quarta-feira, 22 de setembro de 2010

UnB: terra sem lei

Pessoal,

Temos reiteradamente publicado e divulgado ocorrências de violência dentro do campus Darcy Ribeiro. Temos igualmente alertado para o caos generalizado que se instalou na universidade e denunciado repetidamente a pasmaceira e a omissão da Reitoria. Pois bem: a UnB foi, infelizmente, palco de mais um ato de violência. Recebemos, por e-mail, o relato da vítima, uma estudante de Psicologia.

Voltamos a repetir aquela pergunta que não quer calar: será que a Reitoria vai esperar alguém morrer para tomar alguma providência?

Reproduzimos abaixo o relato da estudante.

À comunidade da UnB, à direção do Instituto de Psicologia, à prefeitura do campus.

Escrevo para contar/alertar/desabafar que hoje, segunda-feira, 20/09/2010, por volta de 20h10, quase fui vítima de um assalto à mão armada, do qual escapei por pouco, dentro do Campus.

Uma amiga (recém-formada pela Psicologia) e eu havíamos saído no meu carro às 18h do ICC e deixamos seu carro estacionado. Ao retornar à UnB poucos minutos depois das 20h, deixei-a em seu carro e subi o estacionamento, tomando o primeiro balão (sentido sul-norte) bem em frente ao Multiuso, e pegando a rua de mão única e mal iluminada que liga o Campus à L3.

Um carro que vinha atrás de mim me ultrapassou pela esquerda, forçando meu carro contra o canteiro até me fechar completamente e me obrigar a parar. Cheguei a abaixar o meu vidro porque na confusão e no escuro acho que pensei que queriam informação. No banco do passageiro um homem armado gritava mandando “para o carro ou morre”. Estacionaram à frente do meu, o homem desceu do carro e veio na minha direção, empunhando a arma. Consegui escapar engatando a ré e acelerando tudo que pude até o referido balão. Vi o homem voltando pro carro, que acelerou.

Não consegui checar a placa ou o modelo do carro – apenas que era um carro preto, parecido com um astra (ou um carro sedan de médio porte, não tenho certeza) com vidros fumê muito escuros. Não sei se havia mais alguém além do motorista e do homem que desceu do carro – este era branco, de estatura média, magro, e estava vestido com camiseta e calça escuras.

Quando voltei à rua paralela ao estacionamento (que passa à frente do Banco do Brasil e do RU), avistei uma viatura da polícia, fui até eles e contei o que pude sobre o acontecido. Estava muito nervosa e tremendo, e não consegui me lembrar de todos os detalhes relatados aqui. Liguei pra minha amiga e ela estava tranquila, a caminho de casa.

Mando este e-mail como um alerta para todos e principalmente todas que frequentam a UnB à noite, mas também como um desabafo. Recentemente uma professora grávida foi assaltada à mão armada. Há meia hora quase foi minha vez. Isso não pode continuar, simplesmente. Por agora nem sei mais o que dizer.

Agora estou bem, em casa, imaginando onde e como estaria se por acaso meu carro tivesse morrido, se não tivesse acelerado na ré com tanta força, se o cara tivesse disparado, se, se, se.

Abraço a todxs.

Thessa Guimarães
Graduanda de Psicologia da Universidade de Brasília

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