terça-feira, 30 de novembro de 2010

A trupe dos bufões ataca novamente


A Universidade de Brasília é um lugar surpreendente, cheio de pessoas surpreendentes que, incansavelmente, diuturnamente, são capazes de coisas, por que não?, surpreendentes. Aqueles que pensam que o Portal da UnB serve apenas para bajulação pegajosa e barata ao Grande Timoneiro e seu séquito de alcaides acadêmicos, engana-se redondamente. A propaganda vai muito além disso: o Grande Cefalópode também entra na ciranda, não como figurante, mas como protagonista.
Conforme noticiado pela Secretaria de Comunicação da UnB, o presidente Lula reuniu-se com reitores e fez um balanço extremamente positivo (e delirante) sobre a expansão universitária promovida em seu governo. Bom, que o Grande Cefalópode fizesse isso já era de se esperar - afinal, Lula tem sua própria reputação a zelar, apesar de duvidar que o Sr. Presidente tenha, nesses oito anos de mandato, visitado uma única instituição federal de ensino superior (IFES) e averiguado realmente as condições em que elas se encontrassem. Mas o que esperar de um integrante da administração de uma universidade pública federal que, aparentemente alheio a todos os problemas que surgiram nos últimos anos, faz coro à "avaliação" de Lula? Segue abaixo trecho da reportagem, e, em seguida, comentário:
'João Batista de Sousa, vice-reitor da Universidade de Brasília, esteve no Palácio do Planalto representando a UnB e afirmou que o sentimento de que o governo Lula teve um papel importante no crescimento das instituições federais de ensino superior é compartilhado por todos os reitores. "A expansão universitária é o maior programa de investimento para as universidades federais", diz. "As universidades estavam sucateadas".
O professor lembrou os números do crescimento da UnB, que passou de 1.535 docentes em 2008 para mais de 2.100 este ano. Além disso, três novos campi foram criados no Gama, Planaltina e Ceilândia, gerando mais de 500 vagas a cada semestre. Só no último vestibular, foram oferecidas 176 novas vagas e três novos cursos.'
Em outubro deste ano, foi lançado um manifesto de reitores de algumas IFES que, voluntariamente, prestaram-se a um papel de bajulação oficiosa que envergonha e indigna qualquer um que tenha um mínimo de capacidade analítica, de conhecimento sobre a realidades dessas universidades e, claro, de vergonha na cara. Naquele documento, bem como nas declarações acima reproduzidas, tenta-se transformar essa expansão universitária atrapalhada e mal-estruturada em sinônimo de melhoria na qualidade do ensino superior público do País. Certamente, muitos que estudam e trabalham na UnB devem sofrer de seriíssimas alucinações sonoras, visuais e até mesmo táteis. Onde esconderam a qualidade universitária tão propagandeada pelo governo Lula?
Ou será que somos nós - que convivemos dia-a-dia com currículos defasados, a falta de laboratórios de pesquisa, de laboratórios de informática, de livros atualizados, de campi plenamente estruturados - os loucos dessa história?

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