domingo, 28 de novembro de 2010

Ceilândia, UnB e Niemeyer: uma tragicomédia

Como deve ser da ciência de todos, a UnB possui 4 campi: Darcy Ribeiro (o principal, localizado na Asa Norte), Planaltina, Ceilândia e Gama. Se a infraestrutura do campus Darcy Ribeiro é sofrível, o que se vê nos outros campi é ainda pior. Basta perguntar a qualquer estudante de Planaltina, Gama ou Ceilândia para saber da real carência de estrutura de ensino.

Quinta-feira passada, dia 25 de novembro, a Secretaria de Comunicação da UnB noticiou que o campus de Ceilândia, cuja construção se arrasta numa novela interminável, não será entregue à comunidade no dia 1º de dezembro, como havia sido prometido pelo governador Rogério Rosso. A expectativa é que o campus esteja pronto para receber os alunos da UnB somente no primeiro semestre de 2011.

Diante desse atraso, o que era de se esperar do nosso Grande Timoneiro, o reitor José Geraldo? Uma postura firme de indignação diante do atraso, no mínimo, e, talvez, uma reunião com o governador Rosso - e, talvez, com o governador eleito, Agnelo Queiroz - para se discutir esse problema que tanto vem atrapalhado a vida e os estudos dos universitários que estudam em Ceilândia. Entretanto, parece que é bem mais proveitoso e interessante ao Grande Timoneiro se perder em lucubrações nostálgicas sobre o início da Universidade de Brasília.

De que adianta a recordação, feita em tom quase cinicamente romântico, de que Niemeyer dava aulas sob as árvores do campus Darcy Ribeiro no iníco da UnB? E o que deveriam fazer os estudantes do campus de Ceilândia diante dessa informação? Chorar de emoção ao saber que a falta de infraestrutura de ensino, desde a fundação da universidade (em 1961), é uma tradição que se perpetua ao longo das décadas?

O único choro que pode advir dessa situação lamentável é revolta. Revolta, primeiramente, com o descaso do Governo do Distrito Federal, cuja promessa leviana de entregar as obras no dia 1º de dezembro encheu de expectativas alunos que vem recebendo um ensino de péssima qualidade há muitos meses. E, em segundo lugar, revolta diante da (falta de) postura da administração da universidade, especialmente do Grande Timoneiro.

São atitudes como essa que incutem na comunidade acadêmica da Universidade de Brasília a impressão de que a parvoíce, a galhofa e a senilidade são políticas institucionais muito bem sedimentadas.

4 comentários:

  1. Resta aos alunos da ceilândia, ainda não providos com laboratório de anatomia, fazer um estudo de campo... ir para as ruas e usar os assassinados mesmo. Será bonito de lembrar no futuro.

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  2. Como foi dito no texto, só sabe quem estuda lá. Esse discurso romântico nunca colou com ninguém. O que mais me impressiona e entristece ao mesmo tempo é que a Faculdade de Ceilândia já "ganhou" por duas vezes pela participação na SEMEX, por oferecer mais atividades. Agora eu me pergunto: Temos mais atividades? Que bom! Temos mais integração com a comunidade de Ceilândia? Que bom!
    E aí?

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  3. Completando o comentário do maurício, também não temos laboratórios de química e um acervo de biblioteca decente.

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