quinta-feira, 8 de julho de 2010

A luta contra as cotas "raciais"

A Universidade de Brasília foi a primeira instituição de ensino superior federal a instituir o sistema de cotas para negros em seu vestibular tradicional, o ocorreu em junho de 2004. Isso é motivo de orgulho para muita gente dentro da UnB.

Entretanto, a questão das cotas não é um assunto ameno. É bastante polêmico. Tanto que, recentemente, a Fundação Universidade de Brasília (FUB) encaminhou consulta ao procurador federal Sidio Rosa de Mesquita Júnior sobre os critérios adotados para o sistema de cotas para negros no vestibular e no PAS. O procurador emitiu seu parecer no dia 29 de junho de 2010. As informações são do blog NoRace, da advogada Roberta Kauffmann.

Para nós, o sistema de cotas "raciais" da UnB não é motivo de orgulho. Ao contrário: é motivo de vergonha. O sistema de cotas "raciais" tem por objetivo tornar institucional duas grandes falácias: (1) a Humanidade pode ser dividida em raças; e (2) a população brasileira é dividida entre brancos e negros. Os argumentos que defendem a legitimidade e a necessidade do sistema de cotas são, em grande medida, frágeis: compensar séculos de exploração escravagista, combater o racismo, dar aos negros as mesmas oportunidades dos brancos no âmbito educacional, etc.

Vamos às tais falácias:

1) A Humanidade pode ser dividida em raças.
ERRADO! Quem fala sobre o tema, e com grande propriedade, é o Prof. Dr. Joaze Bernardino-Costa: "a categoria raça é uma construção sociológica, que por esse motivo sofrerá variações de acordo com a realidade histórica em que ela for utilizada" (BERNARDINO-COSTA, Joaze; GALDINO, Daniela. Levando a raça a sério: ação afirmativa e universidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2004, p. 19-20). O artigo "Ser negro no Brasil: alcances e limites", da pesquisadora Fátima Oliveira, também ajuda a compreender esse ponto: 

Estudos da genética molecular, sob o concurso da genômica, são categóricos: a espécie humana é uma só e a diversidade de fenótipos, bem como o fato de que cada genótipo é único, são normas da natureza. Tendo o DNA como material hereditário e o gene como unidade de análise, não é possível definir quem é geneticamente negro, branco ou amarelo. O genótipo sempre propõe diferentes possibilidades de fenótipos. O que herdamos são genes e não caracteres!

Como se pode ver, não há prova científica que determine a existência de raças diferentes dentro da Humanidade.

2) A população brasileira é dividida entre brancos e negros.
ERRADO! A população brasileira é fruto de um processo de miscigenação que é único no mundo. Não há como dividir arbitrariamente uma população que passou por séculos de mistura entre europeus, africanos e índios (além de asiáticos, como árabes e japoneses) em duas categorias antagônicas. Além de ser uma simplificação grosseira, é uma grande mentira.

É fato incontestável de que há racismo na sociedade brasileira. Isso é ponto pacífico. Entretanto, o sistema de cotas "raciais" não diminui o racismo. Ao contrário: ele fortalece o sentimento racista. Não são raros os casos de estudantes universitários cotistas que já foram discriminados e ofendidos justamente por serem cotistas. O sistema de cotas é uma maneira de se nivelar os alunos por baixo. Além dessa discriminação, há a discriminação contra os brancos pobres. Por que deveria um aluno negro de classe média ter preferência no vestibular em detrimento de um aluno branco de classe baixa? Será que a utilização de um critério não-científico é válido para efetuar essa escolha?

Uma evidência dessa discriminação reversa pode ser encontrada facilmente na UnB. O grupo EnegreSer (Coletivo de Estudantes Negros na UnB) com a proposta de debater as questões da comunidade negra da UnB, além de outros assuntos de interesse - produção acadêmica, literatura, etc. O grupo se reúne todo sábado no subsolo da ala norte do ICC, perto da AD&M Consultoria. E é grupo EXCLUSIVO para negros. Ou seja, alunos não-negros que queiram conhecer o grupo, suas atividades e sua produção não são aceitos unicamente com base na cor da pele. Agora, vamos pensar: esse grupo existiria se fosse de alunos autointitulados brancos que não permitissem a entrada de não-brancos? Não. E por quê? Porque esse comportamento tem um nome: RACISMO.

Para finalizar o texto, reproduzimos abaixo opinião de uma professora da UnB a respeito da questão das cotas "raciais" e convidamos todos a refletir sobre esse tema.

Por algumas vezes discuti o tema com alunos e, uma vez, perguntei a uma sala cheia - 40 alunos - quem era a favor das cotas. Nesta época, o deputado distrital Paulo Tadeu era meu aluno e estava presente. Apenas uma aluna não levantou a mão em favor deste absurdo. Curiosa com a exceção, quis saber o porquê de sua reação. Ela respondeu que, inicialmente, tinha entrado por cota para a UNB, em um curso que pensava que trabalharia com "Direitos Humanos". Serelepe e ansiosa por iniciar sua vida de protestos e manifestos, foi a algumas reuniões de Cotas. Entretanto, decepciou-se de pronto! Só chegou a ir umas três vezes porque sentia que não conseguia ser engajada ou se engajar no time dos "negros". O golpe mortal veio quando o líder, aluno, chegou para ela e a questionou: "Eu não entendo o que você está fazendo aqui vez que não é negra! Tudo bem que voce não é loira de olhos verdes, mas você não é negra." Ela, muito impressionada com a indagação e decepcionada com o fato, abandonou o curso, as ideias de manifestos, desistiu da cota e prestou vestibular para outro curso. Tornou-se a única contra esta ideia absurda.

Ainda sobre o tema, penso que se valorizamos nossos precursores, negros, agora, afrodescendentes - é mais chic! -, devemos lembrar deles pela sua capacidade de luta e do vencer e não pela (des)meritocracia, capacidade de derrota... O que a cota representa?! Os pobres, coitados, que não possuem capacidade o suficiente para passar em um vestibular e que, certamente, terão bolsas para o resto de suas vidas "já que não conseguirão ser absorvidos pelo mercado de trabalho". Serão os "deitados ETERNAMENTE em berços esplêndidos"? TODOS NÓS BRASILEIROS SOMOS NEGROS!

A política, ou como ser quer designar este absurdo, é uma ideia Hitleriana, do julgamento da capacidade pelo externo. Mensuração da cor, altura, beleza, estética... A Universidade tem deixado de se preocupar com a Ciência para se preocupar com isso?

Próximo post: a repercussão de nossa atuação na UnB.

4 comentários:

  1. Ok, desculpa mas aí vocês passam do limite da ignorância. As piadas posts de vocês tavam ok, não fazia nem sentido comentar porque era óbvio que vocês estavam brincando e talz. Mas céus, isso já é exagero. Vocês estão na universidade onde os professores que deram origem ao sistema de cotas dão aulas e querem falar que os argumentos são frágeis? Vocês já leram ALGUM texto dos professores de Antropologia José Jorge de Carvalho, ou da Rita Laura Segato? Pelo que vocês, cidadãos super investigativos dos assuntos que se propõem a falar, disseram nesse post, vou deduzir que não.
    Essa baboseira que vocês falaram sobre não existir raça é uma prova de que vocês não tem a menor idéia do que tão falando. O sistema de cotas universitárias não é baseado em diferenças biológicas, ele é baseado no estigma social imposto ao brasileiro negro.
    Se vocês concordam que existe preconceito no Brasil, vocês tem que ser no mínimo meio lentos de raciocínio para questionar a não criação de cotas para brancos pobres. Obviamente não é uma questão de classe econômica. As cotas possuem o objetivo de diminuir a diferença estrondosa na relação de trabalho marcada por brancos em postos altos, e negros em cargos baixos de trabalho, para assim ser capaz de eliminar o preconceito.
    Não é o fato de um aluno entrar por cotas na unviersidade que produz preconceito, mas o fato de pessoas desinformadas sobre o assunto, como vocês, não compreenderem a situação e criarem situações hostis.
    Sugiro que vocês no mínimo se informem sobre os assuntos dos quais desejam falar, mesmo que for dessa maneira fútil e bobinha que vocês vem feito.
    Caso vocês realmente se interessem por essas questões que levantaram, e não fizeram isso só pra tentar provocar e "causar" por aí (o que obviamente não tem tido muito sucesso) dêem uma olhada nesse texto da Rita, pode ser bem esclarecedor pra vocês.
    http://vsites.unb.br/ics/dan/Serie372empdf.pdf

    PS: Eu sei que vocês gostam de falar nos seus posts que os argumentos dos que discordam de vocês são frágeis e bobos ou algo assim. Se forem fazer isso, ao menos se dêem ao trabalho de responder nossas críticas, em vez de fugir delas e ignorá-las. Ilumine as nossas mentes pérfidas, pervertidas e manipuladas, vocês que são superiores.

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    1. Em 2013, a cota instalou-se no Brasil inteiro; com a desculpa PRECONCEITUOSA e esfarrapada de se colocar 'pobres' no meio. Somente pobres não basta, têm de ser afroqualquercoisa!

      E agora, o RACISMO e preconceito contra as vertentes ÍNDIAS E BRANCAS do nosso povo MISCIGENADO, está se enraizando no concurso PÚBLICO.

      E zumbi não tinha escravos!
      Teria cota zumbi?

      http://www.youtube.com/watch?v=A6U13jc9XmM

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  2. Rodrigo, a resposta a seu comentário está aqui: http://unbconservadora.blogspot.com/2010/07/resposta-ao-comentario-do-leitor.html

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  3. http://www.youtube.com/watch?v=A6U13jc9XmM

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