sexta-feira, 2 de julho de 2010

A Oposição CCI - Caudilhista, Caduca e Irresponsável

Há na UnB, desde o ano de 2008, um grupo de oposição ao DCE que se autointitula Oposição CCI (Combativa Classista Independente). Esse grupo é ligado ao Partido da Causa Operária (PCO), de tendência trotskista, e à Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC). Com a proximidade das eleições para o DCE, a Oposição CCI está organizando reuniões para a formação de uma chapa com a qual possam concorrer nas eleições para o DCE-UnB. Em cartazes espalhados pelo campus Darcy Ribeiro, especialmente no ICC, é possível ler algumas das posições defendidas por esse grupo. Elas estão disponíveis também no blog da Oposição CCI:

- Nem Enem nem Vestibular, acesso livre já!
- Fora polícia do campus!
- Fora Fundações Privadas!
- Pela ampliação de uma verdadeira Assistência Estudantil!
- Pelo Passe Livre Estudantil Irrestrito!
- URP para todos!
- Contra a tercerização e precarização do trabalho na universidade!
- Pela conclusão das obras nos novos campi!
- Abaixo a UNE pelega!
- Reconstruir o Movimento Estudantil Classista e Combativo!
- Nenhuma ilusão na democracia burguesa: Pela Ação Direta Estudantil!
Também é possível ler no blog da Oposição CCI que foram eles os responsáveis pela implosão da reunião do CEPE (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão):

No dia 13 de maio foi deliberada em assembléia estudantil a continuidade da greve e a não aprovação do calendário acadêmico no CEPE (Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão), já que este prejudicaria as greves, em especial a dos estudantes, e as atividades acadêmicas em geral, tendo em vista o fechamento do R.U, biblioteca, secretarias etc. Os estudantes, após esta assembléia, desceram em manifestação para a reunião do CEPE, onde a maior parte dos estudantes e servidores presentes implodiram o CEPE, com vistas a efetivar a deliberação da assembléia. Tal ação combativa foi acompanhada pelos gritos histéricos do governismo e da direita clamando pela "civilidade", pela "responsabilidade" e pela "democracia na universidade" (sic). Nós da Oposição CCI afirmamos que não temos compromisso nenhum com a lógica parlamentarista de conciliação de classe, traidora e oportunista da diretoria do DCE e sua base de apoio reacionária e pequeno-burguesa, afirmamos que a democracia burguesa não passa de uma fachada, assim como os apodrecidos conselhos "70-15-15" da burocracia universitária.

Vê-se muito bem o caráter dos estudantes que participam desse grupo. Essa minoria barulhenta impõe sua balbúrdia como maneira de forçar sua vontade - o que, dentro de seu estrabismo ideológico, é perfeitamente aceitável, um comportamento estimulado como sendo legítimo - e, quando não consegue o que quer, esperneia como uma criança mimada a quem a mãe nega um brinquedo caro. E aí, o velho jargão bolchevista (não mais vermelho, mas já rosa de tão desbotado) surge, impávido, vituperando contra os "reacionários", "pequeno-burgueses", "direitistas", "traidores", "pelegos", "governistas" e "oportunistas". Para essa gente, seguir os trâmites legais e legítimos é vergonhoso e ultrajante, mas sabotar e depredar é sinônimo de força e honra, um caminho a ser perseguido com vigor e determinação.

No blog da Oposição CCI, encontra-se facilmente uma explicação bastante interessante sobre a que veio esse grupo:

Nós da Oposição CCI só temos compromisso com o terreno da luta de classe. É nela que nos encontramos e nos comprometemos a desenvolvê-la até as últimas conseqüências, defendendo os interesses imediatos e históricos da classe proletária.

Há estudantes de todos os níveis sociais na UnB. Todos eles, tanto os que dependem das bolsas-permanência quanto aqueles que vão de motorista particular para a universidade, sofrem com os problemas que encontramos na UnB - a degradação da infraestrutura, a grande defasagem dos currículos dos cursos, a falta de segurança, dentre outras questões. Levantar a bandeira esfarrapada da luta de classes, um fóssil ideológico que não encontra ecos legítimos na realidade brasileira atual, é dividir os estudantes em grupos antagônicos com base num ódio irracional e pouco explicável.

Claro está que esse grupelho de comunistas do ensino médio, que se recusaram a crescer e amadurecer, não tem absolutamente nenhuma identificação com os estudantes da UnB. Seu interesse reside apenas no desejo de disputar o poder dentro do movimento estudantil à revelia dos reais interesses do corpo discente da Universidade de Brasília.

Observação: a enorme pichação que pode ser vista no Pavilhão João Calmom (PJC) traz a assinatura do RECC, grupo ao qual a Oposição CCI está ligada. Coincidência?

Próximo post: UNIPA - União dos Pichadores Anencéfalos

5 comentários:

  1. Oi pessoal,
    este texto aqui precisa de resposta:

    http://cienciabrasil.blogspot.com/2010/07/recado-aos-estudantes-conservadores-da.html

    bom domingo!


    Marcelo

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  2. Queria agradecer pelo texto que vocês escreveram sobre nós. Se é esse tipo de agressividade que causamos nos putefrados lacaios de capital, significa que estamos fazendo nosso trabalho corretamente e estabelecendo um linha clara entre nós e nossos inimigos.

    Em uma sociedade de classes, é impossível defender os interesses de todos ao mesmo tempo, mesmo que se busque uma fictícia unidade - que é, aliás, o expediente fascista que tenta ilusoriamente abafar a luta de classes e a exploração capitalista. Fascista, inclusive, é a tática política de difamar e patrulhar grupos classistas de maneira tão rasteira, vulgar e desonesta como vocês fazem.

    Nos não levantamos bandeiras "ideológicas", nos evidenciamos a realidade: o conflito inexorável de classes existente no capitalismo e tomamos um posionamento. A realidade não é uma teoria - é um fato.

    VIVA A LUTA ESTUDANTIL PROLETÁRIA!

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  3. Vocês não levantam badeiras ideológicas - assim como a utilização desse jargão tipicamente bolchevique é apenas um recurso puramente estilístico. Risível.

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  4. Interessante notar que a própria divisão da universidades em classes é uma visão simplista da teoria marxista. Ou seja, é uma visão simplista de uma já mais simples visão do mundo (como toda teoria, o marxismo é uma análise incompleta da realidade) e, no entanto, como o caso do CEPE mostra, com grandes e lamentáveis impactos para a universidade. É horrível ver uns gatos-pingados se declarando Os estudantes, A verdade...isso é tão errado, tão "Big Brother", tão facísta...

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  5. [ SUGESTÃO DE PAUTA ] Eu acho que vocês deveriam falar dos trotes na universidade, algo anacrônico e que acontece ao longo de todos o semestre, de modo que não há uma semana do ano letivo em que eu não me depare com um bando de veteranos que me dão vergonha e que me fazem me sentir num zoológico. Mostra apenas um inesgotável ressentimento por parte dos jovens, que precisam caçar bodes expiatórios para repetir a humilhação que sofreram nos semestres anteriores ao invés de se focarem em outras metas.

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