terça-feira, 13 de julho de 2010

Mentiras, vadiagem e o exercício do magistério na UnB


A Universidade de Brasília possui mais de mil professores. Muitos desses professores são altamente qualificados para ocuparem seus postos - possuem doutorado, pós-doutorado, realizaram inúmeras pesquisas nas áreas em que lecionam. Apesar da alta qualificação, muitos professores da UnB não são bons professores. E não é por falta de capacidade: trata-se de incompetência por opção. A falta de respeito para com os alunos chega a ser obscena.
Relataremos aqui dois casos que ilustram bem isso. Enquanto o primeiro deles é uma prova clara da preguiça e da incompetência a que chegam alguns professores, o segundo, em não sendo uma acusação formal, levanta dúvidas com relação ao comprometimento de uma parcela do corpo docente da Universidade de Brasília com suas funções e com os estudantes.
O primeiro caso ocorreu há 3 anos. Em 2007, um dos membros fundadores da Juventude Conservadora da UnB ingressou no curso noturno de Administração. A disciplina Introdução à Administração era então ministrada pelo professor Gilmar Masiero (pós-doutor pela Harvard University, um dos maiores especialistas brasileiros em comércio com a Coréia do Sul), que hoje trabalha na USP. Esse professor desenvolveu em sala um sistema de liderança de classe semelhante ao das turmas de ensino médio: um representante de turma foi eleito. Esse representante era responsável, inicialmente, pelo trabalho burocrático em sala de aula: recolher trabalhos e atestados médicos dos alunos e repassá-los ao professor. Era também responsável por alguns materiais que o professor disponibilizava para a turma como um todo. Sendo calouro, não se sentiu à vontade para se posicionar contra alguns abusos do professor.
O maior deles, entretanto, veio no fim do semestre: o professor atribuiu ao líder de turma a responsabilidade de fechar o diário de classe - ou seja, registrar as notas de trabalhos e provas no diário da turma e contabilizar as faltas dos alunos. O professor simplesmente eximiu-se da responsabilidade de fechar o diário de classe e, muito comodamente, transferiu essa responsabilidade a um aluno que, por ser calouro, achou melhor não contrariar o professor por receio de futuras retaliações.
O segundo caso ocorreu na semana passada. Um dos membros da Juventude Conservadora cursa Letras, e está com um problema: sua disciplina foi cancelada por conta do remanejamento da professora. Com isso, foi avisado que a disciplina não será ministrada. Por estar em condição na UnB e ter conseguido somente a quantidade exata de créditos para sair da condição, ele precisa dos créditos dessa disciplina para poder continuar seu curso na UnB. Na quinta-feira, por volta das 17h45, ele esteve no Instituto de Letras para poder conversar com a coordenadora do período noturno, Profª. Edna Gisela Pizarro. Outro de nossos membros estava acompanhando-o. A porta do IL estava trancada, mas havia luz dentro do instituto. Bateram à porta. Nada. Esperaram por um tempo, mas não houve resposta. Bateram novamente. Outra aluna chegou ao IL e também esperou por atendimento. Nenhuma resposta. Depois de quase quinze minutos batendo à porta praticamente de minuto em minuto, uma voz de mulher vinda de dentro do IL falou, ainda com a porta trancada, que a coordenadora não estava por ter precisado viajar com urgência naquele dia (doença na família, eis a justificativa). A tal mulher misteriosa (que, inclusive, tinha um sotaque estranho) pediu para os alunos voltarem no dia seguinte, sexta-feira, antes das 17h30 para que fossem atendidos.
Qual não foi a surpresa de nossos integrantes ao ouvirem da outra aluna, a que tinha chegado depois, que aquela voz era da própria coordenadora? A aluna foi categórica: já havia tido aulas com a Profª. Gisela e conhecia muito bem sua voz, o suficiente para saber que era ELA MESMA quem havia falado através da porta trancada. Na sexta-feira, nosso amigo voltou ao IL. Informaram a ele que a coordenadora estava ausente HAVIA DUAS SEMANAS e que não havia previsão de retorno para os próximos dias. Mesmo não tendo provas de que a mulher que falou aos estudantes na quinta-feira através da porta trancada era mesmo a coordenadora, é no mínimo esquisito esse desencontro de informações.
É mais do que óbvio que há alguns professores na UnB que não querem saber de trabalhar. Isso demonstra bem a profunda crise geral da universidade - onde os alunos farristas fazem o que bem entendem, muitos professores não estão nem aí para nada, e os alunos que realmente estudam pagam o pato por esse descaso.
Diante desse quadro, uma questão quer se fazer ouvida: será que os estudantes da UnB que realmente se comprometem com sua formação acadêmica não merecem um pouco mais de respeito e consideração?
Próximo post: Os trotes violentos e a permissividade institucional na UnB.

Um comentário:

  1. Sugiro à Juventude Conservadora que investigue também a situação dos professores com Dedicação Exclusiva que têm outros empregos, inclusive escritórios. Tentem pedir uma lista na Reitoria... a informação (quem é professor DE) é guardada numa caixa-preta.

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