quarta-feira, 14 de julho de 2010

Os trotes violentos e a permissividade institucional na UnB


Nas últimas duas semanas, a comunidade acadêmica da Universidade de Brasília presenciou dois trotes violentos. Um deles aconteceu na manhã do dia 8 de julho, quinta-feira passada, e foi promovido pelo CA de Química. O outro aconteceu ontem, dia 13 de julho, e foi promovido pelo CA de Agronomia. O comportamento dos estudantes em promover esse tipo de baderna é, certamente, revoltante. Entretanto, ainda mais revoltante é notar a permissividade institucional na UnB com relação a essas situações - não somente por parte da Reitoria, mas igualmente por parte do DCE.
O trote é uma tradição universitária? Sem dúvida. Entretanto, há maneira diferentes de se realizar um trote com os calouros. Há uma diferença gritante entre uma recepção festiva e um ato público de humilhação. Toda vez que acontece um trote violento, que se pauta pela exposição acintosa dos calouros ao ridículo, os criticados usam o argumento mais fajuto possível: ninguém foi obrigado a participar. Salvas as devidas proporções, é como não condenar alguém que "convidou" outra pessoa a brincar de roleta russa. "Se houve aceitação do outro, qual o problema?", indagam.
A verdade é que os calouros se sentem coagidos a participar. Não é uma coação explícita, clara, mas tácita e velada. Nenhum calouro quer entrar na universidade e já ser estigmatizado de "fresco" ou "nojentinho" porque não aceitou participar do trote. Isso é algo claro. Muitos deles aceitam não por acharem o trote algo bacana, legal e divertido, mas por temerem ostracismo no seu primeiro semestre de curso.
Quando acontece um trote violento, que achincalha os calouros, o que acontece além de discussões e protestos pontuais? Nada. Absolutamente nada. A Reitoria adota uma postura paternalista frouxa de fazer vista grossa e não condenar veementemente esse tipo de comportamento - semnpre se fala em conscientização, de conversa, mas nunca, jamais, de punição. Do outro lado, o DCE demonstra total concordância com os argumentos da Reitoria e não faz nada - não se viu até hoje uma única reunião que o Diretório Central dos Estudantes tenha feito para tratar seriamente com os CAs sobre a violência desnecessária de alguns trotes.
Parafraseando o blogueiro Reinaldo Azevedo, os alunos que promovem essas demonstrações ridículas e humilhantes merecem uma boa borrachada democrática. A permissividade da Reitoria e a omissão vergonhosa do DCE só servem para estimular esse tipo de irresponsabilidade por parte de alguns CAs. Além de sujarem o nome da UnB junto à população, sujam a si próprios na comunidade acadêmica, estigmatizando-se. Passam a não ser levados a sério. E como representar com dignidade os estudantes de um curso se seu nome está associado a desrespeito e truculência? Impossível.
É realmente essa UnB, essa universidade sem rumo nem ordem, que queremos para nós?
Próximo post: A desinformação institucional na UnB.

2 comentários:

  1. Muito bom, pessoal! Essa galera da Agronomia não aprende mesmo, hein! Há alguns anos teve a história do calouro "nojentinho" que ligou pra polícia e deu o maior auê. Além de ele ter ficado queimado com todos os veteranos dele (porque isso REALMENTE acontece, como vcs. colocaram), parece que foi apenas mais um caso que daqui a pouco entra pro esquecimento. Eu sou das Ciências Sociais e confesso que meu curso não tem um trote oficial, mas peguei uns veteranos de 2o semestre bem babaquinhas, me alcoolizavam pq. sabiam que era que nem faísca com gás de cozinha - e depois a culpa era sempre minha, até que eu parei de andar com eles e pararam de rolar histórias sobre mim. Quanta coincidência. Parece q a pessoa tem que virar mestranda pra te tratar com respeito depois.

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  2. O pior de tudo, Rafael, é que esses trotes só tem piorado ao longo do tempo justamente porque está bem claro que nada vai ser feito contra isso. Só fica na conversa, e, quando se fala em punição, Reitoria e DCE fazem o dueto do deixa-disso.

    Agradecemos a participação!

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