quinta-feira, 31 de março de 2011

A Revolução de 1964

Há 47 anos, iniciou-se no Brasil um dos períodos mais obscuros de sua história: o Regime Militar. O obscurantismo ao qual me refiro não se relaciona ao que mais se fala sobre o Golpe (que eu prefiro chamar de Revolução) de 1964: que foi o início do pior regime que tivemos; que foi provocado um verdadeiro genocídio; que aqueles que pegaram em armas contra o regime são heróis nacionais.

Costuma-se ensinar que o Regime Militar foi um golpe orquestrado pelos militares com o apoio da direita elitista nacional para impedir os avanços progressistas do governo de João Goulart, como a reforma agrária e sua paulatina aproximação com a China. Quase a totalidade dos professores de História ensina isso. Mas isso é fácil de se explicar. A tradição universitária brasileira é dominada, há mais de 40 anos, pelo establishment intelectual de esquerda, sobretudo nas áreas de Humanas - Sociologia, História, Antropologia e afins.

Os professores (de História, sobretudo) que chamam o período iniciado há 47 anos de Ditadura Militar são herdeiros da herança intelectual (e de sangue, também) deixada por pessoas como Carlos Marighella, Carlos Lamarca, Luís Carlos Prestes, até mesmo a própria presidente Dilma Rousseff e seus companheiros José Genoíno, José Dirceu, Carlos Minc e outros. Pinta-se os militares, até hoje, como criaturas crípticas, escamosas, devoradores da liberdade e perseguidores dos maiores heróis da nação. Em contrapartida, omite-se que estes mesmos heróis da nação foram responsáveis por roubos, execuções (às quais davam o nome bonito de justiçamento), sequestros, atentados a bomba e outras ações de guerrilha.

O que normalmente se ensina e se fala sobre o Regime Militar está muito longe de ser verdadeiro, ou sequer isento. Não é apenas uma versão dos fatos, mas uma versão deturpada por ideologias políticas essencialmente antidemocráticas - o mesmo espírito que permeia a chamada Comissão da Verdade, cujo objetivo real é investigar tão-somente os crimes cometidos por agentes de Estado do regime e promover uma verdadeira caça às bruxas, omitindo convenientemente todos os crimes cometidos pelas guerrilhas da época.

Toneladas de mentiras e relativizações têm distorcido, há muitos anos, o ensino sobre esse período muito importante da história do Brasil. É preciso enxergar os fatos como ocorreram, desmistificar lendas, derrubar delírios e resgatar aquele conceito pelo qual tantas barbaridades foram cometidas: a verdade. Esse é o caminho para conhecermos de fato o que foi a Revolução de 1964.

sábado, 26 de março de 2011

Do vácuo moral e ético na UnB

Uma das coisas mais curiosas com relação ao Portal da UnB é que coisas antigas e recorrentes ora não são noticiadas, ora são mostradas com um alarde sensacionalista. O motivo dessa relação passiva-agressiva com o cotidiano da universidade ainda não está muito claro.

Notícia publicada na quinta-feira passada, dia 24 de março, mostrou o happy hour que os alunos de Agronomia fizeram no espaço diante do centro acadêmico do curso. O que mais chama atenção é o fato de haver sido instalada ali uma piscina. Todo o teor da notícia dá a entender que isso nunca, jamais aconteceu na UnB antes. É como se fosse uma transgressão sem precedentes das regras de convivência da universidade. A questão é: que regras?

Dois pontos merecem destaque no texto. O primeiro é a reação do diretor da Faculdade de Agronomia, Cícero Lopes:

O diretor da Faculdade de Agronomia, Cícero Lopes, presenciou a cena e pediu que a piscina fosse desmontada imediatamente. “Eles riram e disseram que era pra eu tomar as atitudes que eu achasse adequadas”, contou. Ele repudiou a brincadeira e enviou um pedido de punição dos responsáveis à Reitoria. “Esse não é um comportamento acadêmico, e vai totalmente contra as atitudes universitárias que o reitor está querendo implantar na UnB”, diz.

O segundo ponto é a indagação de um dos alunos de Agronomia:

Thiago Silva, um dos estudantes que entrou na piscina de bermuda e sem camisa, diz que a atitude “não tem nada de mais”. “Tem gente que anda pelada por aqui. Por que não montar uma piscina?”. O estudante referiu-se ao protesto em favor da estudante da Uniban, Geisy Arruda, em que 250 alunos da UnB foram nus ou com roupas íntimas até a Reitoria (leia aqui).

Ao contrário do que o professor Cícero falou, o comportamento noticiado não vai contra as atitudes universitárias que o reitor implantou na UnB. Quando assumiu seu mandato, o reitor deixou bem clara sua política de atitudes universitárias através de uma ideia: estudante está certo mesmo quando está errado. As atitudes universitárias estimuladas pela Reitoria possuem uma raiz bastante conhecida: impunidade.

Com relação ao questionamento do aluno de Agronomia, ele é mais do que válido: ele é correto. Por que alguns podem tirar a roupa em um pseudo-protesto contra uma situação que em nada se relaciona com o cotidiano da UnB enquanto outros não podem montar uma piscina e beber uma cerveja ouvindo música? Uma pergunta tão simples como essa pode ser constrangedora.

A UnB vive uma espécie de vácuo moral e ético em todos os seus níveis. Isso é visível para qualquer um que vive o cotidiano da universidade. A questão que se coloca é: esse processo é espontâneo ou ou meticulosamente estimulado?

sexta-feira, 25 de março de 2011

Quanto você vale para a UnB?

Antes de responder a pergunta que intitula o texto, vamos falar sobre uma coisa que já ultrapassou o limite da decência e da vergonha: o atraso nas obras dos Campi de Ceilândia e Gama.

Quantas vezes foi adiada a entrega das obras? Inúmeras. Os estudantes que deveriam ter aulas nos campi novos sofrem com a ausência quase total das mínimas condições para se ter aula. Salas com carteiras quebradas, sem iluminação adequada, sem espaço suficiente para acomodar os alunos. Produtos e equipamentos utilizados em laboratório estragam sem nunca terem sido usados. Fora isso, há a falta de segurança, de opções de alimentação e até mesmo de condições básicas de higiene.

Ontem, cerca de 300 estudantes dos campi do Gama e de Ceilândia foram até a Reitoria realizar um protesto pela conclusão das obras. Os prédios já deviam estar prontos há quase um ano. A cada protesto, o rol de desculpas esfarrapadas da Administração da UnB vai diminuindo, deixando a Reitoria cada vez mais exposta. No meio desse imbróglio todo, gostaria de chamar a atenção para dois fatos curiosos:

1 - A notícia da Secom sobre o protesto informa que a mobilização estudantil foi pacífica e bem organizada. O momento de tensão do protesto foi proporcionado por membros do DCE e da "oposição", que discutiram acalouradamente sobre onde realizar uma assembleia com os estudantes.

2 - "Eu defendo a ocupação possível do prédio", disse o decano Pedro Murrieta sobre a construção do campus do Gama, em reunião que anunciou que a UnB iria multar a construtora caso a obra não seja entregue até o dia 21 de abril.

Esses dois fatos servem de indício para responder a pergunta que intitula esse texto. Os estudantes se mobilizaram de maneira organizada e tranquila, com exceção da intervenção tanto do DCE quanto da "oposição". A Administração da UnB defende, através do decano Murrieta, que os prédios sejam ocupados exatamente como estão - e veja que não houve nenhuma palavra quanto à precariedade da infraestrutura das obras. Então, meu caro estudante da UnB, pergunto: quanto você vale para a Reitoria e para o "movimento estudantil"?

A resposta é evidente: NADA. Os alunos do Gama e de Ceilândia, além dos estudantes de Planaltina e do campus Darcy Ribeiro, não passam de massa de manobra na visão da Reitoria e do "movimento estudantil". Vocês, meu caros, são vistos como idiotas úteis, idiotas com os quais essas pessoas querem contar quando necessitam de massa de apoio para viabilizar seus projetos políticos. Quantos desses projetos estão verdadeiramente ligados ao real interesse da Universidade de Brasília? Que medidas concretas, práticas, foram tomadas em defesa dos reais interesses - melhoria da infraestrutura de ensino, atualização dos currículos, até mesmo coisas básicas como suprir os banheiros com papel higiênico - da comunidade acadêmica da UnB por essas pessoas?

Há muita gente que defende a atual Administração, o DCE e até mesmo a delirante "oposição" - que é fã, dentre outras pessoas, de um sujeito que responsabilizou o capitalismo pela destruição da vida em marte. Reflitam: essas pessoas estão realmente cuidando dos interesses de vocês?