quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Trote, sangue e leniência na UnB

Na manhã de hoje, quarta-feira, 20 de outubro, um calouro do curso de Engenharia de Redes sofreu um ferimento no queixo em decorrência do trote do qual participava. Teve de ser levado a um hospital, onde levou sete pontos no queixo. Muito indignados, o DCE, a decana de Assuntos Comunitários, Rachel Nunes, e o reitor José Geraldo disseram que vão apurar a responsabilidade no caso.

Sabe o que será feito efetivamente? Nada. E vamos explicar porquê.

Quando o CA de Agronomia promoveu um trote excepcionalmente humilhante no semestre passado - uma das "brincadeiras" era lamber leite condensado de uma linguiça encapada numa camisinha -, a revolta foi geral, e com razão. Qual foi a posição do reitor sobre possíveis punições? Ei-la:

UnB Agência – Por que a preocupação com punição é tão evidente no debate sobre comportamento? Isso é, de alguma forma, uma reprodução da violência aplicada?
Reitor – É um pouco disso que você está colocando. É também uma dificuldade de assumir a pro-atividade de práticas transformadoras. Há uma nostalgia da palmatória numa sociedade ainda muito hierárquica e uma universidade, como escola que é, tem de trabalhar na confiança de que projetos pedagógicos transformam as pessoas. Não é este o mito de Pinóquio, transformar um boneco de pau numa criança por meio da educação? Isso requer atitude e é por isso que estamos apostando nas ações acadêmicas. O que significa uma plataforma pedagógica de orientação, de educação e não de punição.

Isso é de impressionar? Em se tratando de um reitor de uma universidade pública federal, certamente. O que está embutido nessa lógica do reitor é que o aluno pode fazer o que bem entender na UnB que nenhuma, absolutamente nenhuma sanção será aplicada. No caso específico do José Geraldo, um dos mais dedicados defensores do Direito Achado na Lua, é exatamente isso o que se espera: a vitimização do ofensor, a aplicação contumaz do coitadismo sobre o contraventor. E, se essa é a posição do reitor, o que esperar das instâncias inferiores da universidade? Quem irá contradizer nosso Grande Timoneiro?

Ante esse quadro vergonhoso, indaga-se: a UnB está indo para o buraco? A resposta é: não. Já estamos nele.

6 comentários:

  1. Sou capaz de apostar que se o cara tivesse reagido e quebrado a cara do pessoal responsável pelo trote, aí sim ficariam todos (o reitor incluído) verdadeiramente indignados com a "violência" usada. Inversão total de valores. Coisa asquerosa.

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  2. Falar que o reitor me dá nojo é algo ofensivo? Nunca vi mais sem pulso! Deixar esse vício de trotes ofensivos continuar é o mesmo que apoia-los e digo mais, com todas essas notícias semestre após semestre, eu diria que a opinião neutra do nosso querido reitor gera uma apologia à essa violência. No campus da FCE os trotes violentos e de mau gosto acontecem também, mas não chegam nem aos pés das lendas em trotes do Darcy. Então, onde vamos parar? Chegaremos ao ponto de ter que suspender todos os trotes, assim como no curso de Veterinária? Talvez seja preciso.

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  3. As pessoas estudam em escolas que preparam-nas unicamente para penetrarem na (ou a) UnB - o que já é um problema - e essas mesmas escolas têm papel importante nessa cultura de trotes. Elas mantém como bela a imagem do trote e dos eventos como "calourada", "festa não-sei-o-quê dos calouros", que são na verdade apenas pontos venda de drogas e putaria em geral.
    A iniciação dos neófitos na universidade se dá nas primeiras aulas e não na sugeira dos trotes e das trepações dessas "festas" que se reproduzem por aí.

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  4. Bando de mal comidos. vão se divertir um pouco. Só pode ser inveja.

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