terça-feira, 3 de agosto de 2010

Militância, revolução e criminalidade na UnB

Vivemos em um Estado Democrático de Direito. Isso é coisa que todo mundo já está cansado de saber, mas que pouca gente realmente entende. Para que um Estado Democrático de Direito exista, deve-se haver duas coisas: Estado de Direito e Democracia. O Estado de Direito é um tipo de sistema institucional que possui três características fundamentais: (1) a lei vale para todos, a começar pelo próprio Estado; (2) os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário são independentes; e (3) respeito aos direitos fundamentais das pessoas. Democracia é um regime de governo em que o poder é exercido pelo povo, direta ou indiretamente, através de representantes eleitos. De acordo com um importante jurista e filósofo italiano chamado Norberto Bobbio (1909 - 2004), não há democracia sem liberdade, e vice-versa.

O que isso significa? Significa que, no Brasil, as pessoas são livres para fazer o que quiserem desde que os direitos fundamentais sejam respeitados e as leis do País sejam obedecidas. Liberdade com responsabilidade com a proteção da lei. Justo, certo? Entretanto, é muito comum encontrar exemplos de gente que não faz nem uma coisa, nem outra, alegando que esse desrespeito é essencial na luta por uma sociedade mais igualitária, mais justa e democrática. Nesse ponto, você deve estar um pouco confuso: como se pode defender uma sociedade mais democrática agindo de maneiras que não são democráticas e, pior, são criminosas de acordo com as leis brasileiras? Será que não existem outras formas de se lutar por uma sociedade mais justa?

Na UnB, há grupos que acham que atitudes que vão contra a lei e o espírito democrático são formas legítimas de se lutar por ideais políticos "democráticos". Esses grupos defendem, em sua maioria, as ideias da Revolução Bolchevique (1917), da Revolução Chinesa (1949) e da Revolução Cubana (1959). Defendem com unhas e dentes grupos como as FARC, consideram a Cuba dos Castro um modelo a ser reverenciado e copiado, e atacam todos que não concordam com suas opiniões. Ultimamente, esses grupos têm passado um pouco do limite na defesa de suas ideias. O que era feito antes através de panfletos, jornais e cartazes está, hoje, sendo feito em pichações que podem ser encontradas em diversos lugares do campus Darcy Ribeiro. Uma das chapas que concorre ao DCE é, inclusive, formada por membros desses grupos que têm promovido pichações: a chapa 2, Unidade Estudantil Classista. Em sua lista de propostas e projetos, defendem que sabotagens são uma das maneiras ideais de se lutar pelos direitos dos estudantes.

É muito comum as pessoas confundirem todo tipo de ação de manifestação política com o conceito de desobediência civil. Desobediência civil é um conceito que foi formulado pelo filósofo norte-americano Henry David Thoreau (1817 - 1862) que diz que a autoridade do governo deve ser contestada pelo indivíduo através da desobediência às leis. Com o passar do tempo, esse conceito foi evoluindo. A teórica política Hannah Arendt (1967 - 1975) observou que uma grande característica da desobediência civil é a não-violência, algo que se pôde ver com clareza no movimento de independência da Índia (liderado por Mahatma Gandhi) e pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos (encabeçado por Martin Luther King Jr.). A não-violência da desobediência civil não se restringe ao lado físico e material, mas também ao campo das ideias. Gandhi, por exemplo, nunca defendeu que os indianos pegassem em armas e matassem os ingleses. Luther King, ao contrário de Malcolm X, nunca pregou que os negros promovessem destruição de patrimônio ou ataques aos brancos racistas.

A não-violência, de ideias ou de ações, não algo que se vê nesses grupos. Até a maneira como seus textos são escritos mostra raiva e intolerância. Essa violência de ideias se manifesta também em suas ações: pichação é um tipo de violência material, pois seu objetivo é a agressão visual. Quando se picha o muro de uma casa, isso é depredação de patrimônio particular. Quando se picha a fachada de um prédio da Universidade de Brasília, isso é depredação de patrimônio público. E é isso o que pode confundir ainda mais as pessoas: como alguém que, a princípio, defende o bem coletivo, o bem da sociedade, pode fazer isso destruindo uma coisa que pertence a toda a sociedade? Isso não é, no mínimo, contraditório?

Abaixo, colocamos algumas evidências da ação daqueles que dizem defender a democracia.

Pichação na fachada de um dos prédios da Faculdade de Educação.

Acima, dois cartazes da chapa 2. Engraçado: não é o que está pichado na FE?

Pichação da RECC (Rede Estudantil Classista e Combativa) na
Faculdade de Tecnologia. Está escrito "Fora fundações parasitas!"

Mais uma pichação da RECC, dessa vez na
fachada do Pavilhão João Calmon (PJC).

Mais uma da RECC, dessa vez na BCE.

As duas pichações acima foram feitas em prédios à beira da L3 Norte
pelo MEPR (Movimento Estudantil Popular Revolucionário).

Pichação na fachada de um dos prédios da FE
feita pela UNIPA (União Popular Anarquista).

Mais uma pichação da UNIPA, dessa vez
nos tapumes da obra ao lado do PJC.

Por que será que não querem a PM no campus?

Dentro de um Estado Democrático de Direito, reivindicar um direito para si mesmo atropelando o direito do outro é uma coisa não só ilegal, mas também imoral. Isso tira a legitimidade da luta, reduzindo-a a um ato criminoso. Quem usa atos violentos para exigir um direito próprio pensa que os fins sempre justificam os meios. Se todos pensassem assim, a sociedade seria transformada em um ambiente selvagem regido pela lei do mais forte. Você gostaria de viver em um mundo assim?

Próximo post: Reacionário? O que é isso?

14 comentários:

  1. Excelente o texto!(Quem escreveu?) Eu mesmo não poderia ter colocado melhor...

    É rídiculo ter um movimento estudantil contra a democracia (embora nunca admitam). O texto não deixa dúvidas sobre o que são esses movimentos pseudo-estudantis

    Chega de depredacão do patrimônio público.Chega de sabotar reuniões porque suspeitam que vão tomar uma decisão que não lhes agradam.

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  2. Flaydner, o texto foi escrito por um de nossos membros, que cursa Administração. Obrigado pelo comentário!

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  3. Olá conservadores,
    Sugiro evidenciar mais em seu post as fotografias das depredaçoes. Nao está claro no post que voces estao mostrando estas fotos (q por sinal estao excelentes)

    Marcelo Hermes

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  4. Prof. Marcelo, agradecemos a sugestão! As fotos serão inseridas no corpo do texto.

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  5. Com o acesso livre à universidade, quem decidiria "quem tem condições" de cursar uma universidade?
    Quando o acesso seria livre: aos 12 anos de idade, depois de fazer sexo pela primeira vez, quando matasse o primeiro burguẽs?
    E quando o proletariado finalmente tivesse alcançado o poder, isto é, todos os burguêses estariam mortos, a perda do direito de acessar a universidade após matar um burguês seria "revisionado" ou o "direito" simplesmente desapareceria?
    E quem escolhe o curso de acesso livre?
    E se muitos escolherem um curso de acesso livre e não houver professor suficiente para os que escolheram: os professôres dos outros cursos serão obrigados pela revolução à ministrar as disciplinas dos cursos "escolhidos"?
    Êstes "universitários" que têm esta ideologia, fizeram segundo grau onde?
    Basta estudar um pouco de cálculo diferencial e integral para saber que um sistema econômico é um sistema fechado, não tem de onde tirar a energia para ser ampliado. Os recursos vão acabar...
    E aí?
    Como dizia Margareth Tatcher: the problem with socialism is that you ocasionally run out of others people's money.
    Eu creio que êstes revolucionários passaram dos limites da opção ideológica para a opção criminal, pura e simplesmente.
    A única opção de entender o que fazem é considerá-los doentes mentais, mas ainda assim, o mal será feito e será permanente.
    Não creio que o Planêta Terra possa agüentar sêres consumidores dêste calibre por muito tempo ...
    Sig! Sig!
    Lula Lá!

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  6. QUE MARAVILHA...O QUE ESTÁ ACONTECENDO NA UNB...SUGIRO PARA TODOS OS ESTUDANTES DE TODAS AS UNIVERSIDADES FAZER O MESMO COM OS MUROS...MOSTRAR QUE O POVO ESTÁ DESCONTENTE COM TODA A REPRESSAO IMPOSTA POR ESSA SOCIEDADE DE CLASSE...PARABENS ESTUDANTES DA UNB!!!E QUE MAIS E MAIS MUROS SEJAM PICHADOS COM A FURIA DO POVO...TOMARA QUE AQUI NA UFG ACONTEÇA O MESMO...E SÓ UM RECADO "A SOCIEDADE DE DIREITOS DEMOCRATICO SÓ FUNCIONA PARA OS RICOS". VCS QUE ESCREVERAM ISSO SÃO UM MONTE DE REACIONARIOS" EU APOIO A LUTA DOS ESTUDANTES DE BRASILIA

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  7. Certo estava o saudoso Nelson Rodrigues:

    "A mediocridade, além de numerosa, é solidária."

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  8. desrespeitar a propriedade privada ainda é esperado de marxistas/socialistas/comunistas. O que me intriga é por que cismaram de depredar a propriedade pública!

    Toda vez que for acusado de um crime, vou alegar que o fiz em nome do povo...

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  9. Meus parabéns à Juventude Conservadora da UnB! Parabéns pela iniciativa de iniciar militância. Precisamos urgentemente disso aqui em São Luís - MA. Conservadores, precisamos combater o mal esquerdista no Brasil!

    Um abraço.

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  10. Tharsis,

    Agradecemos muito o apoio! São manifestações como a sua que nos dão força para seguir nessa luta! É como disse o mestre Edmund Burke: "Nossa paciência conquistará mais do que nossa força."

    Abraços!

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  11. Esse texto é perfeito pro q está acontecendo hoje na USP. Aqui eles usam capuzes, moleton GAP e óculos Ray-Ban. Aí tbm? Muito senso fashion e pouco bom senso.

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  12. Obs: Gostaria só de dizer q não sou de direita, nem de esquerda, nem qualquer outra classificação. Eu sou pela justiça, esteja ela onde estiver.

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  13. Maria Clara, aqui eles usam não apenas moletons GAP e óculos Ray-Ban, mas também tênis Nike e Puma, calças jeans Calvin Klein e camisetas Hollister, Tommy Hilfiger e Lacoste.

    Para você ter noção, tem gente dessa RECC que até recentemente morava às margens do Lago Paranoá (área superchique da cidade) em uma mansão com três quadras esportivas. Isso que eu chamo de revolucionário proletário!

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  14. A maconha anda afetando a cabeça desses ativistas... XD

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