terça-feira, 16 de novembro de 2010

A falácia do financiamento público de pesquisa científica


Ineficiência. Essa tem sido a palavra-chave para definir tudo aquilo que o governo se mete a fazer. Não precisamos ir longe para encontrarmos evidência disso: o último Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) entrou para a história como uma das maiores vergonhas nacionais, e, certamente, mais um vexame para o imenso rol de falcatruas e ingerências do governo Lula.

Um Estado que se propõe a atuar em todas as frentes não conseguirá atuar em nenhuma de maneira eficiente, e o risco de desestabilizar os setores em que atua é grande. Entretanto, as diversas evidências da ineficiência da esfera pública em diversos setores, sobretudo na educação, parecem não ser suficientes para o DCE da Universidade de Brasília, que encabeça agora mais uma campanha delirante: o expurgo de todas as fundações privadas da UnB.

No ano de 2009, o Brasil ocupava a 72º posição no ranking mundial da educação, que é elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Em 2010, o Brasil aparece na 88ª posição. Exatamente: nós caímos dezesseis posições em apenas um ano. Podemos culpar as fundações privadas por isso? Não. Assim como não podemos culpá-las pelos currículos defasados, a falta de infraestrutura física, a falta de livros, a falta de segurança, muito menos o aparelhamento político que tem transformado as unviersidades públicas em balcões de negociatas. Só temos um culpado nessa história: o governo.

Um dos argumentos centrais defendidos pelo DCE/UnB para que as fundações privadas, sobretudo a Finatec, sejam extirpadas da universidade diz que a presença das fundações privadas significa a privatização da educação - um argumento que, de tão estapafúrdio, não merece mais do que umas boas risadas. Outro desses argumentos é o caso de corrupção que acometeu a instituição e que ainda está sob investigação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Curiosamente, ninguém defendeu com a mesma coragem e diletância a dissolução do CESPE quando o escândalo da máfia dos concursos veio à tona.

E o motivo é simples: não se trata câncer no cérebro decapitando o paciente. A garantia de transparência através de fiscalização constante, bem como presença firme e contundente do MPDFT, é, certamente, solução muito mais viável do que dependermos de um Leviatã obeso, que sufoca lentamente sob o próprio peso. Entretanto, no caso das fundações, quanto mais cabeças rolarem, melhor para o DCE/UnB. E, certamente, muito pior será para toda a Universidade de Brasília.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Antes de comentar, leia a política de comentários do blog. E lembre-se: o anonimato é, muitas vezes, o refúgio dos canalhas.