sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O Paraíso na Terra tem nome: UnB


A profecia de Dom Bosco se cumpriu. Muita gente não sabia, mas, graças à Secretaria de Comunicação (SECOM) da UnB, descortina-se a gozosa realidade: o Paraíso existe, é terreno e se chama Universidade de Brasília.

O Portal da UnB publicou uma série de reportagens em homenagem aos dois anos de mandato do reitor José Geraldo de Sousa Junior. Na verdade, reportagem seria um eufemismo: são peças de um finíssimo trabalho midiático, uma mistura muito bem balanceada de lirismo puro e jornalismo dedicado, que perfazem uma justa homenagem ao Grande Timoneiro da UnB.

Gostaria de aqui destacar duas matérias que chamam a si mais atenção por sua sensibilidade: a entrevista do Grande Timoneiro e o relato de um dos jornalistas da SECOM. Alguns trechos da entrevista do reitor são de tal modo tocantes que, advirto-os, podem levá-los às lágrimas:

"Na campanha, eu propus esse projeto com base em alguns eixos que recuperavam a utopia original da universidade: conhecimento de ponta com qualidade; democracia; inclusão; mobilização para enfrentar e resolver os problemas nacionais. Ou seja, conhecimento com responsabilidade. Esses eixos envolviam também pensar uma gestão sustentável, tanto do ponto de vista ecológico quanto das relações interpessoais. Quer dizer, valorizar o reconhecimento da dignidade, da decência do trabalho."
[...]
"Uma série de circunstâncias favoráveis. Por exemplo: a crise moral, política, funcional da Universidade ter chegado a um ponto de tal culminância que não havia solução senão buscar o apaziguamento. São circunstâncias favoráveis o mandato coincidir com a elevada curva de investimentos que foram feitos no ensino superior, tanto de infraestrutura quanto de reestruturação e termos usado esses meios para implementar várias políticas."

Não se acanhem em admitir que, à primeira vista, é trabalho difícil compreender as melífluas palavras do egrégio reitor. Qualquer ímpeto de julgá-las como desprovidas de qualquer coesão ou significado inteligível é mero embuste de nossas mentes tacanhas e primitivas. O que o reitor quer dizer é que passamos por nossa própria Renascença, saindo de um período trevoso para a luz da democracia, do conhecimento e das artes.

Não temos salas sucateadas, nem carteiras apodrecendo, muito menos iluminação precária!
A civilidade impera, as pessoas são educadas, não atrapalham as atividades acadêmicas de seus companheiros de universidade, e não transformam mais os corredores da UnB em depósitos de gente barulhenta cheirando a maconha e cerveja!
As pessoas podem trafegar con tranquilidade por todos os campi sem o risco de serem assaltadas ou estupradas, muito menos de acabarem se tornando vítimas de sequestro-relâmpago!
Nunca se produziu tanta ciência, nunca tivemos uma infraestrutura de ensino tão moderna!

É inegável que uma verdadeira revolução está em curso na universidade. Estamos saindo dos porões da produção e do ensino acadêmicos para o palco principal!

O artigo do jornalista da SECOM é igualmente tocante, mas de modo diverso. Afinal, qualquer pessoa desavisada, ou mal-intencionada, pode acusar os artigos de formarem mera peça de publicidade na velha tradição goebbelsiana. Anátema! Jamais! A espontaneidade das palavras do jornalista apenas corrobora a mais pura verdade: estamos no Paraíso.

"Não via estudantes, professores e técnicos abraçados, como na emocionante luta junto à administração pela manutenção salarial dos servidores, que resultou na greve mais longa da história do país, no primeiro semestre de 2010."
[...]
"Encontrei o diálogo que serviu de base para a construção de um modelo inovador e democrático de gestão compartilhada, onde quem é da UnB – independente do grau de escolaridade ou do tempo de casa – consegue ser ouvido."
[...]
"Encontrei a ética numa gestão transparente, que reduziu drasticamente os gastos, principalmente dos famigerados cartões coorporativos. Na imprensa, a UnB havia saído das páginas policiais. Encontrei portas abertas para os reclames e protestos de uma comunidade participativa e, acima de tudo, fiscalizadora."
[...]
"Como jornalista, prezo, acima de tudo, a ética no meu trabalho. Não sou um criador de ilusões para os leitores nem para os meus chefes. Mas não posso fechar os olhos ao que salta à vista nas caminhadas diárias pelos campi. E é por isso que afirmo: dois anos depois de o professor José Geraldo de Sousa Junior e sua equipe assumirem a administração, a UnB é outra."

Quem não se emociona ao ler essas palavras não pode ter um coração a pulsar no peito. O relato do jornalista é de uma tal sinceridade que se torna impossível não ficar admirado com o trabalho duro, dedicado e indefectível do nosso amado reitor e sua mui tarimbada e dedicada equipe de gestão. E estamos certos de que os próximos dois anos serão tão maravilhosos, coloridos e felizes quanto os que tivemos até agora!

2 comentários:

  1. Acho que é o melhor artigo que vcs já publicaram aqui! Eu dei gargalhadas a cada parágrafo. É isso que o grande especial da Secretaria de Propaganda merece: riso e galhofa.

    A despeito de eu ter boas impressões da atual Administração, acho de PÉSSIMO gosto esse tipo de autopromoção. Humildade não faz bem apenas ao espírito de quem a carrega, mas também à imagem. É cafona e patético declarar-se o reinaugurador do universo, o que, de fato, diminui a relevância das verdadeiras forças que movem a academia: o estudante diligente, o professor comprometido, o técnico competente. Creio positivo, contudo, que o portal levante um sentimento de otimismo entre os membros de nossa comunidade. Porém, poderia tê-lo feito sem cair na piada.

    O que é o depoimento desse jornalista!? SANTA VERGONHA ALHEIA!

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  2. Caros

    O comentário de Deco é perfeito. Não consigo imaginar colocações mais apropriadas.

    Francamente, este peça de publicidade da SECOM é de doer

    Saudações

    LeoRAX

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