domingo, 10 de outubro de 2010

Doutrinação e UnB: tudo a ver

No dia 20 de julho, publicamos aqui no blog uma denúncia de doutrinação político-ideológica em sala de aula. Casos como esse são relativamente difíceis de presenciar em alguns cursos, como Administração e Engenharia Elétrica, mas abundantes em outros - há casos de professores fazerem os alunos se erguerem de suas carteiras e, pasmem, cantar o hino do MST antes das aulas! Ao que tudo indica, no entanto, esse processo de aparelhamento ideológico e sistemático proselitismo político em sala de aula, por parte de professores academicamente desonestos, está se alastrando com rapidez.

Mais um caso desses aconteceu na semana passada, no dia 5 de outubro. O local: sala BT 260, no ICC. Horário: 19h00. Disciplina: Governo e Administração no Brasil (GAB). A ementa da disciplina, de acordo com o sistema Matriculaweb da UnB, é a seguinte:

ORIGENS DO GOVERNO E DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL. A ORGANIZAÇÃO DOS PODERES. ESTADO E GOVERNO. FUNDAMENTOS, PRINCÍPIOS E FUNÇÕES DO SETOR PÚBLICO. ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO. FATORES CULTURAIS E SUA INTERFERÊNCIA NA ADMINSTRAÇÃO. A MODERNIZAÇÃO DO ESTADO. CONCENTRAÇÃO E DESCONCENTRAÇÃO FEDERAL, ESTADUAL E MUNICIPAL.

A professora que ministra as aulas da disciplina é formada em História pelo UniCEUB, com Mestrado e Doutorado em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB). Trata-se, portanto, de pessoa aparentemente dotada de alta capacidade técnica para conduzir o curso ao longo do semestre.

A aula começou com uma apresentação rápida dos conceitos de pátria, nação e povo. Em seguida, a professora informou que, para tratar do conceito de território, os alunos leriam e discutiriam um texto sobre o assunto. O texto em questão é intitulado "Globalização e Território", de Tânia Bacelar, e foi publicado originalmente na revista Le Monde Diplomatique (o artigo pode ser acessado na íntegra clicando aqui). A ideia central do texto é a de que o processo de globalização é o processo de internacionalização do capital financeiro, e que essa internacionalização é a grande responsável pelo crescimento da desigualdade em todo o mundo. Alguns trechos particularmente emblemáticos são reproduzidos abaixo (as seções em negrito são grifos nossos):

A palavra globalização é um neologismo: só aparece na literatura na década de 1980. Mas, como demonstra François Chesnais, a globalização é uma etapa específica, muito avançada, do velho processo de internacionalização do capital.
[...]
Quando o pacto colonial se tornou um obstáculo ao processo de internacionalização, ele foi derrubado, e no Brasil isso se expressa na chamada abertura dos portos, em 1808. No século XX, o Brasil reafirmou sua inserção, subordinando-se à internacionalização do capital produtivo industrial.
[...]
Para mim, quem melhor explicou o papel estruturante da internacionalização para o capitalismo foi Karl Marx.
[...]
Quem produz o tênis Nike são milhares de pequenas empresas situadas na Ásia. A corporação compra esses tênis e agrega 'emoção'. Aí, quem compra o tênis Nike compra junto a 'emoção' de poder usar um calçado de 700, 800 reais, que, na verdade, pelo custo material de produção, não vale isso.
[...]
O comando do processo está na tríade Estados Unidos–Japão–União Européia. Então, ao contrário do que muitas vezes se afirma, os grandes condutores do processo têm nome e endereço.
[...]
A seguir, vêm os países médios, que tentam influir em sua inserção. Alguns o conseguem; outros, não. Um exemplo de país que consegue é a China. A China consegue por vários motivos. Primeiro, porque é um país milenar. Já era uma potência antes do advento do capitalismo, um dos lugares que tinham desenvolvido de maneira mais expressiva as forças produtivas. Com a colonização perdeu espaço, foi dominada e virou a 'casa da mãe Joana': sucessivamente ocupada, ou seja, lugar onde todo mundo manda. Aí ocorreu a revolução e a China passou por uma importante fase de autonomia. Este é o segundo motivo de seu sucesso atual. Uma das coisas que mais me impressionou foi uma entrevista a que assisti no dia da morte de Mao Tsé tung. O repórter chegou junto de um velhinho que estava chorando na beira da calçada e perguntou: 'O que Mao legou à China?'. O velhinho não falou de socialismo. Ele disse: 'Mao recolocou a China de pé'. Ou seja, com o trancamento, a China deixou de ser a casa da mãe Joana e passou a se sentir dona de seu próprio destino. E aí está o terceiro motivo: o processo de reinserção da China ocorre num estágio muito avançado da globalização e está sendo conduzido sob o comando do Partido Comunista Chinês. Isso assegura uma reinserção muito mais autônoma do que a de países como o Brasil, que também é de porte médio, mas engatou no processo de globalização no século XVI, como colônia de exploração, e tem, até hoje, uma enorme dificuldade de atuar com soberania.

Após a leitura dessa excelente peça de publicidade esquerdóide, a professora abriu a discussão para a turma. Enquanto o tal processo de internacionalização do capital colocado pelo texto era discutido, a professora fez um comentário interessante: "esse processo é visível em muitas áreas, como nessa questão da mídia". Essa menção interessante provocou a pergunta fatal: o que a professora achava dessa confusão recente sobre liberdade de imprensa e "golpismo midiático"?

Para responder a essa indagação, a professora remontou ao século V d.C., quando a Igreja Católica começou, de acordo com ela, um processo de desalfabetização da população - um processo que durou mais de mil anos, indo até o século XVI. A invenção da prensa, por Johannes Gutenberg, marcou o fim desse processo. Em seguida, mencionou rapidamente o surgimento dos jornais, nos cafés franceses, e seu papel social de contestação. Foi então que veio a grande cartada: a partir da década de 1960, os jornais começaram a ser comprados por grandes empresas familiares, perdendo seu caráter legítimo de contestação e se tornando meros instrumentos a serviço dos interesses dos grupos econômicos que os controlavam. Trocando em miúdos: se algum grande jornal critica o governo, não o faz por que aquilo seja errado, mas por motivos meramente financeiros. Uma das frases mais curiosas dessa explanação foi a afirmação categórica de que "se você quiser saber o que pensa o PSDB, leia a Folha de São Paulo".

Diante de todo esse desfile alegórico de bestialidades ideológicas, não há outra postura que não seja a mais pura indignação. Além de utilizar o texto de uma acadêmica que apóia declaradamente um grupo como o MST (leia aqui), de fortíssimas tendências criminosas, a professora ainda planta sub-repticiamente um raciocínio perverso: como os jornais representam apenas interesses econômicos, não podem ser verdadeiramente considerados órgãos de imprensa, e, portanto, o princípio de liberdade de imprensa não se aplica a eles. O viés autoritário dessa lógica é claro como cristal.

Todo esse circo totalitário estimulou uma pequena pesquisa na internet sobre a professora. O resultado, longe de ser surpreendente, foi revelador: a professora é integrante da facção O Trabalho (OT), do Partido dos Trabalhadores (PT), de orientação trotskista. Em 2007, a OT publicou um documento intitulado "13 Pontos para uma Plataforma de Soberania Nacional" para o 3º Congresso do PT. A professora é uma das integrantes da OT que subscreve o documento.

Não aceitaremos situações como essa sem uma reação adequada. Todo aluno tem o direito de ter uma aula plural, com o consórcio de ideias diversas e divergentes, para que o conhecimento construído em sala de aula possa ser o menos enviesado possível - do contrário, não se está fazendo ciência, mas apenas um exercício de sectarismo político. E, se esse é um direito do aluno, esse é o dever sagrado e cívico de todo professor.

8 comentários:

  1. incrível como as minhas aulas de sociologia eram idênticas a isso... parece decorado de cartilha!!!!

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  2. parabéns pelo texto! já tive aulas em que o professor - com doutorado e pós-pós-doc. - falou "falar a verdade é coisa de padre". e é mesmo, pq os profis dessa joça só mentem na vida! mas puta que pariiiu - no melhor estilo olavo de carvalho. hehe tenho muito interesse em participar do grupo. abraço!

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  3. Anônimo,

    Obrigado pelo contato! Em breve, nós iremos fazer uma reunião com aqueles que estão interessados em fazer parte do grupo. Mande-nos um e-mail: unbconservadora@gmail.com

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  4. Hino do MST cantado em aula. O fundo do poço do ensino superior realmente já se encontra bem acima de nós...

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  5. Saber o pensamento do PSDB na Folha, já vi esse filme. Aliás, no meu terceiro ano a turma de sociologia (cujo professor é agora meu colega de 'classe' na UnB) fomos incentivados a não ler coisas escritas pelos redatores de certos jornais porque eles eram de "extremíssima direita", "quase nazistas"... E ganhamos até uma lista de nomes que NÃO deveríamos ler! Engraçado é que eu fiz exatamente o contrário só para encher o saco do professor e aprendi mais sobre sociologia lendo o jornal do que indo às aulas.

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  6. Lamento pela UnB, que um dia já foi uma universidade com um mínimo de qualidade. Saí da esquerda para nunca mais voltar, poorque vi o seu caráter autoritário, esquizofrênico, mentiroso, imbecil e burro.

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  7. Eu conheço a profa que dá aulas SOBRE o MST e ainda cobra nas suas provas o conteudo de seu hino. Ela é esposa de um político famoso de nossa cidade. Dizem que é excelente "professora de doutrinação", sendo amiga íntima do Zé Dirceu.

    Jamais deixarei um(a) filho(a) de amigo meu ter aula com essa professora.

    Nao posso dar o nome dela aqui no blog, pois o sonho doutado de seu esposo é me ver preso e calado para sempre (quem será o esposo??)

    ps:
    Conservadores, nao publiquem comentários que conhetenham a resposta certa!

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  8. Gustav, aposto que quem fez isso com você indicaria revistas como Caros Amigos, Le Monde Diplomatique e Carta Capital, dando a essas revistas a classificação de veículos de mídia isentos e verdadeiros. Tendencioso? Imagina!

    Maya, essa esquizofrenia esquerdóide domina todos os cantos da UnB nos dias de hoje. Nos sentimos personagens de 1984, a obra seminal de Orwell. O patrulhamento ideológico beira o grotesco. Obrigado pelo comentário!

    Prof. MHL, pode deixar, tomaremos esse cuidado. Mesmo porque sabemos bem que só esperam um pequenino pretexto para nos calarem de vez. Mas não desistiremos!

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