sábado, 26 de março de 2011

Do vácuo moral e ético na UnB

Uma das coisas mais curiosas com relação ao Portal da UnB é que coisas antigas e recorrentes ora não são noticiadas, ora são mostradas com um alarde sensacionalista. O motivo dessa relação passiva-agressiva com o cotidiano da universidade ainda não está muito claro.

Notícia publicada na quinta-feira passada, dia 24 de março, mostrou o happy hour que os alunos de Agronomia fizeram no espaço diante do centro acadêmico do curso. O que mais chama atenção é o fato de haver sido instalada ali uma piscina. Todo o teor da notícia dá a entender que isso nunca, jamais aconteceu na UnB antes. É como se fosse uma transgressão sem precedentes das regras de convivência da universidade. A questão é: que regras?

Dois pontos merecem destaque no texto. O primeiro é a reação do diretor da Faculdade de Agronomia, Cícero Lopes:

O diretor da Faculdade de Agronomia, Cícero Lopes, presenciou a cena e pediu que a piscina fosse desmontada imediatamente. “Eles riram e disseram que era pra eu tomar as atitudes que eu achasse adequadas”, contou. Ele repudiou a brincadeira e enviou um pedido de punição dos responsáveis à Reitoria. “Esse não é um comportamento acadêmico, e vai totalmente contra as atitudes universitárias que o reitor está querendo implantar na UnB”, diz.

O segundo ponto é a indagação de um dos alunos de Agronomia:

Thiago Silva, um dos estudantes que entrou na piscina de bermuda e sem camisa, diz que a atitude “não tem nada de mais”. “Tem gente que anda pelada por aqui. Por que não montar uma piscina?”. O estudante referiu-se ao protesto em favor da estudante da Uniban, Geisy Arruda, em que 250 alunos da UnB foram nus ou com roupas íntimas até a Reitoria (leia aqui).

Ao contrário do que o professor Cícero falou, o comportamento noticiado não vai contra as atitudes universitárias que o reitor implantou na UnB. Quando assumiu seu mandato, o reitor deixou bem clara sua política de atitudes universitárias através de uma ideia: estudante está certo mesmo quando está errado. As atitudes universitárias estimuladas pela Reitoria possuem uma raiz bastante conhecida: impunidade.

Com relação ao questionamento do aluno de Agronomia, ele é mais do que válido: ele é correto. Por que alguns podem tirar a roupa em um pseudo-protesto contra uma situação que em nada se relaciona com o cotidiano da UnB enquanto outros não podem montar uma piscina e beber uma cerveja ouvindo música? Uma pergunta tão simples como essa pode ser constrangedora.

A UnB vive uma espécie de vácuo moral e ético em todos os seus níveis. Isso é visível para qualquer um que vive o cotidiano da universidade. A questão que se coloca é: esse processo é espontâneo ou ou meticulosamente estimulado?

Um comentário:

  1. Caros,
    o problema transcende a UnB e concerne toda a política dominante no país (até a oposição). A lógica, a razão, a legalidade, a democracia se degeneram, porque o que importa não é o que você faz ou diz, é a sua ideologia. Quem for do espectro político-partidário correto, pode fazer tudo, até o que é errado: será um progressista; quem não for, ainda que faça ou diga o que é certo, será um reacionário/direitista/udenista/burguês... imaginem aí a "ofensa" que preferirem.

    Se você tira a roupa em público, violando a lei, por uma "boa causa" (e quem decide se é boa é você, senhor do mundo), então está permitido, é consciência política. Se você fica sem camisa para festejar (de novo, você quem decide), então está proibido, é coisa de burguês.

    Se bebe cerveja e fuma maconha no CA de filosofia, com seus colegas de humanas, você está exercendo o direito ao convívio social, o direito de "ser jovem". Se bebe cerveja porque quer festejar, com seus colegas de agronomia, é porque é um elitista alienado, e não tem mais o direito de "ser jovem".

    Estou longe de simpatizar com os animais da agronomia, mas ainda mais longe de perceber que é justo o que eles dizem, dado os precedentes dos animais do corredor da morte. Para punir aqueles, primeiro seria preciso punir estes, um a um, além do prefeito do campus, esse prevaricador.

    ass.: 1 em 1000

    ResponderExcluir

Antes de comentar, leia a política de comentários do blog. E lembre-se: o anonimato é, muitas vezes, o refúgio dos canalhas.