque as palavras do prefeito na ocasião, dizendo que, para evitar estragos da chuva, "não há um plano geral para o ICC".

Ao contrário do que tem dito a postura adotada pela Reitoria e pela Prefeitura da universidade, o desastre ocorrido no domingo não foi uma fatalidade inevitável: ela foi resultado direto do descaso e da falta de planejamento das diversas instâncias da administração da universidade. Os estragos provocados por essa combinação fatal entre chuva intensa e falta de estrutura fazem surgir diversos questionamentos que ainda não foram respondidos:

- Qual é a situação do sistema de drenagem e escoamento da universidade?
- Por que as obras de impermeabilização das instalações da universidade não foram realizadas?
- Por que o sistema elétrico da universidade é tão frágil?
- Por que as requisições de manutenção, realizadas reiteradamente por diversos professores ao longo dos últimos anos, nunca foram atendidas?
- Por que a Prefeitura não tem nenhum plano emergencial de ação em casos de chuva mais intensa?

Além disso, existe uma outra dúvida que congrega todos esses questionamentos: será que eles serão, algum dia, respondidos?

Um comentário:

  1. Saiu no correio hoje falando que um relatório da ADASA já apontava problemas de drenagem desde 2009, o ano em que se pôs prática o projeto de expansão da universidade.
    Com relação aos danos no sistema elétrico, não é que ele seja frágil, mas qualquer catástrofe desse tamanho acaba com qualquer estrutura.
    Acho que isso já responde algumas perguntas.
    Tudo isso podia ter sido evitado? Claro. A questão é que a devida atenção nas obras em construção no campus, a expansão da universidade e as reformas de base não foram muito bem observadas. Problema de gestão.

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