sábado, 4 de setembro de 2010

Viva la Revolución?

Por ocasião da Cúpula das Américas, ocorrida em Trinidad e Tobago em abril de 2009, o então presidente da Costa Rica, Oscar Arias, dirigiu-se aos chefes de Estado ali reunidos sobre a realidade política e econômica da América Latina. Em dado momento de seu discurso, afirmou:

“Vá alguém a uma universidade latino-americana e parece, no entanto, que estamos nos anos sessenta, setenta ou oitenta. Parece que nos esquecemos de que em 9 de novembro de 1989 aconteceu algo de muito importante, ao cair o Muro de Berlim, e que o mundo mudou.”

A lucidez dessa afirmação carrega uma verdade que, infelizmente, pode ser facilmente constatada em qualquer universidade da América Latina. A Universidade de Brasília, evidentemente, não escapa a essa sorte.

O Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) foi fundado em 1986 com o objetivo de “coordenar e desenvolver atividades de caráter multidisciplinar na Universidade de Brasília”. É composto por 33 Núcleos Temáticos (NTs) e um projeto especial, o Observatório da Juventude. Um desses NTs é o Núcleo de Estudos Cubanos – NESCUBA. De acordo com o website do CEAM, o NESCUBA “realiza cursos e eventos, desenvolve pesquisas e ações relacionadas a temas sobre a realidade cubana, organiza publicações e promove o intercâmbio entre professores e profissionais do Brasil e de Cuba.”

A compreensão da realidade cubana, especialmente na atual conjuntura política brasileira, é extremamente importante. Desde 1959, Cuba é governada pelo Partido Comunista Cubano, o único partido político da ilha. O regime castrista é uma das ditaduras mais antigas do mundo, sendo responsável pela morte direta de mais 70 mil opositores ao longo de meio século. Ficou bastante conhecido o recente caso do preso político Orlando Zapata, que morreu após uma longa greve de fome em protesto pela perseguição política na ilha. Na época, inclusive, o presidente Lula comparou os perseguidos políticos cubanos aos presos comuns brasileiros, o que causou justa indignação ao redor do País.

Entretanto, a professora Maria Auxiliadora César, coordenadora do NESCUBA, parece ter uma visão bastante particular (e diametralmente diferente) daquela que é divulgada pelo CEAM. Confiram:


Gostaríamos de destacar um trecho em especial, que transcrevemos a seguir:

“Foi uma iniciativa do professor Hélio Doyle, da Comunicação, e em torno dele nos reunimos vários professores, e criamos esse núcleo inclusive para apoiar também a Revolução Cubana como um farol de um novo sistema na América Latina, inclusive no Brasil.”

Apoiar a Revolução Cubana. Sim, é a isso que se destina, verdadeiramente, o NESCUBA. Esse NT não tem o propósito de estudar a realidade cubana, ou de traçar paralelos entre o Brasil e aquele país como maneira de intercambiar essas duas realidades tão distintas como forma de construir conhecimento científico. Nada disso: o NESCUBA se destina a propagandear o regime ditatorial castrista – que transforma oposição em crime, tal qual o pensamento-crime na Oceânia do livro 1984 (de George Orwell) – como um modelo a ser seguido pela América Latina afora, especialmente pelo Brasil. Aliás, a opinião do NESCUBA sobre os presos políticos cubanos está muito bem clara em um dos textos do blog do núcleo (clique aqui para lê-lo).

As pessoas que defendem a Revolução Cubana como um modelo a ser seguido, como uma alternativa possível a um regime democrático (por mais desigual que seja), podem ser corretamente divididas em dois tipos: o primeiro, quase inofensivo, é o dos ingênuos úteis, que não conhecem a natureza do regime cubano e se deixam levar pelas palavras doces do romanceiro comunista; e o segundo, bem mais perigoso, que é o das pessoas que não possuem nenhum tipo de apreço pela democracia, pela liberdade e pelo Estado de Direito, conceitos basilares de nossa Constituição. A qual desses dois grupos pertence a professora Maria Auxiliadora? A foto abaixo pode ajudar a elucidar esse questionamento.

Prof.ª Maria Auxiliadora participando do III Encontro Nacional de Pesquisa em Educação no Campo

O que mais impressiona é que pessoas que defendam um regime totalitário o façam de maneira institucional sem que nada, nem ninguém, chame a atenção para o absurdo que é esse fato. Entretanto, nós da Juventude Conservadora da UnB nos recusamos terminantemente a observar isso de maneira impassível. Manifestar nossa indignação é o mínimo que podemos fazer – e, infelizmente, na atual conjuntura política dentro da universidade, talvez seja o máximo, tendo em vista o brutal aparelhamento ideológico observado nos últimos anos.

A universidade deve ser palco para a defesa de regimes autoritários, que perseguem todo e qualquer foco de discordância, ou deve promover valores como democracia e liberdade? Pense sobre isso.

Próximo post: A importância da pseudociência na UnB.

6 comentários:

  1. Ridículo.

    Logo dirão que o regime da Coréia do Norte é um exemplo para o mundo. Quando o comunismo será criminalizado, assim como foi o nazismo?

    Essa Maria Auxiliadora ser chamada de professora é uma ofensa. É uma doutrinadora comunista de marca maior.

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  2. Yori,

    Infelizmente, o comunismo, que matou cinco vezes mais do que o nazismo, não será criminalizado tão cedo. Pior: se a tendência latioamericana se confirmar também no Brasil, essa perspectiva permanecerá um sonho muito distante.

    Pessoas como Fidel Castro, Che Guevara, Mao Tsé-Tung, Josef Stálin, Hugo Chávez continuarão, por muito tempo, sendo idolatradas e consideradas exemplos a serem seguidos. Mesmo ante essa perspectiva aterrorizante, não vamos aceitar calados essa ignomínia e lutaremos até o fim para que isso deixe de existir, tanto na UnB quanto na sociedade brasileira como um todo.

    Agradecemos o comentário!

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  3. Que tal esta? E agora? Dirão que o Fidel está senil?

    http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE6870M520100909

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  4. LC,

    Fidel nunca esteve senil. Ao contrário: ele sempre teve a mente bastante afiada. E há que se lembrar uma coisa: o modelo cubano NUNCA funcionou. Sempre viveu escorado nos sucessos (e fracassos) econômicos da União Soviética.

    Essa declaração pode significar duas coisas: ou ele, depois de quase 50 anos de comunismo (ele declarou a si e a Cuba comunistas em 1961), finalmente está dando voz à razão - e, assim, devemos nos preparar, pois o Fim deve estar próximo; ou é mais uma declaração cheia da desfaçatez de um velho ditador decadente.

    Ainda que admitamos que a declaração seja sincera - bem como aquela em que admitiu a perseguição a homossexuais por considerar sua orientação sexual contrarrevolucionária -, isso elimina o caráter opressor do regime cubano? Acaso essa tardia mea culpa passa uma borracha nos mais de setenta mil mortos da Revolução Cubana, ou nos presos políticos que se sacrificaram (a exemplo de Zapata) para que Cuba fosse uma democracia? Claro está que a resposta é evidente: não.

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  5. Haha, desculpe-me, não me entenda mal. Não me referia a vcs quando perguntei.

    Quando fiz a pergunta, me referi justamente aos admiradores do Fidel, que acreditam que o regime dele deve guiar a América Latina para um novo modelo econômico. Que o próprio Fidel, sincero ou não, admite que está ultrapassado.

    Abs.

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  6. LC,

    Sim, isso ficou claro (rs). E isso que você disse é realmente importante: sendo ou não sincero, a mea culpa de Fidel tem um peso simbólico que não podemos negar.

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