quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Educação, doutrinação e emancipação na UnB

Qual é o objetivo da educação? Apesar de aparentemente simples, a resposta para essa pergunta gera debates acalourados desde que foi formulada pela primeira vez. A visão que normalmente se tem sobre os opinantes nesse assunto é que muitos defendem que a educação deve servir de instrumento para a perpetuação do status quo, enquanto outros defendem que a educação deve servir justamente para subverter o status quo. Na verdade, estes e aqueles são as mesmas pessoas; o que varia é a situação.
 
Acreditamos firmemente que o objetivo da educação é emancipar o indivíduo. Essa emancipação significa torná-lo plenamente apto a gozar de sua liberdade ao disponibilizar ao indivíduo o ferramental técnico-científico para analisar o mundo e, de acordo com seus próprios valores, inserir-se nesse mundo. A decisão de ocupar o papel de mantenedor ou subversor da ordem vigente cabe única e exclusivamente ao indivíduo. Essa decisão deve ser fruto do raciocínio individual, e não de um processo estruturado de doutrinação através da educação. Por isso que defendemos que a educação não deve privilegiar esta ou aquela doutrina ideológica, mas deve proporcionar ao indivíduo o contato dialético com as ideologias existentes, de modo que caiba a ele escolher ou não o que defender.
 
Essa postura, entretanto, é coisa rara de se encontrar nos meios acadêmicos, sobretudo junto àqueles que se dizem defensores de uma educação popular e "progressista". Quando se afirma categoricamente que educação popular deve ser não apenas "um processo de alfabetização de trabalhadores do campo ou da cidade", mas também "uma oposição ao sistema opressor em que vivemos" - como o fez o Prof. Dr. Renato Hilário dos Reis (Faculdade de Educação - UnB) em encontro recente ocorrido no campus da UnB de Planaltina -, defende-se que a educação deve ser um instrumento de doutrinação ideológica que vise à subversão da ordem vigente. Esse raciocínio não admite a liberdade de pensamento e de escolha do educando, muito menos a existência de uma postura crítica deste com relação à educação que recebe, mas tão-somente a doutrinação ideológica através da educação.
 
Educar é emancipar. Emancipar é proporcionar ao indivíduo condições para que possa caminhar com as próprias pernas, e não definir o caminho que ele deve seguir. Quando uma universidade defende que educação é trilhar um único caminho, quando é defendida (explícita ou implicitamente) a ideia de que a educação deve servir de instrumento de doutrinação, é possível falarmos em liberdade?

3 comentários:

  1. Bem analisado, os doutrinadores de sempre parece que permaneceram na década de 50, com o mesmo discurso de Mao Tsé Tung, tergiversando para enganar o povo em nome de uma Liberação que na verdade foi a escravização do povo e da tão "defendida" classe trabalhadora.
    Excelente blog, agora tem mais um seguidor: o Fusca.
    Se desejarem ilustrar com alguma charge, é só buscar no
    www.fuscabrasil.blogspot.com
    e copiar.

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  2. Ótimo texto!! Doutrina não é educação, que abre caminhos para a escolha do indivíduo.

    Parabéns pelo blog!! Sinal de que nem tudo é progressista na UnB.

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  3. Muito bom o texto.
    Parabéns, Felipe

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